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Cada geração tem sua melhor Copa do Mundo…

futebol brazuca

Nunca fui um grande fã de futebol. Não acompanho jogos, não torço pra nenhum time – muito menos me simpatizo com qualquer um – e realmente não me importo com campeonatos. Porém de 4 em 4 anos tem Copa do Mundo e esse é um evento que muda o cotidiano das pessoas ainda mais do que o normal em outras ocasiões desse esporte e por isso acabo acompanhando a Copa.

Admito que esse ano a Copa tinha tudo para ser algo fenomenal, por diversos motivos. Afinal, a última vez que o país sediou a Copa foi em 1950!  É tempo demais. Passaram gerações de brasileiros, o mundo mudou totalmente desde a década de 50 e era inevitável a curiosidade do que o evento poderia fazer com o Brasil em pleno século 21.

Havia uma esperança de que o país fosse dar passos largos para um crescimento e amadurecimento, em especial no que diz respeito aos transportes e até mesmo a banda larga. Talvez fosse ingenuidade do povo, que sempre espera demais de nossos governantes. Foi aí, desse sentimento, acumulado com tantos outros, que vieram os protestos ano passado e logo depois todo o movimento do #NãoVaiTerCopa.

Encurtando a história, teve e está tendo a Copa do Mundo no Brasil. Nada realmente mudou, mas talvez ainda mude, aquele ponto de virada que comentei algum tempo atrás aqui no blog ainda pode acontecer, pois ainda temos as eleições logo depois que a poeira da Copa abaixar e precisa rolar uma esperança de que as coisas melhorem por aqui. Mas esse texto não é para reclamar – de novo – do Brasil político.

Minha intenção aqui é apenas fazer uma observação de quão chato uma Copa do Mundo pode ser se você já viu outras copas melhores. O Brasil já foi campeão desse evento 5 vezes e eu já o vi ser campeão duas vezes. Se ele ganhar esse ano… ok, parabéns de novo. E olha que para uma Copa do Mundo ser boa, não precisa necessariamente que o país que você torça ganhe. Hum… como explicar isso?

Os leitores mais novos vão ter dificuldade com o exemplo, mas lembra como na década de 90, nos tempos do Ayrton Senna, Fórmula 1 era um negócio muito mais emocionante e que despertava muito mais a atenção das pessoas do que essa competição é hoje? É quase por aí. O futebol de alguns anos pra cá parece que ficou mais chato, menos empolgante, mais maçante e até um tanto quanto previsível. Palavras de alguém que não curte o esporte não valem muita coisa, você deve ter pensado. Talvez com razão, porém Copa do Mundo é algo que sempre acompanhei e ao menos por elas posso tecer alguma comparação, mesmo que rasa aos olhos de alguns.

É dessa premissa que veio o título da postagem. Em 1994 eu tinha 10 anos e me lembro do Brasil ganhando a Copa do Mundo e se tornando tetracampeão. Foi uma Copa tão emblemática que até hoje a gente se recorda de coisas que até viraram memes na internet, como o Galvão Bueno gritando “É Tetra, É treta!”, e até mesmo o jogadores da seleção de 94 parece que tinha mais personalidade e figuras que acabaram ficando na cultura – não só do futebol – mas em geral do Brasil. Dunga, Romário, Bebeto, Taffarel, Raí, Cafu e por aí vai.

Essa com certeza é a minha Copa do Mundo favorita, e eu tinha apenas 10 anos! Outras vieram depois disso, mas não estão na minha memória como a Copa de 94. Alias eu mal me recordo da Copa de 2002, quando o Brasil se tornou pentacampeão. É uma nuvem turva essa copa. Só que essa é a minha experiência pessoal e cada um tem a sua.

Digo isso porque não duvido que as gerações mais velhas do que eu, não se lembrem com muito mais carinho da seleção de Pelé e outras figuras históricas da época da vitória do Brasil na Copa de 1970. Quando o futebol também era muito diferente do futebol de hoje.

Ou seja, cada geração acaba criando a sua Copa do Mundo e vivenciando essa experiência de uma maneiro única. Hoje, eu olho essa seleção de 2014 e acho um tédio que só. Os jogadores pra mim são como figurinhas num álbum de figurinhas, existem aquelas mais especiais e memoráveis e aquelas que você nem lembra que existem. E esse álbum da Copa de 2014 tem sido algo inexpressivo, chato e sem o impacto que já tive em Copas anteriores. É possível que a cada Copa que você assista, mais e mais sem graça ela se torne, afinal parte da coisa você já conhece e sabe o esquema, e a empolgação fica atrelada ao “futebol bonito”, e esse é um termo que cada um entende de seu próprio jeito.

Alias é uma pena que nem mesmo a nossa rotina tenha sido brevemente alterada. Talvez nas cidades onde os jogos estão acontecendo as coisas estejam diferentes, com turistas ou todo aquele clima de festa que o Brasil sabe fazer tão bem, mas para quem vive em cidades menores, distantes de tudo isso, esta Copa não é diferente de qualquer outra Copa quando é sediada em qualquer outro lugar do mundo. É uma pena alias que a gente mal consiga acompanhar os jogos, já que quase todos foram realizados no período em que todo o país está trabalhando. Talvez seja isso, a Copa é mais divertida para os mais novos, para quem consegue acompanhar tudo. A gente fica velho e o tempo vai se apertando e as obrigações acabam tirando a graça de certas coisas.

Talvez seja a velhice falando mais alto, ou até mesmo a falta de interesse no esporte em questão, mas é apenas uma opinião que quis expressar por aqui. Não sei o que você, leitor, está achando da Copa do Mundo de 2014 (diga aí nos comentários). Para quem é realmente novo e não viu muitas Copas, talvez essa seja bacana, ainda mais por se passar no Brasil, mas pra mim é só mais uma tediosa Copa do Mundo… faz diferença o Brasil ganhar mais essa? Isso você responde nos comentários.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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