E3 2019JogandoReflexões & Opiniões

Xbox One ganha mudanças antes da E3 2014

Limitações caem, games gratuitos surgem e updates melhoram experiências

Estava dentro das minhas pretensões para o mês passado escrever um novo texto aqui no blog a respeito das constantes atualizações que estão sendo feitas no Xbox One ao longo de 2014. A tela acima é uma das mais recentes, que adicionou algo que senti falta desde o lançamento do console, que foi a notificação de entrada de amigos online em tempo real, independente do que você estiver fazendo no console. Mas o tempo apertou, o momento de fazer o texto passou e ficou por isso mesmo.

Porém hoje a Microsoft levantou a peteca para mexer novamente nesse assunto tão delicado que é o Xbox One, trazendo mudanças na política da linha Xbox e novidades aos usuários tanto do Xbox One e Xbox 360. Então meio que surge uma nova oportunidade para discutir as mudanças e rumos da nova geração de consoles, mesmo estando a poucas semanas da E3 que tem como pretensão trazer ainda mais mudanças e mostrar os novos rumos dos consoles atuais e de uma geração que claramente começou antes do que deveria.

Estamos há pouco mais de 6 meses desde o lançamento do Xbox One e muita coisa importante já mudou na plataforma, sendo que boa parte destas mudanças foram positivas. E se existe muitas desvantagens em ser o early adopter, também existe essa vantagem de acompanhar e experimentar em tempo real o que está mudando na plataforma, seja para melhor ou para pior. Mas não vou discutir aqui se você deve ou não entrar na nova geração de videogames ou até mesmo se o Xbox é uma opção melhor ou pior. Cabe a cada um decidir qual o melhor momento e qual a plataforma que lhe agrade mais. A minha você decisão e preferência você já sabe e isso em nada deve influenciar a sua, a menos que você queira isso.

Enfim, hoje foi anunciado que a Xbox Live Gold está mudando suas regras e políticas impeditivas. A partir de agora todos os aplicativos de entretenimento não requerem mais que o usuário seja um assinante da Live Gold para poder utilizar tais funções tanto do Xbox 360 quanto do Xbox One. Basta ter o registro gratuito na Live para ter acesso. O que não muda é que você ainda precisa pagar a Gold para poder usar as funções de multiplayer online de todos os games lançados na plataforma. Tais mudanças obviamente surgiram em função e pressão do que já é feito na concorrência com a Sony e o PlayStation 4, que funciona exatamente sobre tais premissas. Até aí tudo bem, afinal antes de adaptar e aceitar que a concorrência oferece algo melhor do que você  e emparelhar tais condições do que ficar batendo a cabeça na parede como a Nintendo, achando que basta ser diferente que está tudo bem e que não existem certos padrões a serem seguidos no que diz respeito aos consoles de hoje em dia.

Outra mudança, não tão grande assim, é a chegada, a partir de junho, do programa Games With Gold ao Xbox One. Para quem está chegando agora, a Games With Gold é também uma resposta direta ao benefício concedido pela Sony para os assinantes da PSN Plus. O programa já havia estreado ano passado no Xbox 360, de maneira bem tímida e de forma bem inferior ao conteúdo oferecido pela concorrente. Mas cavalo dado não se olha os dentes, correto? Havia um diferencial entre estes dois casos: enquanto os games dados na PSN Plus são concedidos apenas enquanto o usuário paga pelo serviço, os games cedidos no 360 pertencem ao usuário de forma plena, ou seja, não dependem de você continuar pagando ou não pelo serviço da Live. A Games with Gold deve continuar mensalmente no Xbox 360, com estes mesmas regras de que o game é seu pra sempre, porém no Xbox One a regra será idêntica ao sistema da Sony: os jogos baixados gratuitamente pertencerão ao usuário enquanto o mesmo continuar pagando pela assinatura.

Feito estas explicações, já foi confirmado que em Junho o Xbox One terá gratuitamente Max: The Curse of Brotherhood e Halo: Spartan Assault. Ambos os títulos lançados no final do ano passado no formato digital. Não são games tão expressivos assim, mas estão longe de serem títulos ruins. Enquanto isso no Xbox 360 os games do programa serão Dark Souls, Charlie Murder e excepcionalmente terá um terceiro títulos: Super Street Fighter IV: Arcade Edition. Este último não deixa de ser conveniente pra Capcom já que em breve a versão Ultra do game estará sendo lançada e quem tiver a versão Arcade poderá comprar a expansão Ultra em forma de DLC. Ainda assim, é melhor do que nada.

 A PSN Plus da Sony ainda oferece muito mais games e títulos mais expressivos? Certamente, mas parece que a tendência é pressionar cada vez mais a Microsoft e que os programas meio que se equipararem com o tempo, cada um a sua maneira. De qualquer forma é uma grande novidade aos usuários da plataforma Xbox.

Agora uma das novidades que tem seus pormenores diz a respeito de uma nova versão do Xbox One que será lançado oficialmente dia 09 de junho que não terá o Kinect, sendo vendido assim por U$ 399 lá nos Estados Unidos. Aqui no país a Microsoft Brasil já se pronunciou que a versão sem Kinect será vendido por R$ 1.999. Basicamente é a diferença de quanto o Kinect do 360 custava quando foi lançado de forma avulso por aqui em seu lançamento. Esse é outro fator também relacionado com o PlayStation 4, pois com isso o console da Microsoft se equipara ao preço do concorrente, que apesar de também ter um sensor de movimento, o mesmo não é vendido junto com o console.

Vejo isso como uma certa desvantagem ao longo prazo, pois acaba dividindo a base de usuários e os games acabam com o tempo integrando cada vez menos funções com o Kinect. Uma pena porque o Kinect 2.0 do One é realmente impressionante e pensado como um periférico totalmente integrado ao console, onde é muito estranho pensar no console sem o mesmo. E infelizmente a realidade é que muitos não se interessam pelo acessório até o momento em que o possuem, pois aí fica difícil imaginar não tê-lo. Ao menos é o que deduzo por relatos em comunidades da plataforma.

Entretanto chega a ser um alívio saber que o Kinect também passa a ser vendido de forma avulsa, pois já me imaginei alguma situação futura onde possa trocar o Xbox One por uma versão Slim, optando pelo pacote mais barato sem Kinect ou até mesmo uma situação onde possa quebrar sem querer o acessório e nessa situação é bem mais fácil adquiri um novo. Enfim, o futuro dirá se o Kinect é um acessório que vai moldar os próximos anos do Xbox One ou se será esquecido com o tempo. Espero que não seja esse o caso, pois por bem ou por mal, acho que um dos grandes potenciais e diferenciais do Xbox como plataforma e interface é mérito exclusivo da tecnologia do Kinect.

Enfim, são mudanças importantes para a plataforma. Não convém discutir se as mudanças vieram tarde demais ou se deveriam ter acontecido antes do lançamento do console. Parte de tudo isso não deixa de ser culpa da própria Microsoft que não soube trabalhar no marketing do console antes do seu lançamento, sendo motivo de chacota na E3 do ano passado e tendo sofrido duras críticas pelo aparente retrocesso de sua plataforma. Ela apenas colheu aquilo que plantou no final das contas. Ter que igualar certos benefícios da concorrência, mesmo tendo uma plataforma com benefícios próprios é consequência de seus próprias atos em 2013 e querendo ou não isso é algo que a Sony também correu atrás anos atrás para que o próprio PlayStation se assemelhasse um pouco com a qualidade da Xbox Live no 360, no que diz respeito ao sistema de multiplayer online, comunicação em grupos de amigos e indie games. Ou seja, a guerra de consoles acaba sendo benéfica aos próprios gamers. Nem mesmo a Nintendo acabou se livrando das influências dos consoles que concorrem (in)diretamente com seus consoles, tendo que lançar um console muito antes da chegada da oitava geração com gráficos no potencial do X360 e PS3 e melhora significativa no sistema de comunicação e integração online do Wii U. Porque é assim que as coisas funcionam.

Novas tendências podem ou não ditar novas regras para o futuro mercado de videogames. A Steambox promete chacoalhar um pouco essa sopa daqui alguns anos, assim como a própria Steam no PC já mostra fortes influências no sistema de vendas digitais nos consoles de mesa, além de tecnologias de realidades aumentadas aqui e ali, como óculos, telas sensíveis ao toque, hologramas que expandem a imagem da TV e assim por diante. Novidades e aprimoramentos sempre virão, e uma empresa sempre vai correr atrás de algo que deu certo na concorrência. E isso é bom.

Quanto ao Xbox One as coisas certamente não começaram com o pé correto em seu lançamento, mas é notável e elogiável o esforço da Microsoft, mesmo com todas as turbulências de troca de chefes de divisão e declarações estranhas de seus representantes, para com a plataforma Xbox.

A única coisa triste com tudo isso é que estamos gastando um tempo enorme filosofando o que seria melhor aqui, o que não deveria ter acontecido ali, enquanto o que realmente interessa, os games, parecem que ainda vão demorar um pouco para chegar. Algo que alias não é um problema que somente a Microsoft está sofrendo. Sony e até mesmo a Nintendo estão passando pelo mesmo drama. O que talvez seja motivo para uma outra discussão sobre os gamers estarem querendo quantidade ao invés de qualidade, e o tempo e esforços que o desenvolvimento de games precisam nos dias de hoje. Os games virão, mas vamos ter que ter um pouco mais de paciência. Só vamos torcer para a E3 de 2014 provar esse ponto!

Talvez para grande parte dos que se interessam por games não liguem para nada disso que está sendo dito aqui. No final do dia o que importa é terem pilhas e pilhas de games para jogar. Se um console ainda não tem isso ele não vale a pena para estas pessoas. Quem pensa assim não está errado, entretanto não acredito que o contrário nesse caso seja de pessoas cegas e sem razão. Acho que a satisfação de ver uma plataforma sendo aprimorada e melhorada aos poucos, seja por feedback dos consumidores iniciais, seja por pressão da concorrência parte da experiência de uma nova geração de consoles. E não troco isso apenas pelo simples fato de esperar um console engrenar de vez. Se já for possível ter um console novo, então tenha um console novo! Afinal foi se o tempo em que um gamer precisava se desfazer de um videogame para conseguir comprar outro, na época em que TVs só possuíam uma única entrada para isso ou quando ou você era Sega ou era Nintendo, jamais podia apoiar duas empresas rivais no mundo dos consoles. Estes dias já foram. Hoje em dia, é possível e bem tranquilo manter mais do que uma plataforma, mesmo que rivais. E está tudo bem isso. O mundo não vai explodir se você colocar um Wii U, Xbox One e um PlayStation 4 ou qualquer console de uma antiga geração na mesma estante um ao lado do outro.

É isso!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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