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Impressões | Spec Ops: The Line

Porque quando você percebe, cruzou a linha.

Spec Ops: The Line foi um jogo que alguns amigos jogaram e comentaram por ser algo que foge um pouco a mesmice vivida pelo gênero que gira em torno de fórmulas e sistemas há muito vencidos, em minha opinião.

O jogo é em 3° pessoa, e isso às vezes torna a coisa toda meio monótona, entrando e saindo de cover, dando headshot, entra no cover, headshot, cover, headshot, granada, cover.

Mas essa coisa sistemática, talvez seja um dos maiores agentes do impacto que a história de Spec Ops causa. O fator mecânico de sempre avançar, matar, e completar missões realmente é o maior protagonista. E você não percebe isso o jogo todo.

O jogo começa com uma equipe tática, você o comandante, e seus dois companheiros.  Tempestades de areia assolaram Dubai e todos os ricassos fugiram, sobraram os cidadãos comuns e um batalhão que havia se oferecido para evacuar o restante das pessoas. Só que esse esquadrão SUMIU. Nada se sabe.

Esquadrão Delta ao resgate. E lá vamos nós. Começo com alguns “caras maus”, com cara de terroristas pra você atirar e nada demais. Conforme você avança e vai descobrindo o que realmente aconteceu com o esquadrão e tem alguém por trás do caos que existe na cidade, o jogo começa a tomar belas proporções.

O jogo em si é bem feitinho, tem o visual arrumadinho, uns efeitinhos legais, a soundtrack é muito bem escolhida e casa bem com os momentos, e o gameplay é bem fluido . Mas as entrelinhas do jogos é que o fazem realmente valer a pena.

Onda após Onda de inimigos, você começa ver o horror que tomou conta de uma cidade sem leis, e começa agir mais no impulso do que pensando realmente no que está acontecendo. Eu pelo menos acabei fazendo isso, o jogo conseguiu me envolver a ponto de realmente seguir em frente derrubando todo mundo, nem mais ligando pra lados ou pra certo e errado. Eu sabia quem estava errado.

Achava que sabia.

A grande sacada do jogo é colocar todo clima de jogo de “American Hero Rambo”, e você se sentir dentro de um, achando que a dicotomia estará presente e os dois lados já foram decididos. Você sabe qual é o seu, você sabe qual é  o daquele cara atrás da metralhadora. Por isso você atirou na cabeça dele não é? Por isso você tacou aquela granada explodiu aquilo tudo.

Você é o herói. Isso é tão martelado durante todo jogo que é lançado que você não tem dúvida.

Mas Spec Ops explode, destrói tudo que você achava que estava escrito em pedra. Não estava, e esse momento no jogo é sensacional. O jogo te controla meio que sem você perceber às vezes. O envolvimento da coisa toda é muito bem feito.

Spec Ops vale demais, ainda mais pros fanáticos pelo gênero, que além de um jogo genérico encontrarão uma questão muito importante, que eu acho que realmente não passou pela cabeça de muitos que jogam jogos desse tipo. E na minha opinião, o jogo ser sistemático e igual a tantos outros é uma essencial ferramenta de narrativa. Mas só jogando pra saber.

O jogo tem ainda um modo multiplayer que foi quase imposto pela publisher à desenvolvedora, e um modo coperativo, que não testei, mas li por aí que não se comparam ao valor da cammpanha.

O jogo dura umas 5 horas (fechei em 4:40 morrendo algumas vezes), e volta e meia anda em promoção no Steam por 15 reais, ou ainda, foi dado recentemente na PSN Plus de forma gratuita. É muita oportunidade para deixar uma experiência diferente dessas passar.

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Rackor

Gamer de fliperamas aos consoles, passando pelo saudoso GB Color e seu Pokémon Yellow. Leitor de mangás, e dou preferência a estes ao invés de animes. Mais recentemente descobri as HQs, e desde então sou fã da trajetória de Geoff Johns em Laterna Verde, entre outros clássicos como Watchmen.
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