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Cinema: Tropa de Elite 2: O inimigo agora é outro! Vocês adivinham quem é? [Eu Fui!]

Tropa de Elite 2: O inimigo agora é outro

Que emoção, esse é o meu primeiro “Eu Fui” aqui no Portallos, como material de experimentos (eu mesmo me assumi assim quando resolvi me converter em blogueiro) me sinto no dever de me arriscar em todas as áreas do blog, menos com seriados, por enquanto. Noite de sábado lá fui eu ao shopping, lugar odioso, (pior que shopping, só loja de roupas), lá se encontra o cinema mais próximo da minha casa, vou andando e não gasto nem meia hora, e o filme era mais do que motivo suficiente para estar lá.

Bem, por onde eu começo? Eu não tenho tantas lembranças da história do primeiro Tropa de Elite, confesso que assisti meio que superficialmente, então tudo de que me lembro é do Capitão  Nascimento (Wagner Moura) estapeando traficantes, treinando os aspirantes a tropa do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e os bordões que o personagem emplacou sem muita dificuldade. Porém desta vez, a história era diferente, se na primeira vez assisti sem muito compromisso no conforto de casa, desta vez fui ao cinema disposto a entender a sequência de cabo a rabo, até porque gastar dinheiro para dormir no cinema é coisa de maluco.

Ao final do filme, não foi difícil concluir, fazia muito tempo que eu não gastava tão bem o meu dinheiro no cinema, depois do continue eu digo porque.

Aviso: Para quem é alérgico a spoilers, sugiro que assista ao filme antes, do contrário passe longe, revelações sobre o enredo se encontram logo abaixo.

Roberto Nascimento (Wagner Moura)

Tropa de Elite 2 nos apresenta o capitão Nascimento agora como comandante geral do BOPE, logo depois assumindo o cargo de subsecretário de inteligência do Rio de Janeiro na secretaria de segurança, atuando nos bastidores, sendo um dos membros do sistema, Nascimento revitaliza o batalhão, passando a combater o tráfico de drogas e a violência nas favelas de forma mais efetiva, porém mal sabe ele, que sua ascensão ao cargo, não passa de puro interesse político, numa jogada arriscada, um grupo seleto de políticos e policiais corruptos descobre que extorquir a população em troca de proteção é mais rentável que extorquir traficantes, agora, as milícias a mando dos corruptos passam a usar de violência excessiva e desnecessária contra a população, e isso inclui os próprios traficantes também, por incrível que possa parecer para  quem não conhece o filme ou só viu o primeiro, em Tropa de Elite 2 você verá que traficantes também podem ser inocentes, basta que o sistema  esteja podre (só lembrando que o uso da palavra “sistema” aqui é usada como referência aos nossos políticos, nossos governantes, enfim, todos aqueles acolhidos e protegidos pelo nosso vasto histórico de corrupção).

Aos poucos, o ex-capitão do BOPE descobre que agora está rodeado por inimigos ainda mais perigosos que qualquer outro que já tenha enfrentado, como se não bastasse, seu estresse continua em alta, e em meio a isso, o personagem vai se deparar com o drama de ver que não só ele, mas seus amigos e família, pouco a pouco vão sendo envolvidos pela violência promovida pelos corruptos, agora o inimigo é outro.

Nascimento agora é subsecretário de inteligencia

Eu posso estar enganado, mas a maioria do pessoal que foi ao cinema esperava ver um capitão Nascimento igual ao que nos foi apresentado no filme anterior, o tipo que não teme bandido algum, bate de frente não importando a situação, e de certa forma ele ainda é assim, mas nesta sequência, diria que a retratação do lado humano do policial foi o foco, se no primeiro filme o capitão parecia inatingível, neste descobrimos que ele também é de carne e osso. É notável a diferença, Nascimento está mais apático, tem olheiras, cabelos brancos, todo aquele estresse e dedicação a profissão que o personagem demonstrava no filme anterior resultou nisso.  Neste ponto nada mais justo que enaltecer a atuação de Wagner Moura, que ganhou a simpatia de muitos com personagens carismáticos em filmes tanto de humor quanto de drama, excelente atuação, impressionante o amadurecimento do personagem e também da história, Tropa de Elite  2 não é um filme simplesmente para mostrar a violência em sua forma mais impactante, o filme não se resume mais a tiroteios ou os duros treinamentos dos aspirantes ao BOPE, tão pouco você verá os velhos bordões do capitão Nascimento sendo repetidos a torto e a direito.

Nascimento agora é pai, não está mais nas ruas correndo atrás de traficantes, não é mais encarregado de treinar recrutas para o batalhão. A trama explora o relacionamento difícil dele com seu filho e a ex-esposa, que agora está casada com o perito em direitos humanos Fraga (Irandhir Santos) que no decorrer da história se torna deputado e sem saber acaba manipulado pelos corruptos, ficando a favor das milícias e contra o batalhão do BOPE, uma queda de braço entre os personagens ocorre até que finalmente descobrem o que realmente está acontecendo.

Fraga

Cenas estarrecedoras, personagens  sem escrúpulos, nada disso poderia faltar, porém Tropa de Elite 2  trata tudo isso de forma mais séria desta vez, e eu adorei isso, mostra o quanto essa história amadureceu.

E falando tanto do amadurecimento que o filme sofreu, até parece que ele perdeu totalmente seu lado cômico, o que não é verdade, o diretor José Padilha conseguiu mais uma vez mesclar momentos chocantes com humor, ostentando na maioria das vezes o sarcasmo dos personagens, isso sem mencionar os jargões e palavrões que volta e meia, inevitavelmente te arrancam risadas. E por falar em risadas, outro ator que está esplêndido como sempre é André Mattos como Fortunato, o apresentador de um programa policial que também está envolvido no esquema das milícias, ficaram muito engraçadas as sátiras a esses programas policiais que de uma hora para outra tomaram um espaço e tanto na programação da TV aberta. Ainda arranjo espaço para lembrar do Seu Jorge, que apareceu apenas durante o início do filme, mas como sempre atuou de forma maravilhosa, entrando de corpo e alma no personagem, ri demais com a piada do porco: “Vocês o engordaram, agora nós vamos assar.” XD

André Mattos

Uma das questões que me veio a cabeça após o filme foi: Será ele é de fato um tapa na cara dos nossos governantes? Ele foi feito com esse propósito? Talvez, muitos deputados se incomodaram quando descobriram o teor do roteiro, a título de curiosidade, dias  atrás eu estava vendo o programa do Lobão na MTV (Lobotomia) e ele estava entrevistando exatamente o José Padilha, logo no começo da entrevista Lobão perguntou a ele se era grande o número de deputados se queixando em relação ao filme, a resposta foi: “Na verdade, é impressionante o número de deputados que ligam para saber se estão no filme.”

Cheguei a rir quando ouvi isso, ponto para o diretor, pelo poder deste filme em ao menos cutucar onde mais dói e chamar a atenção dos representantes deste verdadeiro circo chamado política, só é uma pena que formas de protesto como este filme muitas vezes não sejam levadas a sério como deveriam pelo público. A história demonstra de forma bem nítida que todo o transtorno pelo qual a nossa sociedade passa é (em sua maior parte) de responsabilidade dos nossos governantes e sua omissão em relação a segurança publica, educação e mais outros fatores que estão sempre entrelaçados, em uma outra entrevista, Padilha revelou que gostaria que o filme provocasse uma discussão sobre segurança no país, segundo ele, é um dos pontos no qual nenhum dos candidatos a presidência até então se aprofundou nestas eleições.

Matias

Não sei dizer se o filme causará esse efeito, mas é impossível não parar para ponderar sobre o assunto, o esforço de Nascimento durante o filme para punir os verdadeiros culpados é em vão e não é ao mesmo tempo. O filme termina de tal forma que você chega a conclusão de que não há jeito, não há fim neste abismo chamado corrupção, a trama nos mostra como o sistema é capaz de manipular tanto a população quanto seus policiais em prol de interesses próprios, as eleições são usadas como principal exemplo. Nesta hora me questionei novamente, somos peças, joguetes dos políticos? Porque não há um no qual você possa dizer que confia 100% , estamos num mato sem cachorro,  a cada 4 anos, saímos as ruas para  votar e tentar descobrir quem é o menos pior do horário eleitoral, até mesmo a frase “vote consciente” parece perder totalmente o seu sentido, o seu propósito diante da  situação que o filme nos apresenta, como se até mesmo o ato de ir as urnas e expressar a sua opinião através do voto fosse tão inútil quanto ficar de braços cruzados.

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E por fim o destino do protagonista termina em aberto, achei o filme tão bem pensado que não sei o que poderia render uma sequência. Durante os créditos finais, lembrei das palavras iniciais antes de Tropa de Elite 2 começar: “Este filme contém situações fictícias. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.”

Será mesmo?

Tropa 2

Ficha técnica:
Título original: Tropa de Elite 2: O inimigo agora é outro
Diretor: José Padilha
Roteiro: José Padilha e Bráulio Mantovani
Gênero: Ação/Ficção/Suspense
Elenco: Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro, Redro Van-Held, Maria Ribeiro, Sandro Rocha, Milhem Cortaz, Tainá Muller, Seu Jorge e André Mattos.
Estréia nacional: 08/10/2010

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K o n S a m a

Do ser sem razão a essa explosão de emoção, do preguiçoso leitor ao (meia-boca) escritor, do tímido calado ao ator inquieto, do caminho já traçado à esquina do destino incerto. Tentei me definir, mas sem sucesso. Games, filmes, música, animes, são só o começo desse quebra-cabeça sem nexo.
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