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Análise | Heave Ho

Disponível para Nintendo Switch e PC

Heave Ho é um jogo independente para de divertir com os amigos, preferencialmente com todos juntinhos de mãos dadas. O título foi desenvolvido pelos franceses da Le Cartel Studio, e está sendo distribuído globalmente pela Devolver Digital, que adora uma maluquice. E Heave Ho se encaixa nesse perfil. Está sendo lançado hoje, dia 29 de agosto, para Nintendo Switch e PC, e custa honestos 10 dólaresquer dizer, se você não pensar na alta do dólar nestes últimos dias. Entretanto no Steam o preço é mais realista ao nosso mercado: 20 reais.

O título é mais um destes jogos despretensiosos, acessível a qualquer pessoa, inclusive as que não tem o hábito de jogarem videogames. É casual e isso é um ponto positivo. É o típico jogo que combina com uma reunião de amigos ou familiares para uma pequena atividade cooperativa no sofá, onde até quatro pessoas podem se divertir, e se xingarem, cooperativamente. Heave Ho é o que chamamos de couch-party game.

Não há uma história ou narrativa aqui. O jogador controla esse carinha que tem um rosto e dois braços, e nada mais anatomicamente. Seu objetivo é sair grudando pelo cenário e chegar até a linha de chegada. Claro que o trajeto não é uma linha reta, há plataformas propositalmente distantes, espinhos e outras surpresas pelo caminho. A física é uma maluquice, porque isso o faz ser mais divertido. Dê as mãos aos seus amigos e alcem distâncias tentando saltos ou piruetas para chegar até a linha de chegada.

Pegue minha mão

O ideia da mecânica de Heave Ho é a mais simples possível, com o analógico do controle o jogador diz para qual direção ambos os braços de seu carinha devem ir, e com os gatilhos superiores do controle você contra a pegada da mão. Pressionar o gatilho esquerdo faz a mão esquerda segurar em qualquer coisa, e pressionar o gatilho direito você gruda a mão direita da mesma forma.

Para facilitar as coisas, você pode optar por dar luvas a seu carinha. Com isso a luva vermelha estará sempre na mão esquerda (botão L, de left) e uma luva azul na direita (botão R, de right). Isso é conveniente, especialmente quando você percebe que os personagens estarão sempre nas posições mais malucas possíveis, incluindo de ponta cabeça ou embolados uns nos outros. E aí é comum você se confundir as mãos. Não é muito legal – ainda que vá gerar certas risadas – soltar a mão que está agarrando a plataforma, pensando que está na verdade agarrando seu parceiro que saltou em sua direção.

Não que morrer seja um problema em Heave Ho. Pelo contrário. Não há punição por morrer inúmeras vezes. O jogador sempre vai renascer imediatamente no início da fase (exceto no tipo de fase que se movimenta, aí você surge em checkpoints). Morrer também faz um jato de tinta jorrar pela tela, sujando os companheiros vivos e cenários, o que também gera um efeito engraçado em diversas ocasiões – fora que há um mundo invisível onde morrer faz a tinta mostrar onde estão as plataformas.

Há outras coisas malucas e sem sentido em Heave Ho, cuja a única proposta é divertir os jogadores. Um pássaro eventualmente sobrevoa a fase e simplesmente defeca nos jogadores que estiverem abaixo de seu voo. Mais sem sentido ainda é uma lhama enorme que invade a tela, tampando a visibilidade do jogador. Ela passa, solta um peido que faz surgir uma imensa nuvem na tela deixando tudo turvo por alguns segundos. Pode ser um humor questionável? Talvez, mas é engraçado nas vezes em que isso acontece. E se tiver crianças por perto, elas irão gargalhar. Eu garanto.

Pegue a moeda

Para adicionar um grau de dificuldade ao gameplay, jogadores irão encontrar uma moeda em cada fase. Normalmente elas não estão em locais de fácil acesso e conseguir chegar até ela exige que os jogadores cooperem entre si. Só que não basta pegá-la.

Heave Ho não é um Super Mario, onde você só precisa encostar na moeda. É preciso pegá-la e levá-la até a linha de chegada. Isso significa que uma das mãos do jogador que a pegou estará sempre segurando-a, impedindo o mesmo de se locomover pelos cenários que exijam que ele alterne suas mãos entre paredes para ir se locomovendo. Aí entra a cooperatividade. Um segundo jogador precisa segura esse jogador, ou a moeda, e assim trabalhar em conjunto, pois ambos terão que usar apenas uma de suas mãos, de forma coordenada, para chegar a final da fase.

A moeda se torna então um objeto físico. Significa que os jogadores podem derrubá-la ou quebrá-la se encostarem ela em um espinho. Isso a esmigalhará e a fará se materializar em seu ponto de origem. Aí é preciso voltar e pegá-la novamente.

O objetivo da moeda só é cumprido quando os jogadores a colocam na linha de chegada da fase. É possível arremessá-la até lá em algumas ocasiões – o que não é fácil, claro. Significa que você não precisa estar junto dela quando isso acontecer. As vezes os jogadores morrem só para deixá-la no ponto final da fase. E tudo bem. Uma vez que ela esteja entregue, não é obrigatório estar junto dela no ponto final. É possível morrer para cumprir esse objetivo e depois passar a fase de forma mais segura.

E pra que serve a moeda? Para destravar novos personagens e opções malucas de customizações dos braçudinhos do jogo. Não é um requisito obrigatório de fase, mas acaba sendo uma destas metas que os jogadores se sentem compelidos a realizar para descobrir muitas skins maneiras que podem ser usadas no jogo, incluindo diversas participações de personagens dos jogos lançados pela Devolver Digital.

Mundos malucos

Heave Ho não é um jogo muito longo. Eu consegui terminar o modo normal em uma tarde de domingo com o meu filho (7 anos). Nos divertimos horrores. Ao terminar os mundos principais, uma modalidade mais difícil é destravada, baseada nos mundos previamente vencidos. São novas fases, com diversas modificações e realmente mais complexas do que o modo normal. É para fazer os jogadores suarem um pouco.

Já os mundos, alguns foram surpreendentemente divertidos. Mundos que entenderam muito bem o que o jogo pode oferecer e como tornar a experiência diferente entre os mesmos. Por exemplo, no mundo do circo, as plataformas são molengas, o que significa que giram em seu próprio eixo, como se estivessem pregadas com um único preço frouxo no meio delas. Também há mencionei o mundo invisível mais acima, certo?

Em outro mundo, os jogadores só podem vencer os estágios se levarem um ovo enorme até o ninho no final da fase. Já no mundo da selva cipós garantem saltos enormes para chegar em plataformas realmente distantes.

Já o último mundo, talvez este tenha sido o único que não me agradou muito. Ele envolve diversas esferas gigantes e ter que empurrá-las morro abaixo ou morro acima, afim de chegar uma plataforma ou ao final da fase. Achei um mundo cansativo. E cooperativamente requer reações muito rápida dos jogadores. Foi o único momento de Heave Ho que senti um pouco de frustração pela dificuldade apresentada.

Uma coisa legal é que quando o jogo percebe que os jogadores estão há muitos minutos presos em um estágio, após morrerem dezenas de vezes, uma linha surge na tela, deixando que eles passem a tela fazendo uma travessia simples. Não é o ideal vencer assim, mas eu entendo a proposta. Isso faz com que os jogadores não fiquem presos em um estágio que esteja lhes desagradando.

Posso jogar sozinho? Online talvez?

Sendo bem sincero, Heave Ho tem sim um modo single player, com as fases readaptas para funcionar com apenas um único jogador. Assim os segmentos em que precisam de cooperação quando se está com mais de um jogador, ficam mais fáceis quando se está no modo solo.

Entretanto, Heave Ho é um jogo que deve ser desfrutado em multiplayer. Não se deixe enganar e pensar ao contrário. É divertido com amigos. O modo solo está ali para cumprir uma tabela. Talvez para te fazer treinar um pouco alguns movimentos. Mas é só isso mesmo.

Joguei muito pouco do modo solo, só mesmo para testá-lo, e digo que a experiência não é igual. Também notei que as moedas que existem no multiplayer não se fazem presente no modo solo. O que faz sentido, já que muitas vezes para poder levá-las ao ponto final de cada estágio é preciso trabalhar em equipe. No modo solo não tem como ficar com uma mão ocupada segurando a moeda. Faz sentido que ela não se faça presente (ao menos nos poucos estágios que joguei).

Uma possível pergunta que pode surgir dentro dessa categoria, é se o jogo tem suporte para multiplayer online, já que as vezes alguns jogadores não possuem amigos que estejam sempre presentes localmente para algumas partidas animadas. E infelizmente a resposta para isso é não. Heave Ho tem apenas suporte a multiplayer local.

Considerações finais

Heave Ho é mais um destes jogos independentes que valem à pena ter na sua biblioteca digital, mas só no caso de ter com quem jogar. É um destes títulos divertidos de se brincar em encontro com amigos, companheiro(a) ou com crianças pequenas.

O visual gráfico do jogo é bem simples e casa perfeitamente com a proposta. Os personagens são muito carismáticos e as opções de customizações fazem que com os jogadores criem combinações próprias e divertidas. Não senti muito impacto na trilha sonora, ainda que exista essa característica de que ela vá adicionando instrumentos novos a cada mundo e crescendo por assim dizer. Porém o trabalho de som bate bem com a tensão que o jogo dá em momentos que os jogadores devem combinar seus movimentos e realizar ações como saltos, por exemplo.

Acabei não comentando, mas igualmente divertido são os mini games que se fazem presentes em certos momentos do jogo. Estes mini games são ativados quando uma pequena corda surge de repente em alguns estágios. Muitas vezes sequer estão no caminho dos jogadores, obrigando-os a contornar ou voltar para alça-las. Essa corda fica ativa somente por alguns segundos. Dentre os mini games, estão alguns como fazer cestas de basquete (tente uma enterrada) e outro de dança em que movimentos exatos precisam ser realizados. Estes mini games rendem moedas para comprar mais opções de skins para os personagens.

Ao fim, Heave Ho é um jogo pequeno, porém divertido. Dá para matar seu modo normal em uma tarde, entre duas a três horinhas, com um modo mais difícil que vai lhe entreter por mais algumas horas. Não é um jogo que vai ficar na história de seu gênero, mas ele sequer tem tal aspiração. Seu valor de replay é medido na proporção de novos amigos e novas vezes você vai querer jogar com novas pessoas, que irão reagir diferente em cada um dos estágios e desafios presentes. Sempre vão ser experiências diferentes e igualmente engraçadas. É um jogo para rir com os amigos, simples assim.

Galeria

Dando uma nota

Ótima proposta de cooperação entre jogadores - 8.5
Visualmente é simples, mas não perde nada em charme por conta disso - 8
Há um modo solo, mas o jogo brilha mesmo no multiplayer local - 7
Mundos temáticos apresentam sempre novas e divertidas ideias - 7.9
Você irá querer as moedas para descobrir novos visuais - 8
Divertidamente casual, qualquer um pode jogar - 8.8
Há valor em seu replay, além de um modo ainda mais difícil - 8.5

8.1

Divertido

Heave Ho é um título indispensável para quem gosta de uma boa zoação com os amigos reunidos no sofá. Tem um bom nível de desafio e boa física atreladas e mecânicas divertidas voltadas a senso de direção. Seus estágios apresentam ideias bacanas e que movem o jogo na direção certa. Ficar de mãos dadas entre seus amigos nunca foi tão divertido.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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