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Titanfall 2 | Impressões da campanha e o vínculo neural com BT-7274!

Maio de 2014. Foi nesta data que adquiri o primeiro Titanfall, dois meses após seu lançamento oficial. O Xbox One estava completando seis meses de vida naquela ocasião e ainda havia poucos jogos para ser experimentado na plataforma. Titanfall – um ‘quase’ exclusivo do console na época –  não foi o meu primeiro título da plataforma, pois adquiri o console em seu lançamento (fui um early adopter), mas durante estes primeiros meses me lembro que Titanfall foi um dos games que mais joguei. E só parei porque Destiny o desbancaria como meu online favorito alguns meses depois, em setembro do mesmo ano.

O primeiro Titanfall teve seus problemas. Talvez a urgência de seu desenvolvimento, da necessidade desse lançamento o mais rápido possível em uma plataforma que precisava de novos games e até mesmo da falta de experiência de produzir jogos que normalmente se tem em uma nova geração de consoles tenham comprometido a longevidade de Titanfall. Joguei, fiquei satisfeito, me diverti e logo me esqueci dele.

O game chegou a voltar novamente ao holofotes depois de um tempo, quando a Respawn liberou todos seus DLCs gratuitamente, e novamente quando o título foi adicionado ao catálogo de games do serviço EA Access, na qual os jogadores pagam uma taxa (mensal ou anual) e recebem um catálogo de games para jogar a vontade, sem restrições e por quanto tempo quiserem. E 2 anos se passaram e eis que Titanfall 2 é finalmente lançado!

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O primeiro impacto da sequência? A Respawn Entertainment aprendeu. Ouviu as críticas, atendeu sugestões e fez tudo que o primeiro título não fez. Uma campanha foi adicionada para a experiência single player. E uma campanha de verdade, não aquela coisa bizarra do primeiro game. Além disso todo o multiplayer foi aperfeiçoado, ganhando muitas adições em customizações, tanto de pilotos e suas habilidades, quanto maior diversidade de Titãs. Titanfall 2 ficou maior, melhor e mais duradouro. E isso é fantástico!

Antes de começar…

Neste primeiro texto sobre Titanfall 2 não irei abordar o multiplayer competitivo presente no título. Para dizer a verdade sequer comecei a me aprofundar nas funcionalidades nessa modalidade. Isso só porque não o estou jogando desde seu lançamento, o que aconteceu no final de outubro.

De fato faz somente uma semana (e mais alguns dias) aproximadamente que estou com o título, e a curiosidade de ver o tal novo modo história soou mais forte, principalmente porque vi um pouquinho do multiplayer antes do lançamento do game, na ocasião de seu beta aberto. Mas obviamente irei continuar tentando o multiplayer e voltarei para falar a respeito por aqui muito em breve.

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Finalmente, uma campanha!

A experiência single player de Titanfall 2 supera qualquer expectativas que os jogadores tinham por ela. Seja pelo fato de realmente muitos não estarem esperando muito do game, seja porque seu lançamento foi em parte prejudicado graças a um sanduíche estranho da EA, em tê-lo lançado uma semana após Battlefield 1, e uma semana antes do lançamento de Call of Duty Infinite Warfare pela Activision.

E não vou discutir aqui acerca deste acontecimento. Houve motivos e riscos nessa tentativa de fazê-lo rivalizar com o público de Call of Duty, enquanto outra parcela do mesmo estava ocupada com Battlefield 1. Em todo caso há um debate excelente sobre o assunto feito pela equipe do IGN Brasil em uma edição do IGN Hype. Vale muito à pena assistir (ou ouvi-lo, já que ele também é liberado em versão podcast).

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O caso é que todo mundo adora uma boa história de robôs. A literatura e o cinema estão aí para demonstrar isso. Robôs são um elemento chave para o desenvolvimento tecnológico da humanidade. Ponto chave para conquistarmos metas inalcançáveis. E é claro, todo mundo tem no imaginário até onde seres criados artificialmente serão nossos amigos e quando decidirão que não seremos mais necessários. É por isso que robôs com personalidades e inteligências artificiais instigam e fascinam o imaginário popular. Sejam eles bons ou ruins.

Em Titanfall 2 não há exatamente tais reflexões, porém a afeição robótica existe, e pega o jogador desprevenido ao encontrar um Titã que tem seu piloto morto em combate e que agora deve obedecer ao jovem e inexperiente soldado Jack Cooper, em uma ordem dada no último sopro de vida de seu antigo piloto. BT-7274 agora possui um vínculo neural com Cooper e somente ele pode operar o gigante de ferro.

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Quem jogou o game anterior deve se lembrar de como a história era bem confusa. Até desinteressante, já que a ausência de uma campanha real não fazia o jogador se importar muito com seus personagens ou qual lado de uma guerra deveríamos torcer. Bem, a Respawn parece ter prestado atenção nestes detalhes, pois agora nesta sequência fica bem mais fácil entender a história desse universo.

Quer dizer, mais ou menos. Ainda estamos nas tais Batalhas da Fronteira, ainda há dois lados desse conflito, por planetas e recursos destes, há o lado da Milícia e o lado da IMC. Desta vez o jogador controlará um soldado da Milícia, o tal Jack Cooper, e a batalha acontece no planeta Typhon.

Em sua primeira missão, Jack vê todo seu pelotão ser derrotado pelos grandes Titãs e soldados da IMC. Seu capitão, Lastimosa (sim, está é o nome do cara), em seus momentos finais consegue salvar Jack, deixando-o desacordado, mas morre no processo, não antes de vincular seu Titã, chamado BT-7274 ao comando do inexperiente soldado.

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A campanha de Titanfall 2 se resume então a este momento específico da carreira e jornada de Cooper. Em posse de um Titã, ambos precisam terminar a missão deixada pelo Capitão Lastimosa. O que a IMC quer em Typhon e o que acontecerá caso ele e BT não consigam terminar de reportar aos seus comandantes o terrível segredo que a IMC esconde no planeta, e que pode colocar um fim nas Batalhas da Fronteira? É sobre isso a campanha de Titanfall 2.

O game não esquenta muito com detalhes além dessa bolha. De onde mesmo essa guerra por planetas se originou? Quem mesmo são os soldados da IMC? De onde vieram os Titãs que ambos os lados usam? Isso não importa mais. O universo da franquia já está estabelecido e é provável que tais detalhes estejam no primeiro game (e eu não me lembre) e/ou possam vir a ser explorados em futuros games (eu não me importaria em um livro da série por sinal). O importante aqui é estabelecer esse vínculo emocional com o jogador, além de estabelecer que os Titãs são muito mais interessantes do que aqueles vistos no game anterior ou em seu multiplayer.

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E BT-7274 faz um papel louvável provando tal ponto. Ao jogador é permitido conversar com o grandalhão robótico ao longo de toda a campanha, escolhendo inclusive algumas linhas de diálogos. Aqui é que se descobre que os Titãs são muito mais interessantes do que se pode imaginar. Eles possuem raciocínio e uma fina camada de personalidade. Mas ainda são robôs, e parecem possuir resquícios as clássicas três leis da robótica de Asimov (exceto pelo fato de poderem matar humanos inimigos), porém são um pouco mais loucos do que se espera no que diz respeito aos riscos calculados para com seus pilotos. Bem, ao menos com BT-7274 é assim, e é isso que o torna tão legal aos olhos do espectador e jogador.

Comparado com o primeiro Titanfall foi divertido então encontrar uma história tão bacana de companheirismo entre humano e robô. Claro que sob uma perspectiva mais geral, talvez o roteiro seja extravagante, com alguns clichês e até superficial dependendo de como se olha o âmbito maior do conflito entre Milícia e IMC, mas nada disso tira a simpatia da proposta e de quão apegado ficamos ao BT-7274 ao longo dos nove capítulos da história.

E se é assim, em parte é porque é uma aventura em um videogame, então os desenvolvedores precisam criar momentos onde o gameplay precisa prevalecer em torno da trama. Então loucuras vão existir para que o jogo seja divertido. Hum… percebo então que é hora de comentar sobre o gameplay da campanha.

Assuma o controle!

Mecanicamente a experiência do single player de Titanfall 2 não se parece em nada com o que pode se esperar em seu multiplayer. Ela foi desenvolvida para funcionar narrativamente, não competitivamente. E para tal usa e abusa da fluidez da jogabilidade, ainda que esta também esteja presente no multiplayer. Mas há coisas únicas lá e aqui. O gancho do multiplayer, por exemplo? Não tem na campanha. As classes de soldados em si do multiplayer se restringem ao multiplayer, diferente das classes dos Titãs que estão na campanha.

É uma campanha que não se trata apenas de arenas e combates. Ela é muito mais cinemática do que se imagina, com Cooper e BT conversando constantemente, dentro daquele elemento comentando mais acima, na qual o jogador escolhe certas linhas de diálogo, ainda que elas não impactem a trama. Não há dois finais por conta destas decisões, porém é um elemento que cria vínculo entre história, interação e jogador. É um elemento que não muda nada, mas que torna a experiência ainda mais importante, mais imersiva.

Fora isso o jogo para não fica limitado apenas a combates com armas de fogo. Há ideias malucas em todos os capítulos. Mecânicas de plataforma por exemplo se fazem presente a todo momento. Locais onde o jogador precisa saltar e se movimentar verticalmente já que não há chão para estacionar. A sensação é de que nunca estava repetindo procedimentos ao longo das 7 horas de campanha. E isso é muito, mas muito bom em se tratando de um videogame.

Atmosfera é também um outro ponto incrível presente na campanha do game. É parecido com a experiência que vivenciei recentemente com a campanha de Gears of War 4, na qual o ambiente da campanha tem um impacto que não pode ser experimentado no multiplayer do mesmo. Para tal, Titanfall 2 tenta ser maluco quase que todo o tempo.

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Então o jogador irá se encontrar dentro de uma fábrica de construção de casas, se movimentando em uma gigantesca linha de produção; em batalhas em pleno céu aberto, pulando entre gigantescas naves e combatendo soldados que se fazem presentes dentro de cada uma, só para terminar em uma batalha contra Titãs em pleno céu, a centenas de metros do chão. Ou que tal encontrar um dispositivo que causa distorções temporais, permitindo que se viaje para o passado em um engenhoso capítulo na qual para avançar é preciso intercalar entre o espaço tempo do ambiente? Tudo isso e mais um pouco se faz presente na campanha do game. Com o contexto necessário para trama funcionar, ainda que parte do que ocorre precisa acontecer porque são ideias legais de estágios para que o jogador se divirta e, ao fim, é isso que importa.

Também não espere passar todo o tempo da campanha dentro do Titã. Não vai rolar. E isso não é ruim, já que quando é chegado o momento em cada estágio de usar seu Titã, esse é realmente um momento bem apreciado. Fora que a história encaixa bem os motivos pelo qual o jogador não pode usar BT-7274 a todo momento, já que em certo momento ele está quebrado, em outro foi capturado ou nas áreas na qual Cooper precisa explorar e o grande robô simplesmente não consegue passar.

Mas não se preocupe, pois há bons momentos utilizando o BT, em especial os momentos finais da campanha, na qual uma guerra entre inúmeros Titãs acontece e bem, não posso contar mais a respeito senão posso estragar a surpresa. Basta saber que o jogo conseguiu com maestria equilibrar tais diferentes mecânicas de gameplay, seja com o Cooper em ambientes extravagantes, seja com BT precisando chegar para ajudar Cooper nas horas de aperto.

Importante dizer que apesar de Cooper e BT nem sempre estarem juntos no mesmo ambiente da fase não significa que os tais diálogos que elogiei acima cessam nesses trechos. Que nada. Ambos ainda podem conversar entre si, graças as comunicação e ao vínculo neural que compartilham. E o jogador vai compartilhar esse vínculo, de uma forma ou de outra, especialmente próximo ao final do game… e não falarei mais nada!

Um dos melhores do ano

Ao fim, posso dizer que a minha experiência com a campanha de Titanfall 2 está dentre as melhores deste ano. Seja porque gosto muito de histórias com robôs, seja porque mecanicamente a campanha do game é extremamente diversificada e divertida. Prende o jogador do início ao fim.

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Não sei dizer se o fato da campanha durar somente 7 horas seja algo bom ou ruim. Talvez ela dure um pouco mais se o jogador for um pouco mais lento, procurando os colecionáveis que existem em todos os capítulos (e que poderiam servir para mais coisas, mas infelizmente não servem). Só sei que certamente a história acaba em um bom momento, deixando o jogador pilhado e satisfeito com tudo o que viu ao longo desse tempo. E provavelmente sedento por uma continuação, o que convenhamos é algo bom para se estabelecer um terceiro título. Após isso há o multiplayer e suas infinitas horas. E este é a minha próxima jornada para verificar… em breve volto a escrever mais a respeito! Aguarde!

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Um verdadeiro modo campanha desta vez!
BT-7274 é o grande personagem do game
Gameplay diversificado, ideias malucas funcionam
Jogabilidade e mecânicas intuitivas e que fluem perfeitamente
Dura um pouco menos do que normalmente campanhas duram
Divertido, ótima dublagem e experiência de jogo memorável

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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