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The Flame in the Flood | Pelo rio abaixo, sobreviver eu irei! (Impressões)

Lançado dia 24 de fevereiro, The Flame in the Flood é mais um destes novos indie games que despertaram a minha atenção graças estilo visual com design diferente e charmoso, regado a mecânicas instigantes de gameplay.

O game surgiu por um projeto financiado com sucesso no Kickstarter, sendo desenvolvido por uma talentosa galera, que possui no curriculum games como BioShock, Halo 2 e Rock Band, que se reuniram para fundar o estúdio The Molasses Flood, tendo este indie game como sua primeira aventura solo em uma nova fase na carreira dos envolvidos.

No momento The Flame in the Flood está disponível apenas para PC e Xbox One, mas não me surpreenderia se em breve (questão de meses) uma versão para PlayStation 4 surgir. Esta era inclusive uma das metas do financiamento coletivo do game, ou seja, é apenas questão de tempo até o game ser lançado no console da Sony a meu ver.

Um adendo importante que se faz necessário mencionar no momento da publicação deste review é que The Flame in the Flood ainda não foi disponibilizado oficialmente na Xbox Live BR, porém o estúdio já se posicionou dizendo que é apenas questão de tempo até a loja virtual brasileira do Xbox One liberar o título. Por que isso é importante? Porque a versão que testei no Xbox One, baixado pela Xbox Live US, ainda não apresenta legendas em português, porém pelo que consta na página oficial do game na Steam (PC) o game já está localizado, com legendas em português para os gamers daqui. Então presumo que assim que o game for liberado oficialmente na Xbox Live Brasil, a opção do idioma em português será liberado dentro do game para o Xbox One. Por isso, se você tem interesse no game pelo Xbox One, vale a pena esperar mais um pouco, alguns dias ou semanas talvez, pois chegando oficialmente o preço dele será em reais (que anda compensado mais do que adquirir estes indie games em dólar) e assim ele já estará todo com legendas em português. Basta esperar um pouco mais então!

Feito essa observação importante, sigo adiante no review!

Siga o fluxo do rio!

The Flame in the Flood é um game do gênero roguelike, que é um gênero bem comum nos dias de hoje. Para quem é mais velhinho, como eu, e não está habituado com esse termo, roguelike é aquele tipo de game que visa uma experiência única para cada vez em que você for jogá-lo. É o game que muda parâmetros a cada vez que você o recomeça.

Ou seja, são games que mudam cenários, localização de itens, inimigos e outros detalhes a cada Game Over. São bastante usados em indie games de RPGs, para criar dungeons que mudam a cada rodada. Roguelikes também possuem uma tendência da morte permanente, ou seja, morreu você precisa começar tudo de novo, ou quando o jogo é mais bondoso, você o recomeça parcialmente.

The Flame in the Flood (4)

Assim The Flame in the Flood segue esse estilo de jogo, apresentando um game na qual o objetivo é fazer com que o jogador desça por um enorme rio, seguindo sua correnteza, até onde conseguir, sendo que a cada Game Over, o game muda o percurso do rio, troca ilhas, faz novas curvas, muda velocidade em trechos e curvas, além de mudar os inimigos e itens em cada ilha visitada, impedindo então que o jogador memorize exatamente para onde ir, onde parar e o que irá encontrar descendo o rio. Parece um conceito bem interessante, não? E é mesmo, pelo menos parcialmente, mas calma que vou explicar.

Sobrevivendo

O objetivo não é simplesmente seguir o curso do rio até chegar ao seu ponto final, encerrando assim o modo campanha. O game apresenta elementos de sobrevivência, bem semelhantes ao que comentei no preview de The Solus Project. A garotinha, protagonista do game, tem sede, fome, cansaço e precisa ficar de olho na temperatura corporal para não adoecer ou passar mal. E cabe ao jogador gerenciar a saúde da garota.

Já que mencionei The Solus Project, apresentando os mesmos elemento de sobrevivência, o que diferencia um do outro? Tirando o fato de um ter a perspectiva em primeira pessoa, The Solus Project é muito mais focado em contar uma história, na qual você apenas precisar ficar atento aos seus status de suporte de vida, enquanto The Flame in the Flood tem uma pegada mais arcade, mais descompromissada com uma história e mais focada em puro gameplay. Os status de sobrevivência caem bem mais rápido aqui, e a cada ilha é justamente uma corrida contra o tempo para gerenciar seus recurso e criar novos itens e continuar sobrevivendo. É sobre ficar vivo, enquanto os parâmetros do game quer que você morra o quanto antes! O desafio não é chegar ao fim, mas até onde você consegue chegar antes de morrer!

The Flame in the Flood

Assuma riscos!

A viagem pelo rio não pode ser feita em um único dia. Por exemplo, para cobrir um terço do rio, eu levei 5 dias no tempo do jogo. Então nesse meio tempo você precisa decidir onde atracar nas várias ilhas que o rio possui (e que mudam a cada Game Over) e que itens carregar e aprimorar. Você está constantemente tentando comer e beber, enquanto colhe itens para continuar a viagem.

E cada ilha é um risco. Não pense que elas não são cheias de recursos, pois é justamente o contrário! Tudo é meio raro em The Flame in the Flood. A comida não sustenta direito o jogador, exceto se você comer carne e esse é um dos alimentos mais complicados de se conseguir. Água? É bom levar consigo muitas jarras e aproveitar quando chover para encher todas. Dormir? Somente em abrigos ou em frente à fogueiras. Alias cozinhar alimentos mais nutritivos? Somente em fogueiras e você não arma fogueiras em qualquer lugar, é muito mais fácil encontra-las em ilhas que já possuam fogueiras.

The Flame in the Flood (5)

O foco é sempre se fazer o jogador se manter vivo! Descer a rio é fácil, difícil é se manter alimentado, hidratado e sem machucados (que provavelmente vão lhe matar). Vai por mim, é só questão de tempo até algo te matar nessa jornada!

Inventário

O jogo tem um sólido sistema de construção de itens, que permite melhorar seu inventário, construir armadilhas para capturar animais, melhorar suas roupas e assim não passar frio, com plantas e outros itens dá para cozinhar melhores alimentos próximo a uma fogueira e assim por diante. O grande problema é que você não pode levar muita coisa consigo. Há apenas uma mochila, que mesmo podendo expandir, não cabe tantos itens quando você certamente gostaria.

Até é possível usar a mochila do seu cachorro, que é bem menor do que a sua, para guardar algumas coisas e até mesmo a sua balsa/jangada possui espaços para guardar itens. E mesmo assim há essa sensação de que você está sempre precisando abrir mais espaço, descartando alguns itens.

Animais selvagens e o fiel companheiro

Os animais de The Flame in the Flood também sabem ser cruéis. Corvos chamam lobos, que lhe perseguem até a morte se você se mantiver na mesma ilha que eles. Javalis são rápidos e quebram ossos, muitos ossos! Morrer por falta de medicamentos no game é agonizante. Ursos e cobras também são outras feras problemáticas quando encontradas. Apenas os coelhos são gente boa, mas capturá-los só e possível com armadilhas e estas não podem ser criadas tantas vezes quanto você acha que gostaria. E armadilhas são de uso único, então não podem ser reaproveitadas, tornando caçar uma tarefa complicada.

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Você até pode pensar “mas a garota tem um cachorro! Ele de certo é um bom companheiro e protetor“. Na verdade, não! O cachorro não pode fazer muito contra animais, e as vezes fico com a impressão de  que é justamente seus latidos que atraem os lobos e javalis para perto do jogador. E não tem como dar comandos ao cão, como pedir para ele quieto ou parado em um lugar específico. Esse é um ponto ruim a meu ver, pois o cachorro faz menos do que poderia. No fim ele apenas aponta para itens que podem ser coletados, ainda que eu possa claramente ver os itens na tela do game, além de me servir como um inventário extra para quando minha mochila estiver explodindo de itens. Fico com a impressão de um potencial um pouco desperdiçado em relação ao meu companheiro de aventura.

Cuide de sua embarcação

Em relação as mecânicas dentro do rio, na qual a protagonista fica em cima de uma espécie de balsa/jangada também posso apontar algumas coisas. Gostei do gameplay nestes momentos, na qual o jogador não tem um controle total da embarcação. Você apenas se joga para a esquerda ou para a direita, mas o barquinho sempre vai seguir em frente pela correnteza. Não tem como voltar ( no sentido de subir o rio).

E as vezes você precisa decidir onde atracar quando há duas ilhas próximas, mas paralelas horizontalmente na linha do rio, sabendo que ao sair de uma o rio vai te jogar para a frente, te distanciando assim da ilha vizinha. O game também tem vários indicadores para cada espécie de ilhas, como florestas, igrejas abandonadas, vilas, postos de suprimentos e oficinas de melhoria da jangada/balsa. Só que descobrir o que vai encontrar em cada um destes pontos é um mistério até decidir ancorar em algum, afinal estes pontos são referências e não indicam quantidade ou se há animais perigosos rondando os suprimentos. E quanto mais você desce o rio, mas perigosos  as regiões vão ficando, assim como rio, que fica mais violento e mais cheio de pedras e entulhos.

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A balsa também sofre dano ao bater em ilhas e pequenos objetos, como carros, casas e entulhos que também estão descendo o rio. Se bater demais é Game Over. Você pode melhorar a jangada, mas durante as vezes que joguei, tive o azar dos pontos de customização/conserto da embarcação terem sido bem raros de apareceram no rio, e nas vezes que fui, não tinha material o suficiente para melhorar nada. Fico na duvida se foi mesmo azar ou se o game deveria melhorar as chances disso acontecer, já que fica parecendo uma opção que o jogador não aproveita como deveria.

Um mundo engolido por um rio

E o que aconteceu no mundo do game para um rio gigante estar arrastando carros e casas? O game não explica muito a história logo de cara, dando apenas indícios. Este é um dos objetivos do modo história, descer o rio, porque você encontrou uma espécie de rádio, mas precisa ir para um ponto alto para poder descobri o mistério em torno do aparelho. Ao longo do caminho, a garota encontra habitantes do rio em algumas ilhas e essas pessoas lhe dão algumas pistas do que aconteceu no mundo do game. Mas este é um dos segredos do jogo e não vale ser contato aqui para não perder a graça.

Dá para dizer que o game não tem uma campanha super elaborada, com uma história incrível e tal, entretanto seu foco fica mais em sua jogabilidade, com a campanha como uma simples desculpa para descer o rio até seu ponto final.

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Ao todo o rio tem 10 trechos (no modo campanha), e em cada um deles você consegue dar um único checkpoint. Então se morrer você pode voltar ao para qualquer um destes pontos que tiver atravessado. Porém seus atributos não resetam com isso, você volta do jeito que estava quando passou por ele pela primeira vez. Se deu checkpoint em um momento em que estava quase morrendo, você pode retornar a este checkpoint, mas seu status será sempre este. O bom é que ao fazer isso você pode tomar outras decisões e escolher outras ilhas e tentar remediar seus problemas com os status de vida.

O game também apresenta um modo infinito, na qual você desce o rio para sempre, provando a si mesmo que pode sobreviver por muito mais tempo do que os 10 trechos da campanha (que não são moleza não!). Na campanha eu precisei e mais ou menos 2 horas só para cobrir três dos dez trechos do rio, sendo que morri antes de conseguir chegar ao quarto ponto. E a cada trecho tudo vai ficando mais difícil, desviar de destroços e se aventurar pelas ilhas.

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Concluindo

Sendo assim, The Flame in the Flood oferece uma experiência intensa, mas que diverte, porém seu desafio que não é tarefa fácil para qualquer um. O jogo tem um bom balanceamento de dificuldade (você também pode escolher um modo de campanha hardcore se achar o normal muito tranquilo), tornando a agradável a experiência de repetir a aventura desde o começo várias e várias vezes

Há alguns pontos que poderiam ser melhores. Apesar do rio ser gerado randomicamente, muito dos postos e locais acabam sendo muito parecidos entre si. Nas ilhas, as coisas seguem sempre um mesmo ritmo. Então ser surpreendido pelo gerador de improbabilidades do game não é tão grande quando ele promete no começo de tudo.

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Quem domina esse estilo de jogo também pode encerrar a campanha principal bem rapidamente. Vi relatos no You Tube de quem em 4 horas conseguiu virar a campanha. Eu não conseguiria é claro, mas acredito que seja possível sim. Não é a toa que está havendo muito mais elogios ao modo infinito, que na qual a aleatoriedade dos eventos são maiores e a experiência de se manter vivo é muito maior.

Porém no geral é um game que você vê quase tudo em pouco tempo. Sobrando poucas coisas para serem descobertas com mais dedicação. Há uma repetição de atos e eventos muito mais frequente do que deveriam. O game poderia trazer mais animais, mais locais diferentes e até mesmo maior diversidade climática. Eu topei com noite, dia e chuva, muita chuva! Fiquei com aquele gostinho de querer ver mais mudanças climáticas.

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E mesmo com alguns pontos fracos, The Flame in the Flood é um ótimo indie game, com um visual atraente e uma proposta simples, porém viciante. Vale seu preço sem dúvida alguma. Apenas acho que o game possui potencial para ser aprimorado e melhorado, e torço para que o estúdio The Molasses Flood tenha essa oportunidade de fazê-lo futuramente. Irei torcer por isso, assim como seu lançamento oficial o quanto antes na Xbox Store BR!

Fica a indicação!

Vídeos



Visual e ambientação cheio de carisma e charme
Proposta roguelike dá longevidade ao game
Desafiador, sem causar frustação
Companheiro canino poderia ser melhor utilizado
Pode soar repetitivo após algumas horas
Ótimo sistema de suporte vital
Viajar pelo rio é viciante!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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