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DiRT 4 | O melhor, mas não o preferido? (Impressões 2ª Parte)

Aconteceu novamente a oportunidade de escrever e publicar um review de game ‘fora de casa’. Saiu no final de julho lá no portal do Jovem Nerd a minha análise a respeito de DiRT 4. Continua sendo uma honra receber estes convites esporádicos para dissertar sobre alguns dos mais recentes lançamentos de games da atual geração em um dos maiores portais nerds do país. E é sempre um desafio escrever um texto fora de minhas próprias regras e comodidades, entretanto acaba sempre sendo uma ótima experiência de aprendizado.

Só que o Portallos é minha casa, meu cafofo. Não poderia deixar de tecer algumas opiniões sobre o game por aqui também. Fazendo da mesma forma como fiz com outras análises que publiquei para lá e depois trouxe aqui algo que a complementasse. Tal como foram as outras três vezes, peço aos leitores daqui que deem um pulo na análise do game, prestigiando tanto o site quanto texto lá, e depois retornem aqui para continuarmos a conversa sobre DiRT 4. Tudo bem assim?

Motorista híbrido

Algo que se mostrou impossível pra mim ao escrever e analisar de forma crítica a performance de DiRT 4 foi não compará-lo com a experiência que seu predecessor – DiRT Rally – me ofereceu ano passado. Aliás há uma análise dele aqui no site, publicada na ocasião de seu lançamento nos consoles domésticos, que contextualiza muito bem os pontos em que ambos os games parecem se distanciar.

Sinto que a minha opinião vai na contramão dos muitos reviews que DiRT 4 recebeu em seu lançamento, tanto os nacionais quanto internacionais. Estou me referindo à ideia de terem tornado o game mais acessível, dando as duas opções de controles, uma em que deixa o game mais arcade e a outra que o mantém seguindo o ritmo estabelecido em DiRT Rally.

Ainda me pergunto se esse tipo de decisão de desenvolvimento não cria uma situação onde o game precisa ficar naquele meio termo onde ele não é nem uma coisa e nem outra. Posso citar, por exemplo, a franquia Forza da Microsoft, cujo os esforços tem sido justamente para dividir claramente qual o título da franquia é dedicado à experiência do estilo de simulação e qual abraça o modelo arcade, mais solto e amigável ao público em geral.

E é claramente notável que Forza Motorsport e Forza Horizon são títulos que soam diferentes. O jogador que vai atrás de um deles tem a noção do que está indo buscar e qual o tipo de experiência irá encontrar para um título de corrida. O ponto aqui é essa sensação de que a Codemasters tentou algo parecido ao desenvolver DiRT Rally e DiRT 4, porém essa separação de DNA entre os títulos ainda soam um tanto confusos e estranhos.

O que me agradou muito em DiRT Rally foi o desafio na qual o game me propôs. Trata-se de um game difícil, onde o jogador é surrado pela dificuldade em geral do jogo, e não só devido aos controles ao estilo simulação. E não tem para onde fugir ou um amaciador para torná-lo mais fácil – até há algumas opções, mas qual a graça em jogar assim, abaixo do que os desenvolvedores consideram como jogabilidade normal?

Quando comecei DiRT 4 e percebi que ele dá essa amaciada no jogador, ao apresentar o estilo e modalidade de controles mais arcades fiquei me perguntando “e qual a minha motivação para penar nos controles de simulação tal como DiRT Rally simplesmente me impôs?“. Se o jogo apresenta esse modelo híbrido, onde posso jogar de qualquer jeito, e o jeito mais difícil não me recompensa ou me dá algo que o outro estilo mais acessível não me dá… por que vou sofrer mesmo?

Com tudo isso não estou defendendo que DiRT 4 precisaria ser um jogo tão difícil quanto DiRT Rally é. Não estou dizendo que o jogo não possa ser amigável e acessível a uma parcela maior de jogadores. O que estou dizendo é que ao tentar agradar todo mundo existe uma real chance do game não atingir seu verdadeiro potencial, de perder aquela chama que o tornaria único e original em relação aos seus predecessores, ainda que como um todo ele tenha fortes elementos positivos a seu favor.

(Des)localização

Este ponto foi utilizado na análise que está lá no Jovem Nerd, porém acho importante retomá-lo, em um tom mais crítico desta vez. A falta de localização do game ao público brasileiro não faz qualquer sentido após a Deep Silver e a Codemasters terem realizado um trabalho digno de aplausos ao apresentar DiRT Rally totalmente dublado em português.

Entendo perfeitamente que diante da atual crise econômica brasileira existe a real possibilidade de que as vendas de games em nosso mercado nacional tenha caído um pouco nos últimos anos. Adiciona-se ao fato de que mesmo sendo uma franquia popular, DiRT provavelmente não está no Top 10 dos jogos mais cobiçados pelos brasileiros, assim como um Fifa ou Call of Duty (ou até mesmo Forza) estejam.

O rally e rallycross são modalidades esportivas muito mais famosas lá fora, especialmente na Europa. Com tudo isso, é perfeitamente possível imaginar se DiRT Rally não recebeu dublagem em português como uma experiência para tentar alavancar a franquia por aqui. Se não deu certo, nada mais plausível do que não ter o mesmo custo para dublar DiRT 4.

Só que mesmo diante dessa hipótese, ainda tenho pra mim que vindo de uma distribuidora global como a Deep Silver, e de um estúdio renomado como a Codemasters (que está além do porte de um estúdio indie), não justifica o fato do game sequer ter legendas em português. Legendas já são o mínimo esperado pelo padrão dos games atuais lançados no país por grandes distribuidoras. Essa é uma mancada difícil de se perdoar.

Por isso que defendo ser muito mais fácil recomendar a aquisição de DiRT Rally ao invés de DiRT 4 ao jogador brasileiro. A experiência do game dublado é muito mais agradável, independente do jogador saber ou não inglês. E não deixa de ser uma pequena forma de protestar o retrocesso de não localizar uma franquia que previamente já havia sido lançado em nosso mercado em nosso idioma.

No fim é tudo uma questão de gosto?

Até agora parece que usei esse espaço complementar apenas para malhar DiRT 4, e talvez seja mesmo verdade, porém são pontos que particularmente me incomodaram. Claro que isso não significa que todo e qualquer fã da série ou até mesmo jogadores que nunca jogaram algum título da franquia até hoje irão se incomodar também.

A minha experiência ultra positiva com DiRT Rally também é parcialmente culpada por me sentir assim em relação ao mais novo título. Se não tivesse jogado seu predecessor, DiRT 4 certamente se apresentaria como um dos melhores games da série até então. E sendo franco, ele provavelmente é. Só que eu gostei do patinho feio que talvez tenha sito DiRT Rally. Não há nada que possa fazer quanto a isso.

E olha que reconheço que DiRT Rally tem seus problemas. O modo carreira não é tão dinâmico, fluido e divertido quanto é em DiRT 4, além de não existir tantos modos extras de jogo quanto existem aqui. Dirt 4, por exemplo, conseguiu me deixar bem mais entretido com o sólido sistema de equipe, onde posso contratar engenheiros e patrocinadores para manterem meu carro sempre consertado durante as corridas, além do sistema de patrocínio me ajudar a ganhar mais dinheiro para expandir minha garagem. Essa sistema dá uma sobrevida enorme ao game, fazendo o jogador querer jogar e testar de tudo, enquanto em DiRT Rally era mais sobre ganhar mais experiência com um modelo específico de carro para aprimorar suas posições nas corridas em si. A curva inicial de aprendizado em DiRT Rally é bem cruel a jogadores novatos ao gênero.

O melhor ponto disso tudo é que independente do jogador se interessar pelo desafio de DiRT Rally ou pela diversão de DiRT 4, é o fato de que há estes dois games da franquia nessa atual geração e ambos acertam a mão em diversos pontos que a série DiRT vinha errando na geração passada.

Os profissionais da Codemasters conseguiram a colocar a franquia de volta aos trilhos com estes últimos dois lançamentos. O que se faz necessário agora é justamente aprimorar e acertar o tom de ambos. A franquia precisa de uma sacudida a partir desse ponto. Se faz necessário mais acordos para trazer mais lugares e pistas oficiais, expandir a galeria de marcas de carros que estão presente no game e definir melhor o tom dos próximos games no sentido de que se vier a existir um DiRT Rally 2 e um DiRT 5… que ambos se distanciem melhor um do outro.

É preciso que se preze o desafio e o realismo do rally e rallycross, seus carros, pistas e lugares enquanto o outro título fique encarregado de ser mais abrangente, prezando a diversão e a acessibilidade de forma mais solta, sem querer disfarçar ou tomar as rédeas demais do outro título, porque senão isso cria travas para aonde a sua proposta deveria levá-lo.

DiRT 4 no geral é um título legal para entender todo o passado da franquia. Tem de tudo um pouco (para saber mais, leia a análise completa). Para novatos (que souberem inglês) é sim um ponto de partida, caso o interesse não seja o desafio acima da média (particularmente o jogo é bem fácil no modo normal). Ao veteranos, certamente a preferência fica por contra de DiRT Rally.

Galeria de imagens

Robusto modo carreira
Diversos modos de jogo adicionais
Jogabilidade arcade ou simulação (você escolhe)
Sem qualquer localização em português
Tem muito conteúdo, porém peca na inovação
Belos visuais, sólido sistema climático

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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