JogandoReflexões & Opiniões

Perturbação na Força eu sinto

Polêmica no fórum oficial do Star Wars: The Old Republic, futuro lançamento da Bioware. Tudo começou com tópicos discutindo sobre como o sistema do jogo iria lidar com a criação de personagens gays e conseqüentemente, com o relacionamento desses personagens. Mais rápido do que uma bala e com a sutilidade de um elefante, o moderador Sean Dahlberg, trancou os tópicos. Dezenas de outros tópicos surgiram reclamando da decisão, também foram rapidamente trancados e termos como gay, lésbica e bissexual foram inseridos no filtro de palavras ofensivas do fórum. 

Ao ser novamente criticado pelos usuários, Sean Dahlberg, piorou a situação dizendo que “Esses termos não existem no universo de Star Wars.”. Tecnicamente ele está correto, pois os termos gay, lésbica e bissexual, nunca foram utilizados no universo de Star Wars, mas isso não significa que não existam personagens gays na série: Juhani, do primeiro Knight Of The Old Republic, não escondia sua preferência por mulheres; Goran Beviin, um dos melhores tenentes do exército de Boba Fett, tinha uma relação com o ferreiro Medrit Vasur e chegaram até a adotar uma filha. 

Nem é preciso dizer que por conta de toda a polêmica, Sean Dahlberg voltou atrás e pediu desculpas publicamente. Ele fez até uma revisão no filtro de palavras ofensivas do fórum, mas fica a impressão de apenas estarem tentando apaziguar a situação. 

Essa não é a primeira vez que grandes empresas de games entram em conflito com os ‘gaymers’. Em 2006, a Blizzard ameçou expulsar uma jogadora de World Of Warcraft por estar divulgando o seu clã ‘simpatizante’. No início do ano a Microsoft foi notícia por banir a gamertag de uma jogadora que dizia ser gay no perfil. Ambos os casos terminaram com pedidos de desculpas e a promessa de serem mais cuidadosos com essas situações. Aliás, nem precisamos ir tão longe, o Wii Brasil publicou um artigo sobre os gaymers este ano que gerou uma discussão acalorada sobre o tema. 

Não dá para dizer que é um assunto fácil e que será resolvido com um pedido de desculpas e promessas de melhorias, quando o problema do preconceito não está totalmente na indústria de games (jogos como The Sims e Fable estão aí para provar isso), mas sim em grande parte no hábito dos jogadores. Deve-se discutir abertamente o tema, sem criar tabus e desencorajando qualquer ato de preconceito. Pois assim como no mundo real, “they’re here and they’re queer”.

Isso também pode lhe interessar

Theo Medeiros

Cinéfilo, gamer, adorador de música e entusiasta tecnológico. Acha que Nescau é melhor que Toddy e que bacon é a oitava maravilha do mundo.
Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Dê uma ajuda ao site simplesmente desabilitando seu Adblock para nosso endereço.