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Steredenn | Um (quase) infinito roguelike-shmup! (Impressões)

Shmup. Olha aí um termo difícil de ser usado com frequência por gamers. De fato os games tem muitos gêneros e subgêneros, e hoje em dia isso se mistura em tantos elementos que fica difícil definir um game apenas por um único gênero ou subgênero. E as vezes há estes termos, como shmup, que são resgatados e mal nos recordamos do que se tratam.

De fato shmup é uma abreviação para “Shoot ‘em up“, o que poderia ser traduzido por aqui como “atire em tudo“. É um daqueles subgêneros onde o jogador controla um objeto em tela e precisa ir destruindo tudo que vier pelo caminho. Quase sempre esse objeto em controle do jogador é uma nave espacial, ainda que isso não seja via de regra algo obrigatório.

Na minha infância era o que a criançada chamava de “jogo de navinha”, e isso me faz lembrar dos bons tempos de R-Type no Super Nintendo. E como é estranho que hoje em dia não exista mais tantos games nesse formato. Quer dizer, existem, mas são poucos. Steredenn vem então para somar dentro de um gênero raro hoje em dia.

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Vale também lembrar que há dois tipos de jogos em nave, pensando apenas em um ambiente 2D. Aqueles onde a nave se move verticalmente, como Ikaruga, e aqueles onde a nave se move horizontalmente, como o clássico mencionado R-Type. Particularmente sempre gostei mais do formato horizontal, o que felizmente é o caso de Steredenn.

Além de ser um shmup Steredenn também pertence à outro subgênero: o roguelike, ou seja, ele possui um sistema em sua programação que gera novas fases de forma randômicas e aleatórias cada vez que o jogador começar um novo game. Tal como Dungeon of the Endless, outro indie game recém comentando aqui no site.

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E essa é uma tendência dos games hoje em dia, que pensam sempre em proporcionar experiências únicas e individuais a cada jogador. Sem mencionar que tenho a leve impressão (pessoal) que esse também acaba sendo um gênero em que não se preocupa muito se os jogadores estão ou não indo até o fim de um game, pois as experiências de começar um game de novo e de novo são sempre são experiências novas e únicas. Então recomeçar sempre se torna tão divertido, ao ponto de se tornar desnecessário se estressar em terminar estes mesmos game. Hum… será?

Pegue sua nave e vamos para o espaço sideral!

Steredenn é um indie game desenvolvido pela Pixelnest Studio, lançado em outubro do ano passado na Steam e que chegou ao Xbox One agora em 1º de abril. Em ambas as plataformas seu preço atual é de aproximadamente 25 reais, o que já adianto que acho um valor honesto para aquilo que o game oferece.

A maior proeza de Steredenn sem dúvida é esta impressão de um game infinito, na qual esse gerador de fases parece funcionar muito bem. E precisaria porque o game principal, denominado de modo normal, e o que também poderia ser chamado de campanha, possui apenas sete fases.

Steredenn

Pouco? Nem em sonho! Vencer sete fases desse game é um desafio monstruoso. Já faço aqui a admissão de incompetência porque eu sobrevivi apenas as quatro primeiras fases do game, sem ter conseguido chegar as fases finais. Ao menos até o momento de publicação deste review. Não significa que não continuarei tentando.

Steredenn é um game difícil devido as suas regras. Você só tem um vida. Morreu é Game Over. Comece tudo de novo e em novas fases geradas pelo game. Ou seja, não adianta achar ou pensar que vai decorar um padrão e com isso você conseguirá ir mais longe na segunda jogada. A impressão é que se você jogou durante uma hora o game, e mesmo que nunca chegue ao final das sete fases, fica parecendo que você acabou jogando duas ou três dezenas de fases diferentes, o que é muito bom por sinal. Imagina que porre seria jogar a mesma coisa por horas e horas? O sistema roguelike de Steredenn cai como uma luva a proposta do game.

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Talvez a crítica que caiba aqui seja de que um sistema onde as fases são geradas aleatoriamente, com bases em regras preestabelecidas acabam tornando alguns parâmetros preguiçosos no game. Você não vai ter aquilo que posso chamar de levels planejados, ou aqueles momentos épicos em comum acordo a todos que jogaram um mesmo game. Os R-Type clássicos tinham isso, por exemplo, que eram aquelas fases amadas e adoradas pelos fãs, aqueles batalhas épicas contra enormes e diferentes chefes. Já Steredenn tem apenas um kit set de peças que mudam aleatoriamente, e as vezes as combinações impressionam, mas o jogador sente que está sendo jogado a um mundo onde cada aspecto não foi necessariamente pensado pelo programador para tornar a experiência do game potencializada a uma experiência coletiva entre os jogadores.

Vale mencionar outra questão, que é o fato de que as naves inimigas não mudarem muito ao longo do game. Há uma variação e diversidade delas, mas são as mesmas naves do começo ao fim do game Após uma hora de game não há mais inimigos diferentes lhe surpreendendo. O jogador já terá visto todos os tipos de inimigos possíveis e todos os ataques que eles podem utilizar. O mesmo vale para as batalhas contra os chefes em cada fase, que se limitam a uma espécie de nave espacial que vai aumentando de tamanho a cada nível conquistado. Os ataques dos chefões mudam a cada novo nível, ficando mais insanos e complicados, mas o design deles é normal demais, beirando o ordinário. Há essa sensação de que o visual dos inimigos são o elo mais fraco de Steredenn.

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Isso porque em termos de ambientação o jogo possui realmente cenários espaciais de cair o queixo, e olha que estou aqui falando de um game feito com pixel art, o que por si só já deveria ser um limitador, mas acaba não sendo. A pixel art quando bem feita é sempre um estilo cheio de charme, o que felizmente se enquadra a este game.

Os cenários ao fundo do game mudam e alguns são belíssimos. Pena que com os cenários, que dão essa sensação de novos mundos sendo descobertos, os inimigos não mudem juntos. Seria como se você, como um patrulheiro espacial, independente de onde sua nave o levar, estivesse sempre combatendo os mesmos tipos de inimigos. Os mesmos piratas especiais que aparentemente estão por toda parte do espaço sideral.

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Só reforçando que mesmo que os inimigos sejam padronizados demais, a organização deles e a forma como eles aparecem no jogo para lhe atacar são bem diversificadas. O game pode gerar centenas de ondas de ataques diferentes, o que é bem impressionante.

Uma nave, e dezenas de armas e upgrades!

O grande trunfo de Steredenn é seu sistema de armas e upgrades. É isso que torna tudo diferente e mais incrível a cada recomeço do modo normal. O jogo possui aproximadamente 35 padrões de armas diferentes, das mais absurdas possíveis. E a cada nível vencido o jogador pode escolher um upgrade que melhora a performance da nave. Sendo assim os níveis vão ficando mais difíceis, enquanto o jogador também vai se tornando mais poderoso. São 25 diferentes tipos de upgrades. Isso cria centenas de variações possíveis para sua nave, dependendo da sorte do que virá nas primeiras fases do game, tanto em termos de armas como de upgrades.

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A regra é que o jogador sempre comece com uma arma básica, que é dureza tomar a decisão de abandoná-la, mas você pode ser quiser. Novas armas vão caindo ao longo das fases, de acordo com inimigos derrotados. Uma fase pode derrubar mais do que uma arma alias. Porém todas as armas são aleatórias, não existe uma ordem para que elas apareçam, ainda que antes de pegá-las, o jogo lhe dá o nome dela, então você pode decidir trocar ou não de arma, sabendo qual irá pegar.

Então meio que não existe uma arma principal em Steredenn. O game sempre começa com a Bullets, uma arma normal de tiro, e você pode ser abandonada-la. E a nave comporta sempre duas armas. Isso é bom porque há armas de efeito contínuo e armas mais especiais, como serra ou espada gigantes que exigem estar próximo do inimigo e que não atiro, apenas acionam um mecanismo ao redor ou proximidade da sua nave.

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E realmente há armas bizarras em Steredenn. Armas que lembram lança-chamas, armas de pulso, canhões de laser, uma que lembra tiro de espingarda (as balas saem em uma trajetória explosiva), mísseis (teleguiados ou não), um que o tiro lembra um bumerangue, outro que se torna um escudo, e por aí vai. Impossível citar todos os tipos de armas sendo que eu mesmo ainda não vi todas. A aleatoriedade do game funciona bem no sentido de não ficar sempre mostrando o mesmo set de armas. E o jogador se diverte mesclando duas armas em cada jogo para ver se consegue vencer ainda mais hordas de inimigos.

Quanto aos upgrades ao final de cada fase, há uma boa quantidade de opções e são interessantes. Existem inclusive categorias de upgrades, indo aos que melhoram a nave, sua resistência, as armas, melhor pontuam o game e assim por diante. Pausando o game é possível ver o status da nave conforme você está avançando no jogo.

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A cada nível conquistado, além do upgrade, o jogo restaura a energia da nave, que é composta por uma barra. Então o jogador pode tomar alguns danos ao longo de determinada fase, contanto que não morra (pois aí é Game Over), se preocupando apenas em terminar a fase com ao menos um quadrado de vida, pois assim toda a energia é restaurado ao seguir para a próxima fase.

Gosto alias da forma como o jogo lhe diz que a nave tomou dano. Há um choque de impacto na tela que treme todo o jogo. Esse abalo de dano é tão imersivo que até tremo o controle quando isso ocorre. É bem impressionante. Te faz ficar desnorteado por alguns segundos.

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Vale ou não vale?

Steredeen vem com basicamente quatro modos de game. O modo normal, descrito acima, composto por sete fases e que você vai suar e sofrer para conseguir conquistá-las. Tente ver no You Tube a monstruosidade que é o chefão do último nível (lá pelos 15 minutos desse link). Eu nem sequer consegui chegar nele, conforme já admiti lá no começo do texto.

Há ainda um modo arena, onde o jogador pode enfrentar novamente qualquer chefe já derrotado, sendo que o game tem 13 chefes, que são inseridos nas sete fases do modo normal de forma aleatória. Há o modo Daily Run, que são fases criadas pelo game e que valem para todos que entrarem nesse modo (assim todo mundo joga exatamente a mesma fase), e o jogador só tem uma única tentativa para desbravar. Esse modo é composto por um sistema de leaderboards, onde é possível ver onde os melhores jogadores chegaram no desafio do dia (e quão ruim eu sou). É um modo bacana mesmo, pena que é uma tentativa apenas por dia. E há o modo Superplay, que só é destravado se você conseguir fechar o game no modo normal. Nessa modalidade, segundo li no press kit do jogo, não há aleatoriedade, é um modo campanha sem variações e com regras fixas, o que admito não entender qual é a graça, mas sei lá, é válido como um extra.

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Com tudo isso, me peguei imaginando que é uma pena o game não ter um modo cooperativo para dois jogadores. Há espaço em tela para um parceiro, uma segunda nave. É uma pena o jogo ter apenas single player. Claro que há que se entender que trata-se de um estúdio indie, ainda pequeno e talvez o jogo não tivesse orçamento para um modo multiplayer, offline ou online, dada até mesmo as limitações de outras aspectos que mencionei mais acima (na questão dos inimigos e chefes sem visual variante). Resta torcer para que o game fase sucesso e que os desenvolvedores pensem na possibilidade de um Steredenn 2: maior, melhor, e com mais adições, como modos cooperativos.

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Mas assim, pela proposta, pela engenhosidade do elemento roguelike e até mesmo por se tratar de um gênero que não é tão popular e não existe tantas opções assim nos dias de hoje, Steredenn acaba sendo uma ótima opção para se divertir em jogatinas rápidas, para quem tem aquelas janelas curtas onde precisa jogar algo rápido e que não tome muito tempo. E certamente vale o preço cobrado!

Foi uma surpresa encontrar um jogo simples, desafiador, divertido e totalmente em um estilo mais arcade, principalmente em uma geração onde quando se fala em jogos com naves espaciais, se tem muito simuladores ou games de RTS (real-time strategy) e pouquíssimos games de puro shump, especialmente com qualidade que valem serem jogados! E Steredenn vale!

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Ambientação incrível, com belas pixel arts!
Subgênero (shmup) oldschool, mas modernizado
Inimigos e chefes pedem novos designs e variações
Incrível arsenal de armas e upgrades
Sem qualquer modo cooperativo
Desafiador e com excelente nível de dificuldade
Parece um game curto, mas não é!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!

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