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Furi | Frustre, supere e sinta-se desafiado! (Impressões)

Furi é um daqueles games que emana antigos sentimentos da velha guarda dos videogames. Tempos na qual nem tudo era o mamão com açúcar que muitos games são hoje em dia. Tempos na qual você poderia ficar tão irritado com o jogo a ponto de arremessar o controle na parede.

Hoje eu não teria coragem de fazer isso com um controle – sabendo o quanto um novo controle custa no Brasil dos altos impostos – o que não significa, claro, que não tenha tido alguns momentos na qual amaldiçoei toda a equipe de desenvolvedores de Furi, o estúdio The Game Bakers.

Ou seja, decididamente Furi não é um game para qualquer jogador. Você irá se irritar, se sentir o pior jogador do mundo, mas acima de tudo, não vai conseguir largá-lo antes de terminar a jornada na qual você foi desafiado. É como se o jogo lhe desse um tapa na cara e lhe chamasse de franguinho. — Vai desistir no meio, vai?

Furi trata-se de um gênero que tem se destacado bastante nos últimos anos: um jogo de batalha de chefes. Não há fases aqui, apenas confrontos contra poderosos inimigos, que em qualquer outro game normalmente seria os chefes finais de cada mundo. São 10 adversários para concluir o objetivo principal do game, mais um secreto que o jogador pode acionar após os créditos finais e que lhe dará o final verdadeiro do game. E se você o jogar pela versão de Xbox One, há mais um chefe adicional exclusivo (até o momento) para a plataforma – que também se encontra após os créditos finais do game, antes do último confronto.

Fuga da prisão e o cara com máscara de coelho

O jogador controla esse personagem que lembra um samurai, preso em uma espécie de cadeia, sendo torturado sabe-se lá porque. Para sair, é preciso avançar vários níveis, derrotar todos os guardiões e assim conquistar a sua liberdade. Para tal você conta com a ajuda de um parceiro, que usa uma bizarra máscara de coelho – referências como Donnie Darko e o coelho de Alice no País das Maravilhas vão fazer parte desse enigmático personagem. Só que esse “Coelho” não vai participar das batalhas, sua função é mexer com o psicológico do protagonista – e do jogador – que já chega tenso e paranoico a cada chefe que surge em seu caminho para fora dessa prisão.

Não irei revelar muitos detalhes sobre a trama. Quem é o samurai, quem é o coelho, porque a prisão é como ela é, e toda a trama que pressiona consciência com claros toques de que nem tudo é o que parece ser. Você irá descobrir tudo isso se conseguir chegar ao final do jogo, ainda que haja alguns elementos interpretativos ao longo da jornada. Talvez o final decepcione um pouco, mas isso não o faz ser ruim. No meu caso apenas estava esperando algo que não aconteceu, porém não há como mencionar aqui sem estragar parte da experiência de quem for jogar eventualmente.

A jogabilidade em Furi funciona em batalhas mano a mano, dentro de uma arena condicionada especialmente para determinado chefe. O jogador pode atacar, carregar um super ataque, defender, contra-atacar, atirar pequenos projéteis, carregar tiro e desviar. É um cardápio completo de possibilidades. Dê uma olhada nos clipes que gravei e estão ao longo destas impressões.

Exatidão é o segredo das batalhas do game. Saber exatamente quando atacar, quando contra-atacar, prestar atenção aos chefes que possuem brechas em suas defesas – presumo que todos possuam, ainda que não tenha encontrado o de alguns – e principalmente quando defender cirurgicamente, pois a defesa perfeita recarrega sua barra de energia, o que é vital para alguns chefes presentes ao longo da campanha.

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Todos os chefes possuem estágios, compostos por pequenos quadrados abaixo da barra de energia destes. Zerou a primeira barra de energia? O primeiro quadradinho abaixo dela esvazia e a barra superior volta a encher novamente. Isso é o indicador de que você está em um novo estágio do chefe. A cada novo estágio os movimentos do chefe e até o cenário podem mudar. O que funcionou para vencê-lo no estágio anterior pode não funcionar mais. É preciso ter cuidado e atenção.

Ao jogador há três quadrinhos abaixo da barra de energia. O que significa que ao começar um confronto você tem três chances de quebrar a barra de energia do chefe e começar um novo estágio. Ao vencer o estágio de um chefe, sua energia volta a ficar 100%. Se perder um quadrado durante um estágio, ele também volta ao conseguir vencê-lo na segunda tentativa. Se perder dois, apenas um quadradinho é restaurado, o que significa que no próximo estágio você apenas terá duas tentativas, ao invés de três.

Esse sistema de energia e estágios de batalha é parte do que faz Furi ser tão genial. É o que dá ritmo aos confrontos e é aquilo que deixa o jogador tenso e se sentido desafiado. Imagine o quão frustrante é chegar a um sexto estágio de um chefe e ter três tentativas de bater esse estágio e não conseguir? E te garanto, isso acontece.

As batalhas também possuem um misto de combates de espadas de curto alcance e de tiros a longo alcance. Vai depender muito de cada adversário, mas há momentos em que a tela fica tão recheada de projéteis, raios ou anéis de explosões que a única coisa que o jogador pode fazer é ficar desviando até chegar o momento em que tudo isso some e aí sim você consegue alcançar o chefe.

A única coisa que talvez soe como um pequeno defeito é que muitas regras das combate do game acabam sendo bem semelhantes em quase todos os chefes do game. Todos possuem suas peculiaridades, porém o ritmo dos confrontos seguem um pouco daquilo que o jogador já encontra desde o primeiro. Essa repetição fica bem visível nos confrontos finais. Esperar a hora de atacar, ocorrer segmento de batalha circular, a defesa que recarrega energia. Tudo isso acaba existindo em todos os confrontos, e as vezes soa um pouco cansativo.

Há sim um esforço enorme para que as batalhas sejam únicas e incríveis, mas o fato é que nem todas são, e as vezes é porque a fórmula do combate se tornou exaustiva. O melhor nesse momento é parar um pouco e continuar o jogo depois. Até porque se o jogador se cansar, vai errar mais, se frustrar mais e o game não vai avançar.

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É possível que alguns se perguntem se Furi não deveria ter fases. Normalmente sou a favor de quando isso ocorre em certos jogos com tal proposta, mas acho que fases com inimigos fracos não funcionaram aqui. Há alguns estágios, como o último antes dos créditos, com a menina do som, e alguns antes com a sniper que possuem arenas grandes, na qual o jogador anda, desvia de coisas e somente depois é que confronta o chefe. Eu não gostei nem um pouco destes momentos. O melhor de Furi pra mim foram as batalhas em si.

Ah e a adversário sniper? A chefe mais difícil do game pra mim. Foram mais de 2 horas e dezenas de mortes até conseguir vencê-la. Por alguns dias achei que ficaria travado no game, sem conseguir terminá-lo para estas impressões. Mas consegui. Ufa! (é o segundo vídeo do texto, mais acima).

Considerações finais

Antes de acabar as impressões, acho que é bacana elogiar a arte do game. A galera do The Game Bakers chamou ninguém mais, ninguém menos, do que Takashi Okazaki, criador de Afro Samurai, para fazer o design dos personagens. Incrível, não? A trilha sonora do game também é contagiante, com faixas eletrônicas de uma turma de sucesso na área – Carpenter Brut, Danger, The Toxic Avenger, Lorn, Scattle, Waveshaper e Kn1ght. Essa mistura certamente torna Furi um game singular.

Gostei muito também das andanças entre os chefes. O jogo tem um sistema de andar automático, na qual o jogador só fica olhando as paisagens e ouvindo a música e os diálogos do Coelho – já que o protagonista não diz uma palavra sequer ao longo de todo o game. Parece entediante, mas é impressionantemente imersivo. Uma pena que os desenvolvedores não inseriam colecionáveis ou extras escondidos nestes segmentos. Porém há diálogos adicionais caso o jogador vá para alguns lugares ou espere um pouco em certos momentos, e que serão perdidos se o andar automático ficar sempre ativado.

Ao fim, posso dizer que Furi foi uma experiência incrível. Certamente é um indie game merecedor da atenção de qualquer um que se diz gamer. E para aqueles que querem mais desafios, após terminá-lo pode esperar um modo ainda mais difícil e um modo speedrun. Não são modos na qual me considero digno de tentar, mas é bom saber que o jogo ainda pode desafiar ainda mais aqueles que querem algo ainda mais infernal. Estou bem com as 10 horas que levei para concluir o modo normal do game.

E você, consegue encarar Furi?

https://www.facebook.com/Portallos/videos/1159829960769359/

(abaixo) trechinho do chefe bônus presente na versão de Xbox One, que no momento desta publicação permanece exclusivo da plataforma.

https://www.facebook.com/Portallos/videos/1192520344166987/

Narrativa imersiva (o fim pode não agradar)
Combates eletrizantes
Desafiador, mas pode ser frustrante
Mecânicas se repetem em alguns momentos
Trilha sonora contagiante
Design dos personagens é admirável

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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