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Álbum para se ouvir na Íntegra: Hymn to Life

A Obra-Prima de Timo Tolkki

Sempre achei muito interessante o quão tênue é a linha que separa a genialidade da loucura, em algumas pessoas essa linha praticamente desaparece, deixando a genialidade e loucura totalmente expostas. Esse é o caso do talentosíssimo Timo Tolkki, homem que além de outras façanhas foi líder (pensador) do Stratovarius durante muito tempo, porém, foi num álbum solo que ele foi capaz de nos mostrar sua alma.

Hymn to Life é o segundo álbum solo de Timo Tolkki, um álbum conceitual, onde ele consegue transmitir em cada canção suas emoções mais profundas sobre diversos aspectos sociais e espirituais, amor e ódio, alegria e dor, fé e descrença, esperança e desespero, coragem e desilusão. O álbum foi lançado em 2002 e conta com a participação de ninguém menos que Michael Kiske (Helloween/Avantasia, etc) numa das mais belas músicas que tive o prazer de ouvir e também da linda Sharon den Adel (Within Temptation) em outra bela faixa.

Se você pensa que vai ouvir músicas cheias de guitarras rápidas e baterias galopantes como está acostumado a ouvir no Stratovarius você se engana, sendo assim, o pessoal “True” deve passar longe, pois aqui o que vemos é uma variação de ritmos e melodias extremamente bem arranjadas e com pegadas mais pop (sem ser brega), rock (sem soar como essas bandinhas novas) além de outras pegadas até “estranhas” fazendo de cada música uma experiência única.

É muito fácil encontrar as evidências de genialidade e loucura nesse álbum, pois, em cada uma das músicas você consegue identificar um pouco de loucura transmitida através de ótimos versos e melodias.

 Espero que aprecie a viajem:

1 “Primal (intro)”

Nada além de um grito de um ser que possivelmente criou a coragem de sair da caverna e viu pela primeira vez o mundo como ele realmente é.

2 “Key to the Universe”

Música lindíssima cantada por Michael Kiske de forma intocável nos fala que nem todos os dias são bons, porém, se olharmos ao redor, perceberemos a beleza da vida e que a chave do universo é o amor, e só essa chave pode mudar a humanidade.

3 “Now I Understand”

Música limpa e direta que fala sobre a quantidade de sentimentos que jazem dentro de cada um de nós e buscam a liberdade, e que temos que entender que cada semente plantada hoje é um fruto que será colhido amanhã.

4 “Divine”

Entender que coisas Divinas podem ser encontradas num sentimento, num carinho, num olhar.

5 “Little Boy I Miss You”

Música muito comovente sobre a saudade que um pai sente por um filho morto.

6 “I Believe”

Pop rock muito bem desenvolvido que fala que a humanidade está cega e que a hipocrisia domina nossas mentes, outro aspecto interessante dessa música é o questionamento sobre algumas “verdades absolutas”.

7-“Are You the One?”

Música cantada por Sharon den Adel (impossível imaginar outra voz nessa música) mistura realidade e fantasia através da fragilidade dos sentimentos.

8 “Father”

Música densa, suja e pesada que fala sobre o quanto ele odeia o próprio pai que se suicidou e quanto ele gostaria de tê-lo matado. Realmente essa música não é pra qualquer ouvido, pois é de difícil digestão, porém, mais difícil ainda é imaginar como alguém consegue transmitir tanto amor através do ódio, quase um paradoxo. Vale a experiência!!!

9 “Fresh Blue Waters”

Música com uma pegada Country (favor não interpretar como Sertanejo Universitário) onde ele se pergunta onde foi que se perdeu e a possibilidade de encontrar as respostas nas águas azuis do mar.

10 “Dear God”

Questionamentos existenciais sobre a vida, o universo e tudo mais (42???), sobre os planos de Deus, sobre quem é Deus, se somos marionetes, ou se há livre arbítrio, o que é real e o que é imaginação.

11 “It’s Xmas Morning”

Referência à sua infância onde o maior presente de natal seria a paz.

12 “Hymn to life”

Enfim chegamos à última música, na verdade não é só uma música é realmente um “Hino para a Vida”, alguém que conseguiu abrir os olhos e refletir sobre os caminhos que a humanidade anda seguindo, sobre o que impera na sociedade e sobre as inversões de valores, mas possui um refrão lindo de esperança, coragem e paz. Outro ponto alto desse Hino é a utilização da mesma mensagem que Chaplin utilizou no clássico filme “O Grande Ditador”.

Espero que se você chegou até aqui possa ter apreciado as músicas e compreendido o conceito, pois a maior beleza de cada uma delas é a condição de ser a manifestação artística dos sentimentos mais profundos de uma mente um tanto quanto insana. E também porque cada uma delas nos mostra o motivo de tal insanidade.

Até mais…

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Gustavo Grangeiro

Gamer desde a época que não existia Pause, que o Atari estragava a TV (Telefunken), que o Mario ainda se chamava Jumpman, e que Fliperama não era lugar para bons meninos. Amante de uma boa leitura de ficção, filmes e séries. Sou baterista (sem banda) e adoro falar bem e mal de tudo que é ligado a rock and roll e suas derivações "legítimas". Aceito uma discussão sadia sobre qualquer assunto, principalmente os polêmicos.
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