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Opinião | E e o Xbox One após 3 meses de vida?

Impressões revisadas e complementadas! Melhorou ou piorou?

No próximo sábado, dia 22, o Xbox One irá registrar a marca de 3 meses desde o seu lançamento. Dizendo assim parece pouco, mas a sensação que tenho como dono de um é que parece muito mais tempo do que realmente é. Estranho essa sensação de parecer muito mais tempo. O curioso é que não sei dizer se isso é bom ou ruim. Mas com três meses, algumas coisas mudaram desde a minha primeira impressão com o console, postado aqui no Portallos dia 28 de novembro do ano passado, 6 dias após o lançamento mundial do mesmo. Felizmente mudaram para melhor.

A oitava geração de consoles começou, mas ainda não esquentou. Vejo que essa geração começou de uma forma muito amarga no geral. A Nintendo anda tendo problemas com o Wii U, a Microsoft como alvo de críticas depois de tanta merda dita antes do lançamento do Xbox One e a Sony com o “PS4K” que na minha opinião tem muito mais promessas pro futuro do que realizações feitas para a nova geração, e me preocupo com o momento em que a comunidade gamer vai passar a cobrar isso dela. Não é uma geração que começou com o pique correto e por isso ainda não conseguiram encerrar completamente a sétima geração, tanto que esse ano ainda há excelentes games saindo para Xbox 360 e PlayStation 3.

Só que pequenos ventos de mudança estão acontecendo e isso abre novos horizontes para o futuro. Assim espero.

Dashboard Updated

A primeira atualização sistêmica do Xbox One aconteceu nesse final de semana. Quer dizer, a metade da primeira atualização, pois a Microsoft prometeu para o início de março uma segunda atualização focada em arrumar e melhorar a experiência do multiplayer online do console, aprimorando tudo aquilo que foi criticado logo no lançamento do mesmo.

A primeira atualização ocorreu de forma bem suave, tenho que admitir. Como meu One está configurado para funcionar naquele modo em que ele baixa o que for necessário mesmo estando desligado, assim que liberaram a atualização ele já iniciou ela e quando o liguei no final de semana, já estava tudo baixado e pronto para ser atualizado. O que levou então menos de 5 minutos. Nesse ponto a tecnologia de update com o console desligado é realmente útil. Por exemplo, em janeiro muita gente alardeou uma atualização de 13GB para Dead Rising 3 que mal senti, pois o console acabou fazendo isso sozinho em uns dias em que mal tive tempo de ligar o mesmo.

Com 3 meses de uso tenho a percepção de que a nova Dashboard do Xbox One não é tão bizarra e ilógica quanto disse que achava ser na semana do lançamento. Tanto é que prefiro usar You Tube e Netflix nele do que no Xbox 360, que ainda mantenho na minha sala ao lado do One. O console liga realmente 5x mais rápido que o 360, ele acessa aplicativos e o inicializa muito mais rápido do que no 360, e os games também iniciam de uma forma ágil, mesmo com um longo loading inicial que parece que será algo de rotina da 8ª geração para evitar outros loadings durante o jogo em si.

A impressão que tenho é que agora eu passo muito mais tempo no 360 indo de um lugar para o outro para iniciar algo, pois a dashboard é lenta, enquanto no One é tudo muito rápido e intuitivo (depois que se entende a dash e os comandos de voz com o Kinect). Claro que o conteúdo que tenho no 360 é significativamente maior do que no One, mas ainda sim, entre ligar o 360 ou ligar o One, já passei a optar pelo console mais moderno. E isso é um bom sinal.

A nova dashborad não mudou radicalmente, como acontecia anualmente na era do Xbox 360. Foram apenas acrescentadas coisas que já deveriam estar nela, como o indicador da bateria do controle ou a opção de ver e gerenciar o conteúdo do HDD interno do console. E uma das minhas reclamações iniciais do aparelho também foram aprimorados, que foi a divisão da tela de apps e games, que felizmente foram separadas. Quanto ao gerenciamento do HDD não achei que o formato criado seja melhor que o do 360, porém não limita mais saber o quanto de espaço você tem e o quanto determinados games ocupam. Dá para gerenciar de boa tudo agora.

Lembra os 13GB de atualização de Dead Rising 3 mencionados acima? Com o gerenciador de conteúdo pude entender que estes 13GB não aumentam os gigabytes que o jogo possui quando fiz o download integral dele. Na verdade parte da atualização se integra dentro do conteúdo original do arquivo do game, que deleta do aparelho a versão antiga do game e com isso joga fora aquilo que não é mais necessário com a nova versão do jogo atualizada. Isso é muito interessante, pois pouca espaço e não enche o HDD com coisa desnecessária.

Então acho importante dizer que a estranheza inicial que a Dashboard possui quando se adquiri o console, e se você já vem da experiência de ter um Xbox 360,  some por completo depois de algumas semanas. O que é bom, pois demonstra que a adequação do usuário com o novo sistema acontece, e não é aquela coisa de detestar e parar de tentar se adaptar ao mesmo. Se acostumar é algo bom.

Promoções Digitais

Outro ponto que me motivaram a ligar mais o One nas últimas semanas foi o início das primeiras promoções digitais de games na Xbox Live Store. Essa semana mesmo a Microsoft admitiu estar testando a receptibilidade dos usuários em adquirir games digitais ao ofertar Ryse, que custa normalmente U$ 59 (R$ 199) por U$ 39 (R$ 133). É uma boa novidade a ideia de que os lançamentos de blockbusters possam vir a custar menos em seus formatos digitais em relação as mídias físicas, algo que alias acredito que já deveria estar ocorrendo. E isso não é algo que precisa vir somente da Microsoft, mas a Sony e a Nintendo precisam ficar espertas com isso, já que a Steam vem se tornando uma referência gigantesca para games digitais nos últimos anos. E parece mesmo uma tendência vendo as promoções digitais no Xbox 360 que já anda ofertando games entre 3 a 9 dólares com uma frequência satisfatória.

E com estas promoções acabei adquirindo dois novos jogos para o One: Crinsom Dragon (R$ 29) e Lococycle (R$ 19). Jogos que não tiveram lançamento físico, mas que nem por isso são menos divertidos. Adorei ambos pra dizer a verdade. São jogos de jogabilidade rápida, como são os extintos Xbox Live Arcade. É verdade que ambos não são perfeitos e que também não representam tanto assim um nova geração de consoles. Eles apenas cumprem o papel de serem bons e diferentes games.

Crinsom Dragon tem uma jogabilidade bem dura, apesar de parecer um pouco com Star Fox. É um jogo de nave (só que com dragões) em trilho, onde você consegue rodar em qualquer ângulo que quiser para pegar os inimigos em tela que aparecem de tudo quanto é lugar. A mira é complicada, e a velocidade da fase é maior do que você consegue dar conta, mas isso aumenta o desafio. No final das contas Crinsom Dragon não é um game fácil. Ele acaba incentivando o jogador a continuar graças a um sistema de recompensa que eleva certos atributos do Dragão e do piloto, como num RPG. Novas habilidades, itens e até mesmo dragões com categorias diferentes são destravados assim.

Já Lococycle é o contrário de Crinsom Dragon. Ele é extremamente simples, mas com aquele humor genial e único do estúdio que criou pérolas como Splosion Man, The Gunstringer e Comic Jumper. Parece realmente um game de arcade. Não tem quase nenhuma dificuldade, mas nem por isso deixa de ser menos divertido. Talvez fosse mais frustrante se o jogo fosse mais difícil, porque as fases dele são bem longas, ainda que sigam um padrão de repetição (e por isso a simplicidade e facilidade ajude a engolir isso). A diversão vem realmente por conta da história pra lá de absurda e o bom tom de humor que existe até mesmo durante o gameplay. Talvez não seja o melhor jogo da Twisted Pixel, pois deve e muito no desafio (Splosion Man era absurdamente maldito no desafio), mas ainda assim é um game que só ela poderia ter feito.

Mas só isso já foram motivos suficientes para ficar de olho no que o Xbox One pode me oferecer enquanto não surgem novos lançamentos.

Titanfall Beta

Aí entra uma das motivações para escrever esta matéria. A Respawn abriu no último final de semana o beta de Titanfall, que originalmente iria ser lançado junto com o Xbox One. E após testar o game, posso entender facilmente porque este deveria ser um game de lançamento do Day One. Não tenho a menor dúvida que se isso tivesse acontecido as vendas do One seria muito maiores do que as atuais. Fora que seria um tapa na cara da EA e o Call of Duty: Ghosts. Foi realmente uma tremenda sorte que CoD não precisou competir diretamente com Titanfall.

Vi muita gente comparando a impressão e experiência inicial de jogar Titanfall semelhante a quando puderam jogar Gears of War pela primeira vez no Xbox 360. E admito que mesmo sendo gêneros diferentes, é uma sensação familiar assim. Aquele sentimento de pegar algo com cara de novo. E não falo isso querendo enaltecer gráficos, estou me referindo a jogabilidade mesmo.

Titanfall mecanicamente parece uma mistura de Call of Duty com jogabilidade de Mirror’s Edge e elementos verticais e de escalação que vemos em jogos como Assassin’s Creed, tudo isso somado a capacidade de acrescentar robôs gigantes num shooter em primeira pessoa e ainda assim manter partidas em multiplayer de forma equilibrada onde qualquer pessoa, novata ou profissional, consegue se divertir de maneira surpreendentemente satisfatória.

Pode ser o vislumbre e a necessidade por jogos novos numa nova geração falando mais alto e afetando meu discernimento? Talvez. Mas acho curioso de ter gostado demais Tintafall considerando que nunca fui fã do gênero FPS e visão em primeira pessoa. Mas esta é a primeira vez que tenho a impressão de ter controle do personagem com a liberdade que sempre quis. Onde não preciso ver o personagem na tela para me sentir no controle dele. Titanfall passa essa imersão muito bem, independente de ser um vislumbre exagerado de início de geração, acredito que o game tem elementos que irão redefinir o gênero daqui para frente, da mesma forma que Gears of War e a Epic Games conseguiu na geração passada. Parece que a decisão da Respawn de mandar a EA para o inferno foi decididamente a correta, pois Titanfall nada mais é do que Call of Duty Future War que a EA não deixou os caras criarem.

O beta do game também foi o primeiro jogo que me fez entender e sentir o controle do One em sua plena capacidade. O tremor individual dos gatilhos, a suavidade e perfeição dos analógicos. Tudo é muito fluido, graças ao excelente desenvolvimento de gameplay somado as tecnologias aprimoradas do controle.

E tudo isso apenas com um beta. Fico imaginando o cenário depois do lançamento do game no próximo mês. De novo, que pena que a Respawn não lançou o jogo no lançamento do console. Faria toda a diferença sem a menor sombra de dúvida. E não se engane por vídeos de Titanfall. Você só vai entender a satisfação de jogá-lo pessoalmente. O game não apresenta gráficos estonteantes, mas isso prova que a 8ª geração não precisa necessariamente ser apenas sobre gráficos e sim uma oportunidade de aprimorar as mecânicas dos games, que precisam mesmo serem reformadas em determinados casos. É a forma e como jogar que parece pesar nesse começo de 8ª geração.

Kit Play & Charge

Uma coisa que não me incomodava lá em novembro, nos primeiros dias do One, mas que logo percebi que não foi uma boa sacada da Microsoft: controle com pilhas. E é fato, o controle do Xbox One consome muito mais rápido pilhas se comparado com o controle do Xbox 360. Até faz sentido se parar pra pensar, porém estava me incomodando demais sentar pra jogar no console e ter que ir pegar as pilhas do meu controle do 360 porque as do One já estavam indo pro ralo.

E não que eu use pilhas normais. Sempre usei pilhas recarregáveis, mas mesmo assim cheguei ao ponto de me irritar com a troca constante de pilhas em tão curto tempo de uso. Não sei se o controle do One consome energia ainda que esteja desligado, mas a minha impressão é que sim, ao contrário do 360 que preserva bem mais a carga das pilhas quando ele não está sendo usado. E sim, eu sei que pilhas recarregáveis descarregam sozinhas, sem o uso. Mas isso realmente estava acontecendo demais no One e as mesmas pilhas que uso nele também uso no 360.

A solução encontrada foi adquirir o Kit Play & Charge do console. Felizmente o acessório caiu recentemente de preço, mesmo que um pouquinho. Inicialmente ele saiu por aqui custando R$ 149, mas já pode ser encontrado por R$ 129 (link). Ainda é meio caro, mas no meu caso valeu a pena ter adquirido. Nunca fui muito fã de play & charge, tanto que nem precisei ter no Xbox 360 isso, mas a versão do acessório para o One supriu a minha necessidade de forma satisfatória.

E não porque agora eu posso jogar Xbox One com fio (já que o USB ligado no console permite isso), mas porque quanto o videogame está desligado, o controle fica no ligado no USB lateral que o One possui e isso impede que na hora que eu vá jogar, o controle esteja descarregado ou com a bateria arriada. É sem dúvida uma mão na roda. Muito melhor que a baixa longevidade das pilhas recarregáveis normais. Fiquei satisfeito, mesmo que tenha que ter desembolsado uma graninha no acessório.

Já penso alias que quando for comprar um segundo controle em já adquiri-lo na versão que vem com o Kit. E isso meio que me faz pensar que é um vacilo enorme da Microsoft não ter incluído o Kit no bundle de lançamento do One. Pelo menos nas edições Day One.

Brasil e a escassez dos jogos em mídia

O último ponto de opinião dessa matéria é um ponto negativo por completo. A falta até então do suporte a novos games da 8ª geração sendo lançados no país. Quem eu culpo? O Governo e sua negligência com o mercado de games? A Microsoft que não correu atrás para lançar mais games (nem mesmo Max Curse of Brotherhood que saiu digitalmente lá fora pela Microsoft Studios ainda não foi disponibilizado por aqui até o momento)? Os representantes oficiais da EA, e Ubisoft no Brasil?

Digo isso porque foram lançados aqui na República das Bananas basicamente quatro games: Ryse, Forza 5, Dead Rising 3 e Assassin’s Creed IV, sendo que esse último em poucas unidades e esgotado rapidamente em vários lugares. Call of Duty Ghosts chegou a sair em poucas unidades também, mas custando absurdos R$ 229. Aí não. Need for Speed Rivals nem deu as caras em lugar algum, e esse era um título que tinha vontade de adquirir na janela de lançamento. Nem mesmo a edição definitiva de Tomb Raider para o One chegou por aqui.

E os futuros lançamentos? A Ubisoft Brasil comentou hoje no Facebook que lá pra março deve chegar aqui no Brasil a versão de Raymans Legends para o One. Lá fora o game foi lançado hoje. Pré-vendas? Tá difícil. Não temos pré-vendas ainda de Plants vs Zombies: Garden Warfare que será lançado na próxima semana. Thief e Titanfall também estão próximos de serem lançados e nenhuma notícia de quando chegarão oficialmente em mídia para os brasileiros e nem quanto irão custar.

Posso comprar digitalmente na Xbox Live Store? Sim, é possível. Mas o problema é que atualmente o One não tem suporte a HDD externos, então ficar comprando tudo digitalmente pode ser um problema muito maior em pouco tempo. Fora que é começo de geração e jogos de qualidade ainda questionáveis estão saindo. Eu prefiro ter eles em caixas (Thief por exemplo) do que digital, já que ao menos em caixinha eu passo pra frente e recupero parte do que gastei.

E não pense que é apenas o Xbox One que está sofrendo disso. O PlayStation 4 está no mesmo aperto. Os jogos não estão vindo! O mercado nacional está apenas vendendo os consoles, sem se preocupar com a biblioteca de games. E isso é algo muito ruim. E espero que até o final do ano essa situação se reverta.

Finalizando

E é isso pessoal! Já está na hora de comprar um Xbox One? Ainda não. Mas mesmo assim, após três meses de seu lançamento, o One já está com uma carinha mais simpática.  A Microsoft realmente mostrou que se preocupa em melhorar a experiência com a dashboard, com promoções na esfera digital e os games de nova geração estão vindo. Titanfall promete ser o primeiro da fila, mas tem outros joguinhos que estão vindo para preencher o momento, como Garden Warfare, Strider e até mesmo um novo Worms está há caminho! Os primeiros frutos do projeto de indies da Microsoft também deve começar já nos próximos meses. Então a boa notícia é que o One estão correndo atrás daquilo que precisa e isso é muito bom!

 

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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