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20 anos de Genesis!

Opa, quase que essa data passa em branco! Mas deu tempo de dar um passeio na web e relembrar a época em que eu ia até a casa do meu único amigo que possuía um Genesis, desde seu lançamento, e jogávamos tardes inteiras com a galera em divertidas disputas multiplayer. Nesse post irei contar um pouco da história e curiosidades desse console que marcou a vida de muita gente. Vamos então acionar as areias do tempo e reviver as memórias do nosso querido console de 16-bit da Sega!

O console anterior da Sega, o Sega Master System (Mark III no Japão) não foi capaz de barrar o incrível sucesso que o Nintendo Entertainment System (Famicom no Japão) atingiu, com exceção de Europa, Austrália e Brasil. A Sega ponderou sua situação e percebeu que somente com um novo console, mais poderoso, poderia conseguir roubar um pouco da atenção que o NES possuía.
Nessa época, seu sistema de arcade, o System 16, fazia grande sucesso, e a Sega imaginou que se conseguisse trazer os títulos desse hardware de arcade para o mercado doméstico, poderia competir com mais força o império do NES.

A concepção do Mega Drive foi muito diferente da apresentada pelos consoles atuais. Em vez de usar novos chipsets, a Sega usou componentes que pudessem ser familiares uns com os outros. A CPU era o Motorola 68000, um chipset de 1979 que ainda hoje é utilizado em várias máquinas. O Zilog Z80, antes a CPU do Master System, tornou-se o processador sonoro do Mega Drive (e curiosamente, isso se repetiu depois, usando o 68000 como processador de som do Sega Saturn!). Outro processador, o TMS9918, do Master System, também foi utilizado no Mega Drive.

Com tal similaridade de arquitetura, foi natural que o Mega Drive fosse compatível com os jogos do Master System. E era natural que a Sega enganasse seus fãs, fazendo-os acreditar que o Sega Power Base Converter fosse o principal responsável pela capacidade do Mega Drive de rodar os jogos do Master System, quando na verdade era só um adaptador do slot de cartucho do Master System. Falando nisso, outro fato curioso é que o raro Phantasy Star MD, que obviamente só foi comercializado no Japão, era nada mais nada menos que o mesmo jogo do Master System, só que o cartucho dispunha de ROOM de boot extra para “forçar” o Mega Drive a inicializar no modo Master System.

Mas o nosso inestimável Mega Drive não foi o primeiro console de 16-bit. Essa marca pertence ao quase desconhecido (o quase é devido ao Virtual Console do Wii) PC Engine (TurboGrafx 16 nos Estados Unidos) da NEC, lançado um ano antes. O PC Engine já era bem popular na ocasião do lançamento do Mega Drive, e a Sega suou para vender cerca de 400, 000 consoles em seu primeiro ano. A operação americana da sega planejou lançar o console na terra do Tio Sam em Janeiro de 1989, mas disputas pelos direitos de usar o nome Mega Drive em território americano (o motivo da troca do nome original por Genesis) e um acordo frustrado de distribuição com a Atari atrasaram o lançamento, que só aconteceu em 14 de Agosto.

A Sega da America foi muito agressiva em termos de marketing com o Genesis. Suas campanhas exaltavam sua superioridade gráfica e sonora perante o NES, e é dessa época o famoso slogan “Sega does what Nintendon’t”. Embora o console recebesse grandes jogos como Michael Jackson’s Moonwalker, títulos esportivos do naipe de Joe Montana Football e Arnold Palmer Tournament Golf, entre outros, a matriz japonesa temia que o Genesis seguisse os insípidos passos do Master System. Eles deram como meta à filial americana a venda de um milhão de consoles nos seus primeiros 6 meses de vida, mas só metade disso foi vendida, o que resultou na troca no quadro de executivos da operação americana. O chefão Michael Katz foi embora, dando o lugar para Tom Kalinske em 1990. Já na Europa o Master System continuou bem, e até por isso o Mega Drive só foi lançado lá em Novembro de 1990, com grande sucesso.

Os primeiros sinais de desentendimento entre as operações japonesa e americana começaram depois de Kalinske propor quatro pontos focais de ação para o mercado americano em 1991. Ele queria corte de preços, um estúdio da Sega americano, expandir o marketing, e incluir o cartucho Sonic na caixa do console como brinde. Os japoneses não gostaram muito dos audaciosos planos de Kalinske, mas aprovaram a maioria das coisas. Sonic tornou-se um sucesso incrível, catapultando o Genesis para o primeiro lugar em vendas. O sucesso do jogo do Sonic pegou a Nintendo de calças curtas, pois realmente foi inesperado, e apressaram os planos da Big N de lançar o sucessor do NES, o Super Nintendo Entertainment System.

A Sega anunciou o lançamento japonês do acessório Mega CD em 1991, e o americano foi marcado para o ano seguinte. O Mega CD era a menina dos olhos da matriz japonesa. Eles juntaram forças com a (acreditem) Sony para desenvolver o acessório, deixando a filial americana e européia a ver navios, e as duas ignoradas começaram depois a trabalharem em seus próprios projetos.


O Mega CD potencializava os recursos de processamento gráfico e sonoro do Mega Drive, com uma poderosa CPU, mais RAM e mais espaço capacidade de armazenamento para os jogos graças à mídia CD-ROM. Jogos como Sonic CD, Final Fight CD, Snatcher, Lunar e Secret of Monkey Island se tornaram grandes sucessos, mas o preço elevado do acessório não colaborou para uma boa performance de vendas, atingindo cerca de 6 milhões de unidades, contra 29 milhões de Mega Drives vendidos, o que foi considerado um fracasso.

Em meados de 1992, a disputa com o Super NES era acirradíssima. E muitas third parties descontentes com o modelo de negócios da Nintendo desde a época do NES começaram a desenvolver também para o console da Sega, principalmente a Electronic Arts, lançando versões melhores de seus títulos no Genesis, e suas franquias esportivas cativaram os jogadores mais velhos.
A Nintendo lançou mão de suas poderosas franquias, com destaque para The Legend of Zelda: A Link to the Past, e agraciada com exclusividades de peso como Street Fighter II: The World Warrior, o principal responsável por enterrar o Mega Drive no Japão e fortalecer em níveis absurdos as vendas do Super NES na América e Europa.


A Sega contra-atacou com o sensacional Sonic The Hedgehog 2, que se tornaria então o jogo mais vendido do 16-bit negro. Ao final do ano, a Sega ainda tinha a maior parte do mercado americano e europeu, mas seu console já respirava em aparelhos no Japão, vítima das más decisões empresariais dos executivos japoneses, que inexplicavelmente não conseguiam acreditar que o seu console pudesse fazer sucesso mundo afora.

E a guerra de consoles acirrou-se ferozmente em 1993, com a diminuição das exclusividades da Nintendo, com jogos sendo desenvolvidos simultaneamente para os dois grandes consoles de 16-bit. Podíamos dizer que havia um empate técnico entre os dois sistemas, cada um com suas virtudes e defeitos. A discussão sobre a violência nos jogos começou a chamar a atenção de outras mídias, e jogos violentos e “realísticos” como Night Trap e Mortal Kombat chocavam a opinião pública. Tentando evitar isso, a Nintendo decidiu obrigar a Midway a retirar o conteúdo mais violento da versão Super NES de Mortal Kombat, enquanto a Sega pelo menos permitiu que esse conteúdo fosse liberado através de um código que era acionado no jogo. Deu certo demais para a Sega, que vendeu seis vezes mais cartuchos do jogo do que sua rival.

Com isso, novamente o cenário indicava uma melhora da posição da Sega, que lançaria no Natal Sonic 3, Aladdin e, finalmente, uma versão de Street Fighter II, a melhorada versão Championship Edition. Deu quase tudo certo, mas Sonic 3 foi adiado, e Nintendo conseguiu lançar a versão Turbo de Street Fighter II. Contudo, o destaque acabou sendo Aladdin, que teve inclusive um belo suporte de mídia por parte da Disney e manteve a Sega como líder.

E não perca amanhã a continuação dessa história!!!

Para ler a segunda parte deste artigo, clique aqui!


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Mauri Link

Um gamer inveterado desde a primeira geração de consoles, aficcionado por histórias em quadrinhos, nerd de carteirinha, e super-herói nas horas vagas!
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