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Análise | Mable & The Wood

Disponível para Xbox One, Nintendo Switch e PC

Mable & The Wood é uma interessante aventura metroidvania onde se pode assumir a forma dos chefes que se derrotar pelo caminho. O título foi desenvolvido pela Triplevision Games, com distribuição global pela Graffiti Games e foi lançado em datas diversas para diferentes plataformas: agosto para PC, setembro para Xbox One e outubro para Nintendo Switch e por enquanto não há informações do título ser lançado no PlayStation 4. E como sempre gosto de informar: a versão utilizada para esta análise foi a do Xbox One.

O jogo é mais uma destas produções independentes que conseguiu ver a luz do dia graças a uma campanha de financiamento coletivo bem sucedida, realizada no Kickstarter encabeçada por Andrew Stewart, projetista do game. O projeto levou aproximadamente 2 anos para ficar pronto devido a diferentes intempéries passados por ele e sua família, mas ao final, com a aceitação dos financiadores, o projeto teve êxito e o jogo está lançado.

Resumidamente dá para dizer que temos aqui mais um jogo pixelizado de ação e plataforma com aquela pegada metroidvania que todos conhecemos e de que gostamos muito. Explore áreas e descubra habilidades afim de continuar avançando em um mundo interconectado. Contamos com o estilo avanço por deslocamento lateral (side-scrolling), diversos inimigos para serem enfrentados, chefes gigantes e quebra-cabeças simples para resolvermos.

Mable & The Wood é tanto sobre exploração e desafios em plataformas, quanto sobre combate. Situado em um mundo de fantasia e sempre nessa perspectiva 2D. Um detalhe é que diferente dos outros jogos de plataforma, aqui você não pode pular e assim precisa confiar nas habilidades únicas tiradas dos chefes para se mover pelos ambientes, com resultados mistos. Ah e não podemos esquecer o jogo tem a localização para português disponível no menu de opções, o que facilita no entendimento do mesmo ao público em geral.

Invocação para salvar o mundo

Alguns homens recitam cantigas invocando a Precursora da Aurora, alguém para salvar o seu mundo. De repente uma espada cai do céu e se encaixa em um bloco de pedra no meio deles. Eis que surge misteriosamente, ao lado da espada, uma jovem de cabelos vermelhos e esvoaçantes chamada Mable. A jovem ao agarrar a espada imediatamente se transforma em uma fada, surpreendendo a todos os presentes. Ao que tudo indica a guria foi invocada como sendo a entidade que poderá eliminar os guardiões e salvar o mundo, ou será que é tudo isso ao contrário e suas ações, na verdade, levarão prematuramente este mundo já sombrio para o seu inevitável fim? Ih.

O culto que lhe ressuscitou fala de uma profecia antiga onde está descrito que a Precursora da Aurora tem como missão caçar as grandes bestas, tomar suas formas e usar seus próprios poderes (dos guardiões em questão) para então salvar o mundo. Mas e se eles estiverem errados? A profecia é muito antiga e as palavras podem ter perdido seu real significado ao longo do tempo. Tem uma beleza no fato do jogo levantar tal dúvida.

Notadamente o mundo está desmoronando por conta própria, e cabe a Mable fazer uma escolha desde o momento em que é invocada para este desafio: matar todos ou não matar ninguém? Precisamos dos poderes dos guardiões para prosseguir na exploração, abrir novos caminhos e superar os desafios, mas e se tiver outra forma? E se não for preciso sujar a espada com o sangue dos guardiões e se puder derrotá-los sem precisar matá-los?

Escolhas variadas e diferentes estão presentes a cada passo que você dá. Falar várias vezes com os NPCs e descobrir um pouco mais ou não falar nada e simplesmente seguir em frente? Por exemplo, há uma senhorinha logo no começo da aventura, você pode ficar conversando com ela por alguns minutos (e isso garante uma conquista específica), você só precisa dar corda a suas perguntas. Mas também podemos passar batido por ela e nem falamos nada. Qual será a sua escolha? Pode-se descobrir segredos que podem ser usados para encontrar rotas alternativas, sem nenhum combate e assim descobrir um lado totalmente diferente da história, (o que nos levará a vários finais diferentes).

Mable em ação

O jogador assume, então, o controle de Mable, que é pequena e mal consegue carregar a espada que foi usada em sua invocação. Tanto que passamos grande parte da aventura arrastando a imensa espada pra cima e para baixo no cenário.

Começamos podendo nos transformar em uma fada e conseguindo assim, voar por alguns segundos, o tempo de transformação é curto pois temos um medidor de magia (localizado no canto superior esquerdo, que se esvazia rapidamente enquanto estamos transformados). Para poder se transformar novamente, é preciso reverter a forma humana ou coletar itens de inimigos derrotados durante o tempo da transformação.

No momento da transformação a pesada espada cai no chão e fica no lugar onde nos transformamos em fada. Ao retornarmos a forma humana, veremos que terá uma linha pontilhada como guia, mostrando onde a espada ficou, ao pressionar novamente o botão da transformação (o um botão para se tornar humano novamente), a espada virá até você e acertará quem ou o que estiver pelo caminho. E esta é a forma de se eliminar os inimigos e manipular mecanismos nesse primeiro momento. É bem diferente, né?

Logo depois de iniciarmos verdadeiramente a aventura já entramos em conflito com a Queen of the Woods, uma aranha gigante que quer a todo custo lhe esmagar. Derrotá-la por sua vez lhe dará a habilidade de se transformar em uma aranha, que permite apontar e disparar teia pelos cenários, esta teias por sua vez levaram a espada em sua ponta e consequentemente, ao atingirem inimigos irá derrotá-los e pode também ser utilizada para escalar partes do cenário.

Controlar Mable exige esforço da parte do jogador. Quando está na forma de fada o voo é rígido e duro. Muitas vezes levando a quedas desnecessárias devido a não conseguir calcular exatamente aonde se quer ir.  Quando não está com alguma transformação ativa, Mable é agonizantemente lenta enquanto fica arrastando sua espada pelo cenário. Acabei, então, ficando mais tempo do que o necessário utilizando as transformações, para dar melhor fluidez a jogabilidade e sua navegação pelo cenário. O jogo parece instigar que você vá fazer isso mesmo.

Quanto a questão de localização no mundo, este é outro ponto complexo, pois os mapas nem sempre estão disponíveis, e quando estão vai depender unicamente da sua capacidade de leitura e interpretação destes mapas, afinal não há um detalhamento grande e Mable é marcada somente como um pequeno símbolo. Então é preciso interpretar onde você está e para onde precisa ir para cumprir o próximo objetivo. Devemos utilizar a já consagrada fórmula de pegar um poder de chefe e voltar até as áreas onde não tínhamos como acessar anteriormente, e com a nova habilidade algumas dessas novas áreas ficarão acessíveis.

A cada monstro derrotado podemos receber refis de vida, de magia e rubis que usamos para comprar itens em uma lojinha lá na saída da vila inicial do jogo. Mas fica um aviso: a cada ataque recebido de inimigos os diamantes se espalham, cada vez que morrermos, os diamantes coletados ficam no local onde perdemos eles e podem ser recuperados se voltarmos e atacarmos uma esquife de gelo com a forma de Mable que ficou no local da última morte. Meio esquema Dark Souls, sim.

Entretanto seria prático se pudéssemos deixar uma marcação no mapa para voltarmos conscientemente para áreas antes inacessíveis, mas não encontrei qualquer indicação que o jogo faça isso. E é aqui que a sua paciência terá que entrar em ação. Graças ao pequeno tamanho de Mable, e sua limitada movimentação, uma jornada, que em outros metrodvanias comuns levaria poucos minutos, aqui se torna uma pequena maratona.

Visual e trilha sonora

Mable & The Wood também possui uma bela trilha sonora, que se casa perfeitamente com a atmosférica e parece verdadeiramente um trabalho feito com cuidado e carinho para com a obra total. E importante ressaltar que este jogo foi feito por uma única pessoa (Andrew Stewart).

Também acho interessante comentar e apontar como a riqueza de cenários variados, tendo cidades, pântanos, montanhas nevadas, picos traiçoeiro para escalarmos, ventos cortantes que derrubam Mable, é graciosamente renderizado no estilo pixel art de 16 bits. Nostalgia pura com a era clássica dos videogames.

Considerações finais

Muita da dificuldade presente para Mable & The Wood acaba sendo encarar as adversidades impostas pelo mundo comparadas as limitações da personagem. Seja pelo fato dela andar demasiadamente lenta devido à espada, seja pelos fortes ventos que podem empurrá-la em sua forma transformada em fada/aranha para precipícios mortais, pelas áreas com lava e por aí vai. Sempre há eventos desafiadores acontecendo por todas as partes da aventura, repetir várias vezes uma mesma área até conseguirmos progredir é algo que certamente vai acontecer com todos que jogarem o título.

Esse questionamento do que Mable fará ao final da aventura, que gera diferentes finais, a forma como o jogo desenvolve a ideias para a locomoção diferenciada do tradicional salto, mesclando as transformações ao derrotar chefes, mortes que necessitam que o jogador retorne até o local em que morreu… tudo isso faz um misto bem interessante, que entrega um jogo inspirado, com uma mistura interessante de elementos de jogabilidade.

Mable & The Wood é um jogo que consegue manter você interessado em ver o que está por vir devido a promessa de novas habilidades e consequentemente de novas áreas a serem exploradas. Todo o tempo que fiquei voando, balançando, cortando e (porquê não) morrendo, nunca me levou aficar totalmente desapontado. Cheguei a conclusão que mesmo com suas limitações Mable & The Wood consegue transbordar charme durante toda a aventura.

Galeria

Dando uma nota

É um metroidvania que tenta ser diferente, tendo boas ideias para isso - 8
Exploração pode ser confusa, sendo fácil se perder pelo cenário/mundo - 6
Novas habilidades vêm em momentos chave - 8
Confrontos com os chefes podem ser frustrantes até engrenar - 6
História criativa, chamativa e que prende a atenção - 9
Cabe ao jogador interpretar qual poder necessário na situação apresentada pelo cenário - 8

7.5

Bacana

Mable & The Wood é uma boa jornada através de um mundo sombrio pixelizado. Funciona como um jogo de ação e plataforma, carregando em seu DNA uma progressão metroidvania. Imaginar que talvez nem tudo seja tão simples em sua narrativa e que podemos estar fazendo o mal ao invés do bem lhe deixa curioso para saber que final lhe aguarda. É um jogo que vai cativar um pouco de sua admiração e lhe encantar em vários momentos, por mais simples que ele possa soar.

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Paulo Roberto L. S.

Gamer desde o antigo Master System 3. Leitor de HQs (Marvel/DC) e de Mangás, como atividades extras me dedico a treinar Pokémon e sair em busca de conquistas e troféus.
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