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Acabou | 24 – Live Another Day e as impressões finais!

| Atenção! Esta matéria trará spoilers sobre o final de 24: Live Another Day, então se você ainda não viu e não quer saber pare por aqui e volte quando tiver assistido o final da série. Entretanto se você quer uma opinião limpa, sem spoilers sobre o retorno de Jack Bauer leia essa matéria |

Acabou gente! Novamente tive que me despedir de Jack Bauer e novamente me emocionei e fiquei triste como a vida é dura e injusta para um herói politicamente incorreto, que suja as mãos de uma forma que ninguém quer, salva o dia, salva vidas, e sempre acaba na merda!

Porém essa despedida é muito mais feliz daquela que fiz em 2010, quando a oitava temporada acabou e ficou todo aquele amargo com sua péssima trama e péssimo final. E isso está registrada aqui no blog – veja só – numa postagem de 31 de maio de 2010 (link). Não me lembrava desse texto, e os sentimento que tive ali, naquele pequeno momento do fim de Jack Bauer.

24 – Live Another Day mudou o sentimento que os fãs tinham pela série, conseguiu honrar nossa memória e, o mais importante, obteve sucesso ao criar uma nova história que não fosse a mesma porcaria que estava acontecendo com a série em suas últimas temporadas antes que a mesma fosse cancelada? Sim e não!

Quando escrevi aquele impressões iniciais em maio desse ano (link) já tinha jogado o verde sobre certos aspectos que 24: LAD poderia deixar a desejar, ou erros que poderiam ter sido evitados após esse universo marinar no limpo por alguns anos.  São estigmas que a série possui, como o agente que só sabe seguir regras, o agente corrupto dentro da CTU, alguém do gabinete do presidente que sempre vai discordar de tudo e até mesmo atrapalhar as investigações, se o vilão se der mal antes do fim um ainda maior surge etc. Porém ao mesmo tempo em que são estigmas da séries, estas gafes da narrativa também são marcos da essencial do que é 24 Horas! Não tem jeito de evitar, apenas dá para suavizar e parece que isso funcionou bem numa temporada de apenas 12 episódios. Toda a gordura desnecessária destes estigmas foi resolvido no tempo certo e sem aquela embromação que existia no passado e que não causava mais surpresa a ninguém.

Mesmo assim 24 – Live Another Day conseguiu me comover e surpreender na caruda. Eu literalmente levantei do sofá, botei a mão na cabeça e soltei um “Filho da Puta” quando Cheng Zhi apareceu do nada nas horas finais da temporada. Naquele momento achei que a Chloe morreria. E o que dizer do triste fim de Audrey, onde os produtores dão aquela luz de esperança para os fãs são para minutos depois nos chocar com um segundo atirador e a morte dela. Caraca, fiquei muito triste e sofri ali com Kate tentando savá-la, com Heller caindo ao saber da morte da filha e principalmente com Jack entrando em choque quando Kate pede perdão por ter falhado com ele e Audrey ter morrido. E essa cena em que a tela para em Jack recebendo a notícia é foda! Ele tira a metralhadora do colo, pega a pistola e a impressão que tive nesse momento, com o coração palpitando, é a de que ele queria se matar ali, acabar com toda essa vida de merda dele e dessa maldição de todos que ele ama morrerem por estarem envolvidos nessa merda de vida. E a expressão dele vai mudando de surpreso, tristeza, suicida até parar no ódio completo. É genial! Isso é 24 Horas!

E veja bem, até achei que Audrey poderia mesmo morrer. Kate é uma personagem maneira e parece que os produtores conseguiram criar um vínculo dela com Jack que nem mesmo a Renne Walker possuia. Também me surpreendi com o background de Kate e que no final das contas, seu marido era inocente e que se matou na cadeia porque ela desistiu de acreditar nele. Os produtores conseguiram construir uma excelente personagem em tão pouco tempo de temporada. E se 24 voltar para mais episódios, quero a Kate de volta, mas não para que os produtores a matem, por favor!

A temporada acaba dando tudo a entender que a história de Jack Bauer ainda não acabou. Talvez ela nunca acabe, porque não tem como um cara desse ter um final feliz depois de toda a merda que jogaram no cara estas anos todos. Inimigo não só dos Estados Unidos, mas do mundo inteiro pelo visto. Heller o concedeu o perdão e anistia presidencial a Jack, ele poderia voltar aos Estados Unidos, rever sua filha, mas ainda que isso acontecesse, saberíamos que isso não seria para sempre. Fora que um cara como ele, fez tantos inimigos, que viver próximo a sua filha é pedir para que alguém a sequestre, ou até mesmo mate sua família inteira, só para se vingar dele. Não dá!

Live Another Day acaba muito semelhante com uma antiga temporada, que não sei qual exatamente, quando Jack vai preso pelos chineses. Só que agora são russos. E não é um problema esse deja vu, pois como disse, faz parte da essência da série. O bonito ali do final foi ver ele sorrindo, por micro segundos, após admitir para Chloe que ela é sim sua melhor amiga. Perfeito!

Para concluir, achei excelente o retorno de 24, gostei muito dos episódios finais. Vibrei e me emocionei como não fazia há tempos com um seriado. E 24 é construir para isso, te incomodar, deixa-lo tenso. Adorei os produtores terem tido culhões para envolver novamente países de verdade na história, como Inglaterra, Rússia e China. A terceira guerra mundial quase aconteceu na minha cabeça e uma pessoa salvou o dia! E até teve tempo para um momento Game of Thrones, com Jack pegando uma espada e decepando Cheng ali, no bem finzinho depois de toda a agonia causada pelo vilão! Quem não faria o mesmo?

Claro que rolaram falhas, exageros (como assim Jack atira a Margot algemada pela janela do prédio e ninguém diz nada – “ah tudo bem Jack, ela era má mesmo, fez muito bem! *tapinha nas costas*“) e coisas que poderiam estragar a experiência de 24. Mas a saudade era tanta, e acabou tão rápido, que não dá para reclamar. Eu quero mais Jack Bauer! Mas só em 2015! E apenas mais 12 episódios. Que é pra não enjoar e não fazer o Jack sofrer demais. Um pouco apenas tá ótimo. Vamos apreciar com moderação. Afinal, funcionou!

Jack is back!?

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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