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Análise (de momento) | Watch Dogs: Legion

Disponível para PlayStation 4 e 5, Xbox One e Series S|X & PC

Watch Dogs: Legion é um espetáculo de liberdade, lhe deixando explorar uma Londres futurista repleta de possibilidades. O título foi lançado agora no último dia 29 de outubro, para o PlayStation 4, Xbox One e PC, enquanto recebeu um upgrade para a nova geração, o Xbox Series X|S e PlayStation 5 nos dias 10 e 12 de novembro, respectivamente. Seu desenvolvimento ficou a cargo da Ubisoft Toronto.

Vale apontar que os dois títulos anteriores da série foram desenvolvidos pela Ubisoft Montreal, e que este ano ficou responsável por Hyper Scape e Assassin’s Creed Valhalla. Da Ubisoft Toronto tivemos, em 2018, Starlink: Battle for Atlas e Far Cry 5, enquanto que para o próximo ano, o estúdio deve lançar o já anunciado Far Cry 6. Tenho que dizer que gosto destas mudanças de equipes em séries que possuem muitas sequências. Dá um frescor necessário quando tal mudança é bem aplicada. Algo que certamente ocorre aqui, em Watch Dogs: Legion.

E porque é uma análise “de momento”? Porque o jogo foi lançado sem todas as funções prometidas, com um grande adendo de que será lançado no próximo mês, em dezembro. Ao que tudo indica a pandemia atrapalhou muitos jogos em desenvolvimento ao longo deste ano, e parece que Watch Dogs: Legion não escapou de tal momento em que o mundo vive.

Tanto que inicialmente este era um lançamento para o primeiro semestre do ano, e que acabou sendo adiado até o final de outubro, justamente duas semanas antes de Assassin’s Creed Valhalla. Não é uma janela ideal para dois títulos tão grandes de uma mesma empresa. Um acaba canibalizando o outro em mercados como o brasileiro, a qual nosso poder aquisitivo muitas vezes nos faz escolher um entre dois lançamentos próximos.

De toda forma, em dezembro será lançado toda a funcionalidade online e multiplayer de Watch Dogs: Legion. Um modo cooperativo para até quatro jogadores, que poderão vivenciar a campanha juntos. Por enquanto, só é possível conferir a experiência offline e single player de sua campanha. E é o que avaliarei nesta análise.

Existe um segundo fator para esta não ser uma análise definitiva de Watch Dogs: Legion, mas quero discutir isso mais à frente. Quando adentrar no departamento de bugs e problemas técnicos que o título tem enfrentado desde seu lançamento e que ainda não foram totalmente solucionados, assim como a promessa de que até o final do ano um ponto importante das ferramentas de progressão do jogo irão mudar. Mas eu chego lá, aguenta aí!

ATUALIZAÇÃO 26.NovPor meio de uma nota oficial em seu site, o time de desenvolvimento do jogo comunicou que o Modo Online, previsto para dezembro, está sendo adiado para o início de 2021. O motivo são os inúmeros problemas técnicos que o jogo vem enfrentando e que a equipe está correndo contra o tempo para sanar tudo. O patch 2.20 está sendo lançado hoje. Porém o problema dos saves perdidos no Xbox Series – a qual relato mais abaixo nesta análise – ainda não foi resolvido, enquanto que apenas o PC está, neste momento, recebendo a opção de salvar o jogo manualmente.

Bem vindo à Londres!

Esqueça Chicago ou São Francisco, ambientes dos jogos anteriores da franquia. É hora de atravessarmos o Oceano Atlântico para visitarmos uma Londres de um futuro relativamente possível. Nada de carro voadores ou robôs, mas drones por toda a parte, carros automáticos e muita falta de segurança em relação a dispositivos wi-fi. Na verdade é um conceito bem semelhante ao que encontramos nos jogos anteriores, especialmente no design de conceito de Watch Dogs 2.

Em Legion o jogador está novamente envolvido com o famoso grupo hacker DedSec, ao menos a sua filial londrina. Entretanto os personagens apresentados aqui diferem daqueles do jogo anterior. A trama é bem simples, ainda que tenha uma excelente missão de apresentação. DedSec é exposto como culpado de um grande atentado terrorista em Londres, invalidando completamente o status de um grupo hacker relativamente pacifista. Londres é dominada por um grupo militarizado, enquanto um outro grupo hacker, este sim o real responsável pela explosão do parlamento londrino, denominado Zero Day, está agindo pelas sombras e tentando causar ainda mais estrago a liberdade e expressão do povo londrino, que agora sofrem com a pressão de um sistema de segurança fortemente militarizado.

Após meses desativado, o jogador começa com um simpatizante do DedSec, simpatizando com a causa e reativando sua sede londrina, assim como a Inteligência Artificial do grupo, enquanto precisa encontrar novos agentes para um novo renascimento do grupo, em meio a investigações do que grandes poderosos querem com tudo que está ocorrendo em Londres e meios para inocentar o DedSec de tantas acusações.

Digo que acho bacana o plot de Watch Dogs: Legion. Não é nada inicialmente inovador, sendo um tanto clichê, mas é totalmente funcional a proposta da mecânica do jogo, de poder recrutar qualquer NPC, e já foi entrar nesse ponto, assim como ao longo da aventura, os podres dos vilões são realmente pesados e alarmantes. Não esperava, por exemplo, encontrar temas como tráfico de humanos e órgãos em meio a minha busca por respostas contra aqueles que sujaram o nome do DedSec. A trama realmente se intensifica em diversos momentos para mostrar o que um mundo autoritário pode esconder por baixos do panos, especialmente quando a sociedade está sendo oprimida.

Quanto a ambientação de Londres, o que posso dizer é que o visual está incrível. Cheio de pontos reais, recriados para o jogo, tal qual a Ubisoft sempre teve atenção, desde Assassin’s Creed II. É um belo passeio por uma Londres virtual repleta de muitos detalhes e vida. O jogo respeita muito a arquitetura do ambiente, assim como seus pontos turísticos. Nesse aspecto, é tudo bem impressionante. A Europa é um mundo interessante de se reconstruir nos videogames, seja passado ou presente. Em termos de ambientação, Legion ganha tranquilamente dos dois jogos anteriores da franquia.

Você é quem quiser ser

Dentre as propostas de jogabilidade de Watch Dogs: Legion certamente a mais chamativa, e pode-se dizer até mesmo inovadora, é a possibilidade de jogar com qualquer NPC presente no mundo do jogo. Quer jogar com uma velhinha? Fique a vontade. Um mendigo? Vá fundo! Talvez um segurança militarizado que normalmente é um dos inimigos do jogo? Pode ser feito. Não existem limitações. É um ser humano e está dentro do jogo? É possível recrutá-lo para a causa do DedSec, e assim assumir o controle deste personagem.

E por que isso é mais legal do que simplesmente criar um avatar do nada, mas repleto de opções? Simplesmente porque um NPC dentro do jogo é muito mais do que uma mera skin cosmética. Todos NPCs tem uma profissão, uma pequena história, e especialmente perks e habilidades exclusivas que talvez ninguém na sua equipe tenha. E é uma variedade e diversidade que chega a ser impressionante.

O esquema de hackear qualquer pessoa, afim de descobrir um pouco mais sobre a mesma, ainda se faz presente neste terceiro jogo, mas com o adicional de que agora estas pessoas possuem habilidades únicas. Um advogado pode tirar sua equipe mais rapidamente da cadeia, caso tenham sido presos. Um paramédico pode curar mais rapidamente alguém que tenha sido hospitalizado. Além disso há grupos com uniformes especiais que entram em locais restritos sem serem percebidos, exceto se você chegar muito perto de um inimigo que irá reconhecer que você não faz parte daquele grupo.

NPCs também podem possuir diversos tipos de habilidades, como atacar mais inimigos com alguns armas exclusivas, dentre algumas de fogo mesmo, assim como tacos ou até mesmo aquelas armas que atiram pregos usados em construções. Há NPCs que possuem habilidades estranhas, como hipnotizar outras pessoas, ou incentivar uma revolta popular usando um megafone. Há também os estranhos e nada úteis, como um que sofre de flatulência e peida toda hora, sendo um problema em missões em que o jogador precisa ficar em silêncio para não ser detectado. Existem também muitos NPCs que apesar de possuírem ótimos perks, sofrem de um revés em que podem morrer subitamente a qualquer momento. E isso acontece, vai por mim.

Um ponto bem legal, e até inesperado, é que muitos personagens possuem vozes bem famosas na dublagem brasileira. Já tive um personagem policial uma voz bem parecida com a voz do Capitão Jack Sparrow (Piratas do Caribe), assim como uma das personagens mais aleatórias que recrutei, uma senhora de uns 40 anos, com suéter e longa saia, possui a voz da Chiquinha (Chaves). Essa personagem é minha carta coringa do grupo, sempre a uso em missões de grande perigo, para que não coloque os demais membros sob o risco de irem presos, hospitalizados ou morrerem. E, ironicamente, essa senhora de meia idade sempre se sai ilesa.

Dito isso, faço elogios a localização de Watch Dogs: Legion, que chegou ao Brasil totalmente dublado em português. É curioso ter testado diversos personagens diferentes e em nenhum momento encontrei vozes repetidas no meu grupo ou falando com pessoas pela cidade. Imagino que eventualmente isso possa acontecer, mas a impressão que tive é que houve um cuidado bem grande para ter um grande grupo de vozes diferentes presente no elenco. A única observação que posso fazer é que o jogo poderia ter uma opção de filtro de linguagem, pois sempre tenho uma criança pequena (8 anos) aqui no meu lado, espiando o que estou jogando, e isso me incomoda um pouco. Os personagens são bem desbocados mesmo, sempre falando muitos palavrões. Existem jogos que usam estes filtros. Fora que todos do mundo do jogo serem sempre desbocados? Me soa exagerado. Essa senhora com a voz da Chiquinha, por exemplo, não precisava ser assim.

Entretanto, apesar do mundo aberto do jogo ser tranquilo para uma criança brincar, Legion certamente não é indicado para os pequenos, dado o contexto da sua trama ser meio violenta e tratar de temas mais pesados a essa faixa etária. Tudo bem um adulto supervisionar uma criança brincando no mundo aberto, usando os carros, pequenas missões de infiltração. Mas certamente deve-se evitar as missões principais da campanha, quando a coisa tende a ficar mais pesada.

Conhecidas mecânicas

No que diz respeito a jogabilidade, Watch Dogs: Legion segue muito o DNA de seus dois antecessores, sem adicionar assim tantas novidades que o destoem do que os fãs já conhecem sobre a série. Sim, os NPCs e a busca por habilidades diferentes são uma inovação, mas tirando isso, é a velha fórmula já consagrada.

O jogador vai passar boa parte do tempo fazendo missões de infiltração em áreas em que não são de acesso público, exigindo aí que não seja visto. Boa parte do tempo você está espiando estas áreas pelas câmeras de segurança, pulando entre elas, para ter uma ideia de toda a área. Vai ter pontos em que precisam de interação física para hacker, então você dispõem de uma pequena aranha mecânica que entra em pequenos locais, mas que não pode andar pela parede. Eventualmente é possível destravar um pulo duplo (faça isso o quanto antes) o que torna ainda mais fácil que ela se mova pelos ambientes e suba em locais mais facilmente.

Há diversos cenários em que o jogador sequer precisa entrar dentro da área restrita, sendo possível vencê-la por completo com a aranha. Entretanto quando a missão exige resgatar uma pessoa dentro de um local, a aranha só vai te facilitar abrir as portas eletrônicas fechadas, mas é preciso que seu personagem fisicamente interaja com a pessoa presa, afim de que ela possa lhe seguir até para fora do local.

Um aspecto que achei bem legal, e que não me recordo de estar presente no jogo anterior, diz respeito aos drones de carga. São drones enormes usados em áreas de construção. Estes drones conseguem carregar uma pessoa, ou seja, o jogador. Permitindo assim que você facilmente tenha acesso ao topo de qualquer edifício dentro do jogo. Muito útil em diversas missões, ainda que nem sempre seja fácil encontrá-los no mapa. É preciso ficar atento a um ícone no mapa, em que é possível chamá-los por meio de uma plataforma de solicitação de diferentes drones.

E drones são outro recurso bem comum de serem utilizados no jogo, assim como eram nos anteriores. Você tem o drone simples, que apenas serve como uma câmera voadora, mas ao longo do tempo é possível hacker outros tipos de drones, incluindo alguns que usam armas de fogo e podem derrubar inimigos. Para isso o jogador conta com uma enxuta árvore de habilidades que são destravadas obtendo pequenos pontos de tecnologia que apenas são conquistados coletando-os pelo mundo do jogo. Nem sempre é fácil o acesso a estes pontos, e quase sempre estão nos locais mais comuns em que missões secundárias, alternativas e principais são realizadas.

Falando em missões, o título entrega uma variedade impressionante delas. Há muito que se fazer que não envolve apenas seguir a história do jogo. Por sinal, é bem natural que o jogador acabe se distraindo e deixando as missões principais de lado, em meio a quantidade de outras coisas que o jogo vai lhe apresentando e te convencendo de que vale a pena parar um pouquinho e dar em um evento aqui e ali.

Londres é toda dividida em distritos, e em cada distrito há diferentes missões que o jogador pode realizar para tornar esse local a favor do DedSec. O distrito se torna revoltoso quando a opressão do novo sistema de governo. Há missões de hackear grandes telões em avenidas, quanto de sabotar algo que vai revelar segredos de quem está controlando Londres, assim como de resgatar pessoas importantes que foram capturadas por se rebelar contra o sistema.

Outro tipo de evento muito comum dentro da dinâmica do jogo está relacionado ao recrutamento dos NPCs. Porque para recrutar alguém é preciso realizar pequenas missões dentro do jogo, que com o tempo tende a ser meio repetitivo é verdade, o que pode vir a tornar essa mecânica meio maçante com o tempo. Por isso recomendo que não tente recrutar meio mundo. Vá conforme a progressão natural do jogo vai te apresentando personagens mais interessante e conforme surgir a necessidade. E sim, com o tempo o jogo lhe indica NPCs especiais que você pode passar próximo e sequer notar sua presença.

Até mesmo NPCs que não veem o DedSec com bons olhos podem ser recrutados. Mas nesse caso eles exigem mais do que uma mini missão para ser executada, possuindo mais passos e mais locais para invadir, destruir ou hackear coisas. São pequenas jornadas que podem levar de 10 até 30 minutos para serem cumpridas. Isso é um tempo considerável de jogo para não andar em nada no que diz respeito a história, apenas para conseguir recrutar um NPC.

E por maior que seja Londres de Legion, tenho a impressão de que a divisão de locais restritos não é tão gigante quanto possa parecer. Tive diversas missões de recrutamento em que o local para a realização da atividade foi em um mesmo local em que já tinha invadido, seja em outra missão de recrutamento, seja em uma missão secundária, seja até mesmo em uma missão principal. E veja só, mesmo repetindo as áreas em busca de algo novo, a disposição de inimigos é sempre igual. Houve inclusive missões de recrutamento em que já fiz duas coisas ao mesmo tempo, já realizando qualquer outra atividade que já estava ativada ali no local.

Velha geração versus nova geração

Lá no começo desta análise mencionei um segundo fator a ser pontuado para considerar este um texto “de momento” e não como algo definitivo a respeito de Watch Dogs: Legion. Pois bem, chegamos ao momento em que tenho que discutir o desempenho do jogo, tanto na velha geração, quanto na nova geração. Detalhes estes a qual espero que eventualmente seja reparados e não mais tenham que ser considerados um problema ao jogo.

Vale começar este tópico dizendo que joguei Watch Dogs: Legion em duas plataformas: o Xbox One S (velha geração) e o novo Xbox Series S (nova geração). São nomes parecidos, mas consoles de diferentes gerações, caso você esteja um pouco confuso.

Qual o problema no Xbox One S? São problema latentes da geração que está terminando seu ciclo: os loadings são lentos, o jogo tem pequenos engasgos (quedas no frame) e não roda tão bonito quanto vai rodar nos novos consoles. Mas ainda assim, é um desempenho aceitável, especialmente porque não são problemas exclusivos deste título ou dos jogos da Ubisoft para o console. Até mesmo jogos da Microsoft, como Ori and the Wild Wisp tiveram problemas de performances que me incomodaram alguns meses atrás. Atualmente já levo isso como algo normal do console.

Entretanto, algo que não é normal, é o jogos travar e se desligar automaticamente, precisando ser reiniciado novamente. E na minha experiência com Watch Dogs: Legions no Xbox One S teve alguns momentos tensos em que o jogo travou e desligou aos momentos, em sequência. Normalmente ocorrendo em transições de telas, seja em um viagem rápida, ou para entrar em certos locais em que o jogo precisa carregar todo o cenário, como nos clubes de luta. E esse parece ser um problema real do jogo, sendo mencionado nessa página oficial de problemas em que a equipe de desenvolvimento espera melhorar em eventuais atualizações.

E veja bem, esse problema no Xbox One S me pareceu algo de momento, pontual a alguns dias em que o jogo realmente parecia mais emburrado comigo. Ou talvez seja um ponto problemático da progressão em que isso parece mais tendencioso a acontecer. Mas não aconteceu sempre, sendo possível relevar e seguir jogando. Diferente do problema encontrado no Xbox Series S…

No Xbox Series S a coisa é um pouco mais grave, e é algo que também está sendo relatado no Xbox Series X. No fórum oficial do game já tem um tópico com mais de 50 páginas e 500 relatos de jogadores enfrentando o mesmo problema: perda de progressão porque o jogo simplesmente para de salvar. Você pode jogar o título por horas e nada ser salvo. Eu mesmo passei por isso quando nesta semana perdi mais de 4 horas de campanha quando não percebi que o título simplesmente não estava mais salvando automaticamente.

E você pode me culpar por não fazer um save manual? Não, porque o jogo não tem isso! O jogador não pode simplesmente salvar por conta própria, dependendo do sistema automático para garantir que sua progressão não se perca. Garantia esta que já foi pro esgoto, pois está totalmente bugada no Xbox Series X|S. Um pesadelo.

Segundo a discussão lá no tópico, isso parece ter a ver com o fato dos servidores da Ubisoft ocasionalmente se desconectarem durante a progressão da campanha normal, mesmo que a modalidade online ainda não tenha sido lançada (como já informado lá no início do texto). Quando isso ocorre, o jogo apenas para de salvar, e se o jogador colocar para retornar ao menu, o que tecnicamente o forçaria a salvar, o título simplesmente trava na tela de carregamento. Que horror, não?

A solução, temporária, de muitos jogadores tem sido ficar atento a mensagem de servidores desconectados dentro do jogo, parando qualquer progressão e reiniciando completamente o jogo quando isso ocorre. Outra alternativa é jogar o título com o console totalmente desconectado da internet. Ao menos enquanto uma atualização (previsto para início de dezembro segundo este comentário no twitter) não consegue arrumar esta grave falha. É por estas e outras, que os desenvolvedores também esperam soltar em dezembro, uma atualização que dá a opção de salvar a progressão de forma manual, como tantos outros jogos fazem. Inclusive Assassin’s Creed Valhalla tem tal opção. É realmente bizarro que Watch Dogs: Legion não faça algo assim.

Apesar de impossível deixar de lado esse grave problema, jogar Watch Dogs: Legion no Xbox series S é uma coisa maravilhosa. Se no Xbox One S o título tem suas engasgadas e longo tempo de espera nas telas de carregamento, no Series S tudo roda incrivelmente rápido, suave, e visualmente mais bonito. Não é uma experiência gráfica totalmente inovadora e jamais vista, mas é notavelmente mais bonito. Sombra, luz, reflexos e detalhes está mais vívidos no Xbox Series S. Porém a maior vantagem do novo console é realmente o rápido carregamento das telas de loadings. Usar o viagem rápido aqui é incrível, coisa de 5 segundos e estou do outro lado do mapa. Uma opção que se for usar no Xbox One S, posso ter que esperar até um minuto completo.

A nova geração parece ser muito sobre isso, a otimização de seu tempo dentro de um jogo. Ligar e sair jogando. Esperar menos e na somatória de horas jogadas, ter sentido que progrediu bem mais rápido porque não ficou minutos e mais minutos esperando jogos carregarem. Só não dá para perder o progressão por um bug de save. Isso é inadmissível. Se você já está no Xbox Series X|S… não recomendo começar Watch Dogs: Legion neste momento. Espere os patchs que precisam consertar este problema.

Considerações de momento!

Quando se olha de forma mais distante para Watch Dogs: Legion, o que se vê é um título cheio de boas ideias, em um mundo fascinante e muito interessante. Com boas ideias no que diz respeito ao uso de NPCs com diferentes habilidades, tornando-os diferentes e essenciais o recrutamento. Entregando um jogo de mundo aberto recheado de tarefas e eventos que entretêm e ocupa divertidas horas de quem desejar se aventurar por um futuro cheio de drones no céu.

Admito que, sem me dar conta, estava com saudades de um jogo com estrutura de mundo aberto assim, mais descompromissado com uma narrativa extremamente linear. Com uma certa liberada para fazer o que quiser, ir para onde quiser, sem limitadores de progresso. Porque sim, o mapa de Londres está totalmente liberado desde o começo. Você pode ir para qualquer lugar, fazer o que bem entender. Não existem barreiras que limitem a exploração nesse sentido. Foi realmente divertido me deparar novamente com tal experiência do gênero.

Gosto também das opções. Posso andar de carro, de moto ou de barco para ir a diferentes pontos do mapa, ou apenas uso o viagem rápida. Gosto que muitos veículos do jogo são controlados por um sistema wifi, então não é um problema roubá-los em plena luz do dia. Não aciono qualquer alarme, qualquer crime. Porque do contrário, a polícia pode vir atrás e gerar perseguições nem sempre fáceis de se livrar, especialmente porque drones passam a te seguir do céu. Então quem gosta desse elemento bem baseado em GTA, também vai encontrar seu lugar aqui.

De carisma, posso dizer que a impressão que tive é que se perdeu um pouco do que o segundo game da franquia conseguiu criar, com um grupo fixo de hackers que soavam interessantes, com suas próprias histórias. Ao entregar aqui a narrativa aos NPCs do mundo, parte disso se perde de forma naturalmente esperada. O que não tira totalmente o carisma do jogo, mas torna essa questão perceptível, sem dúvida nenhuma.

Mecanicamente esta nova adição a franquia segue muito da premissa de seus antecessores. A habilidade de hacker e observar o mundo ainda se faz muito presente em seu DNA. E a liberdade para se jogar de diferentes estilos segue presente: é possível ser sorrateiro e evitar o confronto, como é possível ser o criador do caos e sair atirando (balas não letais ou letais) em qualquer um que estiver em seu caminho até o objetivo. É interessante como um jogo tão aberto lhe dá justamente meios para se progredir como bem entender.

Ruim mesmo são apenas os pontos técnicos de quando se olha para o título mais de perto, em um console que está quase se aposentando, as telas de loadings e a performance já demonstram certo comprometimento, enquanto no console recém lançado, ainda que rode maravilhosamente bem, uma falha técnica no save automático coloca tudo a perder. Em um ano de pandemia e quarentena, a gente até consegue perdoar e esperar para que tudo se ajeite em breve, até porque mais conteúdo virá, em meio a passe de temporada e do aguardado multiplayer online para quatro jogadores. Parece que este é um caso de largada queimada. O título precisava ser lançado antes de outro título ainda maior da empresa, mas nem tudo estava exatamente perfeito na parte técnica, e foi o que aconteceu. Dá para entender, foi um ano complicado para todo mundo. Ainda que a Ubisoft tenha um histórico de bugs e glitches em seus lançamentos.

De qualquer forma, Watch Dogs: Legion é um título que vale a pena se observar e jogar quando tudo estiver mais tranquilo nos problemas aqui apresentados. Algo que, dentro da expectativa, possivelmente deve vir a ser solucionado já no próximo mês, com a chegada de novas atualizações e conteúdo. Porque no final das contas, essa é uma franquia que realmente tem boas ideias, entregando o que sempre se espera de um título de mundo aberto. Sua ambientação moderna, com um toque futurista, com temas pertinentes a sociedade atual, são singulares quando se olha ao que outros títulos também oferecem nesse sentido. Seu único pecado aparente parece realmente ter sido acometido pelo problemas trazidos pela pandemia este ano, o que não só atrasou seu lançamento em meses, como ainda assim não conseguiu resolver tudo que o mesmo precisava ser resolvido. É, portanto, passível de compreensão. Por enquanto…

Galeria

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Dando uma nota

Londres está incrível, uma reconstrução impressionante, que vale o passeio - 9
Mundo aberto repleto de atividades opcionais, ainda que se repitam um pouco após um tempo - 8.5
Recrutar qualquer NPC, com diferentes habilidades, é realmente impressionante - 9
Ótima localização em português, com uma dublagem cheia de vozes conhecidas - 8
Apresenta uma interessante trama, que sabe ser sombria em vários momentos - 8
Certos problemas técnicos comprometem seriamente a experiência final (que patches consertem isso logo) - 5
Jogabilidade conhecida da série, com muita liberdade de escolha, furtiva ou metendo bala - 7.5

7.9

Bacana

Watch Dogs: Legion oferece uma proposta interessante e cumpre bem o papel de liberdade para se jogar com quem quiser, e ainda conseguir incentivar experimentar e testar diversos NPCs. Para um jogo de mundo aberto, sua experiência é completa e satisfatória. E tende a melhorar com a chegada do modo online em breve. Entretanto, os problemas encontrados nas plataformas testadas para essa análise demonstram graves falhas de desempenho e progressão que precisam urgentemente serem consertados. Um jogo que não se pode confiar no save automático, além de não ter save manual? Aí não!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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