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Leitura de quadrinhos em atraso – Semana 3

The New 52, Brand New Day, Turn Back the Pendulum, Blackest Night, Sonic e mais

E minha viagem pela diversidade dos quadrinhos continua essa semana. Li mais quatro novas revistas da fase The New 52, o reboot da DC, e já começo a me preocupar com o tempo que estou levando pra ler todas as 52 primeiras edições dessa nova linha; vou pisar no acelerador assim que possível. Continuei a minha leitura pela Brand New Day do Homem-Aranha, que começa a tomar um rumo, e também segui com A Noite Mais Densa que já ficou mais… intensa. Nas comics mais leves, li uma antiguíssima edição zero da revista do Sonic The Hedgehog e continuei a lista de edições de dezembro da linha Disney, encerrando as edições de férias e quase terminando as mensais (agora só falta Pateta). No mundo dos mangás, resolvi ler dois volumes de Bleach essa semana e exatamente um dos arcos mais esclarecedores e que ainda assim é recheado de pontas soltas: Turn Back the Pendulum. Uma leitura prazerosa, recheadas de pequenos ganchos que nem me lembrava que ainda existiam.

The New 52 / Os Novos 52 – DC

Batman & Robin #1

Novamente eu bato na tecla de que se a DC queria recomeçar toda a sua linha de revistas, o que se vê nessa primeira edição de Batman & Robin está longe de podermos chamar de reboot. Imagine que você está anos longe dos quadrinhos da DC, sem nem ao menos acompanhar as notícias. O máximo que você conhece do Batman são os filmes para o cinema e os desenhos da TV. Nem imagino o que esse tipo de leitor pensa quando abre uma edição, dentre as muitas do universo do morcego, e encontra Batman com um filho!

Batman & Robin parece, neste primeiro momento, que será a revista de pai e filho. Bruce Wayne e Damian Wayne. Quem diabos é esse garoto? O que aconteceu com os antigos Robins? Pois é, para uma primeira edição, nada disso é mastigado para o leitor novato. Você começa a revista apenas sabendo que Bruce agora tem um filho e que ele é o atual Robin na cronologia da casa. Que diabos?

Uma falha grave na minha opinião, porque senão, qual o objetivo de um número 1 estampado na capa? Ok, no meu caso, não me assusta tanto assim. Eu parei de ler DC alguns anos atrás, mas consegui pegar o começo do arco onde Damian é apresentando no universo da DC. Ele é filho do Bruce com a Talia al Ghul, que por sinal é filha do vilão Ra’s al Ghul. Essa baderna de pais e filhos, que dá até pra chamar de novela, começou então alguns anos atrás, mas não sei como foram encerradas determinadas sagas ou até mesmo as explicações mais detalhadas para o fato do Damian ter ficado com Bruce e até mesmo virado o Robin definitivo. Nem sei o que Tim Drake é neste reboot que a DC fez. Sei que Dick Grayson é o Asa Noturna e o Jason Todd é o Capuz Vermelho. Mas eu chego lá, ainda vou pescar as outras números 1 do reboot.

Pra dizer a verdade, eu nunca gostei da ideia de ver o Batman como pai, e esta edição confirma este fato. Damian também é um personagem insosso. Arrogante, metido, fresco. Nesta primeira edição temos aquela típica situação onde Damian não obedece as ordens do pai, e aquele velho sermão de falta de confiança demais. Parece que neste primeiro momento a revista vai trabalhar num arco onde Batman e Robin ainda precisam entrar em harmonia, aprendendo a trabalhar em equipe, como parceiros e como pai e filho.

Cavaleiro das Trevas de babysitter? Não fiquei muito fã não. De qualquer forma, torço para que a revista mais para a frente dê uma revisada nessa cronologia do Damian. Sua origem e o que acontenceu até agora, para que ele tenha ficado como o Robin oficial. Pretendo, futuramente, quando terminar outras leituras em atraso, ver os arcos da revista do Batman, desde O Filho do Demônio até aqui, porque perdi algumas coisas bacanas mesmo, como Corporação Batman (que é a atual fase da revista aqui no Brasil pela Panini).

É um título curioso e diferente, mas está longe de ser aquele Batman que eu gostava. Damian é um personagem xarope e sempre será.

Batwoman #1

Eu conheço muito pouco desta personagem. Sei que existia uma personagem com esse nome que é bem antiga, mas a atual Batwoman é baseada na reforma que a personagem teve em 2006, quando ela (re)surgiu na série 52, arco que narra as 52 semanas em que Batman, Superman e Mulher-Maravilha sumiram do universo das histórias. Kate Kane é a atual Batwoman.

Ainda é meio cedo para dizer qual a intenção da nova revista. Ao menos ela começa de forma mais honesta que a revista do morcego acima. Há uma certa lentidão para introduzir a personagem. Mostra sua vida por debaixo da máscara, sua parceira amorosa (ela é lésbica) e dá um novo começo para o título. Há alguns ganchos interessantes, como o vilão que parece um fantasma que anda roubando criancinhas, o Máscara Negra e até mesmo o Batman no fim da edição.

Me deixou curioso para continuar lendo e aprendendo mais sobre o universo da personagem. Isso é importante neste reboot. Mas ainda é cedo para dizer se será um título que faz falta deixar de ler ou é um que devo ler apenas para passar o tempo e me divertir ocasionalmente.

Ah e tem um detalhe que me irritou um pouco nesta primeira edição: a quantidade absurda de páginas duplas e quadros confusos determinando o ritmo da leitura. Tudo bem que é estiloso colocar páginas duplas as vezes, mas esta primeira edição é quase inteirinha assim. Quadros bizarros que não seguem qualquer ordem lógica de leitura. Me incomodou bastante. Se toda a edição for assim, com certeza se tornará uma revista cansativa de ler.

Exterminador / Deathstroke #1

Tá aí um título interessante, já que o Exterminador está longe de ser um super-herói, pelo contrário, ele figura a galeria de vilões de um monte de grupos. Conheci esse personagem pela série animada Jovens Titãs. Há uma saga no desenho onde ele manipula o Robin e até mesmo acaba com a personagem Terra. Sei que é beaseado nos quadrinhos esse arco do desenho, mas tive um contato inicial com ele na versão animada mesmo. Depois, quando peguei para ler os quadrinhos da DC anos atrás, tive outro contato com o vilão em outros arcos de histórias, entre estas a fase dos Novos Titãs onde ele tinha uma filha, que pagava de heroína dentro do grupo. Era um pouco estranho, mas nada tão anormal assim no mundo dos quadrinhos. Há outras séries, como Crise de Identidade, onde ele tem uns momentos maneiros pra caramba. Quando alguns heróis falam do Exterminador, sempre mencionam um assassino e mercenário que tem a inteligência e estratégia de combate similar ao Batman.

[Spoilers ON] Este primeiro título não se preocupa muito em contar a origem do personagem. Por que ele é o que é. Mas explica um pouco no começo as qualidades do cara. Quanto à história, temos o Exterminador como um mercenário, se reunindo (a contragosto) com um grupo de jovens mercenários em prol de um objetivo. No fim, ele mata todo mundo e sai de boa! Rá! Um desfecho curioso, porque você fica com a ideia de que a molecada está amaciando o vilão e que nada, no fim ele mata todo mundo a queima-roupa. [Spoilers OFF]

É importante que nesta primeira edição não tenha inserido um super-herói, porque isso tiraria a dinâmica de diferencial da revista, já que daí teriamos o clichê mocinho X bandido. Não faz sentido apostar nesse plot numa revista de um vilão. Bacana começar diferente, apesar de que acredito que será inevitável no futuro inserir algum herói para atrapalhar os planos do “dono da revista”. Não deve ser fácil planejar uma revista assim. Dá para ficar pensando quais os planos para um título assim.

De qualquer forma, espero que os próximos números trabalhem um pouco com a origem e o passado do Exterminador, também conhecido como Slade Wilson, enquanto corre algum tipo de história paralela. Gozado que a revista não termina com gancho, então não imagino muito o que vem a seguir.

Cavaleiros Demoníacos / Demon Knights #1

E aqui tive mais uma feliz surpresa. Um outro título da linha The New 52 que segue um estilo mais original e diferente. A começar a revista começa nos tempos do rei Artur, e pula para a Idade das Trevas e lá fica, ao menos até o fim da primeira edição. Ela mostra as aventuras do demônio Etrigan, que é aprisionado dentro do humano Jason de Norwich pelo mago Merlin. Eu conheço Etrigan pelo desenhos da Liga da Justiça e por algumas particpações dele em arcos passados do tempo em que lia DC. Não sei exatamente qualé a desse demônio ou sua origem. Esta primeira edição não se preocupa muito em explicar isso, porém tem todo um clima de “revista começando agora”, ainda que não explique com detalhes tudo.

A revista segue com esse clima de aventura medieval. Dos tempos de Merlin, ela salta para a Idade das Trevas: temos Etrigan se reunindo com outros personagens inusitados e diferentes (se eles já existiam no universo da DC, eu desconhecia), que possivelmente justificam o título da revista. Temos rainha malvada, bruxo do mal e guerreiros barra pesada. Pancadaria num bar medieval e no fim… dragões!

Uma refrescante revista, meio distante da ideia de gibi de super-herói. Se ela vai ficar no passado, é difícil tentar adivinhar, mas só sei que gostei demais desse clima diferente. Personagens que desconheço, Etrigan com um pequeno estilo Hulk/Bruce Banner, vilões medievais. Um bom título para sair da mesmisse de sempre.  Ainda é cedo para falar em detalhes sobre os personagens em particular, conheço-os muito pouco e são tantos que aparecem bem superficialmente no primeiro número, pois há um trabalho mais na climatização da revista. Ainda assim, estou curioso para ver aonde isso vai dar.

Brand New Day / Um Novo Dia – Marvel

The Amazing Spider-Man –  #548 / #549 / #550

Mais um pouco da fase linha do tempo magicamente alterada do Homem-Aranha. Na matéria anterior (Semana 2) já havia malhado um pouco o conceito de novo começo para o universo de Peter Parker, mas limando cagadas editoriais que a Marvel criou ao longo dos anos nos comics. Continuo com a mesma opinião, totalmente desnecessárias as modificações no universo para discorrer com as histórias que vejo nestas primeiras edições desta fase.

Deixando de lado isso, as histórias estão bacanas justamente porque são personagens novos e situações novas. Homem Aranha atrás do Senhor Negativo, porém esse corre-corre ficou com um baita gancho para o futuro, envolvendo o trabalho voluntário da Tia May. As outras duas edições que li após a conclusão desse mini-arco já envolvem a nova heroína Jackpot e um pouco da questão dos registros dos super-heróis, reflexo do arco Guerra Civil, que se passava por todas as revistas na época. Fiquei curioso por mais detalhes do vilão Negativo, não sei se foi um bom final pra essa história, achei meio sem noção do Peter dar o sangue dele pro vilão, até porque tem toda essa história de que ninguém sabe sua identidade secreta agora e ele me faz uma meleca dessa? Vou torcer pro roterista não trollar todo o universo de novo e daqui a pouco tem uma porrada de vilão descobrindo quem é o Homem-Aranha.

Enfim, aí a história muda um pouco para colocar a heroína Jackpot para todos que sentem saudades da Mary Jane, mas não é a Mary Jane, só é uma personagem de jeito e perfil parecidíssimo. E de novo fico com a impressão de que não precisava mudar tanto pra fazer o Aranha interagir com alguém que se parece com a MJ? OK, estou sendo rabugento. Só sei que no fim, depois de umas patadas de um herói registrado, lá da galeria dos que ninguém conhece da Marvel, o Peter dá de cara com um novo vilão que é… uma espécia de Duende Cinza!? Porra! O vilão se auto denomina “Ameaça” e dá um coro no Aranha. Deja Vu aos montes. Aí fica aquela história de sempre. Quem é o cara? E a revista tinha começado tão bem (dadas suas ressalvas). Precisava de um outro vilão-duende em meio a uma galeria enorme de ex-duendes? Não sei porque a Marvel insiste tanto em tantas versões de um mesmo vilão. Pow, fase nova, mudança na linha cronológica, podia ao menos esfriar um pouco antes de vir com um novo duende. Eu até preferia um Duende já conhecido e clássico do que um recauchutado. Ou então ou outro vilão clássico, pra contrastar com o Sr. Negativo que é novidade.

No fim, termina com o Aranha sendo encurralado pela polícia. Mas o que dizer? Batman é mais pauleira quando fica assim. No caso do Aranha, ele vai pular, fazer piadas e pronto, escapou. É, não estou dando sorte com essa fase do Peter, ainda prefiro a linha clássica, antes da farofada do Mefisto. Dá pra ler e se divertir. Mas está longe da empolgação que tinha com estas histórias. Por enquanto.

Blackest Night / A Noite Mais Densa – DC

Contos da Tropa #1 / #2 / #3 e Lanterna Verde #44

Mais animado, devorei quatro edições de Blackest Night nessa semana que se encerrou. Fiquei bem mais empolgado com ela que do com a leitura acima. A verdade é que gosto muito do universo da Tropa dos Lanternas. Não sou um grande fã do Hal Jordan, mas da Tropa como um todo, eu sou. Tem aquela pegada bem sci-fi espacial quando as histórias são voltadas para os personagens alienígenas da Tropa e é isso que curto pra caramba, porque é algo bem diferente do super-herói vs super-vilão.

Por exemplo, neste especial em três edições de Contos da Tropa, onde mostra um pouco da origem e do passado de alguns personagens que serão peça fundamental para o arco, me sinto tão animado como quando estou lendo One Piece. Os personagens deixam de ser vazios, meros figurantes, e ganham uma alma, uma complexidade para o porquê de serem o que são. Inclusive a história do Kilowog apresentada nestes contos, de quando ele ainda era um recruta, chegou a ser usada na última animação para DVD do Lanterna Verde. Acho muito legal esse pequeno conto da história do grandalhão e do porquê de ele falar “Poozer” e ser o responsável por treinar os novos recrutas. E todos os contos são interessantes nesta trilogia. A Noite Mais Densa começa apresentando algumas cartas e animando o leitor a acompanhar mais. Foi uma jogada interessante a que fizeram. Os comentários da edição #0 em storyboards na edição 3 de contos também é algo de gênio. Adoro esse pequeno extra.

Mudando para Lanterna Verde #44, é aí que a coisa começa a ficar tensa. J’onn J’ozz está de volta, como um Lanterna Negro e a adrenalina vai às alturas com o combate entre Hal Jordan e Barry Allen contra o velho amigo. Enquanto isso, outras pontas dessa teia são sendo soltas para as outras revistas. Mas show mesmo é esse primeiro contato da dupla com o primeiro (não literal) Lanterna Negro da saga. Dúvidas, sentimentos confusos, poderes absurdos, tudo se mistura dentro do clima da revista. As explicações ficam para a revista principal (A Noite Mais Densa), mas a diversão começa na revista do Lanterna. A história consegue passar tensão, aquela euforia de leitor, quando não se consegue imaginar como é que as coisas vão ser concluídas. E J’onn J’ozz zumbizão dá um medo danado! Putz!

Show! Mas já tinha lido estes volumes no passado. Como disse anteriormente, eu fui até um pedaço de A Noite Mais Densa. Ainda não me lembro exatamente onde, mas quando chegar, certamente perceberei.

 Sonic The Hedgehog #0 (1993) – Archie Comics

Essa revista eu achei no fundo do baú (virtual). Para quem não sabe, o Sonic possui histórias em quadrinhos que são produzidas nos Estados Unidos de forma quase ininterrupta desde os anos 90. Seis edições destas revistas chegaram a sair no Brasil há muito tempo atrás, mas acabou cancelada a publicação antes mesmo que ela pudesse se estabilizar por aqui. Uma pena.

Os quadrinhos do Sonic pelo que pude pesquisar funcionam de forma muito parecida com o que aconteceu com o mangá Katekyo Hitman Reborn. A primeira fase da revista é mais bobinha, voltada para a comédia, fazendo mais graça e por tabela sendo um pouco infantil demais. Mais à frente, a revista meio que dá uma evoluída, transformando as histórias em arcos, sagas e a comédia fica um pouco de lado para dar mais foco a ação e aventura. Pense no desenho do Sonic antigo e da versão Sonic X. A revista também passou por essa mudança.

Por falar em desenho animado, a revista é centrada dentro do universo que o primeiro desenho possui. Para quem não se lembra dele, é uma boa dar uma olhada no Netflix, que possui a versão completa do desenho, com a dublagem brasileira original por sinal. É aquele Sonic com os Combatentes (ou Lutadores, há várias versões) da Liberdade. Se passa no planeta Mobius, tem aqueles personagens que não frequentam os games do ouriço, como a princesa Sally, metido Antoine e o mecânico Boomer. Mas também tem o Tails, nestas primeiras edições, assim como o Robotnik (sim, ainda era Robotnik e não Eggman), e alguns vilões clássicos dos games como as abelhas Buzzbomber, o caranguejo Crabmeat e a lagarta Caterkiller. Há também o tio do Sonic, o “Tio Chuck”. Ele também aparece no desenho animado e assim como tal, ele acaba sendo capturado pelo Robotnik e transformado num robô. Mas futuramente outros personagens do universo dos games serão incluidos nesta versão em quadrinhos.

Essa edição zero que comento hoje por aqui é a primeira de tudo, o traço, as cores, a história, tudo ainda é bem amador nesta primeira versão. Eu nem sabia que ela existia. Foram feitas 4 edições zero, pela editora Archie, até que a mesma lançou a número 1 da revista (e aí com um traço mais bacana e cores dos personagens mudadas e padronizadas). Então essa edição é quase como uma beta da revista. Tem algumas histórinhas, algumas páginas de extras, conta como o Sonic se juntou aos Combatentes da Liberdade, o que o Robotnik está fazendo ao planeta Mobius, etc. Vale a curiosidade, é um universo e personagens mais ricos dos que os que eram mostrados nos primeiros games. Claro que com Sonic X, a coisa mudou, mas ainda gosto do universo clássico deste Sonic.

E quem tiver a curiosidade, como estes quadrinhos não são publicados no Brasil, e trata-se de edições antiguíssimas, que nem lá fora você deve encontrar, existe um grupo de fãs brasileiros que traduziu e disponibilizou na web estes primeiros anos da versão Sonic da Archie. Dê uma olhada neste site, que vocês irão encontrar tais revistas, tudo muito bem organizadinho. E para quem tem Netflix, dê uma olhada no desenho Sonic The Hedgehog que tem no catálogo lá. É muito nostalgica a série animada. Ao menos pra mim.

Disney Dezembro/2011

Tio Patinhas Férias #7 (Prévia)

São três histórias curtinhas, mas divertidas. As duas primeiras não possuem nada de demais, são histórias bem simples, apresentando aquela rotina de tino para negócios que o Patinhas sempre possuiu. Na primeira ele precisa tirar férias pra não quer gastar, enquanto ele descobre um jeito de sair da sua rotina e ainda ganhar com isso. Eu gosto da piada inicial, com o Batista perguntando sobre um aumento salarial. Acho bacana a ideia de que as vezes não tem nada melhor do que aprender uma nova experiência. No caso, Patinhas usou de um pequeno acidente na rua com um pintor para aprender a pintar. Nunca é tarde para aprender novos truques.  Na segunda HQ, os problemas não são férias, mas a reforma da Caixa-Forte, que está aos trapos. Nela, o prefeito diz que o Patinhas precisa reformar o exterior da Caixa-Forte porque do jeito que ela se encontra, toda esculhambada, já estava pegando mal para a cidade, pois como sabem a Caixa Forte fica numa colina bem alta da cidade e é vista por toda Patópolis. Patinhas mais uma vez dá uma de esperto e como ele estava com problema para anunciar e divulgar alguns produtos com baixas vendas, transforma a Caixa Forte num outdoor. Matou dois coelhos com uma única pedrada.

A última história é a minha preferida da edição, pois o roteiro é bem mais estruturado e bem feito. Gira em torno dos Metralhas e do Clube dos Milionários, onde uma corrida para alguma coisa fica no ar durante toda a HQ. Os Metralhas não sabem por que todos os milionários estão portando pequenas caixas, mas acreditam que deva ter algo valioso dentro. Decidem sequestrar todos os milionários do clube, um a um. Por que só não roubar as caixinhas? Ora, porque senão um milionário que fosse roubado alertaria os demais. Rá! Só os Metralhas mesmo. Em paralelo o Tio Patinhas que está participando da misteriosa competição mantém a calma em meio ao corre corre. Nesse ponto a HQ entrega o óbvio, que Patinhas entregaria a caixinha pelos correios, na cena em que ele derruba o mensageiro. Mesmo assim a trama consegue se segurar até o fim por mais detalhes e as razões dos milionários estarem competindo entre si. E Patinhas mais uma vez mostra que ele não é o pato mais rico do mundo por acaso, mas que é preciso astúcia acima dos demais. Uma boa história de 15 páginas. Divertida e curiosa.

Pato Donald Férias #7 (Prévia)

A edição de férias do Donald também vem com três pequenas histórias. Vou ser direto em relação à primeira: HQ sem graça. Basicamente temos o Donald num país estrangeiro, seguindo as instruções de um guia turístico e falando asneiras num idioma que ele mal compreende. Apanhando de todo mundo e causando desastres, como sempre. A HQ é meio insossa. O Donald realmente não percebe que o problema é o livro que está ensinando tudo errado pra ele. Achei meio boninha, aquele tipo de história que o roteirista visualiza o final primeiro e depois escreve todo o resto só para poder fazer aquele final planejado.

As outras duas HQs por outro lado são ouro puro. Duas pérolas do Vicar, que faleceu este mês tragicamente. A primeira Margarinofobia traz um roteiro mais adulto, que as crianças mais novinhas não entendem muito bem que é o estress da jornada de trabalho. Donald mais uma vez fica louco de pedra quando seu trabalho na fábrica de margarina sai do controle. Ele acaba extravasando e, no fim, numa daquelas bizarrices que só uma historia em quadrinhos permite, ele e o dono da fábrica combinam de fazer um festival de esculturas de margarinas em Patópolis. Claro que com o Donald, tudo acaba saindo mais uma vez do controle. Destaque para os easter eggs na HQ, já que muitas das esculturas que o Donald criou são de personagens dos clássicos animados da Disney, como Dumbo e Pinóquio e até mesmo o Mickey. Além de esculturas de monumentos famosos que existem de verdade. Um pequeno toque de realidade e homenagem na HQ. Show! E uma boa sacada do roteiro o paralelo que a história faz ao todo momento com o fazendeiro no campo de milho. Genial as histórias se chocarem no fim e o desfecho de cada uma. Valeu com toda certeza a republicação.

A última história, também do Vicar, O Colar de Atlântida, também é ótima. Lembra os velhos clássicos de Carl Barks, com civilizações e cidades perdidas. O conceito da história, Atlântida não é uma civilização perdida, pelo contrário, ela existe e é um local turístico. Deste conceito surgem várias piadas e situações originais, envolvendo o Donald, que acidentalmente acaba indo parar lá pela cidade, já que o pato resolve se aventurar no mar, atrás de uma pérola para a Margarida. Atlântida virou uma metrópole submersa, e como tal, possui bairros comerciais e bairros barra pesada. Donald se vê perdido no meio desse mundinho, sem grana e sem condições de voltar pra casa. O jeito é arranjar um trabalho e ganhar algum para poder voltar. A HQ possui algumas críticas sobre a vida nas grandes cidades, turistas, profissões e até mesmo, no fim, da forma como a que o Donald consegue uma pérola, reflete um pouco esse cotidiano urbano. Divertida, ainda que esquisita a forma como a cidade acaba sendo apresentada. Às vezes lembrando um sonho,  e nem um pouco lendária, como se estivesse sempre ali, aos olhos de quem quiser passear por ela.

Pato Donald #2401 (Prévia)

Finalmente desfrutei da edição natalina de Pato Donald. Uma edição bacana, simbólica a data que representa. A primeira história não tem nada de muito original, é um típico conto de natal, mas mesmo assim é encantadora. Os meninos fugindo de casa, procurando passar o natal na casa dos parentes.  Bacana ver como Tio Patinhas, Gastão e até mesmo o Prof. Pardal passariam o natal sozinhos, mas por desventuras do destino, todo mundo acaba no sítio da Vovó Donalda, uma personagem que todo mundo ama. O Donald também dá um show ao se preocupar com os meninos e continuar até ser vencido pela nevasca. No fim, tudo termina bem, como deve ser todo conto natalino.

A segunda HQ, Viagem ao Fim do Mundo, foi a minha HQ favorita desta edição. Uma HQ apenas com os sobrinhos do Donald e o Gastão. Nada a ver com o clima de natal também. Os quatro personagens acabam sendo transportados para um mundo de fantasia e dragões através de um quadro mágico e lá precisam descobrir uma forma de voltar para casa. Genial fazer o Gastão perder sua sorte nessa outra dimensão e gostei muito do desfecho final onde o casal acaba se sacrificando para que os meninos (e o Gastão) voltassem juntos para casa, ainda que o viking tenha dado uma de vilão no fim, acabou se redimindo pelo amor. Clichê? Sim, mas quem se importa. Para uma HQ infantil, acho até curiosa essa complexidade sentimental.

A revista segue com Willian Van Horn numa típica HQ de guerra de bolas de neve entre o Donald e o Silva. Achei a história mediana. Há muito material com estes dois vizinhos briguentos que são muito mais engraçadas. Ano passado teve uma onde o Donald e o Silva fingiam estar de férias e trancados, casa um em sua casa, ficavam mandando mensagens de texto e fotos armadas, parecendo que estavam em férias épicas, só pra infernizar um ao outro. Na história desta edição, gostei apenas da aparição do Prof. Pardal no fim. O Pardal é sempre um cara legal, mesmo que seus inventos estejam sempre causando confusão.

Por fim, a última HQ, A Felicidade Não se Compra, baseada num clássico natalino de 1946. É bonitinha, mas nada de extraordinário. Possivelmente porque é uma HQ curta e o roteiro não tem espaço o suficiente para se desenvolver de forma decente. Também não conheço (ou não me lembro) da obra original, então fica difícil identificar a homenagem. Pareceu meio forçado o dramalhão do Donald em sair da cidade e da vida de todos só porque perdeu o dinheiro que seria usado para o natal no asilo dos velhinhos. Não é como se ele tivesse gastado o dinheiro, ele só perdeu. O flashback com os sobrinhos no orfanato também foi fraco, embora eu tenha gostado de ver a Margarida chateada com a canastrisse do Gastão e ficou bonito a montagem com o Tio Patinhas. Com esta última eu concordo plenamente pois foi o encontro do Donald com o Tio, em Natal das Montanhas de Carl Barks, que vinculou o Tio Patinhas para todos os membros da família pato. Ninguém pode perceber, mas concordo que é o Donald quem mantém toda a família unida, em especial o Tio Patinhas. No fim, a história termina com o famoso milagre de natal e tudo termina bem.

Uma edição tipicamente natalina. Vale a recordação e o sentimento que a data transmite.

Mangá

Bleach #36 – Turn Back the Pendulum / #37 – Beauty is So Solitary

Parando aqui para refletir o mini-arco Turn Back the Pendulum, que deve ser um dos meus momentos favoritos de Bleach, só perdendo para toda a saga da Soul Society, que é quando o mangá de Bleach finalmente ganhou meu respeito. Gosto deste momento do Pendulum pois foi quando o Tite Kubo finalmente colocou a mão na consciência e resolveu amarrar algumas pontas soltas, trazendo a origem dos vaizards e a história da Soul Socity a 100 anos no passado, incluindo alguns momentos preciosos do passado do Urahara.

Sempre fico pensando se o autor não vai criar um novo arco assim, onde irá explicar outras coisas do passado, como a vida do pai do Ichigo quando ele era um shinigami, antes de conhecer a mulher que viria a ser a mãe de Ichigo. Tenho muita curiosidade em torno dessa história e não duvido que apenas continuo acompanhando a chatisse que o mangá se tornou por culpa destas pontas ainda soltas na história.

Apesar de já ter lido Turn Back the Pendulum quando esta saga foi publicada semanalmente pela Jump (via web, claro), muita coisa acabou sendo esquecida. Normal, porque não tenho o hábito de ser um leitor de comics detalhista, daqueles que repara e se lembra até da quantidade de folhas que caíram numa determinada cena ou de coisas que nunca foram muito bem explicadas. Por exemplo, gostei de ver novamente o câmara dos 46, o grupinho que funciona como júri e juiz dos crimes da Soul Society. Todos com suas caras escondidas. Novamente veio o conceito de que a Soul Society é muito mais do que o Gotei 13, e é uma destas coisas que o Tite Kubo fica enrolando para trabalhar, a ordem política deles é muito importante.

Temos várias citações que não nem me recodava mais, como a história dos Kenpachi sempre assumirem o 11º esquadrão. Quer dizer que o Zaraki derrotou alguém de sua própria linhagem? Detalhes que o Kubo não mostra em nenhum momento o Kenpachi, nem mesmo a história do passado do personagem é muito clara no mangá até os dias de hoje e simplesmente há esse pequeno momento, jogado no vento do flashback. Logo depois tem a promoção da capitã Kirio Hikifune, que nem aparece fisicamente. É apenas mencionada que ela foi promovida para o Esquadrão Zero, o batalhão especial da guarda real. Um nome a ser guardado, porque seria massa se realmente Kubo trabalhasse com o Esquadrão Real algum dia no futuro e essa pessoa surgisse. Mostra que o autor do mangá tem várias coisas planejadas aqui e ali, para serem usadas algum dia. Isso apenas demonstra que nem tudo em Bleach acabou. Há coisas que mereciam ser explicadas. Fico até pensando se estes fatos envolvendo a câmara dos 46, esquadrão zero, guarda real, não poderiam estar relacionados ao que Isshin era quando vivia na Soul Society (presumindo que viveu). Porque se a história passa a 100 anos no passado, aonde diabos ele estava? Ainda era um humano talvez. Quando os personagens simplesmente não são mostrados, ou eles vivem lá na cidade das almas, o tal rukongai, ou estão envolvidos com a parada da realeza da Soul Society. O mistério em torno de Isshin pode muito bem não ter sido explicado até hoje porque o Kubo ainda não entrou na história desse pedaço da Soul Society. Mas é só especulação minha, olha só como um bom arco (ainda que minúsculo) já me anima a falar de Bleach?

Também não me lembrava do Hisagi criança, dele sendo salvo pelo Kensei e também disso ser o motivo da tatuagem 69 que ele tem em seu rosto. Muito bacana. A história do Gin, Tousen, Aizen e até mesmo do Hirako eu me recordava e até aí não tem nada demais a ser recordado. Vale lembrar que nem todo o passado do Aizen é explicado aqui, porque neste momento ele já é um vilão, ele já tem objetivos secretos contra a SS. Mas de onde surgiu essa obsessão de Aizen, por que ele se tornou o vilão que conhecemos? Turn Back the Pendulum não explica isso, o que significa que esse momento da história é ainda mais antigo. Também não me recordava da linhagem da Yoruichi, a família “Shihouin”, que é uma das quatro grandes famílias aristocratas da SS. Quem são as outras três? A do Byakuya é outra? Possivelmente, né. Legal também porque não me lembrava do Byakuya pequeno, nervosinho e irritado com as provocações da Yoruichi. Outro detalhe bacana do arco é o Ninho dos Vermes, a prisão da Soul Society. Um local que ainda pode ser usado para sagas futuras, dependendo do que Kubo precisar.

O arco começa no volume 36 e termina lá pelo meio do 37, onde a história retorna para a batalha na fake cidade da Karakura, entre o Gostei 13 e os Espadas de Aizen. Aí toda a bela estrutura e peças do quebra cabeça do universo deo Bleach voltam ao normal, mais ação e menos cérebro. Não que não seja divertido, mas realmente não sobra dúvidas que prefiro muito mais o Bleach histórico do que o Bleach das batalhas. Quero mais detalhes da imensa galeria de personagens, quero saber como funciona a politicagem da Soul Society, quero ver o passado e como tudo acabou sendo do jeito que era. Bleach é legal quando começa a responder as coisas, porque as batalhas acabam se esticando demais e tudo fica chatão.

Agora tem os preparativos para a batalha do Ichigo contra o Ulquiorra e a batalha dos 4 pilares na fake Karakura, contra os 4 tenentes: Madarame, Ayasegawa, Kira e Hisagi. Neste volume apenas a batalha do Ayasegawa é concluída, os demais ficam para os próximos volumes. Não que eu não goste da revelação do verdadeiro poder da espada do Ayasegawa, porque é legal ele ter uma habilidade que não usa, mas é uma batalha que apela pra comédia, porque o Espada que Kubo fez é uma palhaçada que só. Em nenhum momento o leitor consegue levar o tipinho a sério. Se não houvesse mais trocentas batalhas até o final desse arco, até que a gente se divertiria mais com os momentos de ação em Bleach. O problema do Kubo aqui é que ele colocou coisas demais, extendeu muito as batalhas e desenvolveu pouco a história, mesmo porque todo mundo já sabia que Ichigo ia chegar e salvar todo mundo.

Enfim, encerro essa semana o leitura de quadrinhos em atraso. Até a próxima!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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