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Anarcute | Junte-se a revolta dos animais! (Impressões)

Anarcute é um destes indie games que talvez seja fácil passar despercebido por alguns jogadores mais velhos. Afinal, ele é todo colorido e fofinho. E talvez esse seja um “pré-conceito” um tanto quanto injusto com um game tão divertido e diferente, que segue alguma influência de games como Pikmin, na qual o jogador não controla um único personagem, mas uma horda deles, na qual quanto maior for sua vantagem numérica, mais poderoso o jogador fica.

Apesar de ter citado Pikmin acima, Anarcute funciona um pouco diferente. Quer dizer, em um contexto geral ele é bem mais simplificado. Em Pikmin o jogador controla um personagem líder, normalmente o Olimar, que microgerencia os tais “pikmins”, pequenas criaturas que brotam da terra. O jogador tem uma certa liberdade para fazer brotar quantos pikmins quiser, seguindo as regras e itens disponíveis em cada estágio. Em Anarcute não há um líder, o jogador controla a própria horda de personagens em si, tornando sua jogabilidade bem mais linear, sem poder dividi-la ou microgerenciar pequenos comandos distintos a cada grupo.

Isso pode soar como algo ruim, mas não é necessariamente. Ter uma inspiração é melhor do que copiar tudo que um outro game mecanicamente pode fazer, é pegar uma boa ideia e molda-la de uma outra forma na qual ela trabalhe com uma ideia própria, moldando-a em algo diferente, ou até novo. Anarcute consegue essa sensação, de apresentar algo interessante, sem soar como uma cópia de algo já existente.

Anarcute (2)

Pesquisando mais a fundo o indie game, vi que ele foi desenvolvido por um pequeno grupo de cinco estudantes franceses, que fundaram um estúdio chamado Anarteam. Para um primeiro projeto, há que se admitir que a equipe mandou muito bem.

Curioso dizer que inicialmente nos estágios iniciais desse game, os desenvolvedores estavam pensando em um game com zumbis, na qual o jogador controlava a horda deles destruindo ambientes urbanos, porém aí eles perceberam que o mercado já estava um tanto saturado desse template, e mudaram para animais fazendo uma revolta contra um governo tirano. No fim, parece que funcionou, pois deu uma identidade mais original ao game a meu ver. Ah como é sempre legal informar: aqui o site oficial do game, para que você possa visitar e acompanhar futuras novidades!

Anarcute

Mecânicas de controle em massa!

Anarcute funciona então da seguinte maneira: cada fase o jogador começa com um pequeno grupo de animais, as vezes dois, ou três deles. Algumas até começam com um único animal. Conforme você se aproxima de mais animais, estes vão se jogando ao seu grupo, criando uma manifestação (em clima de revolta) que chama a atenção dos inimigos do jogo, que são a força policial da cidade.

Ao controlar este grupo de animais, o jogador percebe que eles destroem e pegam diversos objetos espalhados pelas ruas e calçadas espalhadas pelo ambiente do jogo, e que podem então ser arremessados contra as forças policiais. Se a polícia aproximar demais, eles vão bater e causar danos em seu grupo, fazendo com que alguns animais desmaiem, diminuindo a sua horda, até não restar mais ninguém.

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Quanto maior for a sua horda, maior será o poder de ataque dela e mais habilidades são destravadas. Por exemplo, após um determinado número é possível até mesmo destruir prédios inteiros, fazendo-os cair em cima de inimigos. Com mais um pouco é até mesmo possível fazer a horda inteira pegar um edifício e arremessá-lo em uma direção desejada! Essa interação com os prédios do game é uma das melhores habilidades do jogo e uma das que requer o maior número de manifestantes possíveis.

Os números de manifestantes para criar a horda normalmente são fixos em todos os estágios, ou seja, não tem como gerar um imprevisível número manifestantes. Os animais estão espalhados por todas as fases, muitas vezes presos em gaiolas, protegidas por inimigos, fazendo o jogador atacar um grupo de policias com uma horda pequena e que ao vence-los, sua recompensa é o aumento de seu grupo. Porém após alguns estágios mais avançados, fica claro que um único erro pode fazer o jogador ter que recomeçar toda a fase, pois com um número fixo e limitado de manifestantes, em qualquer ponto, se você perder um número grande de animais por algum vacilo, fica praticamente impossível avançar pela fase.

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Isso ocorre porque os estágios não são moldados em relação ao seu número de animais em controle, mas no número na qual eles foram disponibilizados enquanto o estágio avança suas etapas. Isso é ruim, pois não podendo chamar novos manifestantes, e tendo perdido um número considerável deles, as vezes as etapas finais das fases são desbalanceadas, obrigando o jogador a recomeçar tudo de novo, desta vez sem perder tantos animais. Claro que as vezes existem alternativas para uma grande perda de animais, podendo usar certas estratégias, como avançar calmamente e ir atacando de longe, arremessando objetos.

O bacana é que Anarcute tem uma sensação muito boa de progressão. O jogador está sempre destravando novos animais (ainda que eles sejam apenas estéticos, não possuindo habilidades próprias, o que de certa forma é uma pena), novas áreas e, principalmente, novos inimigos.

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Há inimigos de tudo quanto é tipo. Daqueles minions que caem com duas pauladas, até mesmo aqueles que funcionam como tanques, na qual um único golpe pode acabar com mais da metade do seu grupo. Há snipers no topo dos edifícios que só podem ser derrubados quando a habilidade de destruir os edifícios é destravada, ou até mesmo policiais meio ninjas, na qual o jogador precisa esperar pelo ataque, desviar (a horda inteira pode rolar ao mesmo tempo) e só aí atacar. Há cães e até mesmo drones e helicópteros, que ao serem derrotados liberam certas armas especiais para seu grupo utilizar de forma limitada.

Outra coisa que precisa ser elogiado são as batalhas contra os chefes finais de cada mundo. Todos são enormes e apresentam mecânicas diferentes de combate, fazendo com que o jogador primeiro o analise e descubra seu padrão de ataque e o local de ponto fraco do mesmo. O segundo chefe, que é uma espécie de aranha mecânica me fez suar um pouco. O venci com um único manifestante é pé. Foi bem tenso.

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Ao todo Anarcute apresenta cinco mundos, com cinco ambientes diferentes. São diversos tipos de animais e de inimigos e combates, além de diversas habilidades para serem destravadas e ativadas, sendo que o jogador tem as habilidades fixas e três slots de habilidades extras que podem ser adquiridas conforme se ganha moedas ao concluir os estágios do jogo. As fases possuem rankings que ao conseguir o S em todas as fases de um único mundo destrava uma roupa nova para os personagens, sendo que esse ranking considera seu tempo de fase, inimigos abatidos e manifestantes que ficaram em pé ao final do estágio.

Vale ou não vale?

É legal dizer que Anarcute não é um indie game excessivamente caro. Ele custa 35 reais na Xbox Store e 36 reais na Steam. Os desenvolvedores dizem que há vontade de lançar o game em outras plataformas, então imagino que ventualmente o game também seja liberado para PlayStation 4 e quem sabe também para mobile e Wii U. Eu acho que funcionaria em qualquer plataforma sem grandes problemas.

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Só acho que vale aqui algumas observações. O game é divertido e bacana, porém tem alguns pontos que poderiam ser aprimoradas, quem sabe até para uma sequência. Como disse lá no começo, o gerenciamento é simples, bem diferente de Pikmin, por exemplo. Não dá para separar o grupo ou dar ordens diferentes, é sempre correr, atacar ou desviar. Não há muita complexidade então. Isso é bom para os menorzinhos, o meu filho de 4 anos adorou o game e consegue avançar pelas fases graças a essa simplicidade, então o que eu vejo como algo que poderia ser mais complexo, para ele é uma vantagem tal simplicidade. Acaba sendo uma faca de duas gumes isso.

Outro ponto são os diferentes animais. Esteticamente é legal uma horda de manifestantes animais com mais de 20 animais diferentes, porém que na prática não possuem habilidades individuais. Seria maneiro ir além desse conceito, como se animais que pudessem voar abatessem snipers no topo dos edifícios ou animais mais fortes, como elefantes, conseguissem ativar habilidades como destruir prédios em um menor grupo de manifestantes. Sinto que o game perde uma possibilidade de ir além, sem que perdesse sua simplicidade, já que é possível gerenciar os animais que participam das fases (deixando de fora aqueles que visualmente você pode não curtir). É possível até mesmo jogar o game inteiro com uma única classe de animal.

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Por último vale apontar a estética as fases. São todas planas, sem subidas ou descidas. Não que isso seja algo negativo, mas acrescentaria muito mais ao game mecânicas de níveis na estrutura dos estágios. Subir e atacar de cima de um morro, por exemplo. Mesmo que visualmente os mundos mudem, é impossível não sentir uma sensação após algumas horas de que o esquema de fases são quase sempre os mesmos.

E olha que o jogo até se esforça para criar cenários e fases especiais, na qual o jogador controla um único animal ou em outra onde é preciso proteger um veículo. Estas fases são, aliás, excelentes. Poderia haver muito mais disso no game como um todo.

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São pequenas críticas que não necessariamente desmerecem Anarcute. Novamente é importante lembrar de que trata-se de um indie game, feito por apenas cinco pessoas e com um orçamento limitado. Não se pode pedir uma complexidade de um Pikmin, bancado por uma empresa como a Nintendo, desenvolvido sabe-se lá por quantos programadores. Porém são pontos e limitações que podem vir a ser considerados para uma próxima vez.

É um game pequeno, dá para fechá-lo em 4 horas ou até menos se o jogador correr demais e não parar para respirar e apreciar alguns momentos bacana do game. Não há multiplayer (o que também é uma pena). Porém é uma experiência divertida e diferente. Há uma certa carência no mercado de games de jogos com essa pegada, deste gênero.

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Não se deixe encanar pela estética colorida e fofinha, o game apresenta um bom desafio e é um entretenimento bacana. Com certeza vale dar uma chance. De perto, os gráficos podem até parecer meio quadradões, mas na hora do gameplay, como a visão da câmera é meio isométrica e afastada, isso é imperceptível. De uma certa maneiro, o estilo gráfico e até mesmo o formato da trilha sonora lembra um pouco o excelente Katamari Damacy, de uma forma mais contida, é claro.

Anarcute é um game que certamente assusta um pouco jogadores mais hardcores, acostumados com sangue espirrando na TV e violência em exagero, mas não se deixa encanar pela fofura do game, eles não é apenas um jogo infantil ou para garotas. É um ótimo indie game, com boas mecânicas e um desafio bem legal.

Mais imagens!

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Proposta divertida e diferente
Controles funcionam bem
Gerenciamento da horda talvez seja simples demais
Muitos inimigos diferentes e ótimas batalhas de chefes
Design das fases não traz muita variedade
Divertido para crianças ou adultos
Quando maior a horda, mais legal são as habilidades

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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