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Halo Nightfall | Pois é, não é tão incrível como poderia ser…

halo nightfall

Ontem foi o lançamento de Halo: The Master Chief Collection e por consequência também foi liberado o primeiro episódio de Halo Nightfall, aquela série Live Action baseada no universo do game, que servirá (mais ou menos) de ponte para Halo 5: Guardians. O seriado que a Microsoft produziu e que um dia, num passado remoto, parecia algo incrível e que no final das contas… não é.

E não é pra menos que agora fica claro porque a divisão de entretenimento da Microsoft fechou as portas algum tempo atrás, mantendo apenas os projetos dessa série de Halo e também aquele outro projeto, que não ficou bem claro pra mim se seria uma série também ou algo diferente em questão de formato, que fará o link com Quantum Break, game em desenvolvimento pelos mesmos criadores de Alan Wake. Se Halo Nightfall era o carro chefe dessa divisão de entretenimento televisivo e ficou do jeito que ficou, nota-se que dali não sairia nada realmente épico.

Isso levanta a questão do porque diabos a Microsoft não vende ou fecha alguma parceria com algum canal americano que saiba e tenha competência para trabalhar com um universo televisivo ou até mesmo cinematográfico de Halo. Não é como se o Sci-fi Channel, por exemplo, não ficasse interessado em criar uma série baseada num dos principais games de ficção científica da atualidade e seria fenomenal ver algo com Halo num nível de Battlestar Galactica (2004). Até porque o Sci-Fi vem tentando criar um blockbuster no nível de Battlestar desde que a série acabou em 2009, e apesar de algumas coisas interessantes, nada ainda tão épico surgiu. E Halo aí, voando ao vento…

Até entendo que inicialmente a Microsoft tinha em mente que ela mesmo produziria seus próprios programas e faria do Xbox uma espécie de canal de TV exclusivo. Mas um ano após o lançamento do Xbox One, a empresa já deve ter entendido o quão difícil é criar algo assim, ao mesmo tempo que também precisa se preocupar com o games, que ela querendo ou não, são o carro chefe do sistema (e hoje ela entende isso, porque quando o One foi anunciado naquela triste pré-E3 do ano passado, obviamente ela não entendia). Enfim, eu acho que o universo criados nos games está apenas começando a dar seus primeiros passos no mundo do entretenimento da TV e Cinema, tal qual os quadrinhos estavam há uns 10 anos atrás e hoje em dia podemos considerar que eles finalmente encontraram o formato e a forma correta de mexer com estas adaptações. Acho que ainda há muito para se evoluir nos próximos anos, e não só da parte da Microsoft, porque a Sony e a Nintendo também estão entrando nessa onda de games e as adaptações transmídias.

Enfim, retornando a Halo Nightfall. Ontem foi lançado o primeiro episódio, exclusivo para aqueles que adquiriram Halo: The Master Chief Collection. O episódio em si não está disponível dentro do game, mas é por ele que você libera-o no Halo Channel, aplicativo também lançado ontem, para o Xbox One que lhe permite assistir a um canal de conteúdo e vídeos do universo de Halo. Por sinal, o Halo Channel é incrível, e é o substituto oficial de Halo Waypoint, que existia no Xbox 360 com características semelhantes.

O primeiro episódio de Nightfall tem apenas 29 minutos. Um pouco menos do que esperava e aí já se percebe que o orçamento do show parece ser algo contido, para nem se manter o padrão americano de dramas com no mínimo 44 minutos (dadas raras exceções onde o formato funciona com menos). Na Live Brasil, o episódio já se encontra totalmente legendado em português. Porém não num bom português, porque a legenda ficou bem fraca, com traduções simplórias em relação ao que se está sendo dito em inglês e grandes espaços onde os personagens estão falando e a legenda simplesmente não aparece, principalmente num ponto importante da trama, quando se explica a respeito do Halo que Master Chief destrói no segundo game. No mínimo desanimador a qualidade da localização desse primeiro episódio, especialmente sabendo o quão bem feito estão as legendas dos games da franquia.

Um dos grandes problemas da série são os efeitos especiais. Inferiores a qualquer outra série de ficção da atualidade de qualquer outro canal americano. Nem mesmo Halo 4: Forward Unto Dawn (também um Live Action – e se você não assistiu, procure assistir porque esse sim é bacana) tem efeitos tão ruins e pobres. Ou o orçamento da série foi cortado quando a divisão de entretenimento fechou ou a Microsoft não apostou que precisaria injetar mais grana para que os efeitos pudessem ficar num nível condizente com o que já se dá para fazer nos dias de hoje. E olha que o primeiro episódio nem exige muitos efeitos, mas um dos personagens, um alienígena Elite, que é parte importante do plot, feito totalmente em CGI, em nenhum momento parece dá a sensação de realidade.

A história em si não é de todo mal, apesar do roteiro não saber trabalhar adequadamente com os personagens. E até aí não há problema, porque como trata-se de um seriado, haverá tempo para apresentar eles e dar o contexto e personalidade de cada um em episódios futuros, porém ainda assim o primeiro episódio falha em trabalhar certas situações. Como um alienígena enorme entra numa zona que seria uma espécie de shopping center e ninguém percebe? O Agente Locke, protagonista da série, também não possui o carisma necessário para segurar a trama, além de ser um personagem novo no universo da franquia e por ter um papel (aparentemente) grande em Halo 5: Guardians parece meio estranho o que a série quer trabalhar com o personagem antes de colocá-lo em Halo 5.

Enfim, o plot principal parece ser a única coisa que irá me motivar a continuar vendo os próximos episódios, pois envolve um dos destroços da Halo que o Master Chief destruiu em Halo 2 e lá há algo que pode destruir a raça humano. O suspense em explicar claramente o mistério desse pedaço do Halo é uma (se não for a única) grande sacada da série.

Sendo assim, vale assistir Halo Nightfall? Até vale, mas vá com sem qualquer expectativa e sabendo que vai ser pior do que você imagina. Como ele é apenas um extra de The Master Chief Collection (e certamente em breve deve cair na internet ou ser liberado de graça pra todo mundo) até dá para engolir o fato de ter um orçamento pequeno e ser uma série fraca. Certamente a franquia Halo ainda merece algo mais digno de ser produzido, seja para TV ou Cinema.

Entretanto, se estiver a fim de entender melhor o fenômeno de Halo dentro do Xbox, o documentário Refazendo a Lenda: Halo 2 Anniversary também ficou disponível no Halo Channel, e ganhou legendas em português, e aqui elas estão com a qualidade no nível exato, tem mais de uma hora de duração, e é extremamente épico. Vale assistir sem dúvida alguma.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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