Análise | Invincible VS
Disponível para PlayStation, Xbox & PC

Invincible VS foi lançado algumas semanas atrás, e dediquei meus dias a batalhar nesse brutal universo para trazer uma análise completa. O jogo está disponível no PlayStation 5, Xbox Series S e X, e também no PC via Steam. A edição que nos foi cedida pela N9NE Cats para review foi a do Xbox.
Invincible VS conta com vários modos de jogo, incluindo um cativante e cinematográfico modo História, com um enredo original de um dos roteiristas do desenho animado. No jogo, pode desbravar o modo Arcade e combater com a sua equipe, refinar seus combos no modo Treino e colocar suas habilidades à prova contra o mundo nos modos Multijogador Casual e Competitivo. Os fãs dos quadrinhos, da série e de jogos de luta vão poder vivenciar uma brutalidade heroica sem precedentes, na qual cada golpe potente vai fazer você se sentir… invencível.
Foi desenvolvido pela Quarter Up, que é um estúdio com sede em Los Angeles fundado por vários membros da equipe de desenvolvimento de Killer Instinct (2013). Publicado pela Skybound Games, este jogo de luta em equipe 3v3 se inspira na série animada Invincible (Invencível, no Brasil) e a leva para o território competitivo.
O Equilíbrio entre o Caos e a Técnica
O trunfo absoluto do jogo é o seu gameplay. A experiência é, em poucas palavras, fluida, rápida e caótica. Capturando bem a essência da série, as lutas são rápidas e viscerais.
Para quem, como eu, vem de um hábito de preferir jogos de luta 1×1, a mudança para um sistema de tag fighter (luta em 3×3) pode parecer intimidadora, mas o jogo é surpreendentemente acessível nesse aspecto.
Em sua essência, Invincible VS é construído em torno de um sistema de combos “bidirecional”. No papel, isso soa como uma simples mudança. Na prática, define tudo.
Quando você acerta um combo, não está apenas executando uma sequência. Você está entrando em uma conversa. O defensor não é passivo. Ele está lendo seus padrões, procurando uma chance de se libertar e tentando usar seu ímpeto contra você.

O jogo introduz mecânicas como tag-in, tag-out e counter breakers. Embora pareçam complexas, o jogo ensina o básico, porém não de uma forma tão eficiente. Existe uma clara separação entre novatos e veteranos.
Se você ignorar o tutorial e não dominar a quebra de combos, será punido. O jogo permite sequências que podem drenar toda a vida do seu personagem em um único erro de leitura, o que explica a frustração inicial e os rage quits observados durante a fase beta.
A boa notícia é que a curva de aprendizado é relativamente fácil, facilitando a entrada de jogadores casuais que realmente queiram dominar o jogo.
O design de combos em Invincible VS pode ser comparado ao de Killer Instinct por apresentar uma estrutura aberta que permite a extensão de sequências através de recursos específicos e um sistema de defesa reativo.
E existe um motivo para isso, pois alguns membros da equipe de desenvolvimento estiveram presentes na produção do Killer Instinct de Xbox One.
Assim como no citado Killer Instinct, o jogo permite que você encadeie golpes normais e especiais (como um soco seguido de uma magia e outro soco) de forma flexível.
O uso de recursos (meter) e a troca de personagens (assist) permitem contornar as limitações que normalmente encerrariam o combo, possibilitando sequências mais longas e estilosas.

A técnica mais marcante é a capacidade do jogador que está na defensiva de utilizar o seu parceiro de equipe para quebrar o combo adversário. Um combo breaker.
Isso cria um jogo mental onde quem está atacando precisa antecipar a tentativa de quebra do oponente, adicionando uma camada estratégica semelhante ao sistema clássico de Killer Instinct.
Conteúdo, Personagens e Longevidade
Ao adquirir o jogo, você terá acesso a um Modo História cinematográfico. Ele é fiel ao universo de Invencível, mas, honestamente, funciona como um aperitivo. O modo história, pilar central para muitos jogadores, é surpreendentemente curto — finalizado em meras 1 hora e 40 minutos.
Para um jogo comercializado como produto premium (com preços na faixa de US$ 50 a US$ 60), essa duração é, no mínimo, preocupante. O final abrupto em cliffhanger levanta uma sombra de dúvida: será que este é um jogo completo ou apenas um projeto fatiado para ser expandido via DLC?
As opções para um jogador são limitadas. Não há tutoriais aprofundados para guiar novos jogadores pelas complexidades do combate.
Os desafios de combos, um elemento básico de muitos jogos de luta modernos, são mínimos ou inexistentes. O modo de treinamento existe, mas não preenche completamente a lacuna para iniciantes.
O marketing vendeu o jogo como uma experiência sangrenta ao estilo Mortal Kombat, mas na prática, a violência é limitada a duas animações fixas (explosões ou decapitações) ao final das partidas, falhando em entregar a brutalidade dinâmica que a marca apresenta em suas outras mídias.
O design da interface e a apresentação visual são bem feitos, combinando os visuais dos quadrinhos e da animação de forma moderna e atraente, trazendo uma certa familiaridade bem encaixada.
A música do jogo, especialmente o tema da tela de seleção, é um trabalho de alta qualidade que prende a atenção do jogador. Já a dublagem sente falta da maioria do elenco original, mas no geral até que se sai bem ao imitar timbres e jeito de falar.
O elenco de 18 personagens é uma base sólida para o lançamento, mas poderia ser melhor realizada. A variedade de arquétipos é interessante — cobrindo de zoners a personagens com armadura.
No entanto, o balanceamento é um ponto crítico: no meta atual, personagens de alta mobilidade, especialmente os Viltrumitas (como Omni-Man), têm uma vantagem competitiva clara devido ao dash aéreo e ao potencial de mix-ups. Senti falta de nomes icônicos como Thragg ou Oliver, que adoraria ver em futuras atualizações.

O elenco é majoritariamente composto por Viltrumitas, tornando as partidas visualmente e mecanicamente semelhantes após pouco tempo de jogo. Personagens como Cecil e Robot são exemplos por oferecerem gameplay diferenciado, fugindo da repetição dos lutadores focados puramente em combate corpo a corpo “tipo” Superman.
Conexão é Tudo
A experiência online é o coração de um fighting game. O netcode funciona bem, mas com uma ressalva vital: utilize conexão cabeada. Jogar no Wi-Fi torna a partida instável, transformando o que deveria ser um duelo de precisão em um slide de PowerPoint insuportável.
Futuros updates, no entanto, devem solucionar isso. Também há aqui o necessário crossplay, vital para que o jogo não “morra” em consoles como o Xbox por falta de players online. Mesmo no lançamentos, em alguns momentos eu senti uma certa demora em encontrar adversários, imagino como seria sem esse cross-play…

E isso nos leva a um outro problema não só desse jogo, mas o cenário de games de luta atuais, o infame rage-quitting (desistir da partida ao estar perdendo). Ao desconectar a partida para evitar a derrota, o jogador se priva da oportunidade de aprender e melhorar.
Além de frustrante, o comportamento desses jogadores prejudica a experiência de quem busca partidas saudáveis, transformando o ato de jogar online em uma sequência de frustrações.
Veredito Final: Vale a Pena?
É um jogo de luta mecanicamente rico e profundamente envolvente que captura a intensidade do material original, ao mesmo tempo que cria uma identidade própria. Seu sistema de combos bidirecional e mecânicas de troca de personagens criam batalhas dinâmicas e em constante evolução, que recompensa habilidade e percepção.
No entanto, seu foco no jogo competitivo deixa a experiência para um jogador um tanto superficial, e os novatos podem ter dificuldades sem ferramentas de integração mais robustas.
Ainda assim, para aqueles dispostos a se familiarizar com seus sistemas, oferece uma das bases mais satisfatórias para um jogo de luta nos últimos anos, e se você gosta desse universo, é bem provável que goste do título como eu.
Galeria
Dando nota
Sólido sistema de combate, porém com certa curva de aprendizado - 9
Visuais bem feitos e de acordo com o material de origem - 9
O modo single player é um pouco vazio e limitado - 7
Como boa parte dos jogos atuais de luta, o conteúdo virá ainda em temporadas. - 7
Os personagens ainda são muito parecidos em arquétipos em sua maioria. - 7.5
O modo online funciona bem na maioria do tempo - 9
8.1
Quase Invencível
Invincible VS é um jogo de luta 3v3 com revezamento ambientado no universo de Invencível, permitindo lutar até a morte com seus personagens favoritos em locais clássicos da franquia.



