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Crítica | Orange is the new Black – 1ª Temporada

A Dominação Feminina

Orange is the new Black é uma serie original do Netflix que retrata o dia a dia de uma bela garota de classe média que foi condenada a passar 15 meses numa penitenciária por transportar uma mala com dinheiro ilegal para sua namorada há 10 anos atrás, e agora precisa se adaptar ao novo mundo que a espera atrás das grades, aprender a conviver com mulheres que possuem uma vida muito diferente daquilo que ela estava acostumada a ver e viver. Lendo isso, parece que nada muito inovador acontece nessa série, ledo engano, pois, Orange is the new Black retrata o comportamento de mulheres que não se importam mais com padrões definidos na sociedade, como amor, sexualidade, responsabilidade, casamento, fidelidade, submissão, respeito, mostra mulheres vivendo praticamente numa realidade alternativa, praticamente num mundo sem homens, onde elas precisam aprender a serem autossuficientes em tudo, tudo mesmo.

Considero que esse é programa revolucionário em muitos aspectos, são eles:

Assista quando quiser:  Por ser um programa do já citado Netflix, todos os 13 episódios da primeira temporada foram lançados no dia 11 de Julho, sendo assim, o espectador tem total liberdade de assistir aos episódios como bem entender, de acordo com seu interesse, diferente das séries da TV convencional que são lançadas gradualmente.

A vida das Detentas: Outro aspecto que me impressiona é a forma com que as mulheres são apresentadas a nós espectadores. Em alguns episódios fazemos uma viagem ao passado de algumas “detentas”, e assim, passamos a compreender um pouco o motivo do comportando delas e perceber o quão humanas elas são.

Quebrando paradigmas de beleza:  A revolução também se dá no aspecto visual, pois, ali existem mulheres dos mais variados tipos de beleza e raças, algumas delas lindas, enquanto outras não possuem nem beleza interior, e isso acaba tornando o espetáculo ainda mais autêntico, pois afronta  aquele perfil Hollywoodiano de beleza feminina. Seria mais fácil fazer uma série num presídio só de “beldades”, mas o quão real seria isso?

Não é Oz Feminino: Antes que alguém questione, essa série não tem nada a ver com a série Oz, e acredito que os próprios criadores tinham essa preocupação sobre nossa possível interpretação de que se tratava de um Oz “feminino”, pois já no primeiro episódio o responsável da penitenciária diz para as novas detentas que aquilo “não é Oz”.

Todas são vilãs: Fica bem claro em cada episódio que dentro da penitenciária (assim como aqui fora) não tem nenhuma Santa (até tem uma louca que se considera Santa, mas isso é outra história), todas as detentas são passíveis de maldades, mudanças de comportamento, mentiras, manipulações e opressões, um lugar onde a lei da adaptação impera. Existe um dialogo muito interessante em que uma das guardas diz a uma detenta que ambas são iguais, a única diferença entre elas é que a Guarda não foi pega quando fez algo errado.

Um mundo sem sexo masculino: A cada episódio percebe-se o quanto a vida das detentas seria melhor sem os homens que as cercam, e quanto mais elas se afastam desses seres, mais percebem que não precisam deles pra praticamente nada, e por isso, alguns questionamentos sociais são levantados, como por exemplo, transar com outra detenta só para não enlouquecer de tédio ou necessidades físicas é considerado traição?

A dificuldade com a readaptação social: Muitas mulheres passaram tanto tempo na penitenciária que simplesmente não conseguem se readaptar ao mundo externo, ou nem querem tentar, transformando o presídio no verdadeiro lar e as outras detentas na sua verdadeira família.

Comédia dramática ou Drama cômico?: Enquanto a maioria esmagadora das séries que estamos acostumados a assistir possuem tramas profundas que nos fazem ficar totalmente absorvidos por suas complexidades, Orange is the new Black aparece como um bálsamo em meio a esse turbilhão, pois, tudo fica na superfície, mesmo  retratando o drama pessoal de cada detenta, muitas cenas hilárias explodem na tela, com um humor inteligente e agradável, então, ao contrário das demais, o que nos prende nessa série é a leveza, a fluidez e a simplicidade.

Superprodução: Quando as primeiras séries originais do Netflix foram anunciadas, fiquei com uma pulga atrás da orelha, imaginando que seria algo tipo “Novela da Record”, porém, hoje sei que essas séries estão fazendo frente às demais séries e até ganhando prêmios, e com Orange is the new Black fica evidente que tudo também foi muito bem elaborado, criado por  Jenji Kohan que é mesma criadora de Weeds, mesclando atores conhecidos (como Taylor Schilling que interpreta a protagonista Piper Chapman, o eterno estuprador de tortas Jason Biggs que interpreta o seu namorado Larry Bloom, e Laura Prepon que interpreta sua ex namorada Alex Vause), e atores desconhecidos e de rostos comuns para que a série seja vista com a maior naturalidade possível.

Então é isso, recomendo muito essa série, até pra fugir um pouco do caos de complexidade das demais séries da atualidade, mas devo avisar que muitas cenas devem ser assistidas sem nenhum tipo de pudor.

Segue abaixo o trailer:

E que venha Segunda Temporada!!!

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Gustavo Grangeiro

Gamer desde a época que não existia Pause, que o Atari estragava a TV (Telefunken), que o Mario ainda se chamava Jumpman, e que Fliperama não era lugar para bons meninos. Amante de uma boa leitura de ficção, filmes e séries. Sou baterista (sem banda) e adoro falar bem e mal de tudo que é ligado a rock and roll e suas derivações "legítimas". Aceito uma discussão sadia sobre qualquer assunto, principalmente os polêmicos.
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