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Análise | Ori and the Will of the Wisps

Disponível para Xbox One & PC

Ori and the Will of the Wisps finalmente foi lançado no último dia 11 de março. Uma sequência muito aguardada por todos que jogaram o título anterior, Ori and the Blind Forest. Oh, e curiosamente o primeiro Ori também foi lançado em um 11 de março, neste caso lá em 2015.

A sequência também foi desenvolvida pelo mesmo estúdio do jogo anterior, a Moon Studios, localizada na Áustria, em parceria com a Xbox Game Studios, que atua aqui como a publisher global da franquia. Espera-se que eventualmente a Microsoft também possibilite que esta sequência venha a ser lançada no Nintendo Switch, tal qual Blind of Forest foi lançado em setembro do ano passado na eshop do console. Porém isso ainda não tem data ou previsão para acontecer. Ori and the Will of the Wisps, no entanto, já está disponível no Steam, assim como na loja de games do Windows 10.

Vale também apontar que Ori and the Will of the Wisps faz parte de dois serviços da Microsoft, o Xbox Game Pass, que é uma assinatura mensal de jogos na plataforma do Xbox One e Windows 10, assim como do Xbox Play Anywhere, que é um serviço que permite ao jogador comprar o título em uma plataforma e seguir jogando-a em outra plataforma, sem que seja necessário comprar o game novamente. Neste caso, penso que isso funcione exclusivamente nas plataformas do Xbox One e Windows 10, ou seja, a versão para Steam do jogo não tem tal função.

A família aumentou

A aventura de Ori and the Will of the Wisps segue em um ponto muito próximo do término dos eventos de Ori and the Blind Forest. O título não necessariamente vai estragar a experiência narrativa para quem nunca jogou o primeiro – e talvez queira jogar posteriormente. Porém é inevitável que alguns spoilers sejam revelados a qualquer um que não saiba nada da história do jogo anterior e comece diretamente por sua sequência.

Então, jogar o primeiro Ori também não é um pré-requisito para entender a trama desta sequência. A história funciona totalmente isolada dos eventos anteriores, queira que o jogador conheça ou não tal universo e seus personagens. Logo na abertura somos apresentados aos personagens chaves do jogo, a família de Ori, com o surgimento de um novo membro, Ku, uma pequena corujinha que nasce com uma asa danificada.

Ku me lembrou um pouco o conceito da nadadeira do peixinho Nemo, da animação da Pixar. A corujinha não consegue voar de forma apropriada, até que uma solução é criada por Ori. Ambos partes em um longo passeio, e se separam em meio a uma forte tempestade que chega sem avisar. Separados, agora estão perdidos em uma área desconhecida, e com um tenebroso vulto soldando o local.

Em termos de apresentação, Ori and the Will of the Wisps demonstra o mesmo cuidado que o primeiro título possui: há alma e coração aqui. A construção narrativa faz com que você se importe com os personagens, com o universo ao redor. Faz com que o jogador sinta medo nos momentos de tensão, e fique aflito quando a trama brinca com nossos sentimentos. É um jogo que lhe dá alegria na mesma proporção que pode fazer com que fiquemos tristes com cenas criadas para nos causar angústia.

Diferente do primeiro jogo, esta sequência não apresenta Ori como uma figura solitária em um processo de auto conhecimento. O pequeno Guardião agora se encontra em uma jornada a qual irá deparar com diversos personagens que habitam o mundo de Nibel. Personagens estes todos igualmente carismáticos. Nota-se um cuidado minucioso para sermos apresentados em interessantes grupos de criaturas que habitam este mundo e como os eventos do primeiro jogo, com a divisão do espírito da luz, repercutiram gravemente em todos os cantos de Nibel.

O jogador encontrará três narrativas aqui, a busca de Ori por sua amiga perdida, a restauração do espírito da Luz, assim como uma jornada que irá revelar ainda mais sobre a dimensão dos poderes de Ori e o que ele pode concretizar com isso.

Narrativamente a trama do jogo é muito bem trabalhada, tal qual o jogo anterior. Há cenas tocantes, muito bem produzidas e dirigidas. O ponto aqui é que aquele vislumbre fantástico do jogo anterior, de se deparar com algo jamais visto ou pensado, perde um pouco do valor aqui. O jogador conhece esse universo, portanto, por mais que fantástico seja, ainda é uma uma sensação de se admirar, mas não mais se impressionar. Mesmo com uma direção de arte impecável, você sabe no que está pisando e o que aguardar. Até mesmo a trama tem os toques melancólicos do jogo anterior, sem reverter sua polaridade para um tipo de humor inesperado.

Não me entenda errado, visualmente o jogo é incrível. Sua história ainda é cativante e incrivelmente tocante. O mundo está mais vivo, cheio de habitantes que interagem com Ori. Isso dá um toque bem inédito a obra. Mas o conjunto como um todo, seja ambientação, condução de roteiro, e dinâmica da jogabilidade… tudo isso entrega algo já conhecido, e até mesmo esperado, pelos fãs da franquia. Não se tentou mudar paradigmas na sequência. E não acho que precisasse desta vez. Entretanto se um terceiro jogo vier a existir, particularmente eu repensaria em alguns destes elementos, justamente em busca de voltar a impressionar e surpreender os fãs.

O peso da próxima geração

Antes de adentrar nas mecânicas e jogabilidade do título, quero fazer uma pausa para colocar aqui um aspecto que me incomodou bastante enquanto joguei o título, ao ponto de me fazer parar por alguns dias e esperar para ver se um patch de correção poderia melhorar seu desempenho técnico. Estou me referindo a taxa de quadros, que gera lentidão, e até mesmo quedas (crash) do jogo enquanto o mesmo estava tentando inicializar no meu Xbox One S.

E veja só, esse é um problema que não tem sido exclusivo de Ori and the Will of the Wisps, pois também tenho notado “engasgos” em outros títulos deste final de geração. No sentido de o quanto eles estão usando alguns do modelos do Xbox One a um limite máximo que acaba deixando-os tecnicamente inferiores do que se estivessem rodando no modelo mais parrudo, o Xbox One X.

Aqui em Ori 2 passei por momentos horríveis de queda na taxa de quadros, que acabam tornando o jogo super lento, como se estivesse jogando-o em câmera lenta. Um dos locais iniciais, que apresenta um moinho gigante, tive que passar por esse local quase que todo com uma taxa de quadros super lenta. A ponto de me irritar e ficar dias sem voltar a jogar o jogo.  E sim, não fui o único a me incomodar com isso. Algo que compromete totalmente a jogabilidade.

Por fim descobri que em situações assim o melhor a fazer era tirar o jogo e dar um hard reset no console (limpar o cache segurando o botão de ligar o aparelho até ele desligar o console por completo). Você percebe o quanto isso lhe tira da imersão do jogo, certo? Mas funciona, ao menos em parte.

Mesmo com a taxa de quadros restaurada, o jogo constantemente dá certas travadas, como se precisasse de alguns segundos para carregar o que precisa ser carregado. Tive inclusive dois momentos em que o jogo estava rodando sem engasgos, mas o cenário ao fundo carregou no meu campo de visão.

Também tive vários problemas em diferentes dias para conseguir fazer o jogo abrir no Xbox One S. Em duas situações ao tentar carregar o jogo, o meu console chegou a se desligar sozinho. Não é algo normal de se acontecer. Também vi relatos de pessoas que perderam o save da campanha na primeira semana do lançamento, o que me deixou em alerta. Por conta disso passei a salvar a minha progressão em dois dos muitos slots de saves que existem no menu principal. Não tive tal azar, mas acabei me precavendo por conta dos relatos.

Tudo isso parece indicar justamente o peso do final da geração. De jogos exigindo mais dos consoles e versões mais simples, como o meu Xbox One S, sofrendo para rodar tais títulos. O que não é justificado, pois o caso aí seria os desenvolvedores otimizarem melhor seus jogos para que os mesmos rodem de forma menos precária em sistemas menos robustos.

São problemas, ainda que pequenos, que me deixaram bem irritado em vários momentos com a minha experiência em Ori and the Will of the Wisps. O que me motivou a continuar foram seus aspectos positivos, a sua boa direção, jogabilidade e intensidade que o título oferece quando está rodando suave. Por o título ser tão incrível e fantástico que não desisti do mesmo. Qualquer outro jogo menor e menos impactante teria me motivado a não continuar até que um patch corrigisse todos estes problemas de performance. E até onde acompanhei, a Moon Studios está ciente e tentando melhorar alguns destes problemas.

Venha para o combate

Um dos principais pontos de elogio de Ori and the Blind Forest – o primeiro jogo – foi sobre a sua jogabilidade, na qual controles respondias com precisão e a fluidez dos comandos na forma como Ori se movimentava pelos ambientes, que chega a ser impressionante. Bem, quanto a isso, não se preocupe, pois Ori and the Will of the Wisps retorna com todos estes elementos maravilhosos de jogabilidade, sem perder a qualidade apresentada na aventura anterior.

Os controles seguem afiados, com exatidão e muita fluidez a qual o personagem “voa” pelo ambiente. Ori se movimenta em uma velocidade muito satisfatória, assim como pode escalar e grudar em quase todas as superfícies verticais. O pulo é muito preciso, com um alcance impressionante ao dar, muito rapidamente no começo do jogo, um pulo duplo e uma espécie de dash horizontal no ar. E se o jogador quiser, logo que chegar a uma espécie de lar dos habitantes da floresta (a qual você auxilia na construção da mesma) um terceiro pulo pode ser comprado com um vendedor, tornando ainda mais prático se movimentar pelo mundo do jogo.

Nesse aspecto, o título segue com um design de ambientes muito elegante e propício a velocidade de sua movimentação. É quase um balé de pulos, corridas e desvios de ataques dos inimigos. Um dos movimentos mais impactantes do primeiro jogo, a qual Ori pode rebater projéteis ou até mesmo inimigos, retorna aqui, e segue tão incrível quanto é no jogo anterior.

Quanto as novidades, talvez a mais marcante seja a espada de luz, também adquirida muito inicialmente na aventura, antes mesmo de conseguir rebater em pontos do cenário e projéteis. O ataque de espada é veloz, com um raio de acerto muito amplo e que causa a quantidade ideal de dano aos inimigos, a ponto de permitir que eles ataquem algumas vezes antes de serem derrotados pela nova arma.

E esse é um aspecto bem mais evidente nesta sequência. Há muito mais combate, muitos inimigos mais agressivos, que são tão ágeis quanto Ori. O balé do combate é também rápido e brutal. Há inimigos que investem rapidamente, outros que pulam em cima do jogado. Há mosquitos que saem voando pra cima de você como projéteis mortais. Tudo para que o combate tire o fôlego do jogador tanto quanto o malabarismo do sistema de mobilidade de Ori.

Indo justamente para esse malabarismo de plataformas, o título se mantém bem fresco em relação ao jogo anterior. Há momentos que pude sentir que pareciam semelhantes ao primeiro Ori, mas em boa parte da progressão, sempre me parece desafios frescos e interessantes, até mesmo porque o ritmo do jogo mescla-os com esse novos esquema de combate muito agressivo e veloz.

Os muitos cenários do jogo também ganham vida na forma como o jogo flui. Há momentos em que você está debaixo d’água, em outros em desertos com grades espaços de areia a qual você sai cavando como uma toupeira, há áreas com grandes plataformas e também uma com escuridão total que pode lhe matar em instantes se não atingir o próximo local de luz. Gosto da área de gelo, em como o jogo mescla elementos de fogo, gelo e escalada a um pico em uma montanha. E a cada momento o game usa e abusa das habilidades a qual Ori vai aprendendo enquanto novas áreas são destravadas. Os ambientes estão mais complexos, com muito mais detalhes em relação ao jogo anterior.

Também me agrada o esquema de novas habilidades que podem ser equipadas em espaço limitado de slots. O jogador ganha diversos tokens de habilidades, mas não pode usar todos ao mesmo tempo, equilibrando habilidades ativas (como disparar flechas) com passivas (receber menos dano). Claro que além destas, o título apresenta as habilidades fixas, que podem ser configuras em três botões dos controles e que, de certa forma, também acaba sendo equipável. Isso dá uma certa estratégia ao jogo, enquanto não o torna fácil demais ao dar ferramentas demais ou jogador, sem a necessidade dele gerenciar isso. Há muitas ferramentas, mas não se pode usar todas ao mesmo tempo.

Por último, acho que um grande elogio do título são as batalhas contra gigantescos chefes, todos visualmente fantásticos e incrivelmente tensos. Há muita adrenalina mesclada com ação nestas horas, com os chefes sendo confrontados em batalhas que são divididas em etapas e que mudam seus padrões conforme a batalha avança. Além disso, os clássicos momentos de fuga de um estágio, retornam aqui, ainda que neste caso, eu os tenha achado mais fáceis do que alguns do jogo anterior. Os momentos de fuga não me causaram o mesmo impacto a qual estes momentos entregavam no primeiro Ori.

Considerações finais

Ori and the Will of the Wisps é uma sequência fantástica. Destas que não desmerecem o jogo anterior, e que consegue adicionar mais conteúdo a uma fórmula que deu tremendamente certo, e que não apresenta motivos para se fazer qualquer coisa muito diferente do que se consagrou.

Entretanto, se não precisava mexer na base, a sequência adiciona novas ideias que combinam muito com a  estrutura criada para o jogo original. O sistema de combate não quebra o ritmo e consegue manter a ação frenética, ainda que nestes momentos não se foque no aspecto da ação em plataforma. É recompensador brandir a espada de luz de Ori.

E não só isso. Toda a progressão da sequência apresenta alguns bons momentos secundários, de respiro enquanto se avança na aventura principal. Há missões secundárias, que levam o jogador a retornar a locais previamente explorados, porém em novas salas, garantindo habilidades equipáveis extras (que não travam a progressão se forem ignoradas, mas são úteis se conquistadas), assim como o jogo também apresenta um sistema de Time Trials, a qual o jogador pode correr contra um relógio para chegar do ponto A ao ponto B, enquanto também pode visualizar fantasmas de outros jogadores que enfrentaram tal desafio. Um recurso bacana para amantes de um bom speedrun.

O jogo, que tem uma estrutura metroidvania, tem um grande incentivo de exploração de todos os cantos de suas áreas e lugares. Há um forte senso de colecionismo, tendo em vista que há muitos itens que precisam ser coletados para que se possa expandir sua barra de saúde e também de mana, utilizada para algumas habilidades especiais. Entretanto deixo a dica: não fique rodando demais pelas áreas inicias logo nas horas iniciais da aventura. Há muitos locais que necessitam de habilidades que serão destravadas ao longo de toda a aventura. Então quanto mais esperar, mais satisfatório será voltar a certas áreas iniciais. E há viagem rápida, desta vez até melhor localizada do que no mundo do jogo anterior. Outro ponto positivo é o salvamento automático, em detrimento do sistema manual em pontos estratégicos do primeiro Ori.

Seu maior pecado fica apenas nos aspectos técnicos já abordados mais acima; na taxa de quadros que causa lentidão principalmente. Sendo sincero, gostaria muito ter testado o título em um Xbox One X, para ver o potencial do jogo em sua máxima capacidade de performance, porém infelizmente o site não dispõem desta versão do Xbox (e no momento não temos sequer condições de adquirir). O que posso compartilhar é minha experiência no Xbox One S, a qual realmente deixou a desejar. Tirou uma pequena parte da minha imersão e diversão.

Por fim, acredito que Ori and the Will of the Wisps é uma experiência tão fantástica quanto foi a primeira aventura deste pequeno Guardião. Há muitas surpresas, incríveis chefes enormes, momentos de tensão e correria afim de escapar de um ambiente sendo destruído, assim como há aquele toque emocional que é tão característico deste universo, com um belo trabalho em sua direção de arte, quanto a sua direção de som, entregando efeitos sonoros marcantes e uma trilha sonora que toca lá no fundo do coração de qualquer jogador. É uma obra de arte em forma de videogame. Obrigatório para todo mundo que ama um bom jogo.

Galeria

Extra – Gameplay do início

Dando uma nota

História é cativante, e continua tocando no emocional - 9.5
Visualmente é impecável, mantendo a direção de arte vista no jogo anterior - 9
Trilha sonora e efeitos especiais também são impecáveis, impossível jogar sem se atentar a sua música - 10
Jogabilidade continua uma delícia, fluindo muito bem e super precisa - 9
Grandes chefes épicos, além de um novo esquema de combate que não quebra o ritmo da aventura - 9
Problemas de perfomance surgiram no Xbox One S, que apresentou queda na taxa de quadros - 6
Bom conteúdo secundário, com exploração que instiga a ir além de seus objetivos principais - 8.5

8.7

Fantástico

Ori and the Will of the Wisps é uma sequência que mantém a qualidade e o legado do primeiro jogo da franquia. Não altera a fórmula consagrado, porém adiciona boas ideias sem a perda da dinâmica original de sua estrutura. Há mais combate, tão frenético quando a fluidez da jogabilidade em momentos de exploração. Chefes épicos, trama que saber emocionar, visuais e trilha sonora impecáveis. Tropeça em alguns aspectos técnicos de performance, mas não é nada que não possa ser aprimorado com um patch. E com tudo isso, o título ainda é uma obra imperdível. É um fantástico exemplo de arte em um formato de jogo eletrônico.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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