Jogando

Primeira Hora | Super Time Force (Xbox, PC)

Resolvi testar na noite de ontem Super Time Force, que é um dos games gratuitos do mês de setembro para o Xbox One, e juro que não estava esperando praticamente nada do game, mas aí uma sentada de 5 minutos pra ver qualé, se passou num piscar mais de uma hora direto. Seria um rompimento temporal do continuum espaço tempo?

Super Time Force é cria da Capybara Games, um pequeno estúdio indie, lançado em maio para o Xbox One e Xbox 360 e que também chegou ao PC agora no mês de agosto. Seu preço padrão de venda digital é de 15 dólares. O que a princípio parece um pouco demais para um game com o visual que o joguinho possui, porém agora que tive a oportunidade de testá-lo entendo completamente porque custa isso e afirmo que é um preço justo.


Bits por elegância

Eu entendo o apelo que existe no cenário indie por um estilo gráfico mais retro, que apenas imita aquele mundo dos games com poucos bits gráficos. E digo imitar porque todo mundo sabe que é uma opção muito mais visual do que de limitação, tal qual era necessário nos tempos de Nintendo e Master System. Além do fato de que a opção de um visual mais retro ajuda bastante o orçamento de um game indie, que não é lá grande coisa comparado com os games de caixinha e ainda mais os de grandes estúdios e também dos chamados AAA (triple A).

Talvez por isso muitas vezes sou enganado por alguns joguinhos indies achando que alguns deles muitas vezes apelam para a nostalgia da época dos games de poucos bits sem apresentar nada mecanicamente inovador ou ao menos interessante que os justifiquem. Não que eles não possam apenas ter essa pegada mais retro, mas é sempre mais legal quando conseguem dar um passo adiante e fazer algo genuinamente moderno, mas com um ar retro. Aí sim esse game ganha um heart piece na minha barra gamer. E esse é o caso de Super Time Force!

E o game é visualmente bonito, quase que dá para esquecer que é feito em bits. Os personagens tem uma boa linha de detalhamento, assim como os cenários, efeitos visuais como explosões e até mesmo a diversidade grande de inimigos, dos pequenos, médios e gigantes. É realmente algo impressionante o que se pode fazer com esse estilo de pixel art.

super time force mural


Engraçaralho

Uma das grandes surpresas que tive ao começar Super Time Force foi descobrir que o game tem um ótimo bom humor em seus diálogos e história. E isso para a versão localizada em português, não tive nem mesmo vontade de trocar o idioma no Xbox One para o original – algo que faço com uma frequência muito maior do que gostaria dado a qualidade de certos trabalhos de tradução por aqui.

É um humor dessa geração Hora de Aventura, Frango Robô, Apenas um Show e por aí vai. Começa com um cientista com tapa olho que descobre como viajar no tempo e corre para ver o futuro e descobre que o mundo do futuro acabou, mas sem saber como ou porque, até que ele mesmo de um futuro ainda mais adiante aparece, numa versão muito mais debochada, escrachada e usando dois tapa-olhos (WTF?). É algo realmente pra lá de bizarramente engraçado.

E esse cientista do futuro ainda mais adiante, que agora é um capitão, começa a recrutar aliados para salvar o mundo, seja lá qual é realmente a ameaça bizarra que a trama principal contém, já que o vilão do início do jogo fica segurando algo como se fosse uma placa em forma de uma máscara, escondendo sua real identidade (mas que não duvidaria nada se fosse o mesmo cientista de outra linha temporada) e o vilão é meio fracote e desajeitado. Tudo naquele humor que mistura o negro com o bom humor retardado. E como é difícil fazer esse tipo de humor apenas com textos.

A linguagem dos textos é toda moderna, sem nada que soe estranho ou artificial nas conversas. Outra mérito incrível para quem foram os responsáveis pela localização nacional do game. O jogo poderia facilmente valer a pena só pelas tiradas e bom humor apresentado. Felizmente o game vai além disso e tem aspectos ainda excelentes por todos os lados.


Jogabilidade espaço tempo

Precisei pensar por severos minutos como poderia explicar o diferencial da jogabilidade de Super Time Force que demonstrasse que o game não é apenas mais um game 2D, retro, side-scrolling de tirinho, tal qual um Contra, Metal Slug ou Alien Hominid. Quer dizer, há um pouco de elementos desse gênero de games, mas como disse no começo, o game consegue dar um passo a frente e mostrar algo diferente e divertido.

Sendo assim pense naqueles games de corrida, como Mario Kart, em que há um modo ghost, onde você disputa uma consiga tentando bater seu próprio recorde e muitas vezes há um “fantasma” na tela que é você mesmo jogando em seu melhor tempo numa performance gravada pelo game ao lado de você em tempo real tentando bater seu recorde. Pegou a referência? Agora transporte isso para Super Time Force.

As fases possuem em geral 60 segundos, mas elas não duram isso. Podem durar inclusive 10x mais (exagerando, mas dá para fazer isso), depende do jogador. Isso por dois motivos, há relógios bônus de 10 segundos, entre outros itens que aumentam o tempo do relógio e o segundo motivo, o mais importante, é que você tem a habilidade de pedir mais tempo, voltando no tempo, indo até mesmo ao absurdo de começar a fase novamente. Mas qual a vantagem de fazer isso?

Ao rebobinar uma fase iniciada, ao dar play novamente você escolhe qual personagem que jogar dessa vez, porém o personagem que você jogou antes de rebobinar, ou pedir mais tempo como o game diz, não desaparece! Ele se torna um ghost, conforme citei acima, e fica ao seu lado jogando a fase até o momento em que você pediu tempo, depois dessa linha ele some, é claro (pois você não avançou com ele). Sendo assim, se pedir tempo 10 vezes, as 10 vezes o relógio vai retornar os segundos usados e na décima vez, é muito provável que você esteja jogando com um personagem seguido por 9 outros ghosts. Maluco, não?

Claro que há regras, como se você morrer, você pode resgatar esse personagem morto pedindo mais tempo e fortalecendo seu personagem principal. Existem itens que só podem ser coletados ao voltar no tempo em certas áreas. Inimigos que só podem ser vencidos depois de voltar alguns segundos no tempo e reunir alguns ghosts para fortalecer o ataque.  O primeiro chefão do game, até eu derrotar a barra de energia dele, tinha mais de 30 ghosts pulando pra lá e pra cá, morrendo e acertando pontos vitais da batalha. Lembrando que se você matou um inimigo fraco, e depois pedir tempo, você pode seguir adiante no trajeto desse inimigo caído que o seu ghost dá conta do recado, pois você conseguiu matar ele anteriormente, sendo assim nessa segunda rodada você se preocupa com outros inimigos ou itens para ser coletado.

Vale comentar também que o game tem vários tipos de personagens, cada um com habilidades únicas. Tem o solado atirador, que apenas atira muito, tem a sniper, que manda super tiros que atravessa paredes, tem o cara da barreira, que defende todos os tiros inimigos e logo no primeiro mundo é destravado um personagem com tiros mais potentes, como se fossem granadas. A boa de pedir tempo e retornar alguns segundos é que você não precisa voltar com o mesmo personagem. Cada retorno permite trocar o personagem!

Tudo isso deixa o game insanamente maluco, mas no bom sentido da coisa. É um desafio diferente, surreal, mas ainda assim incrível. É se dúvida a atração principal de Super Time Force.


Fechando

Antes de finalizar o game, vale uma dica. Para começar o jogo é preciso estar com tempo de pelo menos uns 50 minutos de sofá sem interrupção. Isso porque o game tem uma fase tutorial bem grandinha, que não é chato ou ruim, mas é preciso passar por ela para que o game comece. Depois disso, vem o primeiro mundo, composto por duas fases e um chefe. Se você desligar o game após terminar o tutorial, ele não salva! Eu tive que passar pelo turorial duas vezes por conta disso. Você precisa passar pela primeira fase, ao menos acredito que baste a primeira fase, pois no meu caso fiquei com receio e só depois que o game abre o quartel general para você navegar pelas galerias do game é que parei e constatei que o game estava salvado. Nesse ponto, poderia ter uma indicação de auto-save em algum lugar (e se há, não percebi). Essa é minha única crítica com o game, e nem dá para considerar um ponto negativo.

Nestas horas, admito que lamento um pouco o fato do Xbox One ainda não ter uma política idêntica ao Xbox 360 de que todo indie game lançado exclusivamente em meio digital na Xbox Live não tenha um sistema de demonstração gratuita. Isso faz toda a diferença. Comprei muito game indie no Xbox 360, minha biblioteca indie soma mais de 200 joguinhos lá, justamente por essa opção de testar antes de comprar. Se isso tivesse sido feito quando Super Time Force saiu no One em maio eu teria pago na hora os 15 dólares pedidos. Pra minha sorte, ele ficou gratuito rapidamente. Não sei se o estúdio ganha algo com isso (a Microsoft deve dar alguma coisa para conseguir distribuir  o jogo gratuitamente por 30 dias), mas achei que ao menos uma promoção deveria ter rolado antes de dar de graça um jogo tão maneiro. Bem, quem ganha com isso são os usuários pagantes da Xbox Live Gold sem dúvida.

Super Time Force, se ainda não baixou de graça no Xbox One, faça isso imediatamente. Se seu caso é um Xbox 360, corre e baixe a demonstração gratuita. E se você é do time PC, corre no Steam e pegue Super Time Force Ultra, que adicionou novos personagens e 50 novos challenges ao game! Deve ter ficado ainda mais filé!

Tá aí! Super Time Force recomendadíssimo! Pra mim foi uma excelente e feliz surpresa para este começo de mês!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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