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Assassin’s Creed | O fim de uma era!

Requiescat in pace, Ezio Auditore!

Demorei mais do que eu devia pra postar a quarta e por hora última parte desse verdadeiro diário que foi atravessar os games da série Assassin’s Creed (antes disso eu falei daquele que me deu sono, daquele que foi FODÃO e daquele que manteve o nível). E pra falar a verdade nem foi tanto por preguiça, foi mais porque eu não me senti animado pra comentar mesmo. As pequenas novidades presentes nesse jogo não me animaram muito e a promessa que eu tinha feito a mim mesmo de aproveitar mais tudo o que Revelations tinha a oferecer ao invés de bancar o gamer speedrun foram por água abaixo. Eu juro que me esforcei, mas não me senti motivado a treinar a irmandade, tampouco procurar aquelas missões de dar ordens e proteger territórios.

Eu só não ignorei também aqueles mini games em primeira pessoa porque cai na besteira de não tê-los visto durante os momentos de gameplay com o Desmond e o sujeito 16 presos no Animus. Mas acabei comprando o DLC Lost Archives e depois de uma rápida pesquisa é que fui saber que aqueles espelhos enormes eram entradas para cenários com uma exploração em primeira pessoa.

Aliás achei uma lástima a Ubisoft optar por uma ação com o personagem nesse sentido. Meses antes do lançamento a promessa era a de que teríamos mais momentos com o personagem, declaração essa que me remeteu automaticamente a ação vista em Assassin’s Creed Brotherhood. Mas no fim, a escolha por uma jogabilidade alá Portal só se consagrou como uma grande decepção pra mim.

Mas também pudera né, o limite já não estava estampado apenas nas vestimentas surradas do Ezio, mas sim nessa sensação de mais do mesmo que não passou despercebida como no jogo anterior. Até pra sentir um pouco de emoção de verdade com o desfecho da história do Ezio eu tive de fazer uma forcinha.

A verdade é que demorou, mas Assassin’s Creed enfim se mostrou uma franquia cansada ao chegar em Revelations. As mecânicas continuaram as mesmas, os novos apetrechos e a mudança de ares até animaram, mas não renovaram o gameplay de modo satisfatório e certas adições como dito acima foram totalmente desnecessárias pra mim. Eu já sentia um pouco desse cansaço em Brotherhood, era aquela típica sensação de ter visto muita coisa até chegar ali e o dever de terminar tudo era quem falava mais forte. Se bem que aquele início cinematográfico, a agitação de Roma e a presença mais forte dos personagens secundários, além claro da adição da irmandade também me cegaram para esse fato.

Olhando pra trás vejo que o melhor ficou em Assassin’s Creed II mesmo, ali era o momento de renovação, o gás era outro, a rotatividade de personagens foi maravilhosa e ali sim você ainda tinha o que esperar de um vilão final. Mas eu renovo as minhas esperanças de que um game caprichado de cabo à rabo apareça agora com Assassin’s Creed III. E enquanto isso não acontece vou falar do pouco que aproveitei em Revelations. Afinal nem tudo foi tão broxante, se tem uma coisa certa aqui é o fato de que esse game vai ficar marcado não só pelo fechamento da trajetória do Ezio, como também pela consagração do velho Altair.

Infelizmente quando falo em Assassin’s Creed não consigo deixar os spoilers para trás, então se você ainda não jogou esse ou mesmo outros jogos da franquia, esse texto e terminantemente proibido pra você. Fica a dica.

O cenário é a cidade da Constantinopla, foi numas esquinas meio cinzentas com leves tons de marrom muito parecidas com a desse lugar que eu aprendi a detestar o primeiro jogo enquanto pescava no meu sofá. Mas essa cidadela no geral é anos luz mais atraente. Gostei mesmo daquelas tirolesas, com o bico de águia (acho que era esse o nome) fugir dos guardas deixou de ser algum esforço e de quebra ainda dava pra trollar a multidão que ficava na frente sempre que rolava uma perseguição.

O já conhecido esquema de salvar cidadãos e chamar o pessoal para integrar a irmandade voltou pra minha grande surpresa. Nem sei bem o porque, mas quando eu terminei Brotherhood fiquei mesmo achando que a Ubisoft se livraria dessa opção e me espantei ao vê-la novamente. Só achei uma pena os comandados mais uma vez não terem um papel importante na história. Muito pelo contrário, são puramente opcionais, com exceção de uma passagem da história que te obriga a pegar nem que seja uma ou duas pessoas para uma missão mais a frente. De resto dá pra fechar Revelations tranquilo sem nem lembrar que eles existem.

Tudo bem que tem aquelas missões em outras regiões e tal, mas pra mim aquilo perdeu a graça já no próprio Brotherhood, porque depois dali não havia nada demais pra se fazer com a rapaziada já treinada. No Revelations acho que eles ainda serviriam para aqueles extras com o Ezio no telhado, numa vibe meio Age Of Empire, dando ordem na geral pra proteger territórios e coisa e tal. Mas sinceramente, essa novidade foi mais broxante que os puzzles em primeira pessoa e dei graças à Deus pela Ubisoft não me forçar a jogar aquilo para avançar na trama.

Teve também a adição das bombas e eu gostei disso, sempre parava pra fazer umas misturebas, apesar de achar um saco procurar os lugares pra você produzir cada uma. Só achei bobagem vir com essa idéia só agora, me lembro que no Assassin’s Creed II o Ezio podia comprar bombas de fumaça em Florença, mas quando veio Brotherhood as bombas simplesmente foram vetadas sem mais nem menos.

Mas extras e mais extras à parte, a verdade é que quando penso nos últimos Assassin’s Creed (excetuando o II) a coisa mais nítida possível pra mim é que os jogos são curtos demais para comportar tanta atividade adicional. Cada capítulo que você termina abre um mundo de coisas pra se fazer quando na verdade você nem sequer terminou de dar conta dos afazeres anteriores, sem contar que nem metade dos objetivos tem um estímulo bacana.

São locais para comprar, ferramentas e armaduras idem, missões secundárias, itens colecionáveis, mas nada, nada disso faz muito sentido pra mim com um tempo de gameplay tão curto e quando você sabe que na sequência a ser lançada no ano seguinte vai começar tudo de novo com um retoque aqui e outro ali. Como nesses jogos anuais de FIFA e PES onde a EA e a Konami tentam convencer você de que estão realmente fazendo algo de novo.

Daí vocês vão dizer: ”ah, mas isso foi  por causa do Assassin’s Creed III que estava sendo desenvolvido paralelamente a esses jogos todos e por isso acabou desviando um pouco do trabalho pesado pra si”. Tudo bem, a gente percebe isso pelos vídeos e as promessas mil da Ubisoft, mas isso não justifica o fato de que um jeito melhor de planejar isso era ir com calma, dando tempo não só para os fãs respirarem, como também dando chance a quem está de fora de se animar a conhecer a franquia.

Atropelar dois para dar prioridade à outro numa tentativa desesperada de lucro, de não deixar a galinha dos ovos de ouro parar de produzir é bobagem. Se hoje temos uma base enorme de fãs por causa disso, ela poderia ser ainda maior com as devidas pausas sendo feitas. E isso refletiria melhor no resultado final de jogos como Brotherhood e Revelations, os quais muitos consideram mais como DLC’s do que conteúdo novo que justificasse mais um disco.

Claro que essa é apenas a minha opinião, a maioria aqui talvez goste de explorar tudo o que o jogo tem a oferecer depois que o acaba. Já eu gostaria de aproveitar tudo isso paralelamente à história principal mesmo. Inclusive tendo em vista a correria que foi começar tudo desde o início era exatamente assim que eu queria fazer as coisas, mas quanto mais vezes eu freava a narrativa principal na tentativa de conciliar esses dois momentos, mais eu ia chegando perto do final e me perguntando: quem tem maior espaço nesse jogo? As side quests ou a história principal?

Claro que não foi bem essa sensação de estar num Skyrim da vida que me desestimulou, eu só não via mais graça no repeteco que virou as mecânicas, nem nas novidades que em nada levantavam a moral do jogo aos meus olhos. Então no final das contas, Revelations não virou um pé, mas sim dois pés no saco.

E o resultado? Eu acabei quebrando mais uma vez a minha promessa de aproveitar melhor tudo o que tinha no jogo. Broxei legal, fechei o game e fiquei um bom tempo sem nem olhar pra capa da minha Signature Edition. Meses depois isso passou, mas não tive mais ânimo pra ir atrás de troféus, já não tinha mais clima. Acho que eu não fui feito pra curtir side quests, ao menos não nesse jogo. Porque senti falta daquela linda Veneza, da animação em Florença, queria ver outra daquelas conversas bacanas entre o Ezio e o Leonardo Da Vinci, queria que o Tio Mario pudesse me chamar de novo para uma invasão a algum forte de um tirano qualquer, mas não dava mais.

A história desses personagens já havia terminado e a cidade de Constantinopla depois do término do jogo me pareceu mais morta e sem graça que todas aquelas cidades robotizadas lá do primeiro jogo. Não tive ânimo algum pra fazer o que quer que fosse. Parecia que todo mundo já sabia a hora de se retirar, menos o Ezio, ou melhor dizendo, o meu Ezio. Ali em cima daquele telhado, sem mais nada de relevante pra se fazer.

Revelations só voltou pra bandeja por conta do DLC Lost Archives que só não achei mais tedioso porque ao menos explicou a história do sujeito preso dentro de Animus junto com o Desmond. Como eu corri que nem um louco pra fechar Brotherhood nem fiquei sabendo da ceninha extra com ele por conteúdo baixável, então quando comecei Revelations fiquei simplesmente boiando sem saber quem ele era.

Essas e outras são algumas sacanagens que essa enxurrada de DLC’s traz pra gente. Mas tudo bem, deu pra amarrar algumas pontas soltas e eu percebi o quanto eu ignorei involutariamente certos detalhes da história, incluindo o porque daquilo ter acontecido com a Lucy. Aliás se a história não der um giro inesperado de 360 graus não haverá porque sentir a ausência de algumas figuras no próximo jogo.

Infelizmente continuo não sendo o maior manjador quando o assunto é entender esse universo de cabo à rabo, mas acho que das minhas birras com a franquia essa é sem dúvida a menor delas.

No que diz respeito aos personagens novos, alguns foram bem criados enquanto outros mal fizeram diferença. O Yusuf por exemplo chegou pra situar o Ezio, dar uns toques sobre como usar habilidades que ele já deveria saber e só. Quando lembro do personagem só consigo pensar no fim sem graça que ele levou, pra mim ele foi aquele típico coadjuvante que costuma sair da cena sem encantar, sem te empolgar e sem uma explicação lá muito convincente já que nada relacionado à ele desde o início importou muito.

Já a chará da Dakini eu gostei mais, Sofia Sartor era a mulher que estava faltando aparecer na vida do Ezio depois de tanta… errr, deixa pra lá. Eu adorei a atenção que os produtores deram para o que o Ezio passou a sentir depois que ele conheceu ela, isso enriqueceu o personagem ainda mais na minha visão. Mostrou que depois de tanta loucura nessa vida, até mesmo o maior dos garanhões tem que se aposentar um dia. E o breve dilema que encurralou os pensamentos dele sobre trazê-la ou não para a sua realidade foi a prova final de que o mestre dos assassinos estava de fato envelhecendo.

Assim como o Yusuf sempre me lembra do lado mais precário em termos de narrativa desse jogo, a Sofia provoca em mim exatamente o oposto. Afinal foi ela quem desvendou os livros que levavam o Ezio até as chaves para o passado do Altair. O ponto mais alto desse jogo sem a menor sombra de dúvida.

Outra coisa que eu achei broxante foi o vilão final ter sido o menos expressivo de todos já vistos na série. Já esqueci o nome do tio do Salim, mas também nem importa muito. O cara ficou atrás das cortinas por mais da metade do jogo e a revelação de que ele era o mandante das buscas pela chave da biblioteca do Altair não me surpreendeu em nada. Não porque eu já soubesse, simplesmente eu não vi emoção nem nesse e nem nos outros momentos que se seguiram. Até que se criou uma tensão com o Ezio preocupado por ter envolvido a vida da Sofia no meio daquela história toda, mas o desfecho (que até teve uma execução criativa antes de ser consumado) pra mim foi o mais pobre de todos.

Eu só não considero Revelations o último da fila caso quisesse jogar algum game da franquia de novo porque só nele está a consagração do Altair. Acho que dos objetivos secundários, pegar todas chaves para a bliblioteca do primeiro assassino foi a primeira coisa que eu consegui. E era um saco pegar tudo e ainda ter que voltar pro QG dos assassinos pra conferir o resultado, mas cada memória da antiga irmandade foi um show à parte. Duravam pouco, é verdade, e o enredo que se criou com o Altair e um velho amigo se separando por conta de divergências quanto ao uso do fruto do Éden foi meio forçado na minha opinião, mas voltar a jogar com o cara que abriu a franquia acabou sendo mais interessante que isso.

Já tinha adorado aquele fragmento de memória do Altair se encontrando com a Maria no alto daquela torre com o Desmond presenciando tudo ainda em Assassin’s Creed II. Logo, ver o que aconteceu no futuro dos dois foi melhor ainda, só fiquei meio descontente por não ter visto tantos detalhes quanto gostaria sobre a vida dos dois. Mas com exceção das partes onde a gente mal consegue andar devido aos cabelos brancos do personagem, tem muito momento ali que me fez desejar jogar 90% do jogo com o Altair ao invés do Ezio.

Uma ironia e tanto aliás, porque ainda me lembro claramente (tá.. nem faz tanto tempo assim) de começar Assassin’s Creed II aliviado por finalmente ter deixado o primeiro jogo para trás. Sem falar que no gameplay com ele não há nenhuma novidade pra te deixar boquiaberto. A movimentação segue a mesma mecânica cansada e nem armas novas você chega a usar. Mas o segredo, a promessa de não apenas uma, mas várias revelações como o próprio título sugere, move qualquer um que tenha terminado o primeiro jogo pra descobrir mais daquilo.

Eu mesmo cheguei a dizer isso no meu primeiro diário, que o primeiro Assassin’s Creed começou promissor, depois entrou num loopin desgraçado, mas que por incrível que pareça terminou me deixando com vontade de jogar mais. E Assassin’s Creed II não supriu esse meu desejo, porque era os fatos seguintes sobre a vida do Altair que realmente me intrigavam. E enfim, acho que eu não sou o único quando falo disso, a diferença é que eu não precisei esperar mais de 2 anos pra rever o personagem.

Acho sim que esse desejo em ver mais do antigo protagonista foi o que o tornou consagrado agora, enfim honrado depois de ser lembrado por muitos como ”o cara daquele primeiro jogo que não foi tão bom assim”. E não só porque ele fez a diferença mesmo inserido num ambiente repetitivo, mas porque a narrativa por trás dele foi maior do que isso. Aliás ela sempre será, porque pra mim essa é a maior virtude dessa série. Não fosse a competência de quem esteve por trás dela, Revelations teria sido ainda menos significativo pra mim.

E ainda enaltecendo o que há de bom nesse enredo. No fim da contas os dois maiores assassinos da história chegaram ao fim de suas vidas sem saber ao certo como dar fim à uma guerra ou mesmo se os esforços de cada um um dia serviram mesmo pra isso. O Ezio ainda foi mais longe e admitiu ser apenas um mensageiro do Desmond, o que me deixou meio triste. Sei lá, por um momento eu tentei me sentir no lugar dele, tentando se conformar com idéia de que tudo um dia tem um fim.

Não importa se você chegou ao fim desses trilhos que a gente chama de vida sem ter conseguido encontrar todas as respostas para as suas perguntas. Porque assim é a vida e sempre vai ser.

Posso ter viajado demais com as reflexões, mas gosto porque Assassin’s Creed é um dos poucos jogos que me provoca isso e acredito mesmo que foi essa a mensagem que fechou Revelations e ainda de quebra teve até um espaço a mais em Assassin’s Creed Embers, a animação que finaliza a história do Ezio numa tentativa meio melancólica e tal, mas que não funcionou muito bem em mim.

Embers só não foi de todo mal porque apesar de eu não ter gostado muito do estilo de animação adotado, tirei o chapéu para as palavras de sabedoria que o mestre escreveu numa carta e que gostaria de compartilhar tanto com quem viu, como com quem não teve ainda oportunidade de ver Embers.

“Quando eu era jovem, eu tinha liberdade, mas não a via. Eu tinha tempo, mas não sabia. E tinha amor, mas não sentia. Muitas décadas se passariam até que eu compreendesse seu verdadeiro significado.”

EZIO AUDITORE DA FIRENZE em carta para Sofia, no dia de sua morte.

Pra quem não conhece o Ezio e esbarra nessas palavras, muito provavelmente vai achar que elas não passam de um mensagem motivacional ou de um conselho qualquer. Mas pra quem viu aquele rapaz inconseqüente, aquele brigão mulherengo crescer e amadurecer dizendo isso anos mais tarde, sei lá… é muito foda.

E assisti a animação duas vezes e nas duas ocasiões um cisco maldito entrou no meu olho justamente enquanto ele dizia essas palavras (se é que vocês me entendem),

Mas é isso, ainda tinha que ter dado uma olhada no multiplayer, mas já não me sinto animado pra investir nas DLC’s a essa altura do campeonato, prefiro deixar pro próximo jogo. Além de fazer isso, até outubro chegar ficarei aqui me perguntando se a trajetória do mais novo assassino vai ser tão marcante quanto foi a do Altair e do Ezio. Ainda que Revelations não tenha sido o jogo mais bem executado da franquia ao meu ver pelos motivos citados acima, ele sem dúvida vai ser sempre lembrado por mim como o jogo que fechou brilhantemente a trajetória desses dois homens.

E enfim, que a renovação se faça presente no vindouro Assassin’s Creed III.

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K o n S a m a

Do ser sem razão a essa explosão de emoção, do preguiçoso leitor ao (meia-boca) escritor, do tímido calado ao ator inquieto, do caminho já traçado à esquina do destino incerto. Tentei me definir, mas sem sucesso. Games, filmes, música, animes, são só o começo desse quebra-cabeça sem nexo.
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