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Ghost of a Tale | A fuga do pequeno ratinho em busca de sua amada! (Preview)

Sabe aquele momento em que você inicia um game e dê repente, logos nos primeiros minutos ao iniciá-lo, solta aquele “uau, isso é realmente (…)” – insira aqui o adjetivo que quiser, “legal”, “bonito”, “foda”, “maneiro” etc – demonstrando assim uma sensação inesperada de surpresa para com o título? Pois bem, eu tive esse momento peculiar, e que não acontece mais comigo com tanta frequência quanto gostaria, ao jogar Ghost of a Tale há algumas semanas.

E isso é interessante, pois não é como se não soubesse da existência do jogo ao ponto de me surpreender com sua existência. Nada disso. Este é um título que tive conhecimento de sua existência em 2014, através de desse trailer no canal do Xbox no You Tube. Sem mencionar que também cheguei a ver mais alguns vídeos do game a partir do ano passado, quando o mesmo foi liberado no Early Access da Steam. Descobri que Ghost of a Tale é um daqueles games que não basta assistir por aí, e que assumir controle e testar o jogo causa uma impressão bem mais impactante.

Ghost of a Tale é um game na qual o jogador vivencia a história de Tilo, um ratinho pego em uma situação na qual nem todos os detalhes lhe são explicado logo no começo. Você acorda dentro desta prisão, preocupado com Merra, a ratinha que é seu verdadeiro amor e de repente descobre que existe alguém tentando lhe ajudar a escapar do lugar. Tilo agora precisa achar a saída do lugar, desbravar esgotos e catacumbas, fazer alianças e assim descobrir o paradeiro de Merra.

O título é um Action RPG segundo o desenvolvedor SeithCG, que está trabalhando de forma bem independente no game, apesar de contar com a ajuda de algumas pessoas (dê uma olhada no FAQ no site oficial). Ghost of a Tale é um projeto que já vem germinando há bons anos e agora parece que finalmente está na reta final para seu lançamento. Tanto que agora, no último dia 30 de junho, ele também chegou ao Xbox One mediante o programa Game Preview do console. Significa que ele está quase pronto, mas ainda é um título de acesso antecipado. É de se esperar alguns bugs, alguns glitchs e novos updates para preencher lacunas dentro do game. E mesmo assim, o atual ponto em que o game se encontra (versão 4.xx) é deveras impressionante.

Quanto o testei há duas semanas atrás, no primeiro final de semana em que o título foi lançado no Xbox One, a versão do game ainda estava na 4.0, um pouco atrás da versão que se encontrava presente na Steam, um tanto defasada. O desenvolvedor comentou esse ocorrido em uma página do site e avisou que uma nova versão, mais atual e redondinha, seria atualizada na plataforma em alguns dias, o que de fato já aconteceu. Porém, para todos os efeitos, esse preview reflete as minhas impressões na build 4.0, já que não tive tempo de sentar e jogar a nova atualização.

Felizmente isso não é exatamente um problema. A atualização veio corrigir e aprimorar pequenas experiências do jogador apenas. Não é nada que mude drasticamente as minhas percepções para com o game.

Seja sorrateiro e aposte na furtividade

Apesar do título estar categorizado como um Action RPG, a meu ver a impressão é de que Ghost of a Tale funciona muito mais como um game Stealth, com elementos de RPG. Isso porque não há combate direto dentro das mecânicas do game. Tilo não é um lutador, mas um menestrel (aquele que entretém a corte, seja com poesia, música e afins), portanto não tem muitas habilidades de combate, se dando melhor com lábia, disfarces e astúcia.

E é assim que o game funciona, com o jogador se esgueirando pelas sombras, espreitando os guardas, se escondendo em caixas, armários e outros esconderijos enquanto estuda e observa a trajetória dos guardas ratazanas da prisão. Nesse meio tempo, Tilo vai conhecendo NPCs que irão lhe ajudar em sua aventura, uns a contra gosto, outros com claras segundas intenções.

Apesar de se utilizar de animais falantes usando roupas (os chamados animais antropomorfizados), o game não apela para infantilidade destes. Estes personagens não se parecem com animais de um filme de Walt Disney, por exemplo. É uma espécie de dark fantasy, há algo no game que consegue facilmente convencer e tornar imersiva a história para um público adulto.

A própria direção de arte talvez seja o que mais contribui para essa sensação ao apostar em gráficos bem realistas. Todos os animais do game, mesmo trajando roupas, realmente parecem com animais de verdade. Os guardas ratazanas dão medo, enquanto Tilo faz o tipo de ratinho camundongo, fofinho, mas ainda assim um rato, com olhos negros e uma cauda balançado.

O próprio ambiente do game segue essa pagada realista, com um uso inteligente de sombras e plena escuridão para dar uma sensação de tensão e claustrofóbica ao jogador. Mesmo quando Tilo está em um ambiente externo, pois o game não se passa todo dentro da prisão, ainda assim o game aposta em um visual na qual o olhar pode se perder diante de diversos objetos, elementos e sombras. Tudo parece perigoso em Ghost of a Tale.

E não há apenas ratos ao longo da aventura. Um dos primeiros NPCs que são encontrados logo nos primeiros minutos do game é um impressionante sapo pirata, que já perdeu alguns parafusos da cachola. Caranguejos, aranhas e outras criaturas também são ver encontrado em inesperados locais e estes não são NPCs…

Ghost of a Tale aposta muito na imersão, enquanto  jogador se vê explorando o mundo quase aberto do game. Não me parece um título linear, ainda que existam missões principais e uma trilha que deve ser seguida para abrir novas áreas e continuar a aventura. É comum o jogador se pegar retornando para áreas já visitadas para cumprir tarefas e objetivos secundários a pedido de outros personagens, que garante como recompensa, muitas vezes, acesso a áreas escondidas e itens secretos do game.

Tilo pode, por exemplo, encontrar diversas roupas que servem como disfarces na aventura. E são kits de roupas, o que significa que para completar um disfarce é preciso achar todas as peças individuais escondidas. As primeiras que são apresentadas na aventura são de pirata, de ranger e uma armadura de ferro. E cada vestimenta proporciona alguns atributos ao ratinho.

Há um capuz, por exemplo, que tem uma vela no topo da cabeça. Ideal para investigar ambientes escuros sem gastar vela ou óleo de sua lanterna, porém com este item equipado Tilo não pode correr, o que torna muito mais difícil fugir dos guardas e se esconder para fazê-los para de procurá-lo. Já a vestimenta de pirata fará com que o sapo pirata lhe trate de uma forma diferente, enquanto outros NPCs irão se recusar a conversar com Tilo enquanto estiver trajando tal roupa.

Finalizando (por enquanto)

E é justamente nestes detalhes explicado acima que Ghost of a Tale me ganhou. Não é um game onde só preciso ficar matando inimigos e andando a esmo até achar a próxima saída. Há uma riqueza nos detalhes, no visual e em como o game facilmente lhe entrega um mundo instigante, na qual o jogador quer saber mais a respeito, que explorar mais a fundo.

Detalhes como o fato de que velas e óleo da lanterna são finitos, o que torna explorar os escuros esgotos da prisão algo realmente assustador, e de fato tomei um susto e sai gritando quando topei com algo lá embaixo pela primeira vez. Com os muitos itens de comida diferentes que restauram o HP de Tilo, fazendo que o game não seja sobre morrer e ficar repetindo os mesmo atos, mas que torna interessante ao jogador explorar cada sala em busca de tudo que puder coletar, já que o inventário é bem generoso.

E olha que nem sou grande fã de games que me fazem ir e vir algumas vezes pelos mesmo locais, mas aqui em Ghost of a Tale, bastava descobrir uma chave para um acesso que deixei para trás para querer imediatamente explorar aquele lugar fechado que não puder investigar antes. Há um design elegante e inteligente nisso por sinal, fazendo que atalhos surjam conforme isso aconteça, não me deixando cansado ou entediado por voltar a certas localidades, especialmente após abrir tais atalhos, facilitando esse acesso.

Gostei de não ser um game focado em matar inimigo atrás de inimigo. É um jogo de aventura, de um ratinho atrás de sua companheira, seu amor, enquanto se vê acuado em um ambiente hostil na qual não pode vencer usando seus fracos punhos. É preciso astúcia, de Tilo e do jogador.

Talvez você não queira jogar Ghost of a Tale nesse momento, afinal o game ainda não está completo. E é um daqueles títulos que quando se começa é difícil parar. Eu mesmo não quis ir até o final do que o acesso antecipado permite ir. Porque tenho a sensação de que ficaria ansioso (e um pouco frustrado) para querer continuar adiante. Tive que me esforçar para parar no ponto em que parei (logo após descobrir e explorar boa parte da área externa da prisão, chegando a subir até a parte superior da torre e uma área floresta nas proximidades da saída do castelo).

Entretanto é um game que posso recomendar de olhos vendados sua aquisição. Quem se interessou, acredito que vale (e muito) à pena pegá-lo agora e garantir o ótimo preço do game em seu early acces (39 reais aproximadamente), seja na Steam ou no Xbox One (futuramente ele será lançado no PlayStation 4 também).

No Xbox One é possível testar um hora de graça, sem precisar comprar o game. Teste e veja por conta própria como o game é realmente fantástico. Até porque é difícil dizer se quando o game for lançado, a previsão é que isso ocorra até o final do ano, este preço não possa aumentar um pouco (as vezes acontece).

Porém, vale um alerta: o game está totalmente em inglês. Os personagens não falam, mas tal como qualquer RPG mais clássico, existem diálogos e todos em caixa de texto. Não são conversas impossíveis de se entender, mas se faz necessário um básico de inglês para não se perder por completo. E não consegui a informação se eventualmente o game poderá receber uma localização em português. Fica este aviso.

Não parece ser um título curto. Gastei facilmente quase sete horas explorando a versão preview e não fui até o fui dela. No site oficial, diz que esta versão apresenta 45% de tudo que o game terá, o que significa que tem ainda mais um trecho enorme na qual os jogadores ainda não possuem acesso. O que deve dobrar ou até triplicar as horas que se dá para passar dentro do mundo do game.

Ghost of a Tale me impressionou, muito mais do que inicialmente achei que conseguiria. Se provou um game diferente da atual safra de indies que estão sendo lançados. É um título que mostra capricho, esmero e dedicação de seu desenvolvedor. É um jogo que me encantou instantaneamente assim que o iniciei. Vale a pena jogá-lo!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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