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Análise | Sparklite

Disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC

Sparklite é um jogo independente bem charmoso, em meio a uma pixel art encantadora e uma jogabilidade que ao ser simples o torna divertido embarcar em sua aventura. Título desenvolvido pelo estúdio Red Blue Games, localizado na Carolina do Norte (Estados Unidos), e que conta com a distribuição global em parceria com a Merge Games, uma publisher que tem em seu catálogo diversos indie games que foram um sucesso nesta geração. Seu lançamento aconteceu no último dia 14 de novembro, em todos consoles da geração e PC.

Trata-se de um jogo de aventura, que mescla elementos de roguelite, com jogabilidade de avanço tela a tela, visão isométrica e progressão mediante melhorias de sua base principal e bioma a bioma. Mecanicamente não tem nada de inovador, porém há um capricho em todos os detalhes oferecidos dentre sua jornada. Infelizmente Sparklite não conta com localização em nosso português, oferecendo nesse caso o tradicional suporte em inglês aos tutoriais e momentos de história.

Mundo volátil

Seu enredo gira em torno desse mundo chamado Geodia, na qual sua composição é regido por uma força chamada Sparklite, que também provém uma forma de energia que pode ser usado pelos habitantes desse mundo. Nas profundezas do planeta há uma força ainda maior de Sparklite, que provém um estranho efeito no planeta que o permite remodelar suas placas tectônicas e modificar seu ambiente. É nesse argumento que o elemento roguelite surge, fazendo que o território mude sempre que o jogador for nocauteado em sua aventura.

Parte de seus habitantes aprenderam, então, a viver nos céus de Geodia. Para assim não se perderem uns dos outros, enquanto que um vilão, chamado Barão, deseja extrair o núcleo de Sparklite do planeta para usar tal poder em máquinas que dominarão tudo. Ada, uma jovem mecânica, é lançada como a heroína que poderá deter o Barão, pois misteriosamente ela tem meios de interagir e acessar templos que nenhum outro habitante de Geodia é capaz. Com isso Ada encontra meios de se tornar mais forte e se equipar com tecnologia que lhe ajudará a colocar fim aos planos do Barão e assim salvar o mundo de Geodia e seus habitantes.

Geodia é dividido em cinco biomas, sendo que Ada precisa explorar todos afim de encontrar o esconderijo do Barão, confrontar suas criações mecânicas e assim acessar um dos símbolos dos portais que guardam acesso ao núcleo do planeta.

Roguelite nada punitivo

O grande lance de Sparklite está muito na leveza na qual o sistema roguelite funciona. Ele não é complexo ou punitivo como normalmente esse gênero pode vir a ser no cenário dos jogos independentes. Pelo contrário, aqui é bem fácil o jogador conseguir memorizar os padrões e áreas de cada bioma, percebendo como estes repetem, apenas sendo realinhados de formas diferentes a cada novo turno.

O que faz sentido de certo forma, afinal dentro do que é explicado no enredo, o terreno apenas se divide e muda de posição. Não se cria novas áreas ou novos cenários com isso, ele apenas reorganiza as áreas, que se deslocam tela a tela, dentre possíveis quatro direções: esquerda, direita, cima, baixo. E esse avanço entre telas e quatro direções lembra um pouco os clássicos jogos 2D de The Legend of Zelda, como Link’s Awakening. O que dá um charme meio nostálgico ao título.

Ao explorar o mundo com Ada, criaturas e monstros irão lhe atacar. Ao ter sua saúde esgotada – os clássicos corações – Ada desmaia e é resgatada pelos habitantes de Geodia, que habitam uma base aérea. Basicamente eles pescam Ada, o que faz com que ela perca todos os itens consumíveis que encontrou durante a exploração, fazendo-os cair de volta ao mundo em si. É nesse momento que o terreno de Geodia se modifica, sendo que ele nunca muda enquanto o jogador estiver no solo explorando o mesmo.

Ao desmaiar e ser resgatada, Ada permanece com todo o dinheiro encontrado explorando o mundo. Com essa grana ela pode expandir a vila área, assim como adquirir habilidade passivas que melhoram alguns de seus atributos, como vida, ataque e energia para armas especiais. O jogador tem um inventário para encaixar estes atributos, sendo que o espaço tem limite e eventualmente nem tudo irá caber, obrigando o jogador a escolher o que for melhor para sua jornada.

Dentre as expansões estão um lojista que irá lhe oferecer um item consumível para começar sua jornada já com alguma coisa, um laboratório de invenções para novas ferramentas das plantas que você encontrará em templos especiais que apenas Ada poderá abrir, um local para comprar itens que irão em seu inventário permanente, dentre outras locações que ainda são uma surpresa na hora inicial do jogo. Cada um destes locais poderá ser expandido em novos níveis, melhorando ainda mais o quê cada um poderá lhe ajudar.

Com isso sempre se tem a sensação de que o jogo está progredindo de alguma forma. Ada pode ficar mais forte e aumentar seus corações de vida com itens que se fundem e ficam ainda mais eficazes,O jogador tem constantemente acesso a novas coisas sempre que morre, enquanto que ao explorar o mundo você acaba aprendendo muito sobre como lidar com diferentes tipos de inimigos.

É um roguelite que lhe deixa progredir muito rapidamente. Sem ficar prendendo o jogador em um único bioma. Logo se ganha um mapa que deixa a área inicial sempre com o mapa exposto, tornando bem claro qual o caminho a seguir após vencer o primeiro bioma. Você pode sempre começar no mesmo lugar, mas o jogo encontra muitos de fazer o jogador se locomover rapidamente até o novo Bioma destravado, sem ter que passar por todos até chegar no local em que caiu.

Os biomas não seguem uma estrada reta, e sim um centro que tem conexão direta com cada um dos outros quatro territórios presentes na aventura. Entretanto mesmo que cada um dos Biomas esteja conectado com o primeiro Bioma, ainda assim o jogador precisa seguir a aventura de forma linear, pois em cada um tem a habilidade necessária para abrir o próximo. Não é possível assim adentrar em certos biomas antes da hora.

Simples, sem perder a diversão

Sparklite é bem simples em sua essência, mesmo que tenha elementos roguelite que mudam certos parâmetros a cada nova partida. Até porque ele está impulsionando o jogador dentro de uma aventura linear. Não é sobre sobreviver pelo maior tempo possível, mas encontrar os pontos chaves de cada bioma para conseguir destravar o próximo.

E cada bioma tem alguns elementos surpresas. Basicamente há três estruturas fixas, a sala do chefe, a mina dos inimigos mais fortes, em quê você deve por andares e precisa vencer sala a sala e o templo com um simples puzzle que concede uma nova habilidade para Ada, sendo que é um equipamento que precisa ser construida na base aérea. A fórmula tem um ritmo bem claro. O jogador consegue decidir rapidamente o que quer fazer explorando cada bioma, não precisando exatamente apenas contar com a sorte.

Mas o título também oferece itens que auxiliam a jornada. Estes estão localizado em baús, que guardam dinheiro e itens consumíveis. Estes itens auxiliam o jogador na aventura, como itens que regeneram corações, minas e bombas que quebram pedras e dão acesso a cavernas escondidas, assim como itens que recuperam energia ou iluminam áreas escuras quando dentro de cavernas. Quanto ao dinheiro, como já mencionado, este não se perde e se usa para melhorar suas habilidades na base. Então cada vez que você é nocauteado em solo, nunca é exatamente tempo perdido.

Os inimigos também são bem pensados, sendo que já os que quase não oferecem perigo, mas está no ambiente para lhe atrapalhar e tirar sua atenção, para aqueles mais agressivos, que correm atrás do jogador, assim como aqueles que atiram projéteis a longa distancia. Isso para não mencionar que Ada tem um raio de ataque a curta distância, com sua chave de fenda servindo como espada, fazendo-se necessário que ela se aproxime do inimigo. E não basta duas ou três ataques em certos inimigos. Muitos exigem paciência de atacar, desviar e voltar a atacar. É bem bacana essa dinâmica dos combates. Simples, porém não necessariamente fáceis.

Com o tempo Ada pode fortalecer seu ataque, além de usar equipamentos que gastam uma barra de energia, porém permitem que ela ataque a distância. Porém nesse meio tempo o jogo já balanceou as coisas, fazendo com que a área inicial seja fácil de atravessar, porém os biomas seguintes mais desafiadores, com inimigos diferentes e mais resistentes. Até mesmo o ambiente pode oferecer risco, como buracos e líquidos tóxicos que não podem ser tocados.

Tudo isso reunido dentro da aventura, dá um ar singular a jornada. Não é um jogo extremamente punitivo. Muitas vezes quis até ser nocauteado para voltar a base e gastar todo o dinheiro que adquiri na rodada de exploração antes de sair encarando o próximo chefe. É nesse ponto que mora a diversão, ao não frustrar o jogador, e saber ao mesmo tempo mimá-lo lhe recompensado com alguma coisa para sentir que avançou na aventura.

Considerações finais

Sparklite é um destes jogos que provam que nem todo indie game precisa girar a manivela da inovação. As vezes a simplicidade funciona a serviço da eficiência e da diversão dentro de sua proposta. Não é um título que particularmente alimentava grandes inspirações, mas que no final do dia me manteve entretido como não achei que iria conseguir.

Claro que independente disso o título tem suas ressalvas. Primeiro que ele é curtinho. São apenas cinco biomas e é fácil progredir pelos mesmos, ainda que a fórmula roguelite segure um pouco essa progressão, dando um pouco mais de cadência para a mesma. É tranquilo sair correndo dentro dos biomas e não eliminar os inimigos, até porque o máximo que ele dão é o dinheiro para se gastar na base. Ada não tem exatamente um medidor de experiência que a incentiva a combater tudo que achar pelo caminho. A melhor coisa a se fazer as vezes é fugir desse confronto, especialmente de inimigos fortes demais. Dá para conseguir dinheiro de outras formas, em baús, frutos de árvores e na área inicial. Nas áreas mais avançadas a preocupação fica mais em sobreviver.

Nos chefes, que são batalhas realmente incríveis, a principal dica é ser paciente. Há momentos para atacar e momentos para desviar. Não adianta ter pressa. Observe e espere a brecha. Melhorar o poder de ataque de Ada torna estes momentos mais eficientes, mas tenha sempre em mente que ter mais corações e itens que regeneram a saúde é sempre uma boa ideia. Antes de cada confronto há barris com corações que regeneram toda a sua vida, não frustrando o jogador de chegar ao chefe e não tem vida o suficiente para o confronto.

Fora isso, há alguns equipamentos que não são tão úteis assim. O balão, que é o segundo equipamento que se constrói no jogo não é lá muito eficiente. Especialmente se comparado com o arco e flecha. Enquanto que outros equipamentos, que funcionam de forma passiva, não são usados a todo momento. Nem a parte dos itens consumíveis é isento de crítica, sendo que alguns, como o de iluminar locais escuros, não é algo que se usa com frequência. Pelo menos o jogo permite carregar vários itens consumíveis ao mesmo tempo.

Além disso, é um pecado que o jogo não tenha localização em português. Nos dias de hoje, onde tantos jogos independentes conseguem ter, Sparklite não tem motivos para não ir na mesma onda. Não há tanto texto que justificasse tal complicação. Fora que estar em nosso idioma ajudaria um pouco a entender os tutoriais em torno dos itens e da base. Tente fundir corações e itens que melhoram seu ataque. É possível e ocupam menos espaços no inventário.

Porém, mesmo com pequenas críticas, Sparklite é uma aventura generosamente divertida. Talvez seu ritmo curtinho ajude-o a funcionar desta maneira, pois isso faz com que o jogador não fique cansado dos biomas apresentados ou de qualquer ciclo de repetição que o modelo roguelite poderia entregar. Também agrega bastante sua direção de arte, que entrega uma colorida pixel art, com pequenos detalhes que tornar a atmosfera do jogo realmente original e única. Como um jogo independente, considerando as limitações de seu gênero, Sparklite é uma ótima indicação.

Galeria

Dando uma nota

Aventura com roguelite, mas convidativo, sem frustrar ou enjoar a cada reinício - 7.5
Possui uma pixel art que encanta, atenta aos detalhes - 8.5
Oferece bom sistema de combate, com boa diversidade de inimigos - 8
Progressão rápida, com 5 biomas para explorar - 7.2
Bons confrontos contra chefes de cada mundo - 8
É interessante a forma como o inventário, habilidades e itens consumíveis funcionam - 8
Nada inovador, porém consegue ser divertido - 7.5

7.8

Bom

Sparklite é uma aventura cheia de charme, que apresenta um estilo roguelite sem soar punitivo, com uma progressão que não tem um ciclo de repetição que frustra ou enjoa o jogador. O título não tenta reinventar a roda, mas faz bem em sua proposta. Simples e divertido.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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