Reflexão | Nem todo internauta é picareta! (Brasil)

Não é fácil começar uma discussão sobre um tema assim. O motivo de estar escrevendo esse post é devido a uma declaração feita por um editor da Panini ao site Omelete. Caso você não saiba, a Panini anunciou mudanças na linha editorial de suas revistas Marvel e DC no Brasil e praticamente todo mundo na internet brasileira criticou.

Mas quem é todo mundo? Vamos ver: Nós aqui do Portallos, aqui e aqui, o jornalista Paulo Ramos do Blog dos Quadrinhos, o jornalista Eduardo Nasi do Universo HQ, a jornalista Sandra Monte do Papo de Budega e vale mencionar também toda legião de leitores de quadrinhos que participam do Forum Panini e do Forum Multiverso. Estes foram os principais que vi logo após o anúncio da Panini, mas certamente deve haver mais links.

E o site Omelete, conseguiu uma entrevista com Helcio de Carvalho, editor da Panini  Comics Brasil (por tabela pela a Mythos Editora), onde o editor explica as decisões em torno da mudança editorial das revistas no Brasil. Até aí tudo bem, o problema vem quando Helcio afirma o seguinte, a respeito das críticas negativas sobre a mudança pela internet:

É interessante perceber que a grande maioria dos leitores que vão a um site comentar algo sobre quadrinhos (como aconteceu em relação à divulgação das mudanças editoriais da Panini) são leitores de scans e afirmam que já não leem HQs impressas!

Isso me revoltou. Essa taxação de que o internauta brasileiro é picareta, que só suga as coisas da internet, não consume produtos originais e ainda só presta para reclamar e causar tumulto pela rede é absurda. Ridicularizar o internauta, para que as reclamações pela internet passem a valer menos é sacanagem.

Conheço muita gente que lê scans de mangás e HQs, assiste séries americanas pelo computador, baixa mp3 etc e ainda assim consomem produtos originais. Eu mesmo, acompanho Naruto e Bleach semanalmente pela internet e ainda assim faço questão de comprar todo mês os volumes da Panini nas bancas. Os quadrinhos da Buffy que chegaram ao Brasil com um atraso de anos, comprei tudo, mesmo tendo lido o material a muito tempo atrás. Tenho um armário cheio de DVDs originais, outro de quadrinhos e até mesmo algumas prateleiras de games originais. E uso e abuso da internet e só por isso a minha opinião, declarada aqui não tem peso algum?

Me pergunto então quem a Panini escuta. Os leitores que mandam cartas pelos Correios? Um sistema tão ultrapassado e velho. Só quem se dá o trabalho disso é que pode ser ouvido?

O que me enfurece é saber que não é só a Panini que pensa assim. Obviamente outras empresas, como as que distribuem DVD aqui no país, não dão a mínima para o que as pessoas falam sobre seus produtos na internet. Basta ver o Blog do Jotacê, que manda ver mesmo nas críticas e campanhas para melhoria do mercado por aqui, e o mercado continua ruim, sem que as empresas se toquem que os produtos são mesmo ruins.

A internet que deveria ser um canal rápido e prático para as empresas escutarem os consumidores nunca terá essa eficácia, enquanto continuar esse preconceito contra o internauta.

Não estou dizendo que realmente não há um certo problema com a internet, com conteúdo ilegal e que muita gente não consome mesmo produtos originais. Mas generalizar isso é errado. A cada dia que passa a internet fica mais acessível a todos. Até quando essa desculpa vai colar?

Alguns dias atrás eu recebi no e-mail do Portallos, um link (este aqui) para divulgar aqui, relacionada a uma campanha pela internet voltada a diminuição de impostos no mercado de videogames. Não divulguei, porque já mexi com isso anos atrás e cheguei à conclusão que estas iniciativas pela internet simplesmente não levam a lugar algum. Ninguém importante se preocupa com isso, não levam fé, não acreditam nos internautas. ou seja, pode ser um sucesso na internet pelos internautas, mas as pessoas importantes que precisam apoiar algo assim, simplesmente ignoram. O governo não dá a mínima para o que acontece na internet, as empresas privadas muito menos. Cheguei a conclusão que campanhas e iniciativas assim só funcionam no plano físico. No virtual, as pessoas acham que só os picaretas ou menores de idade participam e por isso não dá para levar a sério.

Sei que essa discussão não existe apenas no Brasil. Mas aqui a coisa é realmente nojenta. Internauta brasileiro não é esse “safado baixador de conteúdo ilegal” que as empresas pensam. Hoje em dia, há muitos que usufruem desse sistema que a internet oferece, mas também há muito os que apoiam e querem ver os produtos originais e de qualidades. Principalmente a comunidade colecionadora, que não é nem um pouco pequena.

Acorda Brasil!

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