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Análise | FoxyLand 2

Disponível para PlayStation 4, PS Vita, Xbox One, Nintendo Switch e PC

FoxyLand 2 é mais um jogo de plataforma 2D indie que tem aquele carisma gráfico nostálgico por ser todo feito em 16 bits e contar com as clássicas trilha sonora composta por chiptune. O título chegou as lojas digitais em janeiro deste ano para PlayStation 4, PlayStation Vita, Xbox One e Nintendo Switch, porém já havia sido lançado para PC e plataformas mobile em 2019. Foi desenvolvido pela BUG-Studio e as versões para console está sendo publicado pela Ratalaika Games. A versão disponibilizada para esta análise foi a de Xbox One.

O game é uma sequência direta de FoxyLand, que saiu originalmente no PC em 2017, porém só em novembro do ano passado foi portado para os consoles da atual geração. A sequência veio aos consoles em uma janela bem curtinha de lançamento para com o primeiro, mas houve originalmente um gargalo de dois anos entre ambos. Janela esta que acredito que não fizesse sentido também ser criada para essa portabilidade aos atuais consoles, mesmo que o revés disse seja a impressão de que são dois jogos que saíram muito próximos um do outro. Especialmente a quem não os conhecia até então.

Uma informação, que é sempre relevante, é que o título infelizmente não conta com português entre as opções de idioma disponíveis. Caso você não entenda inglês muito bem, pode arriscar colocar o jogo em espanhol. Porém acredito que este é um daqueles títulos que dá para se divertir sem essa preocupação narrativa.

Família em apuros

Para esta sequência, os jogadores assumirão novamente o papel de Foxy, que mais uma vez se vê metido em problemas. No game anterior ele conseguiu salvar sua amada Jennie de um falcão, e após esse ato de heroísmo os 2 constituíram uma família. Tiveram 2 filhos, Tim e Cindy. O tempo passou, mas o chamado a aventura acaba sendo inevitável. Após conferir a falta das cerejas nas árvores, Foxy decidi ir em busca das mesmas mais longe de sua casa. Ao pedir ajuda para sua família, seus filhos dizem que não querem ir junto, e ao resolver ir sozinho ele deixa sua família vulnerável a um ataque.

Ao ouvir gritos e retornar correndo a sua casa, Foxy encontra a mesma destruída e sua esposa presa em uma caixa. Soltando-a ele descobre que seus filhos foram sequestrados pela dupla de lobos Duke e Jax. Agora resta a Foxy partir em uma jornada para enfrentar os irmãos e salvar seus filhos. FoxyLand2 possui esta história simples, mas que demonstra a busca de um pai por salvar seus filhos e devolvê-los a segurança, isso por si só já vai cativar adultos e crianças.

Se for jogado no single player o jogador irá controlar Foxy, mas caso opte por jogar multiplayer (de sofá) o segundo jogador vai controlar Jennie. Poder jogar em dupla é uma boa e podemos chamar familiares ou amigos para nos ajudarem nessa missão. Mas não se empolgue muito, o jogo vai ser exatamente o mesmo, não terá nenhum extra e a câmera ainda segue aquele esquema de travar a tela, afim de não deixar um jogador para trás.

Ver e ouvir

O visual dos ambientes é claro, limpo e nítido. Grande parte das fases são notavelmente bem projetados. Não é raro você notar no design das fases, o equilíbrio perfeito do desafio com a recompensa. Como segredos a serem encontrados nas fases, temos cavernas secretas e moedas gigantes, isso sem mencionar as bandeiras vermelhas que destrancam outros níveis especiais. Grande parte das fases são pequenas, porém as mais longas contam com um checkpoint no meio delas. Por isso após achar a forma correta de vencer os desafios apresentados, completar cada uma vai ser bem rápido.

No fundo, os visuais utilizados em FoxyLand 2 são os mesmos do título anterior, aquele já mencionado 16bits com pixel art bem caprichado, colorido e simpático. Ao contrário do jogo anterior os 3 mundos presentes nesta sequência são distintos entre si, pois a aventura começa na floresta onde Foxy e sua família vivem. Após isso temos fases temáticas no deserto e, para finalizar, áreas com montanhas e cogumelos.

A trilha sonora por sua vez é cativante e encantadora para os ouvidos nos primeiros encontros com ela. Talvez mais tarde você vai perceba que ela não muda e fica em repetição. As faixas musicais foram criadas pelo Hatebit (que também fez a trilha sonora dos games Dead Dungeon, Dungeon Escape e EvilMorph). Curiosamente Hatebit tem seu nome estampado em várias paredes pelas fases de FoxyLand 2.

Mais difícil do que deveria ser

O jogo é muito desafiador em algumas partes e isso pode ser um problema, já que esse “desafio” não é intencional e surge devido ao resultado meio duvidoso dos controles por vezes muito sensíveis. Jogar com o analógico é um problema, já que Foxy se agacha do nada durante o deslocamento, o que não acontece se usar o d-pad (botão direcional) – como fazíamos há vários anos atrás quando não existiam os analógicos. Isso acontece devido a sensibilidade da interpretação do comando, então uma inclinação milimétrica para as diagonais inferiores (direita ou esquerda) já faz o personagem se agachar, o que vai acarretar em problemas na jogabilidade, pois muitas vezes será necessária uma precisão cirúrgica para realizar determinados saltos. Então fica aqui um conselho: desta vez, esqueça o analógico.

Foxy pode escorregar pelas paredes, usando isso para não cair diretamente no chão, mas ao contrário do que seria o esperado, não é nada fácil utilizar este recurso. Isso ocorre porque é difícil estar escorregando e, no meio do deslize, conseguir pular para ir a outra parede. Ou você faz a sequência direta, por exemplo, para subir ou então vai cair. Não tem como deslizar um pouco e voltar a subir. Jogadores que já experimentaram essa técnica em outros jogos vão entender e sentir a dificuldade. Tira uma certa precisão do que poderia haver dentro de tal mecânica.

E tem mais uma informação que vale ser mencionado: sobre a hit kill, traduzindo: morrer ao toque. No jogo anterior haviam corações que representam divisões da vida, aqui isso não existe mais. Então prepara-se para encrenca. Tocou em algo ou pulou errado… vai morrer e recomeçar do checkpoint mais próximo ou até mesmo do começo das fases mais curtinhas. A sorte é que os continues são infinitos, pelo menos isso. Só que em fases mais longas isso vai lhe causar alguns problemas e retirar um pouco a diversão esperada.

Quer sentir toda essa dificuldade na pele, então chegue até o terceiro nível do mundo 2. Essa fase em particular inclui seções que necessitam de uma sequência de salto perfeitos, e ainda inimigos que atiram projéteis e são difíceis de serem notados (temos um cacto que atira em Foxy e se esconde, sendo difícil a sua detecção e consequentemente, o jogador acaba por morrer sem perceber). E lembre-se de uma coisa, tudo aqui pode matá-lo ao simples toque. Moleza aqui não!

Conteúdo da sequência

FoxyLand 2 tem algumas diferenças em relação ao primeiro FoxyLand. Desta vez Foxy tem habilidades novas, como a possibilidade de realizar salto duplo, a de escorregar pelas paredes e conseguir atirar frutas nos inimigos (alguns você pode derrotar a la Mario Bros, pulando sobre eles, mas outros, como os voadores pode exigir o uso do arremesso de frutas).

O jogo conta com nada mais nada menos que 42 fases incluindo as extras (abertas ao se coletar um bandeira vermelha secreta na fase anterior) e as de confronto com os chefes. Vai levar várias horas até você conseguir completar todas, e esse tempo pode se expandir um pouco mais caso opte por tentar coletar todas as moedas douradas gigantes (que vão servir para liberar bloqueios entre alguns grupos de fases de outros), coletar estas também lhe concede vidas extras ao terminar as fases, assim como as moedas comuns (uma vida extra a cada 21 moedas). Essas vidas extras vão lhe ajudar, pois morrer vai ser algo corriqueiro aqui, mas não entre em pânico ainda, os continues são ilimitados, como já mencionei. Então, não tem com o que se preocupar.

Em meio as jornadas das fases, exatamente no final de algumas destas, temos Foxy fazendo uma visita a casa de amigos para descansar e recuperar as forças, são personagens interessantes, e por vezes divertidos, já que sua única função é fazer alguma piada. Essas casas na verdade são checkpoints disfarçados, já que nas fases normais os pontos de salvamento são representados por bandeiras verdes.

Considerações finais

FoxyLand 2 é um jogo que parece um complemento pós-game do primeiro FoxyLand. Fiquei com a ideia de que isso talvez meio que tira um pouco do seu brilho individual. E para quem não jogou o primeiro ou para quem gostou e quer continuar as aventuras de Foxy saiba que é um pouco mais do mesmo, com uma dose acentuada de desafio. Por ser um jogo independente de escopo pequeno tem lá suas limitações, como paredes invisíveis no começo das fases que impossibilita a exploração ao contrário das mesma, mesmo você vendo que tem alguma coisa ali.

Não é um título que tenta reverter os conceitos do gênero ou inovar em algum sentido que vá lhe surpreender. Acredito que a busca aqui seja daqueles experiência mais retrô, com base nos clássicos jogos das antigas. Oferece o desafio de clássicos jogos de plataforma, em meio a um mascote simpático, enquanto a dificuldade fica em se manter vivo até o final de cada fase, sob a pena de ter que recomeçar tudo desde o início.

Até mesmo a experiência multiplayer, novidade desta sequência e que merece certo crédito, brinca com esse trejeito dos clássicos. A trela travada é uma característica dos antigos plataformas coop. A briga entre os jogadores, porque um é sempre mais rápido do que o outro, idem. É um coop “saudável” de xingar o amigo no sofá, para ele não segurar a tela em qualquer momento decisivo de um salto.

Como grande parte dos games da Ratalaika este também é repleto de conquistas/troféus, embora para conseguir 100% das mesmas não seja necessário jogar toda a aventura. Caso você esteja somente em busca dessas conquistas, jogue um pouco além do necessário para pegar todas. Nesse meio tempo, você acaba indo para uma experiência bem nostálgica por algo que representa um pouco dos antigos plataformas 2D

Galeria

Dando uma nota

Boa pixel art, dá um visual colorido e cativante - 7.7
Surpreendentemente, oferece fases bem desafiadoras - 8
Multiplayer cooperativo trava tela tem seu apego nostálgico - 7.5
Faz bem na parte das áreas secretas e colecionáveis para serem encontrados - 7.9
NPCs parecem interessantes, mas são mal aproveitados - 6
Má execução de controle em áreas difíceis, falta melhor precisão - 5
Tem apelo para os clássicos jogos de plataforma 2D - 7

7

Okey

Foxyland 2 é um jogo independente que não tem grandes aspirações, a não ser dar sequência ao jogo anterior. Trazendo pontuais novidades, como algumas habilidades a mais, multiplayer cooperativo e uma dificuldade extra. Não é um jogo ruim, mas que tem um escopo de trazer a nostalgia dos clássicos plataformas 2D com mascotes, sem um destaque ou reforma que o enalteça como algo além do que esse apelo retrô. Pode ser divertido, porém não dá para chamá-lo de marcante.

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Paulo Roberto L. S.

Gamer desde o antigo Master System 3. Leitor de HQs (Marvel/DC) e de Mangás, como atividades extras me dedico a treinar Pokémon e sair em busca de conquistas e troféus.
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