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Análise | The Witcher 3: Wild Hunt — Nintendo Switch

Versão Complete Edition

The Witcher 3: Wild Hunt é um dos maiores fenômenos desta geração. Lançado originalmente para PlayStation 4, Xbox One e PC em 2015, conta com mais de 20 milhões de cópias vendidas, segundo levantamento realizado no primeiro semestre deste ano, e é um destes jogos obrigatórios para todos que são fãs de jogos eletrônicos. Por isso o lançamento de The Witcher 3: Wild Hunt — Complete Edition para o Nintendo Switch, agora em 15 de outubro, é tão importante.

Além disso a chegada de The Witcher 3 no Switch é um lançamento que surpreende se pensar um pouco. Não é segredo algum que o console da Nintendo tem um hardware mais modesto do que seus concorrentes. Há vários jogos desta geração que não conseguem rodar no Switch. Até então acreditava-se que este seria um destes exemplos. O trabalho da CD Projekt RED, desenvolvedora da franquia, é digno de admiração, ainda que o resultado final não seja idêntico à versão dos consoles mais parrudos, isso pra não esquecer da versão para PC, que roda ainda melhor que a destes consoles.

O resultado de The Witcher 3: Wild Hunt no Nintendo Switch pode ser medido de diversas formas. Uma destas medidas, que mais me impressionou, diz respeito ao espaço que o jogo ocupa na memória do console. Não sei dizer se é o maior, se não for está entre os maiores: 31GB de espaço. É bastante coisa para um console sem muita memória, onde seus maiores jogos, como The Legend of Zelda: Breath of the Wild ou Super Smash Bros. Ultimate, ficam na média de 15GB (cada um). É bastante, mas certamente – em certo nível – é muito legal que os donos de Switch agora tenham acesso a um dos melhores jogos da geração.

A mesma experiência, só que mais modesta

Talvez seja importante começar dizendo que todo o conteúdo original, além de ambas as expansões – Hearts of Stone e Blood and Wine – estão disponíveis nesta versão para Switch. Nada do conteúdo de jogo em si foi podado desta versão. Está tudo aqui, todos os diálogos, missões secundárias, criaturas, mecânicas, cutscenes e até mesmo sua localização em português, tanto por legendas quanto a excelente dublagem em nosso idioma que o jogo recebeu nas demais plataformas. Nesse sentido, a versão para Switch não perde em nada.

O que claramente a versão para Switch sofre é com a performance do jogo em si. O título precisou sofrer alguns reduções gráficas para conseguir rodar de maneira aceitável no console da Nintendo. O que ajuda um pouco isso é pensar que este é um jogo de 2015 e que em pleno 2019 já soa um pouco datado frente a tantos outros jogos lançados nestes últimos dois anos. Esse pensamento vale para sua versão dos outros consoles, mas claramente é bem mais visível aqui no Switch.

Pude testar algumas horas do jogo nestes últimos dias, sendo que já o havia jogado no Xbox One há alguns anos atrás, e a sensação que tive era exatamente de um jogo que dá sinais de seu tempo, ainda que mesmo assim ele faça muita coisa impressionante em termos de imersão e jogabilidade que outros jogos mais bonitos sequer sonham em fazer.

Na versão de Switch há muitos comentários pela internet sobre a queda de quadros em momentos de muito agitação dentro do jogo. Eu, particularmente, sou péssimo em notar isso, mas claramente o título roda de uma forma mais modesta do que em outras plataformas. Texturas e objetos do cenário constantemente carregam com atraso durante toda a parte em que você estiver jogando, seja em áreas abertas, ou dentro de edificações. Luz e sombras mudam de posição em um piscar de olhos.

Claramente você sente o jogo suando e fazendo o impossível para carregar tudo que precisa em tempo real, mas sem sucesso. Não é terrível como talvez isso possa ter soado, mas também não passa desapercebido de forma alguma. E se é preço para se ter The Witcher 3 no Switch, acho que é um preço muito justo para se pagar.

Entretanto mesmo com tudo isso, a quebra da imersão não ocorre porque o jogo manda muito bem em tantos outros aspectos, como história, dublagem, batalhas e as toneladas de coisas que lhe abrem para serem exploradas e realizadas. Você passa a não dar a mínima para aquele arbusto que se materializa 3 segundos antes de você chegar perto dele. Fora que o jogo original também tinha fama de alguns bugs bizarros, como NPCs que se perdiam, como, por exemplo, subir em mesas para depois darem a volta e se sentarem no local designado – algo que também ocorre aqui.

A performance gráfica de The Witcher 3 no Switch fica um pouco mais sofrida quando se está no modo dock do console, com o jogo rodando em uma TV de alta definição. Aí não tem como não achar tudo um pouco feio demais. Não é a melhor maneira de revisitar ou até mesmo conhecer esse mundo incrível. Mais coisas vão demorar a carregar e aí as chances da queda de quadros se torna mais comum.

Pra mim a melhor experiência para esta versão de The Witcher 3 é sem dúvida alguma no modo portátil do console. Na telinha fica mais difícil prestar atenção a detalhes menores e a taxa de quadro se mantém mais estável. O texto das legendas e do menu ficam em um tamanho legível, e a dublagem e os efeitos de som se mantém em uma boa qualidade. Fora que essa experiência portátil é maravilhoso. Combina demais com o jogo.

Certamente essa não é a experiência definitiva para um jogo tão premiado ao longo destes últimos anos. Se você tem um PlayStation 4, Xbox One ou até mesmo um PC parrudo, é neste consoles que se encontra a versão definitiva para The Witcher 3. A versão para Switch é um quebra galho, para quem não tem outro console e sempre quis jogar esse fenômeno. Ou para aqueles que já viram o potencial do jogo nas demais plataformas, mas procura revisitá-la em um modo mais portátil e prático para se usar fora das restrições de uma TV ou monitor. É essa audiência que vai se entreter com essa versão para Switch.

Revisitando o fenômeno

Para aqueles que nunca jogaram The Witcher 3, acredito que algumas palavras para contextualizar seu sucesso são um tanto quanto necessário aqui. O título é um jogo de RPG de mundo aberto, com exploração em terceira pessoa. É um destes jogos que brincam com a fórmula do RPG ocidental, com batalhas em tempo real, e muito mais ação do que estratégia em si, mesmo que haja espaço para muita customização e busca por itens e equipamentos para se manter ainda mais forte e poderoso dentro da aventura.

É um título que é tão megalomaníaco quanto um Skyrim, da Bethesda, que dá liberdade para o jogador viver dentro de um mundo rico em detalhe, situações e decisões. Fala-se que a aventura original tem mais de 100 horas, com suas expansões acrescentando mais de 50 horas nessa conta final. Por falar em expansões, é permitido começar o jogo por qualquer uma delas, mas aí seu level vai automaticamente fica compatível com o nível que se exige para se iniciá-las, o que irá lhe prejudicar na aventura principal. O ideal aqui seria começar pelas expansões se você não tem muito interesse na campanha principal (talvez por já tê-la jogada em outras plataformas). Apesar de que o jogo tem múltiplos slots de save manual, então você meio que pode começar várias campanhas de forma independente.

The Witcher 3: Wild Hunt também impressionará jogadores de primeira viagem pela forma como conduz sua narrativa em meio a árvores de diálogos e decisões que podem ou não influenciar a aventura, que detém diversos finais, dependentes justamente destas escolhas realizadas pelo jogador. O protagonista, o bruxo Geralt de Rívia, é um ótimo personagem, com um humor interessante, sempre mantendo uma língua afiada, mas sempre de uma forma que deixa bem claro porque ele é o protagonista dessa aventura. É um cara sério, mas que nunca perde a oportunidade da realizar uma tirada sagaz.

O mundo do jogo também é de cair o queixo, com muita coisa secundária para se realizar, mas do tipo que soa como uma missão principal, sempre levando a histórias interessante, a criaturas intrigantes e com um grau satisfatório de recompensas, seja o aprendizado de mais sobre esse mundo e seus habitantes, seja com itens que vão se tornam essenciais para a viagem adiante. Trata-se de um mundo de fantasia, então tem muito esse folclore, dentre grifos, trolls, criaturas aquáticas, espíritos malignos e afins. Não há limites para as ameaças que serão encontradas dentror do jogo. Esta é a beleza do universo da fantasia medieval. Tudo pode existir.

Na parte do combate, tenho que admitir que não sou exatamente um fã. Hoje em dia penso que há muitos outros jogos de mundo aberto que entregam um sistema de batalha bem mais interessante, dinâmico e que flue muito melhor. Mas isso não torna o sistema de The Witcher 3 de todo ruim. Não é punitivo como um Dark Souls, sendo mais justo e menos desafiador. De toda forma é legal que o título dê ao jogador um repertório de magias diferentes e boas armas que você vai carregar por quase toda a aventura, apenas aprimorando esse seu arsenal inicial. A árvore de habilidades também concede uma sensação de progressão e motiva o jogador a correr atrás de cada possibilidade de ganhar mais e mais pontos de experiência.

A história também é outro ponto forte do jogo, porque os personagens que seguem Geralt nessa aventura são tão interessantes quanto ele. E como suas decisões refletem no que vai ou não acontecer com estes eventos, o jogador estará sempre apreensivo pelas decisões mais corretas, que menos prejudiquem ele ou àqueles a seu redor. Há uma boa busca pelas histórias destes companheiros de Geralt, assim como seu próprio passado. Mesmo que o título carregue um 3 em seu título, certamente não torna obrigatório ter jogado e conhecido as aventuras dos dois jogos anteriores. O que se encontra aqui é um belo ponto de partida para a série.

Considerações finais

The Witcher 3: Wild Hunt é um destes títulos que conseguem lhe tirar da sua vida real para viver uma vida dentro de seu mundo, querendo conhecer as pessoas, seus desfechos e aprendendo mais de seu universo, regiões e criaturas. É um destes jogos que você decora o que fazem poções, onde encontrar itens e estar sempre atrás de mais um contrato secundário porque sabe que vale a pena caçar estas recompensas e expandir ainda mais sua aventura neste mundo. Dá uma sensação de realismo que até pode dar uma certa preocupação em determinado momento. Fora a sensação de não querer nunca chegar ao seu fim.

É certo que a versão para Switch não é uma versão ultra refinada, com a melhor experiência que um jogo como este pode oferecer. Há problemas de performance que são totalmente esperados em um port dessa magnitude. E põe magnitude nisso. A CD Project RED fez um trabalho impressionante para colocar o título no Switch, ainda que não tenha conseguir uma experiência idêntica aos dos outros consoles. Mesmo assim é totalmente válida. Não tenho dúvida ao dizer que esta é uma grande vitória para a biblioteca de grandes sucessos do Switch.

A regra aqui é bem clara: se você não tem como experimentar The Witcher 3 em outra plataforma mais parruda, certamente não deve se incomodar de experimentar esta versão de Switch. Não vai sentir o peso de performance aqui como talvez sentisse se tivesse jogado-o em outro lugar. E prioriza a jogabilidade no modo portátil, porque é realmente onde o títulos e dá melhor. E ninguém jamais pensaria em jogar um título de tamanho sucesso em um portátil. Mérito das capacidades híbridas do Nintendo Switch.

Agora se você é destes que já tem a experiência completa de The Witcher 3 em outra plataforma e deseja revisitá-la aqui, talvez seja importante tem em mente as limitações que claramente existem neste console. Tendo essa consciência, o choque é muito menor. Ainda é uma aventura divertida de se revisitar. Sei que eu me diverti muito rejogando as horas iniciais da aventura no Switch, com ainda mais vontade de seguir adiante até mesmo depois que terminar estas impressões. Até porque faz anos que joguei a versão para Xbox One e nem tudo está fresco na minha cabeça como achei que estariam. The Witcher 3 segue sendo um dos maiores e mais incríveis jogos de mundo aberto dessa geração.A sensação de fazer parte de seu mundo, da liberdade de exploração, do aprendizado de tudo que suas mecânicas permitem realizar, não estão nem um pouco datadas. Há jogos mais atuais que ainda não conseguem atingir a excelência que The Witcher 3 atingiu ao ser lançado anos atrás. Ser um bruxo ainda é bom demais.

Galeria

 

Dando uma nota

É um dos maiores e melhores jogos dessa geração, e isso diz muito sobre o título - 9.5
Tem todo o conteúdo e expansões que o jogo oferece nas demais plataformas, sem cortes - 9
Versão esbarra na capacidade de hardware do Switch, o que compromete sua performance técnica - 7
Totalmente localizado em português, com legendas e até mesmo excelente dublagem - 10
Experiência de jogo fica mais agradável no modo portátil do que no dock para TV - 8.5
Mesmo lançado em 2015, revisitar o jogo agora ainda é imersivo e divertido - 8.5
É um jogo imenso, com centenas de horas de bom gameplay - 9.5

8.9

Épico

The Witcher 3: Wild Hunt - Complete Edition para o Nintendo Switch é uma experiência interessante. Claramente não é a melhor experiência que pode se tirar desse sucesso mundial, mas certamente é válida para os usuários da plataforma. Todo o conteúdo se faz presente, sem cortes, ficando apenas questões de performances que precisam ser compreendidas dado o hardware da plataforma. Jogue no modo portátil e estes problemas ficam bem menos evidentes. E no fim, são detalhes que não tiram os méritos de um dos melhores jogos desta geração.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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