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Análise | Overland

Disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch, Apple Arcade e PC

Overland é um jogo que não tem medo de ser cruel com o jogador. Sua alta dificuldade é um dos pontos chaves para sua experiência singular, enquanto entrega um mundo pós-apocalíptico onde pessoas e pertences precisam ser abandonados, o escuro é assustador e nunca há tempo para respirar.

A produção, assim como sua distribuição, são do estúdio norte-americano Finji, que tem suas origens lá em 2006, com uma grande reestruturação realizada em 2014. É um estúdio que detém alguns jogos independentes bem famososdestes que quem acompanha esse segmento possivelmente deve conhecer alguns deles. É da Finji jogos como Night in the Woods, FEIST, Canabalt e aguardado TUNIC (ainda em desenvolvimento).

Overland é um jogo de estratégia e sobrevivência baseado em movimentação por turnos com duros elementos roguelike (geração procedural de elementos e morte permanente). Não dá para dizer que é um jogo de batalha por turno, ainda que existam batalhas. O ideal é o jogador sobreviver a micro ambientes, evitando a todo custo o confronto, enquanto vasculha a área por recursos que vão lhe auxiliar a continuar seguindo adiante.

Mundo cruel

Overland não dá muitos detalhes do que aconteceu com o mundo. Não há uma narrativa de introdução, ou um protagonista com motivações específicas que dê caldo a um enredo. O título começa diretamente em seu gameplay, sem pontuar exatamente o que aconteceu previamente no passado desse mundo pós-apocalíptico.

O que se sabe é por associação ao que se faz presente na tela. Estranhas criaturas que surgem do subsolo, com um visual meio inseto alienígena, estão emergindo e atacando seres humanos. O jogador é sempre um protagonista aleatório, a qual precisa abandonar um conhecido, para conseguir seguir viagem e sobreviver. A meta é cruzar os Estados Unidos e chega a um ponto onde o cara que morre lhe diz ser mais seguro.

Ao longo da viagem o jogador encontra uma atmosfera desolada. Carros destruídos, cidades abandonadas, humanos tentando sobreviver (e fugir) por conta própria. Alguns não irão com a sua cara, outros irão se aliar. Grupos vão tentar trocar mercadorias contigo, enquanto outros podem simplesmente roubar seu carro porque você deu sopa e o deixou sem ninguém vigiando.

Você aprende que estas criaturas surgem do subsolo e que são atraídas pelo som. Matar uma destas criaturas a faz emitir um som estridente que atraem novas criaturas para o estágio. Algo como “mate uma, atraia duas ou três novas“. O que faz com que o jogador queira evitar isso. Vasculhar coisas, deixar o carro ligado, ou simplesmente ficar à pé em um estágio é o suficiente para o som atraí-las para seu personagem.

Ao longo da aventura é possível descobrir outros detalhes desse cenário apocalíptico. Houve uma situação em que a terra tremeu, todas as criaturas entraram para baixo do solo e uma grande sombra passou voando pelo estágio, cobrindo-o quase que totalmente. Mas seja lá o que for, não chegou a pousar, me deixando apenas com sua sombra em mente. Já em outra, encontrei uma estranha estrutura circular, orbitando o chão, placas contavam uma história sobre um estranho “ovo”. Ou seja, há pistas aqui e ali, que dão um pouquinho de dicas sobre esse mundo.

Meu carro, minha vida

O grande desafio de Overland é se manter vivo, estágio após estágio. O jogador sempre começa com um sobrevivente (aleatório), mas pode recrutar outros conforme oportunidades forem surgindo. Sempre lembrando que vocês estão viajando de carro, e cada tipo de veículo tem um número certo de bancos disponíveis. Não adianta recrutar um quarto sobrevivente se o seu carro só tem três lugares. Alguém será abandonado nesse caso.

O carro então é um dos elementos mais importantes do jogo. Você sempre começa com um carro para três pessoas e um espaço extra para um item, porém ao longo da sua jornada carros melhores podem surgir e é possível trocá-los. Cheguei a ter uma van para cinco pessoas e dois espaços extras para itens, com reforço frontal e lateral. Foi uma ótima viagem até meu grupo ficar sem gasolina e não conseguir encontrar mais combustível nos estágios que surgiram adiante.

Gasolina é o item chave para progredir por Overland. Para conseguir é preciso retirar de carros abandonados, pegar de galões perdidos pelo ambiente, retirar de geradores e qualquer outro equipamento, como as bombas de postos de gasolina. Roubar de um desconhecido que não queira se aliar a você também é uma opção, mas provavelmente você terá que matá-lo para fazer isso. O jogo não é isento de lhe dar dilemas morais em certas ocasiões.

Ter um carro com muito combustível não é garantia de vitória. O segundo maior desafio é conseguir passar pelas estradas com o carro. Há vários cenários em que barreiras e criaturas vão impedir o avanço do jogador. E aí é preciso ver o que diz a situação: criaturas podem ser eliminadas (mas outras serão atraídas pelo barulho) ou guiadas para fora da estrada (você sai do carro e elas vão lhe seguir), já os bloqueios são sempre mais complicados e vai depender do que são feitos.

Carros destruídos precisam ser explodidos ou empurrados pelas criaturas (e cabe a você criar meios para que elas façam isso), barreiras de madeiras precisam ser destruídas ou puxadas por um personagem. O mesmo vale para corpos mortos de certas criaturas, enquanto blocos de concretos são intransponíveis. Não é possível passar por meio de focos de incêndio, sendo preciso contornar ou apagá-los (se você tiver um extintor).

Há também um cenário que considero complicado, que são carros não destruídos, porém sem gasolina. Aí o jogador precisa ou encontrar um galão pelo cenário ou tirar do seu próprio carro para colocar no outro, para aí ligá-lo e tirá-lo do caminho. Não adianta deixar as criaturas baterem nele, pois isso só o fará explodir e virar uma carcaça de carro, que continuará bloqueando a pista. O gasto de turnos para lidar com esse tipo de bloqueio é o grande perigo dessa situação.

A sobrevivência do seu carro é o grande ponto de Overland. O jogador não tem que alimentar o grupo com comida ou água, como normalmente jogos de sobrevivência exigem. O máximo que você precisa é de remédios para quando alguém se ferir. Sua maior preocupação é em manter o tanque mais cheio possível, e meios para liberar a estrada para seguir viagem.

Manual do sobrevivente

Acredito que um dos pontos que talvez mais sejam contraditórios em Overland é a forma como quase nada é ensinado ao jogador. O tutorial inicial é muito simples: vasculhe algo, coloque combustível no carro e siga em frente. Depois disso o jogo lhe abandona para aprender as coisas por conta própria. Só que há muita coisa que não é um aprendizado intuitivo ou óbvio. Overland esconde muita coisa que ou você descobre na sorte ou olhando discussões pela internet. É aqui que o jogo se torna frustrante.

Minha experiência inicial com ele foi sofrida. Não conseguia sequer vencer a primeira área, sobrepujando o primeiro bloqueio de estrada. Cheguei a achar que seria impossível. Aí fui estudar dicas e mecânicas que o jogo não estava me explicando. Foi a partir daí que Overland finalmente conseguiu funcionar pra mim. Senti falta de dicas como um manual para sobreviventes – normalmente telas de loading fazem isso em muitos jogos atuais. Resolvi então repassar as dicas que mais me ajudaram a progredir, enquanto ajudo a entender as regras do mesmo.

Um dos primeiros pontos é entender os movimentos e pontos de ação de seus personagens. E como é difícil entender isso aqui. Veja bem, cada personagem tem dois pontos de ação e seu primeiro passo é entender o que gasta um ponto de ação e o que não gasta. Andar, empurrar objetos, convidar estranhos, colocar gasolina no carro, retirar gasolina de qualquer coisa, atacar inimigos , vasculhar qualquer coisa atrás de itens… tudo isso gasta um ponto de ação. E fique atento à uma coisa, mover seu cursor até um inimigo que está mais de uma casa de distância para atacá-lo significa andar (1 ponto) e atacar (1 ponto). Você deu dois comandos com um único apertar de botão.

O mais importante aqui é entender o que não gasta pontos de ação: ligar e desligar o carro, pegar um item ou dar esse item para um aliado que esteja uma casa ao seu lado. Por que isso é importante? Em cenários noturnos, onde você não enxerga nada, e seus personagens andam de forma limitada, você pode deixar alguém no carro para ligar seus faróis, sem gastar nenhum turno. Isso vai iluminar a área e permitir enxergar itens e que seus aliados andem por mais casas de uma só vez. Só lembre de voltar ao personagem dentro do carro e desligar o mesmo, antes do turno acabar. Assim os inimigos não vão atacar seu carro que estará em silêncio no turno deles.

Já na parte de pegar e dar itens a aliados. Talvez esse seja o recurso mais importante de todos. O jogador tendo três ou quatro aliados, é possível formar uma fila de aliados, um ao lado do outro, de uma forma que eles possam passar itens uns aos outros, sem qualquer gasto de ponto de ação, evitando assim queimar seu turno com idas e vindas para, por exemplo, pegar e colocar combustível no carro. Quanto menos turno gastar dentro de um estágio, menor são as chances das coisas saírem do controle.

Outra dica importante: companheiros podem puxar aliados à pé para dentro do carro! Isso gasta um ponto de ação, mas muitas vezes é perfeito para sair de uma situação impossível, onde você tem um aliado longe demais do carro, e com pontos de ação insuficiente para fazê-lo chegar até o mesmo. Companheiros dentro do carro basicamente são aqueles personagens que o jogador não está usando (deixando-os protegidos). Então você pode gastar pontos de ação deles de forma mais tranquila. A dica é que esse aliado precisa sempre estar em uma casa adjacente a estrada em que o carro pode se mover, ou na própria estrada, de forma que o carro possa parar uma casa ao lado para que alguém lhe puxe para dentro.

Só tenha algo em mente: o carro só anda de ré uma casa por vez. Cada ré, uma casa, um turno. E lembre-se sempre de desligar o carro ao final do turno, assim você o mexeu (gastando pontos de ação), mas os inimigos não o atacarão. Muitos carros explodem com dois ataques dos inimigos, matando todo mundo dentro do mesmo. O carro é uma grande ferramenta, mas é preciso tomar cuidado. Mantenha-o sempre desligado ao final de cada turno, mas tenha alguém sempre fora do carro para atrair as criaturas, caso contrário elas atacaram o carro mesmo desligado.

Na parte das dicas mais óbvias, é preciso dizer: aprenda o que cada item faz e quanto tempo eles duram. Kit Médicos só podem ser usados uma vez. Os dois pontos de ação de cada personagem também são a barra de saúde deles, então se uma criatura lhe atacar, você perde um ponto, ficando muito limitado para andar, lhe restando só um ponto de ação por turno. Gravetos podem ser usados duas vezes antes de quebrar. Facas são quatro vezes. Garrafas e pedras podem ser arremessadas. Escudos de madeira resistem a dois ataques antes de quebrarem.

Há itens mais raros, como ferramentas para consertar carros, extintores que impedem que o carro exploda se pegar fogo, lanternas para períodos noturnos. Rádios que podem atrair as criaturas, fazendo-as ignorar tudo ao redor enquanto não destruírem o mesmo. Há armas sinalizadoras, e canos de ferro que são bem resistentes.

Personagens também possuem habilidades especiais, que sempre são apresentados ao jogador de forma aleatória. Encontrei pessoas que podiam dar partida em carros sem gasolinas, que vasculhavam objetos fazendo barulho demais ou que vasculhava sem gastar pontos de ação. Encontrei também aqueles que podiam andar mais longe e entre obstáculos, enquanto outro abria cadeados sem precisar de um item para quebrá-lo, há aqueles com binóculos para descobrir áreas secretas no mapa e também quem consiga destruir corpos de criaturas mortas, abrindo caminho para o carro. Tive até um personagem que podia ressuscitar companheiros supostamente mortos! O repertório é bem diverso, aleatório, e sempre de grande ajuda em algum sentido.

Apenas lembre-se de que os menus do jogo não são muito intuitivos. Para ver o que os itens fazem ou quando duram ou o quê um personagem tem como habilidade especial, é preciso mover o cursor para o mesmo e apertar na indicação “inspecionar” que aparece na tela de uma forma muito discreta.

Aprenda o que cada criatura faz e como elas se movimentam pelo jogo. Boa parte delas andam uma casa por vez e só possuem um ponto de ação. Porém há algumas que andam duas casas por vez. Tem criaturas que possuem duas ou três cabeças, o que indica a quantidade de vezes que você precisa atacar para que elas morram. Seu carro pode matar certas criaturas sem que isso cause dano a ele. E dentro do estágio você pode dirigir sem gasto de combustível (a gasolina é gasta indo de um estágio para outro). Cuidado ao matar criaturas grandes no meio da estrada, pois isso vai bloquear o carro. E quanto mais turnos você demorar para vencer o estágio, mais criaturas virão, tornando a situação quase sempre impossível de escapar. Sempre fuja o mais rápido que puder (não esquecendo de recolhendo o que precisar para seguir adiante).

Resolvendo a curva de dificuldade

Overland é um jogo difícil de domar, mas não é impossível. Sua curva inicial é massacrante e pode ser muito frustrante. Espero que as minhas dicas acima possam lhe ajudar um pouco a suavizar essa dificuldade. Perder toda sua equipe significa Game Over e ter que recomeçar tudo desde o início. E sendo um roguelike, é para ser assim mesmo. Entretanto o jogo oferece meios para suavizar isso.

Primeiro tenho que explicar que não há nenhum tipo de progressão entre partidas. Apenas o que você aprendeu entre as regras da derrota anterior. A experiência do ato de jogar em si. Saber o que certos itens fazem, como lidar com certas situações, conhecer algumas criaturas. Só isso.

Esse aspecto muita um pouco quando se olha a forma como a campanha principal avança, ao ser dividida em capítulos, que representam os diferentes tipos de biomas do jogo. Ao vencer um bioma e sofrer Game Over no seguinte, é dada a opção de começar uma nova rodada pulando a área previamente já vencida. Venceu quatro áreas e morreu? Você pode começar uma nova rodada a partir da quinta área.

O revés de fazer isso é que você começa essa área avançada com muita mais desvantagem do que se tivesse vindo para ela desde o começo. Você começa sozinho, com um carro básico, podendo recrutar alguém (se conseguir). É mais difícil, porém não impossível.

E aí tem o pulo do gato: é possível no menu do jogo ativar uma opção (muito discreta – à direita, canto inferior, veja tela abaixo) que lhe permite recomeçar um estágio a qual foi derrotado. Essa é a melhor forma de começar a jogar Overland. Ligue isso! O jogo não tem opções de níveis de dificuldade, mas é essa a opção que vai facilitar sua vida. É sério!

Com isso, você entra em um estágio e tentar vencê-lo. Não vai conseguir? Aproveite para vasculhar todo o cenário e descobrir todo seu segredo. Morra e recomece ele novamente sabendo exatamente os itens escondidos dele. Assim você tem uma melhor estratégia para vencê-lo. O jogo fica bem mais fácil assim. A única coisa que muda ao recomeçar um estágio nessa opção é o local onde novos inimigos irão surgir, de resto, tudo permanece igual. Perfeita opção para testar diferentes estratégias, sem a frustração de precisar recomeçar tudo do zero.

Considerações finais

Overland é um título que me pegou de surpresa. E que me assustou em suas primeiras horas, pelo nível de dificuldade apresentando, não me explicando regras básicas ou me mostrando em quê estava errando, deixando assim ainda mais frustrante ter que recomeçá-lo repetidas vezes.

Só que dá para entender o que os desenvolvedores queriam entregar aqui: tensão, suspense e desespero. Isso o jogo de fato entrega, mesmo quando você dominar melhor todas as suas regras. É um jogo de estratégia em que um único passo errado pode colocar tudo a perder. E aí você tem dilemas morais interessantes: abandonar um aliado? Seguir sem um carro? Deixar uma área sem vasculhar por recursos e arriscar seguir com o tanque quase seco? Matar alguém para pegar seus itens? Salvar alguém arriscando seu próprio grupo? Tomar decisões deixa o jogador com uma tremenda angústia de errar. O jogo acerta muito bem ao não tornar esse aspecto irrelevante ou de baixo efeito.

A ideia de ser título de estratégia por turno, onde o foco é evitar o confronto a todo custo, ajuda muito a criar essa corrida contra o relógio que sua atmosfera pede. Funciona muito bem e dá um toque de realismo impressionante ao cenário proposto. Sendo que o estágios funcionando em micro áreas aumenta ainda mais a angustia entre conseguir chegar a um item, enquanto sabe que tem uma criatura mortal cheirando seu cangote.

Outro aspecto que ajuda muito esse clima é a forma como a passagem do tempo ocorre, mudando o dia para a noite de acordo com a quantidade de turnos que você está gastando. O tempo é precioso e quanto mais turnos demorar em um cenário, maiores são as chances do próximo estar no período noturno. O jogador acaba tendo que pensar e se programar olhando adiante, para não chegar nos atos finais do capítulo, precisando de recursos ou com a estrada bloqueada, com a noite deixando tudo escuro. O clico do dia e noite causa um efeito único a tensão da jogabilidade.

Os cenários de Overland são simples, mas há um charme singular em suas linhas retas. Não é uma ambientação de cenários tão vasto como gostaria, mas cumpre sua função. Os personagens também são quase sempre únicos, ainda que depois de um tempo você perceba que não são muito complexos, sendo cópias uns dos outros, com falas iguais e posturas semelhantes. Fica difícil se importar com eles por sua aparência, deixando um peso maior as habilidades únicas de cada um. A trilha sonora, quase sempre ausente ou melancólica nas transições entre estágios, dão um clima necessário a obra. Os gritos estridentes das criaturas sempre me deixam arrepiado.

Tenho pra mim que Overland não é um jogo isento de problemas. A versão que joguei para esta análise foi a de Nintendo Switch, e digo que achei os controles bem imprecisos. Selecionar a casa para o turno nem sempre é fácil. O cenário também não rotaciona livremente, apenas até um certo ângulo, tornando difícil enxergar em certas partes, sem ter que entrar no modo câmera (que aí lhe deixa girar e dar zoom a vontade). Os próprios itens, como pedras e gravetos, também tive dificuldade de enxergar, pois se misturam muito ao cenário, as vezes até escondidos de outros objetos, como carros destruídos. A parte do “jogar” do título exige um esforço que não deveria existir.

Some isso a sua aparente dificuldade inicial, e a falta de tutoriais e dicas que permitam o jogador a aprender mais sobre tudo que o título oferece, sem que tenha que reiniciar tantas e tantas vezes, não porque o jogo foi inteligente, mas porque você não entendeu tudo que poderia ter feito para evitar sua derrota. Esse é o aspecto em que mora o perigo de frustrar desnecessariamente o jogador menos paciente ou até mesmo mais causal.

Por fim, posso dizer que saio de Overland com uma experiência muito boa, mas porque insisti em entender o que o jogo estava querendo que eu fizesse. Porque pesquisei e corri atrás para entender sua proposta e seus desafios, que não ficou claros apenas com o ato de jogá-lo. Espero que as dicas deixadas aqui possam fazer o mesmo aos interessados e aventureiros que queiram algo desafiador e tenso. O recomendo, mas faço aqui tais ressalvas. Tente sobreviver, um tanque de gasolina por vez.

Galeria

Dando uma nota

Tem um ótimo clima de tensão, erros tem graves consequências - 8.5
Visual tem um charme, mas não apresenta grande impacto - 7.5
Som tem uma ótima vibe dentro do gameplay - 8
Controle é um pouco desajeitado e impreciso, mas nada que estrague a jogabilidade - 7
Excelente nível de dificuldade, podendo ligar opção de tentar novamente ao morrer - 8.9
É preciso pensar e agir estratégicamente, e a imprevisibilidade sempre surpreende - 8.8
Faltam dicas e melhores tutoriais para tornar o jogo mais paliativo - 6

7.8

Ótimo

Overland é um destes jogos que deixam os jogadores tensos. É difícil, é desafiador. Tem uma ótima ideia de misturar jogos de estratégia por turnos com sobrevivência, focando em fazer o jogador sempre tentar evitar o confronto. Há muito da brincadeira de gato e rato aqui. Não é isento de pequenos problemas, como controles imprecisos ou falta de dicas e tutoriais. Mas é uma curva que passa após o jogador se comprometer com o título. Seu alto desafio e sua diversão superaram estes tropeços.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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