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Batman Sangue Ruim | Expandindo a família morcego! (Impressões)

Batman Sangue Ruim, ou Batman Bad Blood no original, é o vigésimo quarto longa de animações da série conhecida como DC Universo Animated Original Movie, que está oficialmente dentro do atual selo Filme Animado Original DC Universe — ao menos é o que está estampado atualmente nas capas dos DVDs de tais animações.

Há anos venho dizendo aqui no site que sou fã destas animações da DC Comics, especialmente após o cancelamento de consagradas séries animadas da DC na televisão, como Liga da Justiça Sem Limites, Jovens Titãs e Justiça Jovem. Os longas animados meio que são o único legado das séries animadas que conseguiram perdurar e continuam saindo ano após ano.

É claro que isso não significa que gosto de todas as produções dessa linha de animações. Há algumas coisas que são incríveis e outras que são no mínimo esquecíveis. Aliás algum dia preciso separar um tempo para fazer uma recapitulação de todas lançadas até a atualidade, relacionando as que mais gosto e as que menos curto.

Prólogo – As animações após Ponto de Ignição

O importante aqui é dizer que desde Liga da Justiça – Ponto de Ignição (17º filme) as animações parecem que mudaram um pouco. Isoladamente estes longas perderam um certo status de filmes individuais e um tanto autorais, para funcionarem dentro de uma cronologia e continuidade que vem sendo respeitadas nos filmes da Liga da Justiça e do universo do Batman. O próprio estilo da animação vem se mantendo aliás.

Esse tipo de situação cria pontos positivos e negativos. É ruim porque as animações perdem um pouco daquela experiência mais única, na qual os produtores podem fazer algo diferente do que a padronização muitas vezes impõe. Fica mais difícil encontrar animações diferentes, como A Nova Fronteira, Gotham Knight, Cavaleiros Esmeralda ou até mesmo Superman vs. Elite, ainda que o recente Liga da Justiça – Deuses & Monstros tenha conseguido se desvencilhar da fórmula atual, sem esquecer também do excelente Batman em Assalto em Arkham.

Já o ponto positivo é que as histórias continuam crescendo e amadurecendo certos personagens. Damian Wayne, por exemplo, é um personagem que surgiu no 19º longa animado, O Filho do Batman, e continuam se aperfeiçoando no universo do Batman nas animações, tendo um papel de peso em Sangue Ruim, e que vai melhorar ainda mais em Liga da Justiça vs Jovens Titãs, o longa animado lançado após Sangue Ruim – e que também farei uma crítica a respeito daqui alguns dias.

Meu ponto aqui é que isso cria obrigações desnecessárias nestas novas produções. Batman Sangue Ruim funciona como um filme solo, porém apenas em partes. O ideal é já ter assistido O Filho do Batman (19º longa) e Batman vs Robin (22º longa). Aliás, comercialmente seria até mesmo bacana se houvesse um box contendo as três animações a venda no mercado de DVD, já que nem sempre é fácil encontrá-los em estoque em uma mesma loja (física ou online) – vide links no final da postagem.

O que dá para sentir é que está fazendo falta uma série animada no universo da DC na televisão, na qual os produtores pudessem trabalhar essa continuidade, deixando os longas animados para histórias soltas e isoladas, sem procurar amarras em cronologias.

Outra crítica necessária talvez seja essa necessidade das atuais animações precisarem serem histórias adaptadas de sagas recente dos quadrinhos. Quer dizer, estes personagens existem há décadas! Porque não pegar alguns clássicos e adaptá-los a era moderna? Sim, eu sei que você aí gritou que eles acabaram de fazer isso com A Piada Mortal, e volto outro dia para falar dessa animações também (tá na fila), mas quando me refiro a histórias e arcos antigos, não precisam ser exclusivamente os clássicos na qual mexer é quase uma afronta. Há muitos contos antigos dos quadrinhos que dariam ótimas animações. Terremoto, por exemplo, que está sendo relançado por aqui pela Eaglemoss em uma coleção de dar medo de quebrar a estante, e daria uma ótima animação. Entende aonde quero chegar?

A meu ver, o grande problema com estas animações são que estão sendo baseadas no universo pós-era dos Novos 52 nos quadrinhos, que são histórias e arcos que os leitores já conhecem, que estão frescas na memória e por isso é um pouco mais complicado surpreende-los. No máximo, o que se tem é esse CTRL C + CTRL V daquilo que alguém leu nos quadrinhos há pouco tempo, e isso certamente tira parte da graça destas novas animações. Gostaria de ver histórias originais ou mais antigas, mas este sou eu, com mais 32 anos reclamando, claro. Talvez estas animações já não funcionem bem comigo como público alvo.

Batman Sangue Ruim 002

Batman Sangue Ruim – Batman desaparecido?

A animação aqui é uma mistura de vários momentos do universo do Batman nos quadrinhos, com muita costura para que ela soe como algo feito dentro do universo das animações pós-era Novos 52 (vide todo o prólogo acima). Os produtores pegaram um conceito lá de Batman R.I.P. (de 2008, aqui no Brasil a saga se chama Batman – Descanse em Paz), trouxeram o personagem Batwing lá do mundo de Batman Inc. (Corporação Batman) e continuaram trabalhando com os eventos de O Filho do Batman e ainda inseriram a sempre confusa Batwoman ao mix de patrulheiros de Gotham. Tudo isso dentro da abordagem desse universo atual do personagem nas animações.

Não que esse mix tenha ficado ruim ou confuso a ponto de não ser possível entender. De fato o trabalho de adaptação dos produtores neste longa animado é louvável. Quem chega a animação sem conhecer o background dos quadrinhos não consegue sentir esse emenda de arcos que existe na animação. E a proposta da animação não é tão difícil de se assimilar: o que acontece em uma Gotham na qual existe a suspeita de que Batman pode estar morto, após sumir misteriosamente por duas semanas?

Sobra para os eternos parceiros do Batman assumir o manto. Dick Grayson, hoje Asa Noturna protegendo a cidade de Bludhaven (nunca vou esquecer do arco de Crise Infinita de 2006 que destruiu completamente essa cidade nos quadrinhos, foi um momento marcante para essa fase da DC na qual seguia religiosamente na época) assumir o manto do Batman, enquanto precisa lidar com o temperamental Damian que é o atual Robin (saudades do Tim Drake, que não sei que fim levou esse personagem no universo destas animações – provavelmente foi riscado do mapa, sendo que nos quadrinhos Tim e Damian tem algumas brigas realmente violentas).

Nesse meio tempo, Asa Noturna, agora como Batman, conhece essa nova vigilante, conhecida como Batwoman, que não é necessariamente uma afiliada do Batman, pois é violenta e até mesmo não tem qualquer problema em usar armas de fogo. Batman desaparece em um conflito na qual estava justamente ajudando a Batwoman a lidar com alguns vilões sem carisma (aqui na animação), quando tudo meio que dá errado. É algo bem parecido com o que acontece em Batman RIP, só que no original, o desaparecimento do Batman foi o clímax final do arco, criado após eventos que levaram Batman ao seu limite mental e com um vilão que realmente lhe deu trabalho, aqui é apenas um conflito que deu errado, como se o Batman tivesse escorregado em uma casca de banana, em um dia ruim da semana (provavelmente uma segunda-feira).

A animação ainda arranja tempo para inserir um novo vigilante morcego, o Batwing, na qual sua identidade secreta pertence a Luke Fox, filho de Lucius Fox, que é conhecido por trabalhar nos projetos de armas para o Batman. Lucius quase morre nos eventos da história e isso faz com que Luke use uma espécie de armadura que Lucius estava projetando para o Batman porque quer entrar no círculo social do morcego.

O curioso aqui é que nos quadrinhos a figura do Batwing tem uma outra origem, que remete a Batman Inc., uma saga excelente na qual o Bruce Wayne assume para o mundo que ele é o cara quem financia o armamento para o Batman e que isso abre as janela para que o Batman recrute outras pessoas pelo mundo inteiro para serem novos Batman em seus próprios territórios. Assim surge o primeiro Batman negro, vindo da África, e que vestiu o manto do Batwing pela primeira. Esse personagem se chama David Zavimbe e assim nos quadrinhos ele é o primeiro Batwing.

Não que a animação tire o Luke de uma cartola imaginária. Zavimbe foi o primeiro Batwing e assim durou por 19 edições de sua própria revista. Porém por acontecimentos que não tenho conhecimento, pois esta fase dos quadrinhos da DC eu não pude acompanhar, o personagem desiste de ser o Batwing e de viver combatendo o crime na África, e isso abre as portas para os produtores mudarem a revista e levar o Batwing para Gotham, agora deixando o Luke Fox vestir o uniforme e adotar tal alcunha. No geral, até mesmo todo o conceito do Batman Inc meio que sumiu das revistas (ao menos até onde acompanhei, hoje em dia não sei mais – tenho pretensão de um dia voltar a ler os quadrinhos e ver o que anda rolando).

Claro que dissecando os personagens e alguns pontos de Batman Sangue Ruim acabo fazendo soar de que é uma animações ruim. Não é, apenas não é excepcional como tantas outras da linha da DC Universe Animated Original Movies. A premissa é boa, os personagens são legais, e há alguns momentos icônicos, como o Dick discutindo com o Damian sobre ele não querer ser o Batman, sendo que ele saiu de Gotham por não aguentar mais essa pressão que o próprio Batman criou para si, ou a própria história da Batwoman, que segue muito bem a estrutura da personagem nos quadrinhos. Como é legal ver uma heroína que não é toda certinha como o Batman, ou que nada se assemelha com a cheia de hormônios Batgirl (que aparece na animação, apenas como Easter Egg, sem qualquer papel no plot principal). Certamente como uma personagem feminina, a Batwoman é bem mais madura e resolvida do que a Barbara Gordon desse universo, mas isso é papo para quando for falar aqui de Piada Mortal em um futuro post.

O que não me agrada muito em Sangue Ruim é o arco do Batwing. Talvez por ter acompanhado somente a fase da África do personagem nos quadrinhos e não ter qualquer carisma com o Luke, que não tem qualquer motivo para ser o Batwing. Seu pai não morreu, apenas se acidentou, algo que é até surpreendente que não seja mais frequente já que ele está envolvido com o Batman há tanto tempo. O Batwing está mais para um personagem dos Jovens Titãs do que para a infraestrutura de um Batman. De uma certa forma ele até acabou me lembrando um pouco do Besouro Azul. Ainda é um personagem que não entendo. O David Zavimbe eu entendia, já o Luke não.

Talvez a pior parte na proposta do plot de Batman Sangue Ruim sejam os vilões. Os produtores escolheram vilões muito ruins, sem carisma. Puxa, o Batman sumiu de Gotham! Vamos colocar alguns pesos pesados para os parceiros do Batman lidar, não? Infelizmente todos deviam estar de férias no Arkham. O que salva da galeria dos vilões ali é justamente o plot da Talia al Ghul, ainda que ela funcione bem até certo momento, e certas coisas (como o Clone) são boas ideias que vão embora rápido demais.

Batman Sangue Ruim é uma destas histórias de passagem. Se fosse nos quadrinhos, poderia ser comparado com um arco de transição, na qual roteiristas encaixam coisas que podem ser usado em sagas maiores e melhores eventualmente. O que se tem aqui é uma apresentação do contexto desse novo universo do Batman, na qual não existe mais o herói solitário, deixando bem claro que até mesmo na eventualidade de sua morte, seu legado permanecerá, ainda que todos seus aliados tenham muito que aprender.

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Sobre o DVD

A boa notícia é que atualmente estas animações, para quem curte colecionar os DVDs, estão sendo lançados custando apenas 19 reais. Foi-se o tempo em que a Warner cobrava 30 reais de cada filme. Esta nova faixa de preço é bem mais atraente e até condizente com a qualidade do material.

Só lamento, claro, que o mercado de Blu-ray realmente não tenha emplacado no Brasil, pois toda essa coleção lá fora existe em Blu-ray, com a animação em altíssima qualidade, ainda que o DVD, por se tratar de uma animação tradicional, não fica com uma qualidade prejudicada ao rodar nas atuais TV de alta definição de hoje em dia. O que acaba sendo uma vantagem, de custo e de preço, então.

Um puxão de orelha que merece ser feito, mas que não tem nada a ver com a localização nacional, se dá ao fato destas animações serem lançadas sem qualquer extras relacionados ao filme (lá fora saem assim também). O que se tem, aqui, por exemplo, é um ótimo making off da próxima animação da coleção: Liga da Justiça vs Jovens Titãs. Um documentário até bacana, com os produtores, dubladores, comentando mais sobre o resultado final e o quão diferente ela é dos quadrinhos e o que eles querem fazer com ela. É um extra tão bacana que não deveria estar somente aqui, mas também reprisado no próprio DVD da animação. O mesmo vale para o documentário de Batman Sangue Ruim, que não se encontra neste DVD, mas no DVD da animação anterior, no caso Liga da Justiça Deuses & Montros (que infelizmente ainda não adquiri na coleção). Tudo bem estar lá, servindo para divulgar o próximo lançamento, porém acaba sendo um conteúdo tão bacana, que deveria reprisar também quando a animação em si é lançada. Este making off felizmente pode ser visto no You Tube – e está mais abaixo aqui no post.

É isso!

Gostou deste post? — Lá nos primórdios do site, na febre do colecionismo de DVD, era comum escrever impressões sobre filmes e animações por aqui, abordando não só a obra em si, mas também alguns aspectos do que mais o DVD em si poderia oferecer. Com o tempo esse formato se perdeu por aqui, seja porque o mercado de DVD nos geral enfraqueceu com a chegada de serviços como Netflix ou até mesmo a melhora da conexão com a internet, que possibilidade ver tais produções por aí, naqueles lugares que não precisam ser mencionados, certo? Bem, resolvi fazer uma experiência e trazer novamente este modelo de conteúdo ao site. Se gostaria de ver mais posts como estes por aqui, me deixe saber o curtindo no Facebook ou deixando um comentário logo abaixo deste texto.


— Ao longo do texto acabei mencionando diversos títulos dessa coleção de longas animados em Home Vídeo. Sendo assim vou deixar aqui alguns links para quem se interessar em ver a capa destes DVDs caso queria procurar alguns deles eventualmente. Diversos deles estão esgotados em algumas lojas online (por alguma razão sempre achei a Saraiva a melhor loja online para adquiri-los), mas é sempre bom ficar de olho pois vira e mexe eles voltam a ser vendidos de tempos em tempos.  Segue a listinha…

História não é ruim, mas é uma colagem de arcos das HQs
Batwomam é uma personagem excelente
Dick Grayson & Damien Wayne forma uma parceria interessante
Vilões no geral são bem desinteressantes, com exceções
Lançamento no Brasil, com dublagem e um DVD com bom preço
Batwing de Luke Fox não me convenceu

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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