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Impressões de MvsC3: novidades, expectativas, fracassos, SSFIV e decisões mercenárias… [X360/PS3]

A Capcom é a responsável por um dos melhores (senão o melhor) game de luta desta geração: Super Street Fighter IV. A tarefa de criar uma sequência para Marvel VS Capcom 2 também não é nada fácil. MvsC2 foi lançado pela primeira vez em 2000, faz mais de uma década! Com 56 lutadores, esse jogo entrou no roll dos games inesquecíveis de muitos gamers. E agora vivemos a era dos consoles em alta-definição e partidas online contra jogadores de qualquer parte do mundo. Com uma baita responsabilidade destas, um friozinho na barriga é até normal, certo? Mas é da Capcom que estamos falando, um estúdio que existe desde 1983, detentora de algumas das maiores franquias do mundo dos games. Portanto, Marvel vs Capcom 3: Fate of Two Worlds é sim um game épico, que dificilmente será esquecido ao longo dos próximos anos.

Ainda não comprei a minha cópia do mesmo, testei o jogo na casa de um amigo, e depois de algumas horas de gameplay (o que pra um jogo de luta é mais do que suficiente), acredito que possa expressar uma opinião. Resumidamente, muita coisa deu muito certo nesse game, outras deram muito errado, em determinado momento você vai sentir que o jogo parece incompleto, em outra vai sentir saudades de alguns personagens que ficaram de fora, provavelmente ficará de boca aberto com a dificuldade do último chefão, e depois ficará um pouco indignado como são os finais de personagens, inevitavelmente irá pensar em Super Street Fighter IV (caso tenha jogado o mesmo) e mesmo com essa montanha-russa de sentimentos, ficará um pouquinho mais no sofá para mais uma partida.

Zero e Capitão América: Dois ótimos personagens, com movimentos bem fluidos e ótimos golpes. Apesar disso, Zero não faz a saudade da ausência de Mega Man X sumir...

Altas expectativas me comprometeram?

Pois é, eu tinha expectativas bem altas a respeito do game, mas antes mesmo do lançamento oficial, já havia comentado aqui no blog as minhas suspeitas de que provavelmente a Capcom não conseguiria suprir todo esse hype em estava sentido. Dito e feito! Depois das primeiras horas, mesma na euforia em alguns pontos, fiquei com a impressão de que Marvel vs Cacpom 3 é um game incompleto. Não estou dizendo que É, estou dizendo que tive esta impressão, muito cuidado com isso. Vou comentar primeiramente sobre os problemas que me incomodaram no game, aí fecho a matéria com os elogios, afinal, eles são mais fáceis de dissetar.

O primeiro ponto foi o elenco principal do game. 36 lutadores não são 56 lutadores de MvsC2. 20 personagens a menos é muita coisa, sem dúvida alguma, independente de que na versão de 2000, alguns serem clones ou parecidos entre si. Depois de algumas partidas, fica claro que dentro o roll de personagens, alguns não são agradáveis de jogar, então os melhores e preferidos de cada gamer, fica ainda mais reduzido. Por exemplo, eu não curti nem um pouco a She-Hulk, Nathan Spencer e MODOK. Em paralelo, achei o Spider-Man meio truncado, não sei porque, mas não me agradou seu gameplay, ainda que seja bem parecido com a versão de MvsC2. Estranho.

Me incomoda muito saber que personagens como Jill Valentine e Shuma-Gorath, personagens que existiam também em MvsC2 estão sendo vendidos avulsamente, por U$ 5 cada. O jogo em si já custa U$ 60, e o gamer é obrigado a pagar mais U$ 10 por dois personagens extras (que não deveria tecnicamente serem “extras”). Se a Capcom lançar mais 6 personagens além destes já à venda, o jogo com o elenco completo passa a custar U$ 100! (U$ 60 de 38 personagens + U$ 40 de 8 personagens via DLC). Vai me dizer que isso não é um roubo? Pagar esse valor num game de luta é altamente questionável. Isso porque nesta conta não estou considerando roupas extras que a Capcom também mete a faca via DLC.

Isso me irrita muito, pois como o game suporta obrigatoriamente lutas de 3 contra 3, você tem seis personagens sendo usados ao mesmo tempo. Em 6 partidas, se você e um amigo não usarem personagens já utilizados por ambosm já terão jogado com todo o roster do game. Em 12 partidas, um único gamer já testou todos os personagens, caso não repita nenhum. É um número muito baixo. E isso meio que mata o replay e longevidade do game, agregando outros fatores que já irei comentar.

Impossível não fazer uma comparação indireta com Super Street Fighter IV (SSFIV), com seus 35 personagens únicos, com lutas de apenas 1 contra 1. Usar todos os personagens do game, se adaptar, decorar combos e golpes é uma tarefa árdua. Só para usar todo o elenco do game, vão se horas e partidas. 18 partidas com um amigo, sem repetir os personagens ou 35 partidas individuais para que você teste todos os personagens. É um número alto, que ajuda e muito no fator replay.

Viewtiful Joe! Uma das minhas franquias favoritas da Capcom. Ficou muito fiel aos movimentos de seu próprio game!

O modo Story, ou Arcade se preferir, me decepcionou profundamente. Ele termina rapidamente, em poucos minutos se jogado no modo normal. No Hard a coisa se complica, mas já comento sobre isso. O maior problema com o modo arcade também me remete a SSFIV. O Arcade deste tem uma mini-abertura individual para cada personagem, dando um propósito ao mesmo e incentivando o gamer a querer ver todas as historinhas do game. No final, ao fechar tal modo, um novo vídeo, finalizando a história é destravado. Todos os personagens possuem isso. Em MvsC3 não tem nenhum vídeo ou qualquer outra coisa de introdução ao modo arcade. Tudo bem que são três personagens ao mesmo tempo, e criar uma história para um time de três é meio impossível, mas poderia ter se obtado pelo principal do time (o que começa as partidas). O final do modo arcade é mais tosco ainda. Vídeo? Que nada! Uma imagem num pequeno espaço da tela, com textos para leitura, com o personagem que derrota o chefão final. Frustante, broxante e ridículo! Não dá nem vontade de ver todos os vídeos. Parece até um arcade dos anos 90. Fazer isso num game de luta nesta geração é inaceitável.

A única coisa que se salva no modo Arcade é realmente o último chefão, o Galactus. No modo normal é fácil matar o chefão, ainda que eu perca um ou dois lutadores, mas no modo Hard o bicho pega! Difícil mesmo. O Devorador de Planetas tem alguns golpes que destruem a barra de energia por completo. Fenomenal. É um final bem intenso mesmo. Pena que a recompensa para a meta seja tão porca. A Capcom sacaneou mesmo.

Concluido o Arcade pela primeira vez e ficando desistimulado a ver os finais em texto dos outros personagens, não há muita coisa para fazer em Marvel vs Capcom 3. O modo de mission, que equivale ao modo Trial de Super Street Fighter IV, é ridicularmente difícil, beirando o impossível na minha opinião. Não gostei do gato de ter que pausar o game nesse modo, sempre que precisar ver quais são os comandos dos golpes que o jogo pede. Em SSFIV basta apertar o botão “back” (no X360) que na própria tela aparece o comando, sem precisar pausar e ficar viajando nos menus. Burocracia desnecessária. Porém, em SSFIV parece que o trial serve muito mais de aprendizado aos gamers novatos do que em MvsC3, onde depois de duas ou três missões, já começam a apelar demais nos comandos. É aquele negócio, difícil é bom, mas difícil demais é punir os jogadores.

Hsien-ko: Um dos 4 destraváveis do game. E na real, achei um dos melhores personagens do game. Otimo para ataques a qualquer distância e também para mudar de lado nas lutas.

Além disso, sobra o versus, offline e online. Infelizmente online não pude testar, mas se for como SSFIV não há do que reclamar. Precisaria ver se existem tantas opções quanto, mas parece que a Capcom também implementou esse modo com aquele modo Shadow e tal. Mas ao menos dá para jogar o Arcade com o Host ligado e ser convocado para lutas a qualquer momento, assim como ocorre em SSFIV, o que na minha opinião é uma das melhores formas de lutar online, sem ficar em salas procurando oponentes. Queria poder dizer mais, mas não tem muito mesmo o que dizer aqui. Jogar com os amigos é o único fator de longevidade do game. O jogador solitário provavelmente vai cansar rapidamente desta primeira versão do game, dado a falta de preocupação da Capcom com meros detalhes.

Nem os menus do jogo eu gostei, podem acreditar? Sei lá, os de SSFIV são tão bonitos, com fontes de lentras que harmonizam com as imagens e tal. Tudo bem que a ideia usada em MvsC3 parecem ser um estilo “Comics”, mas ainda assim, não gostei. Achei básico e comum demais. Isso não compromete o jogo é claro, é apenas uma mera opinião visual. O mesmo vale para os Icon e Title do game, sistema criado pela Capcom no primeiro Street Fighter IV e que foi melhorado na sequência. Não achei a forma utilizada em MsvC3 prática. Os menus deste sistema ficou poluido demais, e perdeu a simplicidade positiva que tem em SSFIV. Ao menos gostei da possibilidade de deixar em sua Tag times de três personagens já montados, para não precisa ficar procurando-os pelos menos na seleção de personagem. Isso sim, achei uma boa idéia.

Sentinela e Felicia: O gigante de metal é meio atrapalhado, grande lento, mas com golpes potentes, já a gatinha é uma personagem básica, nem fraca, nem forte demais.

Para fechar esse meu resmungo sobre o game, em relação aos golpes, especiais e jogabilidade dos personagens, houve muitos acertos, e especiais fabulosos, mas fiquei meio incomodado com a predisposição dos botões. Ainda acho o estilo de SSFIV mil vezes melhor. Existem dois modos de comando, Normal e Simples. No normal, as vezes é muito difícil acertas combos e golpes, devido a algumas sequências complexas e pelo controle do X360 ser um maldito para games de luta. No modo simples, os combos praticamente saem sozinhos e alguns golpes especiais ficam disponíveis com um abertar de um botão. As lutas ficam mais bonitas de se assistir e é mais divertido, mas também passa a sensação de que o game fica “fácil demais”, e no modo simples, tive a impressão que fica ainda mais complicado usar golpes e especiais que não entram no mecanismos deste modo. Fica aquela impressão que você joga apenas com o que este modo lhe permite usar, sendo que para algo mais avançado, você precisa jogar no modo normal mesmo. Achei que faltou um equilibrio melhor.

Quanto aos elogios, existe muita coisa bacana no game. Alguns personagens novos são mesmo fabulosos. Adorei jogar com o Zero, da Capcom, ainda que sinta saudades do Mega Man. Deadpool também é um dos melhores personagens do game, com movimentos rápidos, dose de humor no máximo e golpes poderosos e fáceis de usar, não é a toa que vem sendo um dos favoritos da galera pela internet. Também curti o Capitão América, X-23, Taskmaster, Wesker, Viewtiful Joe e Amaterasu (especial deste é ótimo). Até a Morrigan me agradou, e eu não gostava dela no MvsC2, mas funcionou muito bem para derrotar o Galactus. Muitos personagens e movimentos originais, golpes criativos e até mesmo existe um estilo de luta para cada um, além das combinações de suporte que podem fazer toda a direrença nas lutas. Os gráficos do game também estão soberbos, assim como a trilha sonora, geral e individual de game personagem! Cenários muito rico em detalhes, e personagens bem modelados e com efeitos de golpes que deixam as lutas bem intensas! Em resumo, tudo que é novidade no elenco do game deu certo, a trilha sonora engrandece o game e os gráficos e visuais estão em perfeita sintonia com a proposta da série.

X-23: Bacana para quem já enjoou do Wolverine, personagem rápida e com ataques que causam estrago. Haggar? Bem, nunca gostei do Zangief e ele é bem parecido...

Finalizando…

Há duas formas de finalizar estas impressões iniciais. A primeira é de que independente de todos estes pequenos problemas que me incomodaram, Marvel vs Capcom 3 é um grande game, divertido, leal a sua franquia e com algumas melhorias em determinados setores que precisariam de qualquer forma se adequar a esta geração. Imperdível? Com certeza! Se você gostava dos originais, vai continuar curtindo o terceiro game. Se você é um daqueles gamers que vive com a casa abarrotada de amigos para jogar games em multiplayer, os problemas que apontei não lhe causarão nenhum problema.

O segunda visão que tenho sobre tudo isso é mais complexa. Não acho que valha à pena comprar neste momento Marvel vs Capcom 3, pois como expliquei nos parágrafos acima, é um investimento caro, seja pela importação do game à U$ 60 ou pagando R$ 200 aqui no Brasil (preço oficial de revenda). Soma-se isso aos DLC e o resultado é um game de luta caro demais. Veja bem, não estou dizendo que não valha a pena jogar, estou dizendo que não vale a pena gastar tanto num game que literalmente veio incompleto. Se você pode alugar, jogar na casa de um amigo, ou esperar mais um pouco, recomendo que o faça. Eu mesmo tomei a decisão de que vou esperar ou o game abaixar de preço até o fim do ano (o que é comum lá fora) ou vou esperar uma segunda versão produzida pela Capcom, pois assim como Street Fighter IV teve uma nova versão, e segundo rumores vai ganhar um outra (a versão arcade deve vir aos consoles), eu duvido muito que a Capcom não faça o mesmo com MvsC3, com mais conteúdo ou pelo menos já incluso os DLCs que a empresa pretende vender ao longo de 2011. Claro que ela não deve sair este ano ainda. Mas vou ser paciente e esperar. O jogo é formidável, mas meu dinheiro não é capim.

Jogue sim! Mas tenho sérias dúvidas se vale à pena investir seu suado dinheiro no game neste momento.

Vídeos:

10 minutos de Hyper Combos!

Abertura completa do game (11 minutos):

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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