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Necropolis: Brutal Edition | Impressões do game!

Antes de começar estas impressões é preciso pontuar sobre a atual versão. A primeira versão de Necropolis foi lançada em julho deste ano, somente na Steam. Apesar da proposta interessante, o jogo recebeu algumas críticas negativas de sua comunidade, o que fez o estúdio, a Harebrained Schemes, trabalhar em um grande update que trouxeram várias novidades as mecânicas ao game, rebatizando o título de Necropolis Brutal Edition. Em 4 de outubro, tal versão de Necropolis também chegou ao Xbox One e PlayStation 4.

Ficha Técnica

Game: Necropolis (site)
Desenvolvedor: Harebrained Schemes
Publisher: Bandai Namco
Twitter: @WeBeHarebrained / @BandaiNamcoBR / @Necropolis_game
Facebook: Harebrained Schemes / Bandai Namco / Necropolis 

Plataformas & Preço: Steam (R$ 56), PlayStation 4 (R$ 92) & Xbox One (R$ 130)
Características de destaque: action role-playing, dungeons procedurais, labirintos, combate inspirado em games como Dark Souls.
Multiplayer: Cooperativo para até 4 jogadores (online apenas)

Já disse algumas vezes no passado como acho interessante esse cenário dos games atuais na qual os desenvolvedores podem ouvir o feedback tanto da crítica especializada quanto da comunidade de fãs do game, e com isso modifica-lo e até mesmo criar estas novas versões do mesmo, tornando-a oficial e nos deixando esquecer o formato na qual o game originalmente foi lançamento.

Ainda que também seja por isso que as vezes precisamos tomar cuidado com reviews de lançamento, especialmente quando estes updates acabam trazendo muito conteúdo a determinado título. É uma discussão cada vez mais frequente sobre a necessidade dos críticos voltarem a reavaliar determinados títulos, especialmente em casos assim, na qual os desenvolvedores acabam criando uma nova versão do título, aposentando a versão original.

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Enfim, Necropolis Brutal Edition adicionou novos cenários, melhorou mecânicas de combate, adicionou um segundo personagem, trouxe novas armas e equipamentos. É um update que tornou Necropolis muito maior do que inicialmente ele era. E isso é bacana. Ver vídeos de como o game estava em julho e como ele se encontra agora é um tanto impressionante, como os pequenos detalhes que foram alterados.

Masmorras & Labirintos

Necropolis funciona como uma grande masmorra (dungeon), criada sempre randomicamente, na qual o jogador precisa encontrar a saída, sobrevivendo a nove níveis (como andares) de calabouços. Dentro de Necropolis, o jogador irá enfrentar diversos tipos de inimigos, sejam eles soldados, criaturas como aranhas ou seres sobrenaturais como esqueletos ou espíritos armados com espadas e escudos. Há diversos tipos de inimigos, ainda que não tantos quanto talvez você possa imaginar. Mas sabe o mais importante: morreu? É Game Over. Não há segundas chances em Necropolis. O jogo não vai dar loading e retornar ao último checkpoint. O jogador precisa começar de novo, em uma nova dungeon.

Isso talvez possa parecer algo ruim, mas na verdade não é. A morte permanente em Necropolis não é de todo mal. Ela estica positivamente a diversão proporcionada pelo título, afinal o game não é sobre chegar ao seu fim, mas o quanto você consegue sobreviver dentro da masmorra criada aleatoriamente. E a cada recomeço, é um novo labirinto, com outros tipos de inimigos e armadilhas. São novas situações, novos caminhos. Não se tem a sensação de que você está começando tudo de novo para só depois de algumas horas chegar ao status de desafio na qual se encontrava antes de ter morrido. Desde o começo o jogador precisa ter cuidado.

Os combates possuem forte influência de games como Dark Souls. Os personagens se movem de uma forma parecida. Há a cambalhota para desviar de ataques, há o ataque forte e o ataque fraco, tem a defesa etc. Não é um sistema tão complexo, mas as batalhas podem ser complicadas quando os inimigos vem em grupo grande atacar o jogador. Fora que a barra de saúde não é revigorada automaticamente quando se está fora de perigo, sendo necessário se alimentar para que ela se encha um pouco, o que significa que cada dano tomado é um problema a longo prazo para se preocupar.

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O game possui um sistema de criação de itens, na qual o jogador pode criar poções, comida, entre outros artefatos. Coletando itens espalhados em caixotes ou derrubados quando inimigos são derrotados. Com as moedas coletadas, se faz possível aumentar a barra de saúde ou comprar itens de um vendedor que se encontra ao final de cada nível presente na masmorra. Há outros vendedores escondidos pela aventura, que podem vender armas e equipamentos especiais, fortificando o jogador, se o mesmo tiver grana para tal.

Equipamentos ditam sua força

Falando em armas, o sistema de progressão de personagem é bem interessante. Aqui o jogador não sobe de nível, mas suas armas sim. É possível empunhar duas, uma arma de ataque e um escudo para defesa, que também pode ser trocado por algumas armas menores, como uma espécie de varinha que pode lançar projéteis (só que não é tão eficiente quanto a arma de ataque em si).

No inventario é possível carregar até quatro armas (duas para cada tipo). Armas podem ser obtidas comprando de vendedores secretos ou sendo encontradas em baús, porém a forma mais eficiente é ficar de olho nos inimigos derrotados. Todos deixam cair suas armas ao morrerem, então o jogador pode verificar o nível da arma e se for de um nível maior, pegar para si. Há então um pequeno, mas eficiente sistema de loot.

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Gosto dessa ideia de que inicialmente começo com uma arma nível zero e, conforme o game progride, vou trocando de arma, utilizando aquelas deixada pelos inimigos mortos. E assim o jogo vai exponenciando sua dificuldade. A cada nível vencido as armas nas mãos dos inimigos vão ficando mais fortes. Assim o jogador vai trocando sua arma, sendo que o game apresenta algumas bem diferentes, como machados, martelos, espadas, algumas com elementos como eletricidade, outras com visuais bem maneiros (peguei uma espada vermelha que achei muito boa durante algumas das vezes que joguei o game). O jogador sente que seu personagem está progredindo e mudando graças a essa constante troca de equipamentos e armaduras.

Claro que Necropolis tem alguns problemas, já que nenhum game é perfeito. Na questão das armas, as descrições delas nem sempre são objetivas, deixando dúvida do porque determinada arma é interessante ou qual a sua habilidade. Cabe ao jogador trocar e testar. A boa notícia é que tudo que o jogador derrubar dentro do nível da dungeon continua no chão, sem desaparecer. Então é possível voltar e pegar aquela arma deixada para trás por engano. E normalmente os inimigos não renascem, ainda que tenha visto algumas situações na qual isso aconteceu.

Altos e baixos

Outra questão que vale a crítica diz respeito ao sistema procedural. Por algum motivo os inimigos são meio burros demais, pois constantemente ficam presos no cenário, não sabendo desviar de uma pedra ou uma pequena inclinação. Isso facilita as coisas no começo não vou mentir, já que inimigos presos são mais fáceis de serem derrotados. Entretanto acaba quebrando um pouco a imersão do game, com toda a certeza.

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E apesar do estúdio ter criado novos inimigos para a Brutal Edition de Necropolis, sinto que o game peca um pouco em ter mais grandes chefes. O jogo tem dois ou três nos níveis finais, que são bem maiores do que os inimigos normais do game, porém acho que nos níveis iniciais poderiam haver alguns chefes ou inimigos grandes que dessem um certo medo nos jogadores a ponto de ser necessário uma estratégia para vencê-los. Mas não há.

Na questão do visual do game, tenho que admitir que gostei de seus gráficos. Eles são meio geométricos (talvez mais do que deveriam) e o cenário é sempre bem escuro e azulado. Poderia ter uma diversidade maior de cenários? Sim, poderia. Há muitas críticas na comunidade quanto a isso. Inclusive o próprio sistema procedural não é tão diversificado quanto inicialmente dá a entender, pois assistindo vídeos no You Tube e pesquisando alguns dos segredos do game percebi que muitas das salas criadas eu também já tinha visto durante as horas que passei jogando-o nestas últimas semanas. Apesar de que isso realmente não me incomodou. Gostei tanto do visual, como fiquei satisfeito com o sistema procedural. O game não muda drasticamente a cada novo New Game, muda apenas o suficiente para não ser exatamente igual ao gameplay anterior.

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Apenas me preocupo um pouco com seu preço. Na Steam Necropolis até vale o que é cobrado, por toda a experiência prometida, entretanto tanto na Xbox Store quanto na PlayStation Store Necropolis não me parece um título que deveria valer nem perto ou mais do que 100 reais. Por mais que seja um jogo com um gameplay que pode durar algumas dezenas de hora, muito mais do que normalmente indie games conseguem durar, Necropolis deveria ter um preço mais amigável para com os apreciadores do gênero.

Vale ou não vale?

Antes de encerrar estas impressões, preciso dizer que gostei bastante do personagem Brutamontes, adicionado nesta mais recente atualização. É um personagem mais pesado e mais lerdo, porém mais resistente e com um ataque mais poderoso do que o Guarda Negro. Ele é perfeito para jogadores iniciantes.

Apesar do game ter apenas dois personagens, eles são bem customizáveis e mudam sua aparência ao longo do gameplay. Há diferentes tipos de armaduras, que dão aspectos bem diferente a cada um. Porém certamente é um título que talvez coubesse mais dois tipos específicos de personagens, especialmente por sua proposta multiplayer. Um personagem mago ou um arqueiro acrescentariam e muito ao game.

E me agrada que o título esteja totalmente localizado em português, com boas tiradas do ser todo poderoso que comanda Necropolis. Assim o tom do game não fica tão sério demais, e deixa o jogador curioso para explorar mais sobre escritas secretas ou o que tal pirâmide com olhos realmente quer de você. Não é um game que jogo pela história, mas acho legal que os desenvolvedores tenham feito estas escritas e mensagens que engrossam o caldo do game.

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Bem, e talvez a maior crítica que precise ser feita em relação a Necropolis seja em torno de seu multiplayer. Uma das grandes propostas do título é poder curtir o game com até quatro jogadores, desbravando suas masmorras. Em multiplayer, a morte só é permanente quando todos morrerem, já que um player pode ressuscitar o outro. Isso certamente muda a experiência do jogo, já que sozinho o jogador precisa ter mais cuidado. Interessante dizer que o game também possui friend fire, ou seja, os jogadores não podem estar na área de ataque de seu parceiro, ou também receberão o ataque do companheiro.

A grande questão de tudo isso é que Necropolis só funciona online, ou seja, se faz necessário que você tenha mais três amigos com o game para conseguir jogar seu multiplayer em sua plenitude. Parece normal tal decisão, mas me peguei pensando porque o título também não funciona com multiplayer local? Dividindo a tela com um segundo jogador, no mínimo. Me parece uma decisão ruim não adicionar tal opção, ainda que sob a desculpa de que é um estúdio pequeno e de que se trata de um indie game. Bem, o preço não é tão indie assim, o que significa que o multiplayer local não deveria ser totalmente descartado. Eu gostaria de jogar com um amigo ao meu lado, dividindo a tela da televisão. Não é necessariamente um defeito do título, mas uma ausência que é sentida.

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Para terminar, dá para dizer que Necropolis Brutal Edition me pareceu um excelente título, em uma versão muito mais convidativa do que aquela lançada em julho na Steam. É um título com boas ideias e que soube simplificar a fórmula Dark Sousl de ser, mais aberta a jogadores que tem dificuldade com o título mencionado por sua alta dificuldade. Para um começo é até aceitável que Necropolis tenha alguns problemas, e quem sabe mais ajustes sejam feitos daqui alguns meses. Só espero que em uma eventual sequência, tudo isso seja repensado e o que o game seja lançado com importantes adições, como talvez mais personagens jogáveis ou o multiplayer local.

Não é um título que não mereça ser recomendando, pelo contrário, até merece. Porém também merece as ressalvas feitas aqui. Se para você estes aspectos relatados aqui, como o preço, não são um problema, vale a pena pegar Necropolis. Caso contrário, acho que deixá-lo no radar e esperar uma promoção e, aí sim, combinar de pegar com alguns amigos me parece uma ótima ideia.

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Mas não se engane, Necropolis também é um bom título para ser apreciado sozinho, em single player. O jogo não é tão cruel a ponto de não permitir que um desbravador sozinho não consiga vencer o jogo. É possível. E também é divertido desta forma. Vi horas voarem dentro de uma masmorra, sem perceber o quanto o game havia me sugado para dentro do mesmo.

Encontre a saída de Necropolis… ou morra tentando!

Mais imagens

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Combate bem influenciado por games como Dark Souls
Brutal Edition trouxe excelentes adições
Visualmente é bonito, mas falta diversidade de cores e cenários
Gerador de dungeons funciona, mas repete certos padrões
Multiplayer apenas online, sem opção de local (tela dividida)
Divertido, imersivo e bem localizado com legendas PT-BR

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!

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