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Resident Evil HD | A boa agonia da primeira hora!

Todo mundo conhece Resident Evil, seja nos games ou nos cinemas. Boa parte dos gamers já tiveram alguma experiência com algum Resident Evil, talvez com os games mais recentes ou com os clássicos que nunca são esquecidos. Eu joguei quase todos (acredito que o Code Veronica me escapou), uns com mais euforia e outros meio que são experiências tão antigas ou rápidas que não me recordo direito. E o primeiro Resident Evil é um desses que eu sei que joguei, sei que terminei, mas que pouco me lembro!

Isso porque o primeiro game da franquia é de 1996 e saiu originalmente para o primeiro PlayStation, nosso carinhoso PSOne. Mas também é um título que foi lançado em umas trocentas plataformas. Você o encontra no Dreamcast, Game Boy Color, GameCube, PC, Nintendo 64, Nintendo DS, Nintendo 3DS, PlayStation, PlayStation 2, PlayStation 3, PlayStation 4, PlayStation Vita, Sega Saturn, Wii, Wii U, Xbox 360 e Xbox One. Claro que em algumas destas na versão original e em outras uma versão remasterizada e melhorada. O que é o caso do Resident Evil que quero comentar hoje por aqui!

Também chamado de Resident Evil HD Remaster, essa versão saiu agora em janeiro de 2015, utilizando uma versão do mesmo game de 2002, na época lançada exclusivamente para o Gamecube, que é um remake do original de 96. Eu estou tentando me lembrar, mas tenho a suspeita de não ter jogado essa versão de 2002. As minhas memórias de Resident Evil remetem ao PSOne mesmo, naquela fase complicada da pirataria e dos gamesharks. A trilogia original de Resident Evil eu fechei todas utilizando Gameshark, que para quem não se lembra era um treco que te permitia criar cheats safados em centenas de games piratas da época e usá-los como vantagens de jogo. Eu tinha, por exemplo, munição, energia, ink (para salvar o game) tudo infinito. O que convenhamos era moleza demais na época. Apenas tinha o trabalho de solucionar os puzzles, o que nem sempre era tranquilo, afinal foram tempos onde não existia You Tube e nem sempre havia uma revista de detonado fácil com o game que você queria. Neste caso não me lembro de ter usado um detonado (afinal, era tranquilo morrer no game e passar tudo sem me preocupar com munição), o que também não quer dizer que eu era um gênio e solucionava tudo facilmente. De ficar travado e preso sem saber pra onde ir era algo muito comum na minha experiência com o game naquela época.

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Da primeira versão de 1966 para o Xbox One em 2015!

Aproveitando o Halloween e o fato do game no Xbox One estar com 25% de desconto até segunda-feira, dia 02 de novembro, resolvi me arriscar novamente pela clássica Mansão. Como é jogar o primeiro Resident Evil novamente depois de mais de uma década da experiência original?

Em poucas palavras: é agonizante! Mas de uma forma positiva. É tudo claustrofóbico, se você tem péssima memória, como eu tenho, você não sabe para onde ir, você não tem munição suficiente, você não tem energia suficiente e nem ervas para recuperá-la e você não tem tintas para a máquina de escrever o suficiente para salvar o game a todo momento. É tenso, amedrontador e especialmente impactante. Dá para entender perfeitamente porque os games da série não são mais assim hoje em dia. Acho poucos comprariam jogos assim hoje em dia, exceto no caso de clássicos já consagrados, como é este o caso. Era um game feito para te quebrar, para realmente te desafiar ao máximo e em todos os aspectos possíveis.

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Como você já deve ter notado, eu não me lembro de nada do game original. Apenas alguns lapsos da história, de como ela começa, de como ela termina, porque isso é básico da própria cronologia da série. Só que em termos de execução e gameplay ou dos puzzles, pra mim é como se estivesse jogando Resident Evil pela primeira vez. E caramba, como o game mexe com o jogador.

Você pode dizer que os controles são complicados e até mesmo defasados. Mesmo nessa versão na qual você não precisa rodar em seu próprio eixo para se movimentar (apesar de que você pode ligar isso nas opções do game). É de dar calafrios ter que apontar a arma para um zumbi. Você não se mexe, seu ângulo nunca parece estar bom e é quase impossível acertar na cabeça, o que significa que você irá gastar muita munição em um único zumbi! E a munição é limitada no game inteiro! Argh!

É aí que você aprende e se lembra. Este Resident Evil não é um game de ação, tal como um Resident Evil 5 ou 6. Ele é um jogo de sobrevivência e de terror psicológico! Não há muitos zumbis.  Você precisa apenas ser esperto para não deixar eles te pegarem. Eles são lentos! E conforme você progride o jogo vai melhorando sua condição de poder de ataque. Basta ter paciência e calma, o que dito assim parece impossível por todas as dificuldades que o game impõem. E a mais importante delas é paciência.

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Resolvi começa a jogar com a Jill (você pode escolher o Chris e ambos tem lá suas vantagens e desvantagens) e logo após o surgimento do primeiro zumbi, ela e o Barry voltam ao salão principal do game a procura do Wesker e não o encontram. Qual a solução? A regra Scooby-Doo, ou seja, vamos nos separar dentro dessa mansão aterrorizante e possivelmente infestada de zumbis! E ele me dá uma tarefa: “é bom ficarmos no primeiro andar, vá pela esquerda e fico com os cômodos da direita.

Pronto, bastou isso para me desorientar totalmente. Fui pra esquerda, cheguei a um ponto na qual não podia mais avançar e agora? Que diabos deixei passar? Preciso de um item, o jogo deixa isso claro. Mas cadê o maldito? Hahaha, pronto, lá vem a agonia de não saber o que fazer. Vou para onde o Barry disse que iria? Subo, mesmo ele dizendo para não subir? E essa suspeita passagem secreta para um cemitério que grita para você “vem aqui e morra jogador dos infernos!“. Pronto, vou sentar e chorar até alguém vir me salvar. Hahaha

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Sim, isso soa terrivelmente frustrante e aterrorizante, mas ei, assim era o gênero Survival Horror antigamente e não esse passeio em um parque de diversões que são os games de hoje. O jogo te provoca, te desafia, te limita a todo momento, até que você descubra o que fazer. Claro que perdi severos minutos dessa primeira hora de gameplay lembrando para onde deveria ir. Eu precisava pegar um certo item em uma certa sala na qual passei pela primeira vez, sem munição e sai de lá correndo com os braços pra cima igual um maluco quando vi um zumbi lá dentro e eu estava sem munição (meu cérebro constantemente fica me dizendo “para de gastar munição, o game nem começou e você não tem mais bala nesse inútil revolver“). Passeia ali, passeia lá, vai pisando devagar, com medo de tudo, acha munição e volta lá. OK, item que precisava estava ali, nesse cômodo. Felizmente eu já sabia onde usar e aí o game avançou mais um pouco. Ufa! Bem, chega, hora de salvar porque já estou sentido aquele sinal de “missão cumprida, pare e sobreviva para morrer outro dia.

Claro que isso me custou quase uma hora, porém se tivesse jogado novamente o game, possivelmente seria menos de 10 minutos. Mas os games antigos eram assim, feitos para te desnortear e fazer a jogabilidade durar o máximo possível com a capacidade dá época. Nesse ponto você percebe o quão genial e incrível este Resident Evil é.

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Aqui eu posso dar algumas lições:

  • Se você pode evitar um confronto, evite. Não gaste munição pela tensão do momento. Exceto se sua saúde estiver para acabar e o Game Over for inevitável. E mesmo com o Game Over, não se frustre, pois jogar novamente uma parte que não foi salva é muito tranquilo, ao menos inicialmente, pois aí você já aprendeu para onde ir, o que pegar e como deve fazer. Sabendo isso, você resolve um problema que pela primeira vez te custou 40 minutos em 10 minutos, por exemplo.
  • Examine os objetos coletados e dê “check” neles. As vezes eles se tornam outra coisa (como um pedaço deles pode ser jogado fora e o item se tornar aquilo que você estava procurando). Se você não os examinar, seu game trava e você não progride.
  • Aprenda a usar o mapa, ele é essencial. Portas azuis você já abriu, vermelhas estão fechadas com algo a ser resolvido para abri-las e portas neutras (sem cor) você nunca passou por elas e não estão trancadas, deve entrar nelas. Os cômodos também possuem cores, como laranja que significa que você precisa fazer algo ali ou verdes que indicam que você já fez tudo que seria possível ali. Isso está nas explicações ao entrar no menu de inventário do game (parte superior).

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Felizmente se tem uma coisa que eu gostei nesse Resident Evil HD Remaster é justamente o visual dele. Graficamente está muito bonito. Os gráficos aprimorados permite não se perder na mansão. Cada cômodo é único, você consegue memorizar melhor o caminho. Também me agrada o upgrade dos controles, sem precisar girar no eixo. Eu prefiro os novos controles nesse sentido. E ainda bem que boa parte das regras e imposições originais do game se manteve. Se ele tivesse por exemplo, um auto save, possivelmente isso comprometeria parte da experiência do mesmo. Apesar de que eu não reclamaria de um auto save  em certos pontos chaves da história. Só para poupar o jogador de correr atrás de uma máquina de datilografar e tinta para a mesma.

Bem, a minha intenção é voltar a falar mais do game aqui no site. Hoje quis apenas pincelar um pouco essa minha nostalgia que foi jogar um pouco desse título clássico (as duas da madrugada de uma sexta para um sábado, no escuro, sozinho e no silêncio absurdo!). Eu volto oportunamente a falar mais do game. O caso é que certamente não o conseguiria terminá-lo antes da segunda, dia 02 de novembro e isso invalidaria a dica de quem se interessar para poder pegá-lo com um descontinho na Xbox Live Gold desta semana. 29 reais (preço da promoção) é um valor bacana para o título! Fora que jogá-lo hoje em dia é uma aula de história do desenvolvimento dos games das antigas. É algo que você pode procurar hoje, mas não irá encontrar, nem mesmo no cenário indie (o que de certa forma é uma pena).

resident-evil-hd-remaster Jill BSAA

É um game difícil, desafiador, de lógica e atenção, e de gratificação quando algo nele é solucionado. Fora que a história que deu pontapé inicial a uma franquia que não consegue descansar até os dias de hoje é sensacional. Pra mim ficou um remaster digno da essência do primeiro Resident Evil de 1996. Se fosse um remake com uma roupagem mais moderna, não chegaria aos pés do original, sem dúvida nenhuma.

A nota abaixo para o título hoje vai muito mais pela minha experiência nesse começo de gameplay do que pelo jogo inteiro e tudo que ele ainda vai me oferecer. Até porque o elemento replay desses primeiros Resident Evil são ótimos. E eu já sei que o game é, por ter conhecido o original, por saber aonde tudo isso vai dar e pelo próprio jogo honrar o original. Não é meu review final e definitivo, mas é uma nota para dizer o quão empolgante, quão boa a qualidade dessa nova versão conseguiu ficar e também de ser ainda muito relevante a uma nova geração de jogadores que com certeza não estão acostumados com esse nível de regras de jogabilidade.

Isso sim minha gente, é Resident Evil!

Obs – uma última observação: só acho que a Capcom perdeu a oportunidade de localizar um clássico para a maior quantidade possível de idiomas. Torná-lo mais acessível possível. Afinal, mesmo que tenha rolado um custo para o desenvolvimento dessa nova versão, ainda assim teria sido válido pensar nisso. O jogo está em inglês e é importante saber um pouco, ou se esforçar a entender o que é mencionado nos textos dos enigmas, caso contrário, o jogador facilmente fica perdido em alguns casos. Porém lembre-se do que disse há alguns dias atrás neste texto, não deixe o inglês ser uma barreira para puder jogar excelentes games!

O game continua genuinamente com pé em suas origens!
O desafio, as limitações, a dificuldade são pontos cruciais e necessários aqui
Graficamente e visualmente o jogo está inacreditavelmente bonito!
A jogabilidade melhorou, mas ainda é um parto ter que atacar inimigos
Na era dos games localizados, você sente falta de legendas em português
É um genuíno Survival Horror, você realmente fica tenso e aterrorizado
Vale muito a pena revisitar os origens de uma franquia tão icônica!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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