Japão

Naruto: Uma relação de amor e ódio! (Opinião)

Uma história sobre ninjas e OH WAIT!

Por Lucas Tillwitz

Ao contrário de muitos, meu desgosto por Naruto começou após o Arco Pain, mais precisamente durante o Arco da Reunião dos Kages. Foi ali que a mão do japonês se perdeu de vez, me fazendo quase desistir de acompanhar Naruto. O estopim foi ver uma Sakura se acovardando e um Sasuke perdendo de vez a sanidade por um ideal turvo e completamente imbecil. É claro que até chegar neste momento, vários fatores foram acumulando-se.

Na realidade, os sintomas de que algo estava para dar errado começaram a aparecer no Arco Jiraya-Itachi. A atitude de matar dois dos melhores personagens de todo o mangá foi corajosa. A despedida do Jiraya foi uma das coisas mais lindas que eu já vi na minha curta vida de leitor. Porém, no meio das divagações do Ero-Sennin, uma lembrança me chamou atenção. Fomos transportados para o Monte Myoboku e apresentados a um jovem Jiraya, treinando seu Senjutsu. O Gama Dai Sennin, o Sapo Profeta, disse para Jiraya que possuía uma profecia (dããã) relacionada a ele e a um pupilo que o mesmo viria a treinar. O conteúdo da profecia era de que Jiraya treinaria um homem que mudaria o mundo. Este mesmo pupilo traria a paz ou a total destruição ao mundo.

Entenderam o que isso significa? Significa que alguém está limitado a trazer o caos ou o Nirvana. Ele não possui a escolha de ser “só mais um”. “Ele? Ele quem?”; Naruto, oras. Ou vocês pensariam que Kishimoto iria deixar Minato ou Nagato ser o Garoto da Profecia? Todavia essa profecia, esse “destino”, vai contra o próprio loiro. Na luta contra Neji na fase Clássica, depois de todo o discurso de ódio do Hyuuga, Naruto diz que as pessoas podem fazer seu próprio caminho e que nada é imutável. Mal sabia o nosso querido protagonista de que isso não se aplicava, justamente, a ele. É duro dizer isso, mas Naruto, desde seu nascimento, estava fadado a ser o Salvador do Mundo. Ele não escolheu ser quem é. Ele foi levado a ser assim. O próprio Minato se garantiu disso. Em um primeiro momento isto pode parecer algo irrelevante, mas é de grande importância no momento em que falamos de um protagonista que lutava exatamente contra isso. Não que isso tenha tirado o brilho do mangá. Mas foi meio que um “tô nem aí” pro roteiro.

Aliás, falando em protagonista, um teste rápido: Para você quem é realmente o protagonista do mangá: Naruto ou Sasuke? Eu sinceramente não saberia responder. Não que isso seja algo ruim. A trama Uchiha é maravilhosa e muito inteligente. O problema nem são os Uchiha e sim sua linhagem. O sharingan sempre foi a desgraça do clã e se tornou uma das maiores desgraças do mangá. Você ainda se lembra daquele sharingan que apenas copiava os jutsus, lia o fluxo de chakra, era capaz de captar movimentos e conjurava genjutsus de alto nível? Difícil, eu sei. Esse sharingan pode ser considerado um lixo (e olha que eu o acho bem fodão!) frente à suas evoluções. Uma evolução para MS até era aturável. Afinal, o que seria de Itachi sem seu MS? O que seria da trama Uchiha sem mais este ponto de discórdia? Mas Kishimoto não parou por aí. Nos é apresentada mais uma evolução do Sharingan, o FMS. E aí sim, virou um circo de Doujutsus. Um ninja com Amaterasu, Tsukuyomi e Susano’o é mais do que suficiente. Para completar a receita, Kishimoto coloca mais um Doujutsu na parada, o Rinnengan. Nada contra. Acho-o menos apelão que o Sharingan (sério). O problema é quando um Doujutsu considerado raro (raríssimo) é utilizado por dezenas de pessoas. Contando agora, o Rinnengan já foi utilizado por 17 pessoas! Com a vinda do Rinnengan na trama, foi introduzida a lenda do Rikudou Sennin. Opinião extremamente pessoal, mas achei desnecessária essa historinha do Rikudou. Qual impacto disto na história? Paralelamente a isso, o nível das lutas foi para outro patamar. E isso não foi bom.

Hoje, ninjas como Neji ou Rock Lee que eram considerados gênios no clássico, ficariam no chinelo para shinobis como Naruto e Sasuke. Até Sarutobi, que um dia foi aclamado como o Deus Shinobi não sairia ileso em uma luta que tenha algum destes dois monstros. A inteligência, a sagacidade, a análise de luta foram para o espaço. Agora, é poder pra cá, poder pra lá e nada que caracterize verdadeiros shinobis. Sendo assim, não há espaço para personagens mais “inferiores”. Talvez more aí a reclamação de vários fãs da série, que argumentam que seus personagens favoritos tenham sumido do mapa. Não há como ninjas mais inferiores conseguirem sobreviver em um mundo dominado por Sharingans, Rinnengans, Mokutons e Bijjus da vida. Esse “bom senso” foi simplesmente descartado para dar lugar a uma estátua que, ao desembainhar a espada, destrói montanhas e tudo o que vê pela frente.

Apesar de tudo, eu adoro Naruto. É um mangá que possui um enorme carinho da minha parte. Penso que o mangá como um todo (Clássico+Shippuden) possui muito mais acertos do que erros. E percebo que o autor está sim se esforçando para fechar com chave-de-ouro essa série. Pena que durante o trajeto, algumas pedras tenham calçado nossos sapatos. Por fim, pediria para que você, amigo leitor, refletisse não sobre os momentos ruins, mas os bons de Naruto. Aqueles momentos, atitudes tomadas pelo autor e arcos que fizeram você vibrar, chorar e se divertir; enfim, o que lhe marcou e marca nessa grande (sim!) obra.

[Créditos ao  Zerochan pelas FanArts]

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Rackor

Gamer de fliperamas aos consoles, passando pelo saudoso GB Color e seu Pokémon Yellow. Leitor de mangás, e dou preferência a estes ao invés de animes. Mais recentemente descobri as HQs, e desde então sou fã da trajetória de Geoff Johns em Laterna Verde, entre outros clássicos como Watchmen.
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