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Impressões | As primeiras horas de um Xbox One!

Coisas que vão te impressionar e que também irão decepcionar…

Ele chegou! Sim, depois de uma decepcionante pré-venda nacional do Xbox One – Day One Edition. Pois muitos jogadores compraram o console com meses de antecedência, acreditando que a Microsoft Brasil e as lojas credenciadas para a venda oficial do console iriam se esforçar ao máximo para entregar os consoles justamente no “Day One”, o que não deve ter acontecido nem com 5% dos que apostaram na pré-venda. Só mesmo quem foi numa loja física e comprou o console no dia em si conseguiu experimentar a nova geração da caixa X no dia do lançamento.

E não era nada realmente complicado cumprir a promessa do “Day One”. Bastava começar a enviar os consoles dois a três dias antes do lançamento (fazendo a logística da distancia de algumas regiões) para todo mundo realmente receber o console no dia do lançamento. Algumas o fizeram um dia antes do lançamento, mas naquele passo de tartaruga, e nisso alguns receberam no sábado ou na segunda. Os piores casos, como o meu, foi na galera que confiou na rede B2W (Submarino, Americanas e Shoptime) que só começou a faturar os consoles no próprio dia 22 (o Day One) e enviar para as transportadoras no final do dia. Aí fica mesmo impossível cumprir as expectativas de todo o público que apoiou a iniciativa de dar largada na nova geração. Pra tornar tudo mais escroto, não rolou nem uma prioridade de entrega por parte das transportadoras, que deveriam ser instruídas pela rede B2W. Prova disso foi uma compra de alguns BDs que fiz no Submarino sexta a noite e que me forem entregues um dia antes de me entregarem o meu Xbox One, que foi enviado pra transportadora um dia antes, sendo uma pré-venda que já havia afirmado compromisso com a loja lá em julho passado. Essa é a República das Bananas…

Desabafo feito, hora de falar um pouco das primeiras impressões em torno das primeiras horas ligando o Xbox One e do novo sistema do console. Jogar? Queria eu ter jogado alguma coisa… o que aconteceu? Calma que vou contar.

Começar a jornada na nova geração não é uma tarefa ágil. Vai exigir alguma paciência dos jogadores na primeiras horas. Não vivemos mais o tempo onde bastava colocar o cartucho no videogame e sair jogando. Alias questiono até mesmo o uso do termo “videogame” para estes novos aparelhos. Talvez a melhor palavras para estas novas máquinas seja “console”. Mas isso também é uma discussão para um outro momento.

Tudo bem que se tivesse comprado um game em mídia física, parte da espera que sofri de ontem para hoje iria sumir, mas ainda assim os games físicos atuais também precisam serem instalados obrigatoriamente nos consoles dessa geração. Então esperar, nem que seja um pouco, ainda é mandatório para os games atuais.

Instalação inicial e o Kinect…

Ao ligar o Xbox One pela primeira vez há a necessidade de colocá-lo na internet para uma atualização obrigatória. Uma atualização de 500MB que é muito rápida (levou uns 15 minutos). Interessante é que essa atualização tem uma barra que vai mostrando quantos megabytes ainda faltam para ela terminar, algo que não existe quando você está baixando qualquer outra coisa no console depois de tudo pronto. Ainda há a barra de progresso e o percentual baixado (instalado), porém nada tão exato quanto megabytes ou gigabytes já baixados. E convenhamos que ver uma barra que diz 40% baixado é meio ilusório, pois 40% de 500MB não é a mesma coisa de 40% de 20GB. Podia ao menos ter um status de informação de quanto tempo o download irá demorar pela taxa da conexão de internet, algo que as pessoas estão habituadas a ver no PC, por exemplo. E vou chegar nas razões disso.

Voltando a instalação inicial. Tudo é muito simples e didático. Não há nada realmente muito complicado. Até mesmo o Kinect 2.0 foi tranquilo, ainda que não tenha conseguido configurar tudo nele (há uma parte de som que exige a TV no som ao máximo, porém o Thales – meu filhinho – já estava dormindo e não queria correr o risco de acordá-lo). Minha Gamertag do Xbox 360 foi migrado com sucesso para o Xbox One, sem qualquer problema ou conflito, incluindo coisas que nem achei que seriam, como minhas contas na Netflix e You Tube. Pois é, nem precisei logar e dar minha senha para estes serviços no Xbox One, já veio tudo pela gamertag do X360. Um pouco assustador isso, mas OK.

O Kinect 2.0 pelo pouco que testei é realmente impressionante. Ele me reconhece, enxerga o controle na minha mão, consegue reconhecer se estou com a mão aberta ou fechada. É um tremendo avanço em relação ao Kinect do X360. Muitos podem fazer careta para esse acessório do universo Xbox, mas sinceramente já não consigo enxergar a plataforma sem a tal câmera futurista. Me peguei hoje pela manhã cochilando no sofá com o Xone ligado, baixando um game, e a tela da TV estava escurecida (em modo descanso). Sei disso porque dei aquela olhada por baixo do braço, sabe? Sem me mover. Bastou levantar a cabeça um pouquinho e esticar o braço para alcançar o controle que o Kinect de imediato me viu e iluminou a tela totalmente da TV, antes que tivesse a chance de fazer isso pelo controle do console, sendo que foi por isso que estava tentando alcançar ele (queria ver o percentual de download do game que estava baixando).

Dashboard…

Quanto a Dashboard do Xbox One vi muito relato pela internet elogiando a mesma. Sendo bem sincero achei tais elogios um tanto quanto exagerados. Não que ela seja ruim, mas está longe de ser perfeita. Muita gente reclama que a dashboard do Xbox 360 é muito caótica, entulhada de coisas desnecessárias, bagunçada e desorganizada. Sim, no 360 é tudo isso mesmo, mas ainda assim nunca fiquei sem encontrar o que queria nela. Com tanto caos ele é ainda intuitiva ao extremo. Intuição que não senti nas primeiras horas navegando pela dashboard do One. Você pode afirmar que isso é natural em um novo ambiente de software e não vou discordar, mesmo assim há coisas ali que, pra mim, foram simplificadas demais e sem a necessidade.

Dou como exemplo uma aba que se chama “My Games e Apps”. Nela mostra tudo que você possui no console, misturados e desorganizados. Que porcaria! Eu gostava no 360 de aba “My Games” onde podia ver minha biblioteca de jogos alfabeticamente ou organizados pela ordem de uso/compra. Agora fica tudo misturado com apps e opções do próprio sistema do console. Pra que juntar tudo? O mesmo vale para a parte de “Pins”, que é o espaço na dashboard para se colocar seus itens favoritos. No 360 existia isso, mas o apps e games possuíam ícones e destaques distintos, mesmo que mostrados numa galeria. Não me agradou a forma como isso é reorganizado no X1.

Na Store do Xone a situação não é muito diferente, com blockbusters sendo repetidos em abas específicas como popular ou destaques e fazendo com que games menores fiquem meio esquecidos e empurrados para baixo do tapete. Crisom Dragon, por exemplo, só fui achá-lo dentro de uma sugestão de game quando estava olhando um outro game (acho que foi Killer Instinct). Sendo que há espaço para ele na página principal da loja se não fosse tantos anúncios de um mesmo game, como Call of Duty Ghosts ou Battlefield 4.

Outra coisa que me desagradou foi a falta de demos. Na Live Arcade, agora totalmente extinta, todo jogo vinha com um demo. Isso parece que foi limado no X1 e é lamentável. Perdi a conta de games que comprei na XBLA depois de testar a demo do mesmo. Jogos que não compraria jamais sem essa opção de fazer um trial do mesmo. Crisom Dragon é um desses títulos que talvez teria comprado ontem mesmo se tivesse tido a chance de experimentar um demo. Apenas o vídeo que pode ser assistido pela dashboard não me convenceu.

Ainda faltam coisas…

Nota-se claramente que o Xbox One é ainda um console incompleto. Ele não está totalmente pronto. Não existe um menu para gerenciamento do conteúdo armazenado tal como no Xbox 360. Não sei quanto de espaço os apps e games ocupam no HDD dele, nem mesmo sei quanto de espaço ainda tenho para usar, pois o console em nenhum momento me indicou isso. É complicado isso e não deveria ser assim. Não é não mostrando que vai me fazer esquecer que existe um limite de espaço para tudo que posso baixar.

Outro vacilo grande do console diz respeito a região da Live e o idioma do mesmo. Vou exemplificar isso. Uso há mais de seis anos a Xbox Live Gold, mas é a Live-US. Minha gamertag ainda é americana e não tenho qualquer interesse em transformá-la em BR. Agora no Xbox One parece que você pode pegar a sua conta na Live e transitar livremente entre a live nacional e americana. Algo que acho bacana, mas duvido que seja assim durante toda a vida do console. Isso porque já tem brasileiro bancando o malandrão usando o que claramente é uma falha do sistema da Microsoft. Tem brasileiro comprando Microsoft Points (que ainda não foram totalmente abolidos mas devem ser em breve) através de cartões nacionais e usando-os na live americana (algo impossível no X360), gerando assim uma conversão errônea de reais em dólares através destes Microsoft Points. É um bug e erro do sistema aceitar isso? É sim, mas tirar proveito disso é algo que certamente pode causar restrições e travas novamente pra gente no futuro. A Microsoft vai punir a galera que está abusando disso? Não sei, mas eu não quero correr esse risco. Fora que se todo mundo começar a sacanear assim, fica claro que restrições de regiões vão acabar rolando.

Mas voltando ao meu ponto inicial, agora então sua gamertag pode ser nacional ou americana. Basta apenas mudar a região do console nas configurações do console. Nenhum problema quanto a isso, acho bacana e torço mesmo para que isso não seja bloqueado no futuro. O problema é que ao escolher a região ela vai atrelar o idioma do console a região selecionada. Ou seja, na Live US todo o console fica em inglês. Não dá para mudar o idioma então. Isso é um saco! No 360 mesmo com uma região selecionada, o dono do console é livre para deixa o console no idioma que quiser. Não posso estar, por exemplo, no Japão e querer a minha dashboard em português ou inglês? Imagina eu lá no Japão, usando a Live JP e sendo obrigado e ter a dashboard totalmente em japonês? Acho isso errado. O idioma do console não deveria ser atrelado a região escolhida para a Live.

Posso citar o caso do Nintendo 3DS na qual é possível mudar entre regiões para usar o Eshop nacional ou americana. Nesse caso o sistema da Nintendo é inteligente, pois o que eu tenho em real fica em real enquanto estou usando a região Brasil e o que tenho em dólar fica em dólar enquanto estou na eshop americana. O dinheiro não converte e a linguagem do sistema operacional não muda (apenas dentro da eshop muda). Nesse caso o idioma é uma opção separada da região. No Xbox One isso também deveria ser separado. Gostaria de continuar na Live americana mas que o meu sistema operacional ficasse em português. Agora não dá mais para ser assim. Pena.

Até mesmo a tela de configurações (settings) não foi tão intuitiva de se encontrar. Ela não está na dashboard no princípio. Pela primeira vez ela só vai ser encontrada através de um dos novos botões do novo controle (o que seria o equivalente ao Start – ainda não sei como ele se chama agora). E não há muitas opções ali, apenas o básico do básico. Acaba dando a sensação de que faltam coisas que deveriam me permitir customizar melhor meu sistema oeracional.

Menos é mais? Simples é melhor do que complexo? Não sei. Aqui no Xbox One fiquei com a impressão de que tudo parece faltar alguma coisa. E veja bem, esse é o risco e o compromisso que se tem ao comprar um console no Day One. É assim mesmo. O Xbox 360 quando foi lançado, numa de suas primeiras versões (na qual pude também testar) era terrivelmente horrível andar pela dashboard. Claro que tudo isso vai (e deve) melhor já no próximo ano. Mas a principio, a sensação que tenho é de que pegaram a dashboard do 360 e caparam tudo na intenção de deixar tudo mais simples possível, porém não conseguiram 100% isso.

Me preocupo como vai ficar a loja virtual com games menores escondidos por blockbusters, como vamos gerenciar espaço de HDD no escuro, como os Pins vão me irritar quando tiver mais favoritos do que espaço para colocar ali na esquerda da dashboard, de ter que ficar transitando entre live-US e BR por coisa do maldito idioma do console e por aí vai.

Entretanto quer saber algo de impressionante que me deixou de boca aberta no Xbox One? A velocidade pela qual se navega pelo sistema operacional dele. Tudo realmente leva segundos para carregar. Desde ligar o console a abrir um app. Até para comprar um game. Nisso o sistema dá um pau enorme no Xbox 360. É tudo realmente ágil. Não encontrei uma tela sequer que tenha levado mais de 30 segundos para carregar. Isso é impressionante, ainda mais quem vem do Xbox 360 e entende como a dashboard pode engasgar e demorar para carregar as coisas por lá.

Controle…

Talvez de longe tenha sido a coisa mais agradável nestas primeiras horas assemelhando todo o ecossistema do Xone. É realmente uma evolução absurdamente foda do controle do Xbox 360. Ridiculamente mais leve (mesmo com as pilhas inseridas nele), com botões aperfeiçoados e aprimorados. Adorei os novos gatilhos e pressão que possuem, os analógicos ficaram leves e ainda mais precisos e o D-Pad então…. caraca eu tinha esquecido como é um D-Pad de verdade. Agora tem tens uns clicks e pressão certeiras (ao menos no que testei). No geral parece uma evolução sensacional.

Gostaria de poder dizer mais e testar mais o controle, incluindo o sistema de Infelizmente só usei o controle na dashboard e em alguns aplicativos. Não consegui jogar nada no Xbox One, por enquanto.

E a paciência do mundo dos games digitais…

Aqui entra outra decepção. Com games gigantescos, baixar um versão digital do mesmo, com a nossa internet brasileira é realmente um teste de paciência. Dead Rising 3 possui 20GB. Coloquei para baixar ontem lá pelas 23h e quem disse que ele terminou de baixar agora pela manhã? Deu 07h da manhã o download ainda estava em 40%. Aí não!

Lembra aquilo que a Microsoft disse que você poderia jogar os jogos enquanto eles ainda estavam sendo baixados e instalados no console? Balela! Agora sabe-se que isso vai depende de jogo para jogo e que cada caso vai ser um caso. DR3 com 40% baixando ainda nem podia ser inicializado. Meleca!

O console baixa devagar demais ou minha internet é que é muito lenta? Acredito que seja a segunda opção, afinal com um Speedy de 4MB é realmente um sofrimento em casa com tantos devices conectados no pobre roteador. Mas ainda assim é um balde de água fria para o primeiro dia de um novo console. Vou jogar Dead Rising 3 hoje a noite com muita sorte e força mental para que o meu Speedy colabore e que a internet não caia durante o dia com o console em stand-by baixando o game sem a minha supervisão.

Resumo da ópera: ainda não parece que realmente é o momento para os games digitais gigantescos. Há o problema de espaço, de download e o tempo que temos que esperar para começar a jogá-los. Começar uma partida por streaming enquanto o game termina de baixar? Quem sabe daqui alguns anos. Pois esse sim seria o ideal.

E no fim: alegria ou tristeza?

Pode parecer com esse texto que fiquei muito chateado com várias coisas do Xbox One, mas não é bem assim. No começo de geração todo console passa por esses problemas e imperfeições. Não fique achando que fiquei decepcionado com a decisão de adquirir o Xone. Não fiquei. Esse é o compromisso e o risco de ser um “early adopter” (existe um termo equivalente em português?). Na verdade é algo natural de começo de geração, como escassez de games também. O potencial dos consoles deve começar a ser explorado em 2014. E não pense que esses problemas são algo característico apenas de uma ou outra plataforma. Todas passam por isso, em menor ou maior intensidade.

É bacana ter em mãos um console como o Xbox One e entender que ele tem um potencial gigante para crescer nos próximos anos. Mas agora é preciso acreditar que as coisas vão melhorar. Eu tive algo parecido com esse sentimento com o Wii na geração passada, pois também fui um early adopter e acabei decepcionado depois de alguns anos vendo que o console não se tornou aquilo que eu imaginei que iria se tornar. O mesmo pode acontecer com o Xbox One? É possível, mas não dá para agir de forma pessimista (senão não haveria motivos para ter um X1 logo de cara). É ver pra crer.

Começo de geração não é algo para todos. A geração Xbox 360 ainda tem um gás para durar mais um pouco. É um bom momento para observar o que vai acontecer com os videogames nos próximos anos. Você pode acompanhar isso de perto, tendo os consoles e correndo os riscos, como eu, ou assistir de longe, pela internet e ver o que os pessoal vai relatando (como estou fazendo nesse texto). A tentação para um novo console é sempre grande, mas cada um vai pesar os prós e contras de entrar de cabeça. É preciso porém ter pé no chão.

Ainda é cedo para dizer se o Xbox One vai cumprir minhas expectativas iniciais. Porque no final do dia, pode a dashboard não ter me agradado, pode a Live ainda ser meio estranho na nova plataforma, pode algumas configurações do sistema operacional ainda estarem incompletas, mas o que vai realmente importar no fim são os games. Console é videogame e videogame são games e games e games. Dead Rising 3, que é uma franquia que sou maior fã, está na fila, logo em seguida de Killer Instinct. A diversão estão chegando… fevereiro e março do próximo ano já tem títulos que vou adquirir, fora outros como Call of Duty Ghosts, Battlefield 4 e Assassin’s Creed 4 que também vão servir para amenizar a espera por novos e originais games que virão no futuro. Interface mudam, mas os games são em sua essência o combustível que fará essas engrenagens continuarem funcionando nos próximos anos. Mas a palavra do momento é: paciência. E muita paciência.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!

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