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Imaginários Volume 2: Draco traz lobisomens e zumbis para dar uma folguinha aos alienígenas! [Livro]

Estou de volta para falar da coleção Imaginários! Mês passado eu fiz um post sobre o primeiro volume desta coletânea lançada pela Editora Draco, neste post mais antigo nós tivemos, ontem inclusive, a participação da Ana Lúcia Merege, autora de um dos contos,  participação que me deixou muito feliz. E para quem ainda não sabe o que é a coleção Imaginários, ou não viu o primeiro post, trata-se de um projeto da Editora Draco com objetivo promover a literatura fantástica nacional e descobrir novos autores deste gênero que é muito adorado pelos brasileiros. Mas quando se fala de autores nacionais ainda há um certo preconceito por aqui. Mas o papo de hoje é sobre o volume 2, que com um certo atraso, finalmente chegou aqui em casa.

Então arrume as malas e fuja para as colinas, porque você entrará em um mundo infestado de zumbis comedores de cérebros, um mundo onde lobisomens sanguinários andam a sua procura, profecias podem se tornar realidade e as casas podem chegar às colinas primeiro que você!

Este post não contém spoilers. Você pode prosseguir.

Bom, a estrutura segue a mesma linha do primeiro volume, os livros inclusive foram lançados simultaneamente no final do ano passado e não teria porque haver diferenças quanto a isso. Tanto que o ilustrador continua sendo o Roko, que está fazendo um belo trabalho nesse projeto. A primeira diferença que notei no interior do livro foi a redução do número de contos, no volume anterior eram 11 quanto que neste temos 9 contos apenas. Mesmo assim o livro mantem praticamente o mesmo número de páginas, o que podemos concluir que os contos estão um pouco maiores se comparados ao primeiro volume.

Outra mudança interessante é a presença de autores portugueses na coleção e a manutenção do português de Portugal. Logo no inicio há uma nota informando que o português foi mantido para se preservar a obra dos autores. São quatro autores portugueses: João Barreiros, Jorge Candeias, Sacha Ramos e Luís Filipe Silva. Ainda em relação aos autores temos também contos produzidos pelos próprios organizadores destas coletâneas, são eles: Tibor Moricz, Eric Novello e Saint-Clair Stockler.

Como são vários contos para comentar eu resolvi adotar o seguinte método: Primeiro um breve resumo sobre a obra depois a minha opinião a respeito. Então vamos lá!

Se acordar antes de morrer – João Barreiros

Um androide funcionário de um Shopping Center, após um logo período “adormecido”, é reativado na véspera do natal para distribuir presentes e amostras grátis nas casas dos clientes. Seria uma tarefa fácil se não fosse pelo cenário apocalíptico em que a cidade se encontra, nada menos que uma infestação de zumbis sedentos por “mi…o…los”!

Uma ótima história para abrir a coleção! Uma boa mistura de ficção científica e humor, por sinal é mistura que eu mais gosto em livros. O que me incomodou foi somente o português de Portugal. Nada contra o idioma, mas em alguns momentos tive que parar um pouco para entender alguns termos. Também fiquei na expectativa por um final surpreendente, mas, infelizmente, o autor preferiu concluir com o mais óbvio. Mesmo assim a história vale muito a pena, é engraçado ver androide em meio aos zumbis sem a menor ideia do que está acontecendo.

Às vezes eu os vejo – Saint-Clair Stockler

Uma garota de uma cidade pequena do interior é única capaz de enxergar seres estranhos, que eventualmente aparecem pela região. Mas Eles não demostram menor sinal de que notam a presença dela. A origem desses seres é rondada de mistérios. Eles seriam espíritos, alienígenas ou elfos?

A história começou e se desenvolveu muito bem, mas infelizmente a conclusão ficou a desejar. Deste também eu esperava por um final melhor. Senti que o autor se perdeu um pouco se prendendo a questões que não eram tão importantes ou que não eram necessárias em um conto curto. Mesmo assim ponto positivo pela ambientação e pela caracterização dos personagens e pelo suspense criado ao longo da trama.

Flor do Trovão – Jorge Candeias

Nesse conto você irá conhecer os tuu, uma raça que vive cercada pelas montanhas e por perigosos predadores. E, segundo uma antiga profecia tuu, uma fêmea da raça nascerá entre trovões e relâmpagos e terá uma vida abençoada pelas deusas. Esta mesma fêmea, ainda segundo a profecia, guiará os tuu para fora das montanhas. É chegado do dia em que nasce Ela, Aquela que Sai: Flor de Trovão!

Bom, confesso que no início da história fiquei um pouco “voando” em meio a tantos tuus, koos e tnees. Mas passado o início a leitura correu tranquila. O autor ficou devendo um pouco mais de descrição em alguns pontos do conto, principalmente em relação ao ambiente. O que mais achei interessante nesse conto foi a mensagem que ele trás. Uma crítica a como as pessoas se tornam acomodadas quando tem um “super-herói” para defendê-las, e depositam todas as suas esperanças e responsabilidades nos ombros do tal messias. Um grande destaque da coletânea, com um final que me agradou muito. Quando pensei que caminhava para o obvio, Jorge Candeias virou para mim e disse “Rá! Pegadinha do malandro!”. 😀

O cheiro do suor – Eric Novello

White é um lobisomem meio perturbado das ideias que está sempre bêbado e vive a margem da sociedade e anda encrencado com os policiais. Para que a policia saia de sua cola, ele aceita fazer alguns “servicinhos” como mercenário para Noel, um policial adúltero e irmão do único amigo de White.

Um dos contos mais intensos e mais envolventes da coleção. A narração é toda em primeira pessoa. Então temos todos os sentimentos do anti-herói como se fossem nossos. Um ótimo conto de fantasia com uma ambientação sombria, que dá todo um estilo de filme policial antigo. Confesso que no início fiquei meio “boiando” sem saber do que se tratava direito, até porque não esperava uma história de lobisomem, mas do meio em diante fiquei preso a cada palavra da história. Mais um conto que eu destacaria como um dos melhores.

[Crédito pela imagem: Woxys]

O toque invisível – Alexandre Heredia

Uma grande companhia tem seu sistema invadido e isso provoca grandes prejuízos. Uma Durante reunião que é convocada para se discutir o assunto, um analista resolve explicar o que aconteceu. Ele havia criado Phoebe, um programa dotado de Inteligência Artificial que se tornou autossuficiente e acabou fugindo do controle de seu criador.

Bom, história de supermáquinas que tomam o controle de nossa sociedade não é algo novo. Mas essa história é muito boa, não tem aqueles exageros todos que acontecem no cinema. Foi um dos contos que mais gostei da coleção. E creio que para quem também gosta de ficção científica e informática essa história será um prato cheio. São mencionados até alguns princípios de IA. Mas apesar da linguagem técnica o texto é autoexplicativo, creio que seja de fácil entendimento para qualquer um. O título é referência a música abaixo, fez bastante sucesso nos anos 80.

Genesis – Invisible Touch:

A casa de um homem – Luís Filipe Silva

Em um futuro macabro os países são dominados por nazistas, a decadência social é extrema e as casas são capazes de se moverem e possuem inteligência artificial. É nesse triste cenário que Samuel tem a sua casa roubada e fará de tudo para recupera-la e manter viva a memória de sua família.

Mais uma história com narração em primeira pessoa, que por sinal é a que eu mais gosto. Mas o destaque desta obra ficou sendo a ambientação. O final também foi muito bom, com certa dose de ação e uma bela mensagem de reflexão. A única coisa que me incomodou um pouco nessa leitura foi o português de Portugal bastante carregado do autor. Foi o único conto em que isso me incomodou de verdade, mas mesmo assim isso não diminui a qualidade da história.

A Rosa Negra – Sacha Ramos

Djogo é um jovem português que, após a morte de seu avô, se ver forçado a cuidar dos negócios da família. Mas Djogo não queria seguir os mesmos passos do avô, o seu verdadeiro desejo era ir embora para o Brasil e reencontrar sua antiga namorada Vera. O problema é que sua mãe sempre foi contra esse namoro e é capaz de muita coisa para manter o filho longe da brasileira. O pior é que parece que a sanidade da sogra não tá lá essas coisas.

Pode não parecer logo de cara, mas este é um conto de ficção científica. A história começou muito bem, até o meio da trama estava com um ritmo muito bom. Mas nos momentos finais eu fiquei com a sensação de que os acontecimentos foram muito acelerados, e a conclusão ficou um pouco apressada. Não sei se esse conto teve que ser adaptado para fazer parte da coleção, mas foi com essa sensação que eu fiquei. Mesmo assim o conto é recheado de emoção e grande revelações.

[Crédito pela imagem: erlondeiel]

Eu te amo, papai – Tibor Moriez

Em um futuro sombrio as crianças são confinadas desde o nascimento em uma espécie de casulo, desta forma elas são exploradas sem nenhum ressentimento para geração de energia. Era um método que funcionava há bastante tempo, mas um dos moleques enclausurados liderou uma rebelião com consequências apocalíptica com um único objetivo: a busca pelo amor paterno.

A história mais curta da coleção. Quando terminei de ler fiquei com uma pena por ter terminado porque a história estava realmente boa. Apesar de curta também é um dos destaques deste volume. A narração não deixou a desejar em nenhum momento, começou bem, desenrolou tão bem quanto e o final foi muito surpreendente.

Uma questão de língua – André Carneiro

Um homem especialista em se tornar invisível para os outros planeja como conquistar sua misteriosa vizinha que é obcecada por livros raros. Além disso, a casa da vizinha guarda um mistério em um túnel que desperta curiosidade de muita gente.

André Carneiro já é um autor de ficção mais conhecido não só aqui no Brasil, mas em muitos países. Por conta disso eu esperava um conto dele fosse muito melhor. Em alguns pontos a narrativa ficou meio tediosa.

Finalizando:

O que eu pude perceber nesse segundo volume é que ele acabou sendo um complemento do volume anterior. Houve uma tentativa para manter uma diversidade nas histórias destes dois primeiros volumes. No volume 1 tivemos mais histórias de ficção científica, principalmente com alienígenas. Enquanto que neste volume 2 predominou as histórias de fantasia e suspense. Por conta disse eu gostei de ter lido mais o primeiro volume, já que ficção científica me agrada mais, não só por isso, o conjunto das obras selecionadas também me pareceu melhor. No entanto destaco quatro obras deste volume: “Se acordar antes de morrer”, “O toque invisível”, “O cheiro de suor” e “Eu te amo, papai”.

O que muita gente tem reclamado (eu concordo) dessa série da Draco é o preço dos livros. Cada um está custando em média vinte reais, um pouco menos até. Logo no lançamento havia uma promoção para se pegar os dois primeiros volumes juntos. Saia mais em conta, mas infelizmente não existe mais isso, pelo menos eu não encontrei em lugar nenhum. Ainda assim a Draco está de parabéns pela qualidade dos contos apresentados. Mesmo sendo uma editora nova, está fazendo um trabalho de qualidade que não é feito por muitas outras que estão no mercado há mais tempo. A coleção Imaginário vale a leitura e a releitura pela qualidade de muitos contos selecionados!

No site da editora tem uma lisa completa dos locais onde você pode conseguir um exemplar da coleção. É baratinho e vale muito a pena. Estou aguardando o volume 3 chegar aqui em casa. E assim que chegar será mais uma presença certa aqui no Portallos. 😉

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