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Análise | Killer Queen Black

Disponível para Nintendo Switch e PC

Killer Queen Black é um jogo independente desenvolvido e distribuído pelo estúdio norte americano Liquid Bit, LLC, lançado no último dia 11 de outubro para o Nintendo Switch e PC (via Steam e Discord). O estúdio também espera lançá-lo para o Xbox One em 2020. O título é um jogo de ação multiplayer competitiva online baseado em trabalho em equipe onde há três caminhos estratégicos para vencer o time adversário.

O jogo tem como base Killer Queen, um título de arcadegabinetes de fliperama, mesmo – lançado em 2013, desenvolvido por Joshua DeBonis e Nikita Mikros, que fundaram o estúdio BumbleBear Games. Killer Queen Black é uma parceria dos criadores originais com a Liquid Bit, LLC para levar o conceito do jogo original para uma versão multiplataforma que permita sua experiência para um público muito maior. O que faz sentido, já que mesmo que a versão de gabinete tenha feito um tremendo sucesso nos Estados Unidos, ainda é um produto físico que tem uma tremenda dificuldade de acessibilidade em um nível global. Seu lançamento em consoles e PC abre a série para um público totalmente novo, sem barreiras e limitações que o formato original possui.

Também é importante dizer que Killer Queen Black não é um port da versão de arcade, e sim um jogo totalmente novo, inspirado no conceito do título original. Há diferenças entre os dois jogos, como a versão de arcade dar suporte para times de 5 jogadores de cada lado, enquanto a versão Black suporta times de 4 jogadores.  Os gráficos foram totalmente refeitos, deixando o jogo com uma pixel art muito mais atraente, além dos mapas estarem mais compactos, tornando o conflito bem mais intenso.

O conceito de Killer Queen Black é apresentar um título competitivo, que seus criadores categorizam como eSports Arcade, permitindo um cenário competitivo graças as regras e disputas que o jogo possui, tornando agradável a realização de torneios, tanto para àqueles que jogam, como àqueles que podem assistir. São disputas que podem ter reviravoltas e momentos de total imprevisibilidade. Há diversos meios para se vencer, diferentes personagens e muitas formas de sobrepujar o time adversário. Chega a ser impressionando como parece simples sob um olhar superficial, porém quando se entende suas regras, fica impossível não ser fisgado por sua proposta.

Três meios para vitória e uma rainha no centro de tudo

Para entender Killer Queen Black é preciso entender suas regras e as duas classes de personagens que existem: os trabalhadores e a rainha. Cada time possui apenas uma rainha, e ela é uma peça importante na disputa. Matá-la três vezes garante a vitória da rodada. Vença três rodadas e a vitória é do seu time.

Para matar a rainha o time adversário tem duas opções, usar sua própria rainha para atacar ou um jogador que seja um dos trabalhadores da rainha se transformar em um soldado, usando um dos portões que existem em todas as arenas. Sendo um soldado, que possui uma classe com espada e outra com uma arma de projétil, estes podem causar dado a rainha. A rainha possui três vidas antes da rodada se encerrar, ou seja, dá para morrer duas vezes com a rainha e ainda ganhar a partida de outras formas.

Antes de voltar ao papel da rainha, é preciso falar sobre os trabalhadores. O time é formato de quatro jogadores, um sendo a rainha e os outros três os trabalhadores. Estes possuem um papel tão importante quanto o da rainha, pois são estes que abrem a possibilidade das outras duas maneiras de vitória da partida.

Como mencionado, os trabalhadores podem se transformar em soldados. Como soldados sua a função é derrotar os trabalhadores do time adversário, assim como também tem a chance de matar a própria rainha oponente. Quanto um soldado é morto, seja por outro soldado, seja pela rainha, o mesmo renasce como trabalhador novamente. Trabalhadores tem vidas infinitas, sempre renascendo enquanto a partida não terminar em um dos três tipos de vitória.

Sem se transformar em um soldado, um trabalhador tem duas funções, pegar frutinhas para levar até a colmeia ou subir no caracol que está estacionado em algum lugar da arena e levá-lo até a linha de chegada de seu time. Fazer o caracol chegar ao ponto de chegada de seu time lhe garante a vitória de caracol. O ponto aqui é que o caracol é lento e o jogador fica vulnerável ao ataque de qualquer soldado e da rainha adversária. Se um outro soldado do time adversário subir em um caracol que já começou a andar até uma das direções de chegada, isso fará ele começar a andar na direção oposta, indo a outra linha de chegada. Funciona assim como um cabo de guerra, de uma maneira muito lenta. A estratégia aqui é fazer o time oponente não prestar atenção que sua equipe está andando no caracol.

Também mencionei que os soldados podem coletar as frutinhas espalhadas pela arena e levá-las até a colmeia. Se os jogadores conseguirem levar uma quantidade de frutinhas que encham os buracos da colmeia, antes do caracol chegar ao ponto de chegada, e antes da rainha morrer três vezes, o time vence pelo mérito de conseguir estocar a quantidade certa de frutinhas.

São essas as funções dos trabalhadores, que pressionam a rainha do time adversário a caçar os mesmos, saindo de qualquer posição que fosse segura, assim como trabalhadores adversários terem que virar soldados. As partidas de Killer Queen Black resultam em estratégia e pressão, onde as equipes estão sempre tentando vencer pelas três maneiras existentes, apostando que alguma vai acontecer primeira do que a outra.

Outros aspectos interessantes: os trabalhadores podem arremessar frutinhas, que podem interromper o ataque de um adversário que estiver vindo pra cima de você, assim como também podem arremessar para a colmeia, poupando o tempo de irem até a colmeia para deixarem a frutinha. E as frutinhas uma vez posicionadas lá não podem ser roubadas pela equipe adversária.

E lembra que mencionei os portões que transformam os trabalhadores em soldados? Para conseguir isso, um soldado deve ir até o mesmo com uma frutinha em mãos. E a rainha tem outra função importante em relação a estes portões, pois ao passar por eles o transformam exclusivo para uso de sua própria equipe, impedindo que o time adversário crie soldados a partir do mesmo. Para acabar com essa exclusividade a rainha adversária precisa ir até esse portão e passar pelo mesmo, tornando-o exclusivo de seu time. Essa é uma atribuição importante da rainha, da mesma forma que é uma bem arriscada. Felizmente os estágios tem de dois a três portões, então não é um espaço injusto, onde um time fica ficar segurando o ponto de controle e não dar nenhum brecha estratégica ao adversário.

Outro aspecto importante da rainha: só ela tem um ataque vertical para baixo. Soldado atacam apenas de frente horizontalmente, algo que a rainha também pode fazer. Isso a torna bem mais perigosa do que um soldado.

Então, sacou todos os três tipos de vitória? Militar, ao matar a rainha três vezes, econômica, ao juntar um número certo de frutinhas para a colmeia, ou pelo caracol, ao fazê-lo cruzar a linha de chegada de sua equipe.

Competitivamente divertido

Explicado as regras já se torna possível entender o escopo de Killer Queen Black e as razões pelas quais seus criadores o chamam de eSports Arcade. É um título pensado em funcionar de forma competitiva, com uma certa camada de complexidade que torna algo muito mais do que sua aparência mais simplista.

Tanto é que o título não possui qualquer modalidade single player. Não há campanha ou qualquer história para amarrar seu contexto. Talvez pudesse ter algo, mas não seria exatamente essencial ter. Da mesma maneiro, Killer Queen Black é um título pensado em funcionar no sistema de competição online, muito mais do que oferecer partidas em modo local.

O jogo até oferece algumas opções bem limitadas de possibilidades de jogar partidas em modo local, por meio de um Custom Match que precisa se conectar online, ainda que ele possa rodar de forma privada para até oito controles conectados ou quatro contra uma equipe formada por bots. Com uma quantidade menor de jogadores não consegui fazer tal modalidade funcionar. Há também como diversos consoles se conectarem entre si para partidas locais com os jogadores presentes em um mesmo espaço físico. O que sabemos que aqui no Brasil não é algo muito comum de acontecer.

A melhor opções para esse versus local é a possibilidade de montar uma equipe de até quatro jogadores e colocar nos demais modos online para que o sistema encontre outros times de jogadores reais para uma partida online. Nesse sistema funciona bem, sendo um jogador, ou dois, ou três ou quatro. O máximo possível ter dentro de uma equipe. Como o Switch vem com dois joy-cons, dá para formar uma dupla e procurar online por mais dois membros para preencher a equipe, além de outros quatro para a equipe adversária.

Surpreendentemente o matchmaking de Killer Queen Black no Switch funcionou muito bem pra mim. Não tive problemas em encontrar partidas, e o jogo até me permite escolher qual servidor, dentro diversas opções espalhadas mundo afora, me conectar para buscar jogadores. Ao menos os servidores USA estão com pessoas jogando sem qualquer problema. Os desenvolvedores também estão providenciando que o título funcione em cross-play com o PC o quanto antes, o que é sempre o ideal para jogos online com comunidades menores.

Notei que algumas partidas não rankeadas que joguei foram preenchidas com bots, o que pra mim não soou como um problema, e sim como uma solução. Os bots tem uma boa inteligência artificial e no meio do caos da partida, fica praticamente impossível pensar quem é uma pessoa de verdade, quem é o bot.

No Online há duas opções centrais para o jogador escolher, Partida Rápida e Partida Rankeada. A primeira opção é aquela para quem não se preocupa com nível dos jogadores ou ranking, enquanto a segunda tenta exatamente emparelhar jogadores com níveis semelhantes para partidas mais equilibradas.

O jogo tem sistema de chat por voz, mas não cheguei a testar. Sequer tenho um headset em casa que funcionaria no Switch, que não é muito bom para isso. Mas acho legal que a opção esteja ali presente, especialmente para aqueles que entram de cabeça no cenário de competição que há para o título. No mais, durante as partidas não cheguei a ouvir ninguém falando algo. E mesmo assim, as partidas foram deveras divertidas. Todo mundo meio que sabe exatamente o que fazer.

Duas coisas importantes que o jogo faz: primeiro é um tutorial passa a passa com as regras das partidas muito bem explicadas aos jogadores. Ninguém pode entrar nunca partida e dizer que não está entendo o que está acontecendo. O tutorial é minuciosamente inteligente em lhe dar todos os detalhes importantes das mecânicas do jogo. A outra coisa importante é deixar jogador escolher que tipo de classe quer ser ao buscar partidas: trabalhadores ou rainha, e uma terceira opção que diz “tanto faz”.

Deixei justamente essa terceira opção ativa nas partidas que joguei. Gostaria de saber se conseguira ser escolhido como rainha nessa modalidade, afinal é são duas vagas por partida, enquanto trabalhadores são seis vagas a serem preenchidas. Sim, pude jogar como rainha nessa opção. Então significa que funciona muito bem.

As partidas que disputei nos servidores norte americanos rodaram muito bem. Sem lags ou travamentos ou desconexões. Fiquei bem surpreso com a qualidade, mas fica claro que o jogo ser graficamente bem simples ajuda justamente as conexões mais fracas, pois exige menos dados trafegando online. Ao menos é o que imagino.

As arenas, seis ao todo, são bem parecidas entre si, com uma ou outra mais diferentona, como uma com o ambiente nortuno, porém o fato delas serem uma tela fixa, certamente ajuda a parte online a funcionar muito bem. Gosto também do conceito arcade destas arenas, em quê o jogador ao subir toda a tela acabar saindo na parte inferior da arena, assim como ao ir toda tela para a direita, acabar saindo no lado esquerdo e vice-versa.

Com outros jogadores se mexendo dentro de uma tela fixa, é fácil entender que as partidas tendem a ser caóticas, de uma forma bem positiva. O maior desafio é acompanhar aonde todos os membros da sua equipe  estão, como oferecer suporte ou tática a esse posicionamento, enquanto também fica de olho no quatro outros jogadores do time adversário.

Nestas partidas senti que o maior desafio está sempre quando se está no papel da rainha, pois ela tem que vigiar seus companheiros, enquanto tenta não ser morta pelos soldados e a rainha do time adversário. É um papel mais tenso e complicado. Uma boa rainha pode fazer toda a diferença, enquanto uma má rainha vai atrapalhar qualquer boa tática que os trabalhadores vierem a ter. Nesse caso é sempre bom um bom jogador trabalhador virar soldado e tentar defender a rainha da melhor maneira possível.

No mais, jogar como trabalhador é bem mais tranquilo, até mesmo do que soldado, já que este é uma rainha fraquinha. Como trabalhador você corre para pegar frutinhas, andar no caracol, distrair soldados adversários ou até mesmo atrair a rainha inimiga para que a sua rainha a pegue. Há mais opções e por serem em maior número em tela, fica mais difícil o adversário adivinhar o que você está planejando. Eu ganhei várias partidas porque o time adversário não percebeu que alguém do meu time sempre se focava em pegar frutinhas para a colmeia enquanto os demais ficavam tentando a vitória do caracol ou se tornando soldado para pressionar a rainha adversária ou proteger o caracol. E no final eram sempre a colheita de frutinhas que encerravam as partidas. Isso, claro, quanto as vidas de uma rainha não se esgotavam.

Por serem partidas rápidas, de dois a três minutos por rodada, Killer Queen Black não tem uma frustração inerente ao gênero. Aquela coisa de investir inúmeros minutos em uma partida e fracassar vergonhosamente por erros de membros de sua equipe. Aqui é rápido. Se você perdeu, é só partir para outra e tentar novamente. Bom tanto que as rodadas para as três vitórias não acontecem nos mesmos mapas. Eles mudam a cada rodada, ainda que sejam apenas seis, são mais do que suficiente para dar um ar diferenciado entre as rodadas.

Considerações finais

Killer Queen Black é um jogo independente muito curtinho em termos de conteúdo. Há um longo valor de replay considerando o tendo que você se interessa por jogos competitivos online, mas no conteúdo diferenciado, ele é bem fraco em oferecer experiências diferentes de seu foco principal.

Não sei se caberia aqui algum tipo de modo single player, ou até algo customizado para um jogador, com outros bots e tal, mas o ponto é que a ausência de qualquer coisa nesse sentido torna o título muito mais direcionado para jogadores interessados unicamente na experiência online, que por sinal é preciso assinar o plano de serviços online da Nintendo. Caso contrário o título não tem qualquer serventia para consoles que não possuem tal assinatura.

Graficamente o título possui uma pixel art modesta, mas bem mais bonita que sua versão original de arcade. Há mais detalhes, mais fluidez nos movimentos dos personagens. Sua trilha sonora não tem nada de especial, não sendo ruim, mas também não sendo algo que vá marcar na sua memória.

A maior surpresa fica mesmo por uma boa estabilidade no modo online e suas regras inteligentes que tornam Killer Queen Black um jogo de competitividade online bem diferente de outros jogos que existem no mercado atual. Gosto da ideia de três regras possíveis para vencer uma partida, e o quanto elas são diferentes entre si. Reviravoltas e momentos inesperados são muito comuns. São partidas bem satisfatórias, e por serem curtinhas, a derrota não é frustrante.

Claro que pequenos problemas podem ser colocados aqui. Não há qualquer sentimento de progressão. Não se ganha experiência, não se pode customizar seus personagens. Algo nesse sentido poderia motivar os jogadores menos interessados a ficarem mais tempo jogando, correndo atrás daquela cenourinha que tanto apreciamos em diversos jogos online. Killer Queen Black é para aqueles que gostam de jogar online, em equipe e que sentem-se motivados pelas chamas da competitividade.

Dando uma nota

Tem um grande foco em partidas online com competitividade - 9
Tem boas mecânicas e diversas regras que tornam as partidas interessantes - 8.5
É divertido jogar com qualquer classe de personagem - 8.5
Gráficos são bem simples, tem uma pixel art charmosa - 7.5
Controles respondem muito bem aos comandos do jogador - 8
Carente de melhores opções de multiplayer local ou até mesmo de um modo single player - 6.5
Partidas são acirradas, divertidas e até mesmo imprevisíveis - 8.8

8.1

Ótimo

Killer Queen Black é um jogo pequeno dentro o leque de opções que normalmente jogos podem oferecer. Tem como foco partidas de multiplayer online e a competitividade que surge de sua inteligente regras para vitória. É simples, porém divertido. Seu sistema online funciona bem e sempre inventiva a se jogar mais uma partida, que são ágeis e as vezes até mesmo imprevisíveis.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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