Jogos Vorazes – Eu fui! (EXP +)

12 Distritos, 24 jovens e um hype excessivo. Como anda a saúde do Cinema?

Nunca li os livros. Comentarei apenas sobre o filme. Nunca pensei que fosse ao cinema assistir a adaptação. Entretanto, fui. A curiosidade matou o gato que devia ter sido cozinhado – quem também foi conferir, entende a referência ao diálogo bizarro do início. E admito que não é horrível, chega a ser agradável e mantém a atenção do cinéfilo (ou não cinéfilo) focada. Não usarei quase nenhum spoiler (fora sinopse), acho muito seguro continuar lendo se estiver interessado. Trata-se basicamente disso…

Em uma civilização do futuro governada por palhaços macabros elevados ao grau “rídiculo”, 24 jovens são escolhidos para um reality show que representa uma tradição. Katniss Everdeen se voluntaria no lugar da irmã para participar na 74ª edição dos Jogos Vorazes. Eles precisam somente lutar até a morte – e misturando relacionamentos breves, correndo com a narrativa e derrubando expectativas, consegui ao menos rir. É que estão dizendo que Jogos Vorazes vem ocupar o “lugar” de Harry Potter e Crepúsculo. Parabéns, superaram Crepúsculo – aliás, se não superassem, o filme teria sido puramente excrementos. E é melhor não comentar quanto a Harry Potter – deixemos a obra de J. K. Rowling fora dessa bagunça. – Araphawake (Eu).

E deixando de lado essas comparações, o filme em si foi bem legal só que não o suficiente para merecer adoração. Sempre tem alguém que discorda, adoro isso. E calculo que haverá um tsunami de leitores pensando que sou um hater ou que o meu julgamento está equivocado. É o seguinte, o filme NÃO é ruim, repetindo para evitar mal entendidos. Ele apenas não cumpre com a promessa de ser algo criativo e mágico, revela vários traços adolescentes, explorando a aproximação amorosa entre Gale e Kat ou entre Peeta e Katniss – é o tipo de coisa que menosprezo inteiramente. Senti uma atmosfera meio Crepúsculo nessa problemática Kat-Peeta-Gale (tem dedo da Stephanie Mayer aqui – essa mulher é como um câncer no cinema e na literatura? Esquece, isso não importa agora.)

Experimentei e anotei as impressões que tive. O hype estragou tudo, eles exageraram na dose. Estava parecendo que esse filme seria digno de um Óscar mas nada perto disso. Também seria ingenuidade esperar tanto dele. Porém, há imaginação e um lado sério da história para quem compreende metáforas, afinal toda ficção é uma grande metáfora para quem tem espelho em casa.

Esses tais jogos vorazes remetem-nos à herança sangrenta que as guerras, as ditaduras e a tendência humana à missão civilizatória nos deixam. É como se pegassem índios em tribos isoladas, levassem para a “civilização” e se entretivessem com eles lutando pela sobrevivência. Até certo ponto, uma ideia doentia – vi muitas crianças de 9-10 anos na sessão gostando de tudo isso. Dou créditos à autora, a mensagem e a crítica à sociedade que põe as crianças e os jovens em situações de enorme tensão e estresse, que incentiva o elitismo e a ideia de superioridade e inferioridade entre seres humanos esteve bem retratadas. Outro dia o Pedro comentou sobre a nova edição de Big Brother Brasil aqui no blog e há muito o que debater quanto essa paixão da maioria por ver as pessoas em situações específicas de competição, de limite.

O lado interessante de Jogos Vorazes é a história que justifica a luta até a morte entre crianças. São 13 Distritos, o 13º foi varrido da superfície – você me entende. De cada um, dois jovens são escolhidos para o sacrifício e um entre 24 sai vencedor. O ambiente da Capital ficou ótimo, os efeitos especiais bem marcantes, teve uma boa criatividade na descrição dos locais e na floresta do The Hunger Games a ação melhorou significativamente. A protagonista, vou dizer que gostei dela, da personagem e da atriz (Jeniffer Lawrence) – TOP 10, faço minhas as palavras do Mauri. Outro ator que atuou muito bem e fez uma das melhores cenas do filme foi Stanley Tucci, o entrevistador.

E durante certos momentos estava curtindo o filme, sério, mas sempre vinha algo para destruir aquilo que estava dando certo. Houve bons momentos e outros péssimos, sem graça. O primeiro defeito foi o romance entre Peeta e Kat. Soube pela minha irmã, que leu os livros, que o filme alterou muitas coisas do livro, omitiu muitas histórias paralelas. Nas primeiras cenas, era impossível de não perceber a má filmagem, a câmera tremeu demais.

Fiquei quase mais empolgado com os trailers que passaram antes do filme começar do que com o filme – um fato engraçado. Primeiro, O Lorax – Em Busca da Trúfula Perdida 3D que trouxe uma abordagem bem genial, uma animação que achei bem executada e uma ideia fantástica – desejar ver árvores em um futuro onde elas estão “extintas”. “Dos criadores de O Meu Malvado Preferido”, lembrei do Thiago na hora. E o outro trailer foi do filme, tinha que ser, do Tim Burton com Johnny Depp como vampiro cômico, “Sombras da Noite”. E dia 4 de Abril estreia Titanic 3D e ao longo do ano ainda vem O Hobbit, The Amazing Spider-Man, The Avengers e por aí vai… O cinema lucrará comigo esse ano, bastante.

Regressemos a Jogos Vorazes. O livro tem páginas suficientes para desenvolver os personagens e fazer-nos sentir algum pesar com as mortes conforme o jogo avança – e assim a obra de Suzanne Colins funciona na literatura. No cinema, a única morte com a qual me importei foi a da Rue – isso foi bem executado, reconheço. Senti alguma coisa enquanto Katniss lidava com o cadáver da garota. O resto… não há tempo de filmagem suficiente para tornar as mortes algo impactante, não há quem culpar. E então adicionam o romance, a insegurança da personagem feminina, a humanidade dela em proteger o “amigo” Peeta. Fedeu. Assista o trailer aqui.

[PARÁGRAFO-SPOILER] Que desfecho. Alteram a regra do jogo e tudo termina com um “felizes para sempre”. Por quê?! Tanto drama para um fim sem ardor das chamas. Elas eram mesmo falsas. Sim, eu sei que não foi o fim absoluto. Haverá outros filmes de continuação.

Veredito: curti Jogos Vorazes como um filme para passar o tempo mas nunca o premiaria ou diria ser um filme imperdível e que entretenha de modo incrível. Estou generoso hoje, daria 7,5 de 10,0. Se estiver curioso, vá ao cinema conferir, o filme não “morde”, nem mata (nem brilha no sol).

Acontece que cada um tem uma impressão diferente dos filmes e o Rod gostou bastante de Jogos Vorazes, assim como outras pessoas da equipe. Aguarde, quem sabe alguém partilha a opinião contrária a minha abaixo com um EXP+?

Lançado o Convite!

*Nunca transportei discussões do fórum interno para um post, mas achei válida a experiência a seguir. Se curtirem, dêem feedback positivo.

Assunto em Discussão no Fórum Interno da Equipe

——————————————————————————————————————-

Ontem, alguns da equipe do Portallos discutiram sobre o efeito do cinema (em relação à literatura inclusive) e o Mauri foi levantando questões interessantes. Dados, válidos entre 23 e 25 de Março, revelam que houve uma bilheteria de US$ 155 milhões, a terceira maior abertura da história. Paremos para refletir sobre isso. Jogos Vorazes merece ser a terceira maior abertura da história no cinema?!

Diante disso, achei uma irônia de mal gosto e o Pedro tocou no fato principal: bilheteria não é sinônimo de qualidade. Nem mesmo premiação garante isso e aí vem outra história que fará muitos me porem no hospital de tanto atirar pedra: Avatar. Não curti o filme tanto quanto a crítica e o Pedro pensa da mesma forma. E outros mais devem pensar, não existe algo que agrade a todos, é óbvio, mas quando a crítica aclama e você não, isso te deixa intrigado. Eis que chegou a vez do Rackor se juntar a discussão, e já tínhamos nos desviado de The Hunger Games:

“Mas oscar em categoria técnica ele merece totalmente… ” – Rackor

Sim, nisso mereceu. Por mim, ficava por aí o reconhecimento. Conclusão do Pedro: não e fácil entender a crítica. Ela própria, aliás, é moldada também pelo interesse econômico que alguns filmes despertam mais do que outros – a opinião do povo decide.

Então o Mauri entrou na conversa para dar uma complementada e trouxe mais cartas para a mesa – a “bagagem” do cinéfilo. Realmente, vamos acumulando tantos filmes fantásticos ao longo do tempo que talvez deixemos muitas experiências anteriores servirem de modelo e já vemos tudo dali para frente com certo preconceito… Nisso sou obrigado a concordar, discordo entretanto que esse tenha sido o caso de The Hunger Games. Sim, não gosto de filmes com romance teen e, sim, fiz algumas referências a Crepúsculo acima, um claro exemplo de “bagagem” mas deixaram tão na cara determinadas semelhanças que era inevitável fazer a relação, twilightização é uma droga – até porque, bem lembrado pelo Mauri, a Stephanie Mayer deu uma força. E ele ressaltou uma questão bem legal quanto à violência no cinema e a censura:

Cara, a questão da violência assombra o cinema moderno. Antigamente algumas coisas eram toleradas, mas hoje quando se produz um filme sempre é feito um esforço para que a classificação seja no mínimo PG-13. Tem coisas que tem que ser cortadas mesmo em prol da bilheteria. É besteira esperar Arte em Jogos Vorazes, a obra não tem essa pretensão nem nos livros, quanto mais no cinema moderno hollywoodiano. Agora, se tu for ver Árvore da Vida esperando por Arte, então tá ok, pois a produção foi feita tendo isso em mente, sem expectativa de muito público mesmo.

Se o romance em Jogos Vorazes foi aumentado, isso é algo normal, lembre-se que as pessoas gostam disso em filmes. Além disso, o tempo exíguo não permite aquele crescendo” natural da relação, o filme tem que ser posto sob uma lente de aumento pra funcionar, e por isso parece algo mais rápido, intenso, forte.

Precisamos comprar a ideia de um filme para nos adaptarmos a ele e dele gostarmos? O correto seria o filme comprar a audiência e quanto maior fosse o preço da audiência, maior seria a riqueza da produção. Infelizmente não é assim funciona o cinema contemporâneo (maioria dos casos), se tentassem incluir tudo fielmente em uma adaptação, incluindo toda a violência, o conteúdo se tornaria adulto e quebraria a bilheteria com crianças que seriam impedidas de ir a sessão – o lucro está acima da produção artística. Assim será. A ideia de sacrificar reduzir o público alvo em nome da qualidade é um absurdo, dá-se o jeito da censura, cortes aqui e ali e põe um amplificador nos elementos mais chamativos. Observa-se que mostraram até os cadáveres, rostos deformados (caso das vespas), pescoços torcidos com um pouco de sangue mas deixarama  brutalidade de fora – o “fatality” é disfarçado. Bem, eu odeio admitir que essa é a realidade.

Entendo Mauri, até estava tentando comprar o “mundinho” de The Hunger Games mas depois do filme perdi muito do ânimo. Eles até podiam ter feito um filme mais interessante, mostrando muito bem as mortes mas isso limitaria o público, eu acho. Duvido que os pais levariam crianças de 10 anos para assistir um filme com tripas se espalhando pelo chão. E a bilheteria é mais importante para a indústria do cinema do que a arte. – Araphawake (Eu).

—–

É o que eu conversava com amigos esse fim de semana. As novas gerações pedem um conteúdo mais massivo, e no entando o cinema continua sendo feito como no século passado, com a média de uma hora e meia de duração, o que é pouco diante de tanto conteúdo que se requer. Aí o filme vira um videoclipe cheio de cortes bruscos ou fica simplista, raso. É como comparar LotR com GoT. Ambos possuem uma trama rica em detalhes. Mas enquanto o primeiro teve que ser simplificado para o cinema (ainda que com metragem maiior do que o padrão)o segundo dispõe de mais tempo para contar a história.

Como adapatção de livro, é claro que Jogos Vorazes e similares levam algumas desvantagens. Tem que se trabalhar com censura/faixa etária, simplificação/boost nas relações entre personagens, adequação da história para um tempo de execução mais enxuto, etc etc etc.

E não, nem acho que tu esteja errado com tua visão, ela tem muito valor, e eu gostaria que os pontos abordados por ti fossem levados mais em consideração. Mas também penso que o filme os tivesse, não funcionaria mais. – Resposta do Mauri.

O posicionamento das pessoas perante o cinema moderno como indústria e como arte é uma questão cultural e a herança capitalista, mais para trás burguesa, dessa parte da sociedade põe certos limites nos filmes em nome do lucro. A literatura não tem essa limitação – inclusive, George Martin teve muitas dificuldades em ter roteiros aprovados por exagerar em detalhes que exigiam orçamentos elevados (não ideológico nesse caso). E isso o motivou a escrever. E Game of Thrones está tendo uma adaptação excelente que o cinema jamais teria sido capaz de proporcionar. Aliás, lembrando que a segunda temporada estreia daqui a poucos dias e aqui será exibido aqui primeiro do que lá nos EUA. Rá!

Qual a sua posição quanto ao assunto?

——————————————————————————————————————-

Atualizado 28/03/2012 – Rod Hey

Quando um filme supera minhas expectativas…

Jogos Vorazes

Já tinha ouvido falar sobre a trilogia de Jogos Vorazes. Mas eu não li os livros, fui totalmente às cegas para o cinema, evitei resenhas e criticas, tinha visto apenas o trailer, um único trailer, e mesmo não revelando muito, o trailer conseguiu chamar minha atenção.

Se o filme é ou não fiel ao livro eu não sei e também não me importo, e sabe por que? Porque eu adorei o filme! Fiquei muito empolgado, e não estou exagerando não, durante o filme eu vibrei, fiquei aflito, tenso e me surpreendi em vários momentos! Você sente que qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento. A sensação de insegurança dos personagens vai direto para quem está de olho na tela.

De uma forma geral, eu poderia dizer que o filme se divide em 3 partes:
A primeira parte é um pouco confusa, mas apresenta de forma justa o “Distrito 12” em que os personagens vivem. O cenário é de pobreza, tristeza e sem vida, mas não chega ser monótono. Muito pelo contrario o clima dramático vai se elevando logo nos primeiros minutos do filme. E quando você pensa que o cenário será totalmente cinza, surgem as cores, e muitas! O contraste da pobreza vai além das roupas daqueles que vivem na tal “capital” ele é colorido pela fartura, tecnologia e excentricidade.

Após uma boa dose de drama, e contraste, se inicia uma parte muito bacana do filme, que seria uma espécie de aquecimento, e nesta etapa acontece de tudo um pouco: Ação, comédia e claro alguns mistérios que vão sendo colocados em seu caminho. Achei essa ponte do filme muito boa, a expectativa para a tal 74ª edição dos Jogos Vorazes te pega em cheio, e a ansiedade para ver o jogo mortífero só cresce.

A última parte do filme, eu diria que é uma parte muito, mas muito tensa! Quando a contagem regressiva para o inicio do jogo começa, sua ansiedade eleva, e se você acha que no decorrer do jogo vai ter tempo para tomar fôlego, está enganado!

O filme não chega a ser violento como Battle Royale – que inclusive muitos ficaram comparando – mas eu assisti Battle Royale, li os mangás e também assisti Jogos Vorazes, e acreditem, tirando o fato de que somente um pode sobreviver no termino do jogo, o resto achei muito original em Jogos Vorazes, pois você se convence com os argumentos do próprio filme que aquele maldito jogo existe e você está nele.

Sinceramente, não teve nada que eu não tenha gostado no filme, adorei a atuação dos atores, as cenas de drama e ação, e inclusive o lance da “câmera” eles fizeram algo parecido em Lost, com a câmera “tremendo”, achei que eleva a tensão.

Jogos vorazes é um ótimo filme, cumpre o papel de entretenimento. Não é o melhor filme que já assisti até hoje, mas tem potencial para se tornar uma trilogia bastante querida até mesmo para aqueles que não acompanharam a série nas páginas dos livros.

Fiquei realmente ansioso para ver a continuação, pois no final eu tive a sensação de que muita coisa ruim vai acontecer, e que finais felizes não existem em um universo controlado por pessoas excêntricas.

——————————————————————————————————————-

Título Original: The Hunger Games
Produtor: Color Force/Larger Than Life Productions/Lionsgate
Realizador: Gary Ross
Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Elizabeth Banks, Liam Hemsworth, Woody Harrelson
Gênero: Ação/Drama
Classificação: M/12
Origem: EUA
Duração: 142 min.