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O ponto de virada do Brasil pode acontecer?

2014 está sendo um ano incomum na República das Bananas?

Antes de começar essa conversa, é preciso lembrar que não sou especialista de nada e que esta é uma opinião meramente pessoal. É a minha visão sobre a minha perspectiva e nada mais além disso. Não tenho a pretensão de afirmar uma certeza, muito menos de dizer que uma opinião contrária a minha é errada. Até porque certo e errado sempre vai ser uma coisa relativa. Então, por favor, não leve tudo isso a sério e nem se ofenda com qualquer pensamento que não seja igual a sua forma de pensar.

O caso é que o Brasil anda num momento muito estranho, ou talvez isso seja apenas uma impressão errada minha. Porém vamos pressupor que não seja uma impressão errada e que realmente alguma coisa estranha esteja acontecendo no país ao longo dos últimos anos e que se intensificou um pouco mais em 2014.

Esse é um ano que vai ficar na história do país por conta da Copa do Mundo na qual iremos sediar. Um ponto que já gerou certa polêmica nos últimos tempos por várias razões. Sediar um evento mundial como a Copa do Mundo é algo que deveria ser motivo de comemoração em outros lugares do mundo, mas aqui no Brasil esse não é um sentimento unânime entre a população. E nem quero tocar no ponto sobre o futebol e estas competições esportivas serem frívolas ou nos alienarem dos problemas ou das injustiças da sociedade moderna. Há valor em competições esportivas e ganhos desse tipo de entretenimento social, mas não é esse o problema da Copa do Mundo no Brasil.

O que muita gente fica indignada é que esse seria um momento em que o Brasil teria para crescer e se modernizar, nos setores de tecnologia e até mesmo em transportes, para fazer frente ao que já existe em muitos outros países, mas faltando meses antes do início da Copa quase nada aconteceu, além de gastos exorbitantes para se reformar estádios. Além das polêmicas que advém justamente destes gastos e investimentos em estádios que não servem para nada mais além de sediar partidas de futebol, enquanto a população sente claramente a falta de infraestrutura em muitos outros setores, como segurança, educação e saúde.

Outro ponto que vai se tornar mais relevante no segundo semestre são as eleições para presidente, deputados (federais e estaduais), senadores e governador. 2014 marca o fim de uma política de governo, isso se o povo for esperto e não reeleger a Dilma para mais 4 anos de presidência. Isso porque o primeiro mandato da Dilma não foi mil maravilhas. Ela foi vaiada, foi espionada, se escondeu e pouco bateu de frente por mudanças que o Brasil precisa o quanto antes. E sem querer detalhar ou julgar com afinco o mandato Dilma, o ponto em questão é que se a reeleição não acontecer, será o término do governo PT que já durou 12 anos no Brasil. É o momento de mudar e refrescar as políticas e o poder do Governo brasileiro.

O que me preocupa é que antes do PT e do Lula assumir a presidência do Brasil a população sempre teve aquele sentimento de que o Partido dos Trabalhadores era a salvação do país. Que estes representavam a minoria e os injustiçados e, que no dia que o PT (de Lula) conseguisse mandar no Brasil, aí sim as injustiças e opressão do povo iriam terminar. Bem, o PT está há 12 anos no poder, sendo que cresceu muito desde então e muito pouco se fez pelo país em si. Muito programa esmola foi criado, é verdade, mas a educação continua sendo uma das piores do mundo, junto com altos índices de analfabetos e analfabetos funcionais, a saúde vai de mal a pior, a burocracia governamental beirando a imbecilidade e os escândalos de corrupções dentro de todos os tentáculos do sistema assustando e matando nossas esperanças do povo a cada dia, sem contar os impostos e sua draga infinita de sugar suor e sangue da população.

Alguns podem afirmar que 12 anos é pouco para mudar um país. Será? Não acredito que existe uma fórmula que diga quantos anos são precisos para melhorar um governo, um povo, um sistema, um país. Mudanças podem ser feitas quando queremos que as coisas mudem. Elas nem sempre são cômodas ou indolores. Toda mudança gera causa e efeito. Danos colaterais são inevitáveis. E na minha visão o que falta no Brasil é justamente pessoas que possam entrar no Governo e jogar a merda no ventilador e ter culhões de tentar mudar, doa a quem doer. E vai doer!

Ano passado aconteceu algo que até então achava inacreditável, que foi a população ir para as ruas e mostrar a sua insatisfação com a vida no Brasil. Estas pessoas diziam que não era por causa dos 20 centavos da passagem, mas chegar a ser triste o quanto a força do movimento caiu quando o governo jogou os 20 centavos para essa população em protesto. E os protestos ainda existem, numa força ridícula, quase inexpressiva em 2014, que não valem nem mesmo a menção delas na imprensa. Mas foi um passo, ainda que pequeno, que a população deu para um basta em todo esse pão e circo que existe no Brasil. Apenas fico triste que mais uma vez nos mostramos preguiçosos e na incapacidade de darmos foco aos protestos, sendo que não era tão difícil assim dizer ao Governo que estamos cansados de pagarmos de trouxas e otários para um sistema burocrático, corrupto e ineficiente.

E o país caminha para um futuro estranho se não virarmos em alguma curva adiante. Como iremos nos comportar quando a Copa começar? Alias como “devemos” nos comportar? Será que é mesmo tudo uma grande festa? E as eleições? Será que vamos tirar o PT do poder após 12 anos de Governo? Mas será que temos algo melhor ou apenas “menos pior”? Existem partidos e políticos legítimos para trazer bons ventos de mudança ao país? Ou tudo está tão podre que não há mais solução para essa deterioração do sistema?

É estranho porque em ano de Copa e Eleição, a gente continua vendo algumas coisas descendo ladeira abaixo na rua da vergonha. O Correios acabou de passar por uma greve de quase 50 dias, sendo que em setembro do ano passado também ficaram em greves, junto com os bancários. Aqui na minha cidade a guarda civil ficou em greve durante quase 3 meses. A insatisfação das classes de trabalhadores é grande em vários momentos dos últimos anos. Quem faz supermercado também deve ter notado que a inflação anda sendo muito mais perceptível que era uns 3 anos atrás, com diversos tipos de alimentos básicos recebendo um aumento acima do normal no preço cobrado ao consumidor. Além dos impostos como IPVA e IPTU e as taxas de telefone, luz e água que também cresceram nos últimos anos, isso sem falar na gasolina. O salário desvalorizou bastante nestes últimos quatro anos. O salário mínimo aumento apenas R$ 46 reais esse ano. Um valor absurdamente ridículo. Chegamos num momento do país que nem mesmo um salário de R$ 1.000 (classe baixa) ou R$ 2.000 (classe média) pode ser considerado um “bom salário”. E não é nada fácil encontrar empregos que estejam em faixas elevadas entre R$ 3.000 a R$ 4.000. Estamos sendo sufocados pela economia nacional se as coisas continuarem como estão.

O maior problema é a quantidade de problemas que o país possui hoje em dia e o fato de que ninguém querer por o seu na reta para tentar resolver ao menos um destes problemas. Me assusta o fato de que ainda confiamos toda a nossa estrutura ornamental, legislativa e jurídica numa legislação criada em 1988 com a Constituição Federal, logo nos primeiros anos depois do fim da ditadora, sendo que o mundo hoje é completamente diferente do que ele era quando a nossa Constituição foi idealizada. E há muita coisa nessa pequena pedra primordial que não faz sentido no mundo que vivemos ou até mesmo a ausência de coisas que deveriam estar ali nos pilares fundamentais de todo o sistema de Governo brasileiro. Não que esteja dizendo que a solução para o Brasil é criar uma nova Constituição Federal, pois não é. Apenas estou dizendo que todo nosso sistema segue regras rígidas e ultrapassadas. Que precisamos de pensadores, filósofos, sociólogos modernos e que criem novas soluções para um Brasil mais eficiente.

Não sei até em que ponto o Brasil precisa piorar para que a população acorde. Não sei até quando as esmolas serão suficientes para continuar mantendo o povo nesse estamos de hibernação. Nem mesmo sei quais são nossas alternativas ou tudo que precisa ser feito para sermos melhores. Não sei até e quais danos colaterais são necessários para um Brasil melhor.

Dizem que grandes mudanças só ocorrem quando o homem entra em guerra consigo mesmo. Não sei se acredito numa guerra civil, na população destituindo o Governo à força. Acho que na era moderna isso não é algo que se consiga alçar pela força. Mas todo o sistema não entra em colapso quando a população simplesmente para a máquina de arrecadar dinheiro? Há maneiras inteligentes e eficientes de destruir o sistema, de o fazer repensar em toda a sua estrutura.

E é isso que sinto nestes últimos tempos. O brasileiro está percebendo que existe um pequeno poder de mudança em suas mãos. Mas sozinho esse pequeno poder não faz nada. Precisamos dessa intuição coletiva de “é tempo de mudar, de sermos um povo melhor”. Será que o brasileiro vai conseguir dar mais um pequeno passo por um Brasil melhor? E não estou sendo clichê e insinuando que devemos votar com consciência. Não! Esse texto nada tem a ver com eleição ou votar direito.

Esse é um texto sobre desconstruir o Brasil picareta. Percebo que está se criando essa consciência coletiva de que as coisas aqui são muito erradas. Vivemos numa era digital e de transparência mundial, onde enxergamos como as coisas funcionam em outros países, como somos vistos por outros povos, como não precisamos nos submeter a certas injustiças nacionais. Estamos acordando de um longo coma. De que não devemos nos orgulhar de sermos somente o país do futebol e do carnaval. O Brasil precisa mudar e pra isso sua população tem que mudar.

A grande questão é se este é o momento em nossa história em que se encontra próximo ao ponto de virada de tudo isso?

Eu acredito na República das Bananas! (ou não deveria?)

 Obs: pontos que gostaria de ter comentado, mas que não sobraram espaço no texto para serem abordados; a consciência coletiva de que não dá mais para viver no mundinho Globo de ser; a violência escrota nos estádios e que andou mostrando que o brasileiro não sabe levar as coisas na esportiva, com o perdão do trocadilho, e que talvez a paixão pelo futebol não seja algo tão vanglorioso assim; a opinião da imprensa que cada dia é menos neutra ou pasteurizada e talvez mais expressiva (do lado errado e do lado correto, dependendo de cada caso), porém infelizmente o pão & circo na TV ainda é importante demais; a ideia do brasileiro fazer justiça com as próprias mãos demonstra como o povo desacredita na justiça do governo e sua ineficiente a lidar com a nossa segurança; a mudança dos paradigmas do mundo do entretenimento, e do crescimento da era internet e como isso está forçando o brasileiro a sair da pasteurização cerebral do mundo da TV aberta. Pequenas coisas estão mudando a nossa cultura e isso está criando um efeito dominó de maiores proporções.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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