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Review: Resident Evil 5 [X360]

Warning! Warning!
Risco de Spoiler! Se você é alérgico, não continue!

Após muito debate sobre um suposto caso de racismo e as diversas comparações com seu antecessor, Resident Evil 5 foi finalmente lançado. E já adianto: o jogo é lindo, os controles levam tempo pra acostumar e não, ele não supera Resident Evil 4.

Quer saber mais? Continue lendo.

Dados Técnicos
Plataforma analisada: Xbox 360
Players: 1-2 Jogadores (online e offline)
Multiplayer: Modo competitivo para até 4 jogadores
Desenvolvedora: Capcom
Distribuidora: Capcom
Lançamento: 13/Mar/2009

Vamos esclarecer a questão dos controles. A série Resident Evil sempre teve problemas nesse ponto: os jogos mais antigos possuíam uma jogabilidade meio truncada, que, aliada aos ângulos de câmera cinematográficos apenas contribuíam para aumentar a tensão. Em Resident Evil 4, o controle estilo tanque foi substituído por um que permite uma maior liberdade de movimentos, mas que ainda mantém a tensão por não termos uma visão geral do cenário. E RE5 reaproveita praticamente tudo desse jogo, por vezes sendo até chamado de RE4,5. Nome injusto, já que houve uma combinação das inovações do quarto capítulo com elementos clássicos de RE.

Voltando aos controles. Como disse lá no início: leva um tempo para se acostumar, mas quando se pega o jeito, ele se prova extremamente eficiente. O sistema de mira continua excelente e o controle de câmera me pareceu mais ágil. Em momento algum senti falta do “correr e atirar”, acho que me senti mais confortável com o controle de RE5 do que com o de Gears of War. Aliás, um comando de RE5 seria extremamente bem vindo em Gears: o Quick Turn, pressionando o Left Stick para trás e apertando A, o personagem dá um rápido giro de 180°. Muito útil para analisar o ambiente e ver de onde os inimigos chegam.

Os inimigos estão mais perigosos. No início do jogo enfrentamos apenas os Majinis (cidadãos comuns que estão infectados pelo parasita), os icônicos cachorros e um ou outro Majini mais forte. A cada capítulo, mais variações aparecem. É bacana de ver as mutações de cada um: ao derrotar certo inimigo, o parasita que vivia dentro dele se liberta, cria asas e te ataca; outro vira uma espécie de casulo, com uma casca impenetrável protegendo seu ponto fraco… Em certo momento, os Majinis estão armados até os dentes com metralhadoras, rifles e lança – mísseis. “P*TA QUE PARIU!” foi o que gritei quando me deparei com eles e com certeza você também irá gritar.

Não há somente variedade de inimigos: temos um vasto arsenal a nossa disposição, que vão desde a mais simples handgun até um inusitado arco e flecha. O sistema de upgrade de armas está de volta e adiciona uma pitada de estratégia no mata-mata: devo aumentar a quantidade de balas que cabem na arma para atirar sem parar ou aumentar o dano que elas fazem? Parece uma decisão simples, mas na prática isso faz uma diferença ao enfrentar um grupo grande de inimigos.

Para combinar com esse arsenal devemos ter um inventário grande para caber várias armas, munição e itens de cura, certo? Errado. Eliminando totalmente o ótimo inventário de RE4, a Capcom implantou um inventário em tempo real de apenas 9 slots. E sem a possibilidade de ampliar. Ao abrir o inventário o jogo não pausa e você pode ser atacado enquanto está distraído arrumando seus itens. Todo cuidado é pouco. Até na hora de pegar os itens: pois aquela erva que você deixou passar pode fazer falta mais a frente.

Os cenários também são bem diversificados. Passamos por uma pequena cidade africana, uma caverna, um deserto, um pântano, uma fábrica e até um laboratório secreto. Tudo extremamente detalhado e com uma iluminação de dar inveja a muitos jogos por aí. Nos poucos momentos tranqüilos do jogo, me peguei observando a paisagem e analisando o ambiente. Uma pena que a interação com o cenário é mínima. Mas, sem dúvida, RE5 possui um dos melhores gráficos do X360.

Queria poder dizer o mesmo da história. Totalmente clichê e com diálogos patéticos – após sofrer uma mutação, um dos personagens chega ao cúmulo de soltar a pérola “I just had an extreme makeover!”. Uma pena, pois apesar de oferecer novas informações sobre os acontecimentos anteriores da série, o jogo não faz muito esforço em benefício próprio. Apesar das cut-scenes serem lindas e muito bem dirigidas, elas não adicionam muita coisa a história. Os files achados durante o jogo se encarregam disso. A história é a mais superficial e sem inspiração possível. Não é preciso muito para adivinhar quem é aquela figura misteriosa de olhos vermelhos…

Mas vamos falar de algo que RE5 faz e muito bem: o modo cooperativo. É uma adição interessante, pois mesmo acrescentando ao valor replay do jogo acaba tirando um pouco daquela sensação de perigo iminente, já que seu parceiro(a) estará sempre pronto pra lhe ajudar. Mas apesar disso: o sistema é muito bem implantado. Não tive problema algum em jogar sozinho: a I.A. se virou muito bem nos ataques e sempre vinha me socorrer quando estava em perigo. Em alguns momentos, o jogo te obriga a se separar do seu companheiro. São poucos, mas bons momentos. Imagino porque a Capcom não insistiu um pouco mais nesse estilo, criando até uma fase inteira com Chris e Sheva separados.

O co-op offline ao invés de cortar a tela pela metade, reduz ambas as telas para não perder nenhum detalhe do jogo. É difícil de acostumar no início, mas agora fico torcendo para que esse modelo se torne padrão nos jogos. Mas apesar do modo cooperativo offline ser divertido (fui obrigado a pausar o jogo para rir, depois de meu irmão gritar para um inimigo “Seu africano duma figa, deixa munição pra mim!”) é no modo online e com tela cheia que ele brilha! Jogar com um amigo online é uma experiência única. As estratégias para matar os inimigos são diferentes, o gerenciamento dos itens ganhar maior atenção e sem contar no bate papo que rola durante as partidas…

Produção de primeira. A Capcom não poupou esforços em criar gráficos belíssimos, boas músicas e uma dublagem competente.

Infelizmente a história continua na linha Resident Evil de ser: previsível, cheia de clichês e com diálogos ruins.

Modo cooperativo bem construído, oferecendo partidas únicas para o jogador.

Os terríveis quick time events estão de volta, ainda que em menor quantidade.

Controles podem assustar no início, mas após pegar o jeito, sairá dando headshots facilmente.

O fator replay é o que manda aqui. Arrumar dinheiro para melhorar as armas e conseguir pontos para conseguir todos os colecionáveis vai tomar muito do seu tempo.

Duração do jogo não é das maiores, em 12 horas eu consegui finalizar no modo mais fácil. Isso sem me desviar da rota. Se for coletar tudo, pode adicionar umas 4-5 horas no total.

Finalizando…

Mesmo não sendo um jogo de survival horror, a essência desse tipo de jogo continua intacta em Resident Evil 5. É uma excelente combinação de survival horror com ação de primeira. Repleto de momentos eletrizantes e chefes memoráveis. O jogo vai ficar na bandeja do seu console por muito tempo.

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Theo Medeiros

Cinéfilo, gamer, adorador de música e entusiasta tecnológico. Acha que Nescau é melhor que Toddy e que bacon é a oitava maravilha do mundo.
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