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Análise | Carto

Disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch & PC

Carto é um game indie que abrange os gêneros de estratégia e quebra cabeça, produzido pela Sunhead Games e publicado pela Humble Games, saiu em 17 de Outubro para as plataformas PC (Steam), Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox One. A versão utilizada para esta análise foi a do Xbox One. O jogo não possui português em suas opções de idioma, o que pode dificultar um pouco o entendimento para quem não tenha noções de inglês.

A aventura tem como protagonista uma garotinha chamada Carto, que nas cenas iniciais se surpreende com a capacidade de sua avó de modificar o mapa e assim modificar o mundo ao seu redor. A noite ela resolve brincar com o mapa, e assim acaba descobrindo que herdou de sua avó a mesma capacidade. Porém esta descoberta desencadeou uma tempestade que acaba atingindo a nave onde elas estavam, e agora Carto está separada de sua avó em um mundo que ela não conhece.

Carto e sua avó possuem  poderes relacionados a cartografia, gerando para os jogadores um mecanismo singular, único e obviamente criativo de mudança do mapa. Em outras palavras, você consegue manipular partes do mapa, mudando de local partes já colocadas ou adicionando novas partes no mapa, assim como pode girar elas e ao unir certas partes, formar blocos novos para a exploração.

Colando pedaços do mapa

O mapa é como se fosse uma colcha de retalhos, cada um dos “quadrados” pode ser retirado, girado ou largado em um canto da tela, caso não tenha uma conexão para ele no momento. Devemos prestar atenção que as partes não podem ser emendadas sem eira nem beira. Não podemos conectar um pedaço de mar no meio do deserto, por exemplo.

Devemos ainda observar que se em um canto do pedaço tivemos uma árvore, esta parte somente irá engatar em outra parte com árvores, se tiver areia, somente em outra parte de areia, e assim por diante. Por isso a mecânica de girar os pedaços se torna tão importante e interessante.

Obviamente, vamos ter que conseguir mais pedaços do mapa antes de poder sair colocando eles e dando forma a nossa aventura. Durante sua jornada, a jovem Carto vai acabar por visitar diferentes povoados, cada qual com suas tradições, culturas e problemas. Como em nosso mundo, as pessoas que Carto conhece são de vários tipos; algumas são preguiçosas, outras calmas, alguns mais agitados, outros por sua vez irreverentes e assim se vai.

Muitas personalidades diferentes vão surgindo pelo caminho. Cada um deles vai ter uma missão, uma demanda por alguma coisa. Carto, por sua vez, ao cumprir essa demanda, ajudando eles, vai receber um novo pedaço do mapa, que por sua vez, vai possibilitar o progresso na montagem do mapa e no desenrolar da jornada, liberando assim novas áreas, novas pessoas, novas missões e informações sobre o paradeiro da avó de Carto. Essa é a dinâmica do título, interação com NPCs e exploração de um mundo a qual novos pedaços devem ser recolhidos e reordenados conforme necessário.

Várias histórias em uma só

A história da garotinha chamada Carto eu já contei, mas existem infinitas outras histórias nesse mundo. Logo no começo, chegamos em uma aldeia e logo se forma uma amizade com a jovem chamada Shiannan. Esta, por sua vez, devido às tradições de sua tribo, está nos preparativos finais para entrar em um barco e deixar a ilha, por ter atingido certa idade. Ela não quer sair de seu lar, mas respeita as tradições e assim aceita a necessidade de partir, mas não antes de se aproximar de Carto e tornar-se uma companheira na história.

Carto acaba não falando muito devido a sua timidez, mas suas respostas com emoticons demonstram toda a beleza de sua inocência como criança, e desta forma simples, porém bonita, se cria um elo sentimental entre ela e vários “habitantes”. Acaba sendo fácil o jogador identificar-se com alguma das situações apresentadas por eles em suas conversas, já que nestas podemos encontrar respostas para possíveis questionamentos e situações vividas por nós no mundo real. Ao explorarem este vasto mundo o jogador e Carto vão fazendo novas amizades, transportando itens para fazer entregas e também desvendando alguns segredos.

Em determinada parte, um mensageiro comenta que seu urso é amigável e que se Carto quiser pode abraçar ele, ou dar um aperto de mão (no caso do Urso, um aperto na pata). Fica a sua escolha do jogador o que fazer, mas a animação do abraço e da reação do urso pelo afeto são marcantes. E as pessoas desaparecidos do deserto? Carto não pode deixar a situação assim e vai caber ao jogador ordenar todas as partes do mapa de deserto a fim de encontrar todo mundo. De missão em missão vamos aumentando o número de amigos e consequentemente o tamanho do mapa. O crédito por estas histórias interconectadas fica a cargo de Nick Suttner que também realizou o trabalho narrativo de Celeste e Guacamelee 2.

Visual, som e dificuldade

Carto não possui gráficos de última geração ou ambientes 3D reais. Sua beleza gráfica está em justamente parecer esteticamente como se fosse totalmente desenhado à mão, apresentando sempre tons de cores tranquilas, independente do ambiente em que estejamos. Somos apresentados a áreas com climas diferentes, e com locais diferentes entre si, como desertos, lagos, rios,  florestas verdejantes, cavernas escuras, campos gramados, áreas com nevasca.

Tudo isso se mescla perfeitamente com a trilha sonora apresentada, sempre calma. O que acaba ajudando em muita no processo de resolução dos quebra-cabeças e não acaba estressando o jogador sem necessidade. Alinhado a este visual, agregando valor narrativo, temos como curiosidade que a cada novo capítulo da aventura há uma vinheta no estilo das apresentadas em Dragon Quest com uma cena impactante retratada.

Carto não é um jogo desafiador por nível de dificuldade, já que não existem batalhas nele, o desafio aqui é saber o que fazer em seguida e como fazer isso. Ficar em alguns momentos sem saber exatamente o que fazer é normal e vai acontecer com certa frequência. Mas nessas horas devemos voltar aos NPCS mais próximos e falar com eles novamente, geralmente as dicas estão nessas conversas, ou ainda na observação do ambiente e das coisas que acontecem nele.

Em uma parte, por exemplo, há uma criatura pulando em um círculo, aparentemente não tem nada parecido ao redor para “montarmos” um círculo, mas e se pegarmos as partes do rio que corta o cenário e colocados elas de modo a formar um círculo? Ao fazermos isso, vai surgir um NPC em determinado local, nesse instante, o desafio passa a ser encontrar a forma correta de chegarmos até ele, sem desfazer a montagem do mapa ou que sabe fazendo ela de outra forma. Situações assim ocorrem o tempo todo em Carto e o grande desafio é enxergar meios de encontrar tais soluções.

Considerações finais

Carto nos traz uma experiência única até então no mundo dos games. Já experimentamos vários jogos de quebra cabeça propriamente ditos, onde montamos paisagens, personagens e afins, já agimos como aventureiros, exploradores espaciais, jogadores de vários esportes, lutador, piloto e a lista seria enorme se fôssemos descrever tudo, mas nunca fomos cartógrafos, nunca estudamos ou configuramos um mapa como um cartógrafo de verdade. Isso é o que podemos fazer aqui em Carto, ponto para a desenvolvedora que teve essa ideia e soube a forma de como coloca-la em prática em um jogo eletrônico.

Ao invés de termos que encaixar uma peça na outra conforme seu corte e suas pontas, aqui vamos ter que encaixar as peças pelo conteúdo delas, pelos caminhos que vão se formar ao unirmos cada pedaço, e ao vermos estes pedaços darem origem a outros e assim formarmos esse mundo em constante mudança. Todos os personagens estão lá por algum motivo, e todos tem alguma coisa para lhe contar, lhe questionar ou lhe pedir. Reforço que é realmente uma pena não termos suporte ao português, já que muito da interação e das dicas dos NPCs podem se perder se o jogador não tiver noção de inglês. É um jogo em que a história importa, e compreendê-la faz total parte da experiência.

A viagem pode ser curta caso você ache logo de cara todas as saídas, mas isso dificilmente vai acontecer, mesmo que seu entendimento do inglês seja avançado. Em várias passagens teremos que usar o cérebro, pensar em pouco e isso dificilmente vai dar certo em jogadas rápidas. Quer um conselho? Aproveite a historia e essa atmosfera aconchegante de Carto em pequenas doses. Relaxe montando o mapa, conhecendo os NPCs, tentando descobrir como encaixar uma parte na outra e explorando este belo mundo. Tudo isso enquanto busca reunir novamente uma garotinha e sua avó.

Galeria

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Dando uma nota

Estudar mapas pode ser algo divertido, quem diria - 8
Mecânica original, inovadora e criativa - 9
Personagens vivos, interessantes e cativantes - 9
Curtinho, com alguns extras após a conclusão para retornar a esse mundo - 7.5
Visual e trilha sonora são simples, mas aconchegantes em sua proposta - 8.5
Em algumas partes é fácil ficar sem saber o que fazer a seguir - 6.5
Ausência de localização em português cria uma barreira de acessibilidade, saber inglês se torna necessário - 6.5

7.9

Bom

Carto é um jogo que lhe surpreende pela engenhosidade de sua mecânica cartográfica, lhe envolve em sua história e lhe cativa pela obra como um todo. Recomendado para quem quer experimentar algo diferente e relaxante. O único revés é não ter localização em nosso idioma, saber inglês acaba sendo recomendado para apreciar sua narrativa.

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Paulo Roberto L. S.

Gamer desde o antigo Master System 3. Leitor de HQs (Marvel/DC) e de Mangás, como atividades extras me dedico a treinar Pokémon e sair em busca de conquistas e troféus.
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