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Retratos da Segunda Guerra Mundial | O Diário De Anne Frank! (Impressões)

Publicado pela primeira vez no ano de 1947, o livro O Diário de Anne Frank é resultado dos esforços de pessoas que sobreviveram a uma entre tantas histórias do Holocausto.

Aviso: Para quem é alérgico a spoilers, sugiro que assista aos filmes  ou leia o livro antes, do contrário passe longe, se por ventura do destino você estiver lendo a obra neste momento, passe longe também, pequenas revelações sobre o enredo se encontram logo abaixo, não que isso venha a  desestimulá-lo a continuar o livro, mas fica a dica.

A história se passa durante a Segunda Guerra Mundial, mais precisamente na Holanda em 1942, onde as tropas nazistas sob o comando de Hitler acabam de ocupar o país. Crianças judias são obrigadas a deixar suas antigas escolas, passando a frequentar escolas onde só há judeus, famílias, uma após a outra passam a ser convocadas aos campos de concentração, é em meio a esse cenário que somos apresentados a Annelisse Maria Frank, conhecida carinhosamente por Anne Frank, recém aniversariante, ela acaba de fazer 13 anos e ganha um bonito diário, o qual da o nome de Kitty. A garota judia, a princípio mimada porém muito inteligente, cercada de admiradores, cheia de sonhos, entrando ainda na adolescência, vê o mundo ao seu redor se transformar por completo quando sua irmã mais velha é convocada pelo regime nazista. Sem outra saída toda a família se muda as pressas para “O Anexo Secreto” (assim citado por ela, frequentemente no diário), uma relação de dormitórios estrategicamente escondida logo acima do escritório da pequena empresa, cujo o pai da fámilia é dono.

Com a ajuda de seus funcionários de confiança, os Frank se escondem no anexo com esperanças de sair um dia, quando a guerra acabar.  Dentro do anexo a menina passa a escrever no diário tudo o que se passa, “Querida Kitty” é como sempre começam seus textos, o dia a dia não é fácil, a quase escassez de comida, poucas opções para tratar da higiene pessoal e a vinda de novos moradores, por vezes causam mal estar e discussões entre todos no esconderijo.

A medida em que Anne escreve, percebe-se nitidamente que a guerra vai tirando pouco a pouco o que restara de sua inocência. Ela demonstra isso dia após dia, a cada texto escrito em seu diário. Há passagens muito marcantes no livro, como quando ela descreve o medo que percorria a alma ao acordar de madrugada com o som dos bombardeios, o mesmo medo que era constante durante o dia, quando nenhum dos membros do anexo podia fazer barulho, limitados a se locomover silenciosamente mesmo escondidos, os textos onde ela se auto analisa, comparando aspectos da sua personalidade antes e depois de entrar no anexo, seus momentos com Peter, além dos sonhos e planos que tinha ao pensar na liberdade após a guerra.

Um ponto que merece destaque no livro é o jeito como a vida força a menina a crescer antes do tempo. Anne não se dá bem com a mãe, passa os dias estudando, refletindo sobre a guerra, crescendo por si só, deixando velhas futilidades de lado, mesmo ainda sendo uma criança. Ela amadurece suas idéias pouco a pouco, seus textos são bem redigidos, revelando uma garota com uma cabeça a frente de seu tempo.

O livro foi traduzido em mais de 60 línguas e ainda deu origem a um documentário feito pela BBC e 2 filmes, um deles rodado em 1959, o outro mais atual foi produzido em 2001. Cheguei a assistir o segundo e confesso que o final é de arrancar lágrimas, mas você só sentirá esse efeito se tiver lido o livro previamente, ler as passagens de Anne em seu diário é o mesmo que se envolver com ela, conhecê-la mais a fundo e o filme não tem esse mesmo efeito, ou talvez tenha, mais isso fica pela metade, que só se completa com a leitura do livro.

A adaptação para o cinema mostra além do que está presente no livro, a sequência dos fatos, algo que o livro expõe a quem lê até o fim, mas não explora. E nem poderia, pois a partir do momento em que é transportado para o cinema, já não há modo melhor de passar a quem assiste uma dimensão bastante clara do que foi o holocausto, do que foram os campos de concentração, dos seus prisioneiros privando-se ali de todos os seus direitos humanos e mais tarde, privados também do último fio de esperança que ainda possuem. Algo triste, chocante e ao mesmo tempo o ponto alto do filme, pois é real, tão real que é algo em que eu reflito, reflito, mas não acho uma frase satisfatória (para mim mesmo) para poder descrever a vocês.

Eu recomendo o livro a quem se interessa não pela Segunda Guerra Mundial, mas sim pelas personalidades e histórias comoventes que surgiram em meio a ela, pois só entendendo o passado, é que poderemos construir um futuro melhor, pmde haja igualdade sempre, diferente ou não, isso só depende de nós. É uma história envolvente, cativante, com um desfecho muito triste, que serve de reflexão pra qualquer pessoa parar e refletir sobre o valor de uma vida e tudo o que ela carrega e representa, compreender que o pior erro que o ser humano pôde cometer foi o de achar que algum dia esteve acima de seu semelhante, quando na verdade, somos todos iguais.

Pra quem nunca viu e tem vontade de conhecer a história eu sugiro que leia o livro antes, porém no Youtube também é possível encontrar o segundo filme (o mais atual) na íntegra tanto pra assistir, quanto pra baixar clicando aqui.

A título de curiosidade, principalmente para quem leu e assistiu os filmes, existe o site Anne frank Museu Amsterdam – The Official Anne House Website, nele temos diversas informações sobre a vida de Anne e o museu, que na verdade era o anexo, que após a guerra vem sendo conservado  desde então como um dos símbolos na luta contra o preconceito racial, em memória de Anne, um ponto interessante se ressaltar é uma área do site onde você pode viajar pelos cômodos do esconderijo e descobrir como era o ambiente no qual a família Frank se exilou por pouco mais de 2 anos, para quem se envolveu demais com história, como eu, vale a pena a visita, virtual e quem sabe um dia, pessoalmente, um dia se puder, gostaria muito de visitar.

Anne Frank pelo mundo

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K o n S a m a

Do ser sem razão a essa explosão de emoção, do preguiçoso leitor ao (meia-boca) escritor, do tímido calado ao ator inquieto, do caminho já traçado à esquina do destino incerto. Tentei me definir, mas sem sucesso. Games, filmes, música, animes, são só o começo desse quebra-cabeça sem nexo.
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