House of Cards | Uma fraca Quinta Temporada? (Crítica)

— Texto com spoilers? Mínimos possíveis. Nada explícito, dá para ler tranquilamente.

Acompanho House of Cards desde sua estreia na Netflix, em 2013. Todo ano retorno para ver o jogo de manipulação de influência e poder de Frank Underwood no cenário político norte americano – que estranhamente, em tantos pontos, a ficção da série anda me lembrado muito do cenário político aqui do Brasil. E terminei esta semana de ver a novíssima quinta temporada, liberada no último dia 30 de maio completa no catálogo do serviço, e digo uma coisa: algo estranho aconteceu com House of Cards.

Talvez eu não saiba dizer especificamente o que realmente me incomodou no Ano 5 da série. Sei que houve uma troca de produtor, que o criador original da série se mandou e a Netflix teve que procurar substitutos, porém acho injusto jogar essa culpa na turma que está chegando agora para cuidar do castelo de cartas do casal Underwood, porque em parte a quinta temporada veio para fechar uma tonelada de pontas soltas da temporada anterior.

Acho que o maior problema é que a série está se tornando uma novela, e digo isso de uma forma ruim (porque existem boas novelas). A história parece estar se esticando mais do que deveria. Ano passado, com o arco das campanhas eleitorais já havia achado um balde de água fria a temporada terminar sem concluir esse ponto principal da temporada. E o quinto ano abre justamente resolvendo isso, de uma forma meio bizarra e errática.

Frank Underwood sempre jogou nas sombras, manipulando as pessoas sem que as mesmas notassem o que há por debaixo de sua máscara, e aqui, nesta última temporada, ele explicitamente se posa de vilão, mandando as pessoas serem corruptas e infringirem a lei na caruda. Não, não é esse o personagem que eu conheci lá na primeira temporada.

Esse faceta chega ao cúmulo de ter uma cena em que o próprio simplesmente empurra alguém das escadarias da Casa Branca. Simples assim, sem soar uma única suspeita sequer de que ele fez isso? Sem que a imprensa não questione o ocorrido? Em uma conveniência absurda com os fatos de que isso ocasiona? Me faça o favor! E não adianta depois o roteiro vir tentar aquela safadeza na qual o personagem revela que tudo isso estava previamente planejado, de que ele construiu um mau caráter proposital para ser queimado? Não, assim não!

Não há só o problema de conveniência de roteiro, mas a própria direção da série que parece ter sofrido algum corte de orçamento. Até então as temporadas tiveram tantos cenários, tantas filmagens externas e aqui nesse quinto ano, parece que toda a temporada se passa em um único ambiente, que são os mesmos cômodos batidos da Casa Branca. O mesmo figurino, a mesma cenografia, diálogos ruins, e nem todos os personagens são realmente bons.

Adições ao elenco, como os personagens Mark Usher e Jane Davis são claramente óbvios em suas intenções, mas parece que ninguém reage à isso, ou quando fazem, já estava puto o suficiente pela demora que não me deram o impacto esperado.

Fiquei esperando por algo novo. E olha que esta quinta temporada começa de forma genial, com o Frank invadindo o Congresso (ou Senado, ou Câmara – já nem sei mais qual o termo correto), alardeando guerra, querendo a guerra. Cena espetacular, provavelmente a melhor da temporada. E há um certo problema quando o melhor da temporada é a primeira cena que inicia a mesma.

Claro, há outros momentos bons. Gosto do discurso final dele frente a comissão do tal Alex Romero e algumas (não todas) na qual Frank volta a quebrar a quarta parede, mas parece que fica por aí mesmo. Claire, que como novidade agora também quebra a quarta parede faz isso de forma genial em um único momento muito repentino no meio da temporada, e é um de seus melhores momentos.

Não há guerra, não há terrorismo, não há escândalos, não há assassinados que tenham me surpreendido (todos se provaram previsíveis, sem o impacto que havia em temporadas anteriores), não há nada realmente novo para esta quinta temporada. A serie apenas fica rodando em círculos em torno de sua (talvez já batida) fórmula, sem trabalhar devidamente com eles. O Presidente da Rússia claramente desafiando, pedindo por uma guerra e nada acontece! Frank sendo investigado porque esqueletos estão vindo à tona e nada acontece! Doug, que já foi um personagem tenso nas temporadas anteriores, passa boa parte da temporada aqui com cara de pastel, fazendo cara de malvadinho do presidente em momentos inconvenientes. Não, gente, não.

Puxa, o que aconteceu com House of Cards? Temporada fraca, que parece ter sido criada para apresentar um cenário que só vai ser mostrado no sexto ano. Sabe aquela barrigada para não ter que fazer isso já nessa temporada? Se enche a temporada de linguiça para que o maior evento de fato – que a quarta temporada já havia assanhada dentro da trama –  só vá acontecer ao final deste quinto ano. Bizarro demais.

E não estou dizendo que House of Cards perdeu totalmente sua qualidade. Não é exatamente isso. Acho que dentro das atuais produções originais da Netflix a série continua sendo uma das melhores. Há fortes personagens, importantes cutucadas e reflexões sobre poder e política, e não só apenas de caráter do político, mas do ser humano e da sociedade em si. É algo que ainda volto em 2018 para ver mais, porque é legal sim.

Só estou dizendo que em detrimento do tamanho da qualidade que foram as quatro temporadas anteriores, este quinto ano não me entregou aquilo na qual esperava. Não cumpriu expectativas e me deixou com a impressão de uma série que já dá seus primeiros sinais de cansado, de que pode vir a se perder se os produtores não tomarem mais cuidado na sexta temporada.

O castelo de cartas nunca esteve tão frágil…

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8.5 Antigos personagens ainda são excelentes
5 Novos personagens parecem óbvios demais
6.5 Trama se perde ou enrola em diversos momentos
7 Longevidade do show já dá sinais de cansaço
6 Faltou novidades inesperadas para o 5º ano
6.6
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