Análise DLC | Super Mario Bros. Wonder: Parque Belabel

Disponível para Nintendo Switch 2

Super Mario Bros. Wonder: Vamos ao Parque Belabel adiciona uma boa leva de conteúdo ao já excelente título de 2023, encorpando ainda mais uma experiência que já era excepcional com novos desafios e atividades multiplayer exclusivas desta edição aprimorada lançada para o Nintendo Switch 2.

E vale esclarecer logo de cara: nada desse novo conteúdo roda no primeiro Switch. Modos inéditos, personagens adicionais, um novo power-up, atividades extras, confrontos inéditos e áreas exclusivas fazem parte apenas desta nova versão.

É, no fim das contas, um incentivo para revisitar Wonder em sua edição aprimorada, que também aproveita o novo hardware com gráficos em 4K, suporte ao GameShare e compatibilidade com os controles de mouse. Quem já possui o jogo original pode rodá-lo normalmente no Switch 2, mas sem acesso a essas novidades.

Também não é preciso recomprar o jogo em preço cheio. Quem já tem a versão original pode adquirir apenas o Pacote de Melhoria, ao custo de 110 reais, valor que inclui tanto as melhorias técnicas quanto todo o conteúdo inédito desta expansão.

E é justamente nisso que esta análise vai focar: na mini campanha inédita, nas novas fases, chefes, desafios, atividades multiplayer e em tudo que o Parque Belabel adiciona à experiência original. Quanto tempo entrega, o que funciona, o que poderia ser melhor e, claro, se justifica o valor cobrado.

Para quem quiser uma visão completa sobre o jogo base, já temos uma análise extensa publicada aqui no site. A nota original (9,4) permanece intacta. Aqui, a avaliação irá considerar apenas o conteúdo adicional desta nova edição.

Ficha Técnica

  • Plataformas: Nintendo Switch (Jogo Original), Nintendo Switch 2 (Edição Aprimorada)
  • Desenvolvedor: Nintendo EDP
  • Publisher: Nintendo
  • Gênero: Aventura 2D, Plataforma
  • Lançamento Original: 20 de outubro de 2023
  • Lançamento Ed. Switch 2: 26 de março de 2026

Koopalings retornam / Mundo e Narrativa

Mesmo sendo uma expansão relativamente curta, é bacana ver como existe uma preocupação genuína em criar contexto narrativo para justificar toda a aventura dentro do Parque Belabel, acontecendo em paralelo à invasão de Bowser no Reino Flor.

Durante a descoberta das ruínas de um antigo parque temático, os sete Koopalings ou melhor, os agora oficialmente localizados Koopinchas — roubam as Flores Belabel, fonte vital de energia do lugar.

A mudança de nome pode soar estranha num primeiro momento, mas faz parte do trabalho de localização que o universo Super Mario vem recebendo em português. Não ficou ruim. Só deve levar algum tempo até os veteranos se acostumarem.

Dentro da trama, Capitão Toad, seu recruta Poplin e toda a brigada de exploradores se unem a Mario para investigar o parque perdido e recuperar as flores roubadas. É um pretexto simples, mas funcional. E é justamente ele que costura todo o novo conteúdo.

As ruínas do Parque Belabel funcionam como um novo espaço social, centralizando as atividades inéditas, a mini campanha solo e as modalidades multiplayer.

A mini campanha é composta por apenas sete fases inéditas, cada uma culminando no confronto contra um Koopincha. O detalhe curioso é que esses estágios estão espalhados pelos mundos da campanha principal, exigindo que o jogador já tenha destravado essas regiões para acessá-los.

É uma escolha inteligente, porque permite que novos jogadores descubram esse conteúdo naturalmente, conforme avançam pela aventura original. Funciona quase como uma fase extra integrada ao fluxo da campanha.

No acampamento do parque, o Mural da Brigada Toad acompanha a jornada do Poplin Recruta em pequenos quadros desbloqueados conforme a progressão ocorre. Ao mesmo tempo, as pesquisas do Poplin Curioso revelam fragmentos da história perdida daquele lugar por meio de antigas tábuas arqueológicas espalhadas pelo sítio. É um cuidado que mostra carinho genuíno por esse universo.

Demonstra que o Parque Belabel não existe apenas como um menu bonito recheado de atividades. Ele conversa com o mundo de Super Mario Bros. Wonder, respeita sua identidade e se integra com bastante naturalidade à experiência original.

Pequenas, mas numerosas adições / Jogabilidade

Ainda que a campanha envolvendo os Koopinchas seja curta e se resuma apenas a sete estágios inéditos, isso não significa que a edição aprimorada seja uma experiência dispensável. Mesmo que pequenas, as adições nesta nova versão são numerosas, e miram diversos pilares estruturais do próprio jogo original.

A começar pela chegada de Rosalina ao elenco jogável, reforçando o time de personagens femininas. Junto dela, Luma passa a ser uma opção secundária para partidas em dupla. Seu funcionamento lembra bastante o Ledrão (Nabbit): não sofre dano de inimigos, mas traz a vantagem extra de voar livremente e atacar girando, o que a torna uma escolha acessível sem deixar de ser divertida.

Também há um novo power-up exclusivo desta edição: o Superbroto, que transforma os personagens em flores vivas. Além de disparar projéteis para cima, ele permite carregar água sobre a cabeça e regar brotos ao executar giros. Não chega a impactar a campanha original como a transformação de elefante fez no jogo base, mas é uma adição simpática, coerente com a proposta do Reino Flor, e que não desequilibra a experiência. E convenhamos: fãs de Mario sempre gostam de ver novas habilidades surgindo.

Quanto às sete fases inéditas, todas mantêm o excelente padrão criativo de Wonder. Nenhuma é especialmente longa, mas todas seguem a estrutura que tornou o jogo base tão memorável: começam de forma tradicional, mergulham no caos criativo das Flores Fenomenais, para, aí sim, culminar em confrontos contra um dos sete Koopinchas.

E esses chefes merecem destaque. As batalhas começam nos moldes clássicos da série, com cada vilão usando seus ataques característicos, mas evoluem para transformações fenomenais quando estão prestes a perder, elevando a escala do confronto de forma bem criativa. Não são lutas absurdamente difíceis, mas figuram com tranquilidade entre os melhores chefes de todo o jogo.

Outro destaque está no Campo de Treinamento da Brigada Toad. O local remixa 60 fases da campanha original em desafios cronometrados divididos em quatro categorias: coleta de moedas, eliminação de inimigos, corrida até a linha de chegada e sobrevivência em sequência de estrelas invencíveis — uma das modalidades mais divertidas, inclusive.

Após derrotar todos os Koopinchas, uma quinta categoria focada em desafios de combate elevado contra eles também é desbloqueada.

Completar essas provas rende gotas d’água Belabel, usadas para destravar elementos decorativos, emotes e instrumentos musicais que ajudam a restaurar a banda do parque. São recompensas essencialmente cosméticas, mas funcionam bem como incentivo para quem gosta daquele colecionismo mais caprichoso.

Outra ótima novidade são as insígnias duplas, que combinam efeitos de insígnias clássicas em versões híbridas pré-definidas. Não dá para montar combinações livremente, o que limita um pouco o potencial da ideia, mas ainda assim elas adicionam boas possibilidades estratégicas.

Uma delas, inclusive, concede um Superbroto logo no início da fase, o que é perfeita para revisitar estágios antigos usando a nova habilidade.

Por fim, há o novo Modo Ajuda. Com ele ativado, o jogador não sofre dano e é salvo automaticamente ao cair em buracos por uma Flor Hélice. É uma solução simples, mas extremamente eficiente para tornar Wonder ainda mais acessível a crianças pequenas ou pessoas pouco habituadas com videogames. Acessibilidade deixou de ser luxo faz tempo. E aqui ela foi implementada com inteligência, permitindo assim o uso de qualquer personagem do elenco, sem limitar os facilitadores apenas aos Yoshis ou Ledrão.

No fim, Vamos ao Parque Belabel não redefine Super Mario Bros. Wonder, mas expande e refina sua estrutura com carinho genuíno: nova personagem, novo power-up, desafios extras, chefes inéditos, melhorias nas insígnias e mais motivos para revisitar uma campanha que já é excelente.

Robusto multiplayer, com pormenores / Jogabilidade II

Preciso separar um espaço só para falar das novidades multiplayer, e também do ponto que mais me incomodou nesta expansão.

O pacote introduz um novíssimo modo multiplayer, que se assimila, de certa forma, aos desafios de jogos como Mario Party. Ao todo são 23 atividades que se dividem entre competitiva, cooperativas e corridas entre uma imensa quantidade de jogadores, de 2 a até 12. Não só isso, mas cada atividade tem várias opções de percursos, tornando a experiência em cada uma ainda mais duradoura.

Há batalhas de habilidades, para coletar moedas, de sobrevivência, esconde esconde, eliminar inimigos, acompanhe o ritmo, jogue batata quente (com um bob-omb), construa caminhos de forma cooperativa, assim como dispute corridas com diversos tipos de veículos e habilidades. Todas divertidas quando disputadas com amigos e familiares em modalidades locais, todo mundo no sofá e com controles para todos. Ou utilizando o GameShare com amigos online.

O problema surge justamente para quem não tem esse cenário ideal, pois não existe matchmaking online. Nada de apertar um botão e cair direto com desconhecidos. A Nintendo optou, mais uma vez, pelo antiquado sistema de salas privadas e públicas. Você abre uma sessão e torce para alguém da sua região encontrá-la. Em duas ocasiões deixei salas abertas por mais de 30 minutos. Ninguém apareceu. É frustrante.

E isso enfraquece bastante uma das propostas mais robustas desta edição. Porque sim: o conteúdo multiplayer é excelente, criativo e divertido. Mas exige que você tenha amigos disponíveis, controles sobrando e gente disposta a jogar. E essa simplesmente não é a realidade de todo mundo. Baita mancada!

Chega a ser decepcionante ver uma adição tão caprichada nesta estrutura social limitada por uma infraestrutura online que parece presa a duas gerações atrás.

Altos e Baixos

— O que funciona bem:

  • Sete novas fases muito bem construídas;
  • Koopinchas figuram entre os melhores chefes jogo;
  • Desafios adicionais são genuinamente divertidos;
  • Rosalina, Superbroto e Modo Ajuda convidam revisitar a campanha original;
  • Se tem amigos e controles, novo multiplayer vai ser incrível.

— O que poderia ser melhor:

  • Sete fases inéditas ainda soam pouco;
  • Ausência de matchmaking online isola jogadores em suas bolhas.

Considerações finais

Super Mario Bros. Wonder: Vamos ao Parque Belabel é uma expansão cheia de boas intenções, mas está longe de ser indispensável para quem já viveu a experiência original. A exceção está no multiplayer. Se você busca novas formas de jogar localmente ou possui um grupo recorrente de amigos para explorar tudo isso junto, o pacote entrega bastante valor.

Mas como expansão focada em experiência solo, ele funciona mais como um aperitivo diante do enorme banquete que o jogo base já oferece. Nada aqui redefine Wonder. Nada muda radicalmente sua identidade. É, essencialmente, mais do mesmo, ainda que esse “mesmo” continue sendo excelente.

E isso torna os R$ 110 cobrados um valor justo, ainda que não urgente. Se os R$ 440 da edição completa para Switch 2 pesarem no bolso, não há qualquer problema em seguir com a versão original de Switch, que continua custando menos (R$ 330) e segue oferecendo uma experiência absolutamente fantástica.

O Parque Belabel é bem-vindo, é válido e acima de tudo: é divertido! Mas está longe de ser essencial para apreciar um dos melhores jogos 2D já feitos com Super Mario — uma obra que reinventou sua fórmula 2D, entregou uma direção de arte brilhante e uma campanha original mais do que suficiente por conta própria.

No fim, esta edição aprimorada soa como um afago ao novo hardware e às suas funções extras. Um agrado interessante. Um mimo muito bem produzido. Mas não exatamente uma prioridade diante da enxurrada de novos exclusivos que continuam chegando ao Nintendo Switch 2 mês a mês.

Galeria

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Dando nota

Sete novas fases curtas, mas criativas, com ótimo ritmo e chefes inspirados - 9.2
Parque Belabel conversa muito bem com o Reino Flor e expande o universo com coerência - 8.5
Rosalina, Superbroto, insígnias duplas e Modo Ajuda convidam a revisitar a campanha original - 8
Campo de Treinamento entrega ótimo desafios adicionais ao remixar fases do jogo original - 8.5
Multiplayer robusto, criativo e excelente quando há amigos e estrutura ideal para ser jogado - 8.5
Vale o preço cobrado, mas não é essencial para o que a obra representa por si própria - 7
Ausência de matchmaking limita demais um pacote tão focado em multiplayer - 6

8

Válido

Super Mario Bros. Wonder: Vamos ao Parque Belabel entrega um pacote honesto, caprichado e recheado de boas ideias, expandindo a experiência original com novas fases, chefes criativos, desafios extras e um multiplayer local genuinamente divertido. Ainda assim, trata-se muito mais de um afago ao Nintendo Switch 2 do que de uma evolução essencial para aquilo que Wonder já fazia brilhantemente em 2023. O preço é justo pelo conjunto oferecido, mas a curta campanha inédita e a inexplicável ausência de matchmaking online impedem que o pacote alcance um impacto maior. É um ótimo complemento para quem quer mais desse universo, só não uma prioridade para quem já viveu a campanha original.

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