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Marvel vs Capcom Infinite | Batalha de dois mundos! (Impressões)

Estaria mentido se dissesse que Marvel vs Capcom Infinite é o melhor game da série desde que a mesma surgiu em 1996, quando ainda se chamava X-Men vs Street Fighter (o nome Marvel vs Capcom só surgiu no terceiro game da série, que possui o subtítulo de Clash of Super Heroes, lançado para arcade em 1998). Infinite é um próximo passo para a série, mas não ainda o passo definitivo.

Aliás, é curioso lembrar que a franquia surgiu em um game onde os X-Men lutavam contra a galeria de lutadores de Street Fighter, sendo que agora em Infinite não se tem qualquer um dos famosos Mutantes da Marvel e dentro os 15 personagens da Capcom presente no lançamento do game apenas dois fazem parte do universo de Street Fighter: Ryu e Chun-li.

Isso demonstra um pouco a maturidade para como a franquia e seus ideais estão se desenvolvendo nos últimos anos. Para compor a história deste novo game a base veio diretamente do universo cinematográfico da Marvel, o que explica totalmente a ausência dos X-Men, que ainda pertencem a outro estúdio na mídia hollywoodiana que impede a própria Marvel de inseri-los em seu universo (por enquanto). O que ainda não os eliminam totalmente de surgirem aqui eventualmente como um DLC.

No lado da Capcom a base para compor o universo de seus personagens tem como foco principal o universo que vem direto do mundo do Mega Man X, a cidade onde se passa boa parte dos games da série X: Abel City.

Para compor a história de Marvel vs Capcom Infinite o universo de Mega Man X é um dos mais importantes dentro da trama, o que pra mim fui uma inesperada surpresa tendo em vista o tempo na qual os games da série X não recebem novas sequências, tendo sido esquecidos no tempo. Seria algum indício de que a Capcom poderia cogitar em trazer de volta a série?

Na trama, como talvez você já deva saber pelas muitas peças publicitárias que vieram antes do lançamento do game, a inteligência artificial criada por Tony Stark e que se tornou um vilão (ao menos é assim no cinema), Ultron, faz uma viagem interdimensional até Abel City atrás de uma das Joias do Infinito (plot que vem sendo trabalhado nos filmes da Marvel e que terá total foco no próximo filme dos Vingadores). Nisso Ultron acaba conhecendo Sigma, o grande vilão supremo no universo de X – pra mim Sigma é um antagonista muito superior ao Dr. Willy da série clássica do Mega Man. Ultron e Sigma sentem uma conexão e em poder da joia do espaço e realidade ambos acabam se fundindo e se tornando um só ser conhecido como Ultron Sigma. Com isso os universos Marvel e Capcom acabam se fundido também, o que levará um elenco de famosos heróis a se juntarem para acabar com a perigosa ameaça que Ultron Sigma se tornou.

E assim se tem início a Marvel vs Capcom Infinite!

Era uma vez…

— obs — não há aqui imagens das CGs ou das batalhas do modo campanha porque esse é único modo de todo o jogo que desliga obrigatoriamente a função de DVR nos consoles, tornando impossível fazer capturas em vídeo ou imagens.

O maior destaque do título é de fato seu modo campanha (Estória), na qual é apresentando a trama mencionada acima. A Capcom parece ter ouvido a comunidade de jogadores que se mostrou bem insatisfeita quando Street Fighter V foi lançado para PlayStation 4 sem um modo como este.

As pessoas querem história, querem saber mais sobre o universo de suas séries e destes personagens. Não importa se o game é apenas um jogo de luta. Há contexto para estes bonecos estarem lutando e os jogadores querem isso.

Todos sabemos que existe esse lado na qual os estúdios andam querendo lucrar com seus títulos por meio do aspecto competitivo, pelo e-Sports. Por meio de campeonatos, patrocínios e grandes eventos que reúnem essa comunidade apaixonada pelos torneios oficias. Só que apenas isso não é suficiente para atrair o público em geral, aquele que busca uma experiência mais caseira, mais reservada. Um modo história acaba se mostrando mais do que essencial para esse público e a Capcom entendeu e está entregando isso agora em Marvel vs Capcom Infinite.

O grande porém aqui é que a Capcom ainda parece estar longe de conseguir entregar algo tão bem polido e impressionante como a concorrência já vem entregando nessa geração. Mais especificamente o que a NetherRealm Studios fez com Mortal Kombat X e Injustice 2.

Utilizando o modo história de Injustice 2 como exemplo, enquanto a NetherRealm apresenta um enredo onde a trama se divide em segmentos muito bem distintos entre personagens, em que cada um é apresentado, onde vilões surgem em momentos chaves para brigar, onde o jogador interage em algumas cenas chegando até a escolher seu lutador ou decidindo como a trama vai fluir, em Marvel vs Capcom Infinite boa parte da campanha se resume a cenas em CG (belíssimas CGs, diga-se de passagem), batalhas contra os minions fracotes de Ultron, com raras ocasiões onde vilões e adversários do elenco do jogo são enfrentados e… relativamente longas telas de loading.

O melhor da história de Infinite sem dúvida alguma é o fanservice que existe nela. É legal ver um Capitão América e X juntos em uma batalha contra uma horda de robôs Ultron, ou Homem-Aranha, Frank West e Chris Redfield encarando Nemesis. Que tal uma aliança entre Hulk e Ryu? Pois é, fanservice é o que não falta aqui.

O assistir é muito bom, já o jogar nem tanto. O modo campanha é quase como um grande e gigante tutorial para se acostumar com as novidades e mecânicas que este novo título apresenta. Mecânicas estas que já irei abordar mais abaixo.

E não é como se a Capcom não pudesse ter aprimorado essa experiência da campanha. Dou como exemplo as muitas vezes onde a animação mostra um time de três ou quatro personagens em batalha, quando é a hora do jogador assumir o controle não é possível escolher qual a dupla desse time posso jogar.

A batalha final da campanha, outro bom exemplo, estão todos os heróis reunidos contra Ultron Sigma e não cabe ao jogador escolher quem irá lutar contra o vilão para encerrar a campanha. Há apenas uma opção e é essa que você precisa usar. Por que não deixar o jogador escolher?

A campanha ainda tem outros pequenos defeitinhos bobos, como não haver seleção de capítulos após sua conclusão. Para jogar um trecho específico se faz necessário jogar tudo de novo, desde o início. Isso somente para jogar um determinado trecho, pois as cenas em CGs são destravadas em uma galeria para assistir na ordem e quantas vezes quiser.

Outro ponto: não existe um seletor de dificuldade. Gostaria de jogar a campanha em um modo ultra difícil? Não dá. Se você perde uma batalha na campanha é possível dizer ao game que quer batalhar de novo em um nível mais fácil, mas não o contrário. E foram as poucas vezes que perdi uma luta na campanha e só porque ainda não estava habituado com o personagem em questão.

Não tiro o mérito da Capcom com as animações em CG da campanha. Elas realmente possuem um capricho digno de elogios. E há momentos em que a história realmente empolga. É muito bom ver estes personagens juntos, dando sentido a um crossover que nem sempre fez muito sentido olhando seus predecessores e suas histórias.

Vale a pena jogar pela história se você é fã e curte estes personagens, e é só por isso mesmo. Ah, mais uma coisa, o último confronto é genial, especialmente se você é um fã de Mega Man. Nisso a Capcom mandou muitíssimo bem!

Mecânicas: menos é mais!

As novidades de Marvel vs Capcom Infinite não se resumem apenas ao modo Estória. Mecanicamente o título faz excelentes aprimoramentos em relação ao último game da franquia, simplificando controles ao mesmo tempo em que fortalece a estratégia de combate dentro da série.

Provavelmente a mudança mais marcante seja a alteração da dinâmica de times. Agora as batalhas deixam de ser três contra três para batalhas de duplas. Outra mudança também diz respeito às assistências. Nos games anteriores seus outros personagens podiam ser chamados para a luta para realizarem algum golpe específico e agora eles só surgem para trocar de posto com o lutador que está sendo controlado.

Isso muda totalmente o ritmo e a dinâmica dos embates, fazendo Infinite parece bem diferente dos games anteriores da série. Não o faz soar como mais do mesmo e esse é um aspecto muito importante, especialmente se for considerar o quanto o game visualmente se parece com seu antecessor, que até mesmo chegou a ser relançado nessa geração no primeiro semestre desse ano – o que colocando em perspectiva agora não me parece ter sido uma boa ideia ter dado essa overdose de MvsC em um mesmo ano.

Outra adição que combinou muito bem as mecânicas de luta de Marvel vs Capcom foi a adição das joias do infinito. São seis joias, escolhidas antes das lutas se iniciarem. Cada joia tem um poder específico, que pode ser usado com o apertar de um único botão (bumper da esquerda do controle) que ativa uma espécie de movimento especial, dependendo de qual a joia você equipou.

Exemplificando estas habilidades, existe uma joia que se utilizada rouba HP do oponente, uma que dá um dash muito rápido permitindo o jogador mudar de lado dentro da luta sem ter que pular ou arremessar o oponente (uma habilidade perfeita para colar na cara do adversário, especialmente ruim para o oponente que gosta de ficar atacando de longe), há uma que libera uma esfera de energia que persegue o adversário, enquanto uma outra libera uma onda de energia a curta distância que se atingir o adversário o arremessa contra a parede imediatamente.

E estas pequenas habilidades podem ser usadas infinitamente, sem o gasto de barra de energia ou qualquer coisa similar. Cada joia também possui uma super habilidade, na qual esta sim precisa encher uma barra que gasta se for ativada.

Estas super habilidades também possuem propriedades distintas dependendo de cada joia. A joia do espaço prende o jogador em uma gaiola, impedindo-o que ele fuja dos ataques de quem ativou a super habilidade. A joia da alma, em minha opinião uma das mais poderosas do game, permite ressuscitar o parceiro que morreu, dando uma pequena porção de HP, enquanto ambos se reúnem conjuntamente para lutar em tela. Outra joia, a do poder, aumenta consideravelmente o dano causado aos adversários, uma joia perfeita para reviravoltas se acertado um combo muito bem feito enquanto a super habilidade estiver ativa.

A sensação é que Marvel vs Capcom Infinite simplificou bastante as mecânicas e técnicas em relação ao game anterior. Tudo se resume agora a estratégia da dinâmica das duplas selecionadas e da joia do poder escolhida.

Agora há combos automáticos e golpes especiais que são realizados de forma mais simplificados, com o apertar de dois botões. Isso faz com que qualquer jogador que não seja um profissional no gênero se divirta vendo seu personagem realizar grandes e empolgantes ataques, desde que ele consiga pegar seu adversário desprevenido.

Claro que para aqueles que são veteranos em jogos de luta ainda há a opção de criar longos e loucos combos, engatando combos automáticos com golpes especiais e outros ataques normais. Há um modo tutorial que os demonstram, mas não faz com que sejam mais fáceis de serem copiados só porque você o viu sendo feito e possui a lista de comandos para executá-lo.

A única ausência sentida pra mim foi um golpe facilitado para quebrar a defesa do oponente. Normalmente é um ataque onde se faz necessário carregá-lo um pouco. Street Fighter IV tem isso, e Injustice 2 tem sua versão (que pode até arremessar o oponente para outro estágio). Senti falta de um golpe assim, que carrega poder e pressão a ponto de estourar a defesa do adversário. Claro que Infinite traz meios de abrir a defesa do oponente, como contra ataques e trocas efetivas de parceiro, até mesmo os agarrões, porém mesmo assim senti uma lacuna na lista de golpes que poderia estar realizando.

Quanto aos golpes especiais, também achei que boa parte do moveset de praticamente todos os personagens foram simplificados para meia lua para trás ou meia lua frente, ou apenas para trás e para frente com algumas raras exceções um pouco mais tradicionais. Não que isso seja ruim, já que certamente torna muitos personagens mais acessíveis a boa parte do público em geral.

Isso certamente faz com que as batalhas de Marvel vs Capcom Infinite não sejam sobre dominar grandes e complexos golpes e combos, mas simplesmente saber se defender, atacar e contra atacar nos momentos chaves. Ao menos para iniciantes que agora não ficam mais limitados apenas a soquinhos, pulo com chute e um ou outro golpe especial.

Quanto aos personagens da lista de estreia do game, ao todo 30, quinze da Marvel e quinze da Capcom, não tenho muito do que reclamar do rol dos escolhidos. Todos são interessantes, e alguns foram reformados para serem mais acessíveis também. Eu não lembro do Strider Hiryu ser um personagem tão bom assim nos games anteriores e agora ele tem um moveset com agilidade que o faz ser muito bom contra certos oponentes, isso fica muito visível quando o jogador assume seu controle em certos momentos da campanha onde o combate pode acontecer com dois adversários ao mesmo tempo.

Mike Haggar é outro que está monstruoso, o achei até mais poderoso e perigoso do que o Hulk, dois personagens que possuem uma defesa forte e um ataque ainda mais forte. São personagens que o adversário pode conter seus movimentos, mas quando um deles reage normalmente o ataque é devastador.

Há alguns mais tradicionais, como Ryu e Homem Aranha que não sofreram grandes mudanças. Estão como sempre estiveram nos games anteriores, mas não é como se houvesse muito que mudar neles.

Dentre os lutadores inéditos, não tenho exatamente um que tenha se destacado muito. A Capitã Marvel é boa, mas não tem nada de especial. A Gamora não me despertou muita atenção. Thanos é poderoso, mas não vejo muita graça em utilizá-lo sempre.

Fiquei mais empolgado com as novas versões do X, que tem um bom moveset, podendo realizar golpes bem legais da franquia de seus games, porém Zero é bem mais ágil e eficiente sendo bem agressivo, e Rocket Raccon, que agora tem alguns golpes na qual ele pode até mesmo chamar o Groot para dar um auxílio. São personagens que ficaram bem divertidos e diferentes dentro os normais do game.

Considerações finais

Marvel vs Capcom Infinite é meio que isso. Gostaria de poder elogiar outros pontos do game, mas não consigo. Mecanicamente é muito bom, com reformas que trazem a fórmula da série para a atual geração dos games de luta, mas ainda é um título que dá a sensação de ser um trabalho em progresso.

Fiquei bem decepcionado com os modos extras presente no game além da campanha. Há um modo arcade, que consiste apenas em sete lutas contra personagens aleatórios. Mas não há uma historinha ou um final individual para cada personagem. É um modo rápido, sem charme e com baixo valor de replay.

Não há aqui nada como o modo de Torres e Confrontos que a NetherRealm tem colocado em seus games por exemplo. Uma forma de o jogador lutar contra os muitos oponentes do game, em forma de fila, até onde aguentar ou com modificadores. É tudo muito feijão com arroz. Não tem nenhum modo mais criativo e interessante.

Há o modo missões, que de missões não tem nada! É apenas um longo e exaustivo modo tutorial, onde o jogador escolhe o personagem e fica treinando combos contra uma CPU que sequer reage. Não entendo o que leva o estúdio a chamar isso de missão. É só um treinamento e modo de se profissionalizar com os personagens presente no game.

Restam apenas as boas batalhas locais e as batalhas online, que funcionam como se espera que funcionem. O multiplayer ao menos não peca nessa parte. Há partidas casuais, por raking, liga e afins. O necessário para batalhas online.

Ao fim, o jogador vence a campanha principal de Marvel vs Capcom Infinite, que não é muito longa, mas também não é curta demais. Deve levar no máximo quatro horinhas, e após isso fica limitado a jogar o game no multiplayer ou treinar em single player. Faz falta um modo de desafio que construa lutas, modificadores e modos diferentes de se usar as muitas mecânicas e personagens presente no game.

Não se engane, Marvel vs Capcom Infinite está indo na direção certa. Suas mudanças são precisas e muito bem vindas. Mas falta-lhe mais conteúdo, mais maneiras de fazer os jogadores continuarem jogando-o, exceto se quiserem se aprimorar competitivamente. Acho que este é o ponto em que a Capcom errou. Não é todo mundo que só se contenta com uma história divertida e depois vai se limitar a treinar, se aperfeiçoar e batalhas online contra desconhecidos (em que muitas vezes jogam de forma excepcionalmente bem).

Os jogadores curtem a cenourinha na ponta da vara, querem pequenos mimos que customizem seus personagens, querem modos infinitos que mudam aspectos base do game, quero extras desbloqueáveis, querem mais interação com outros jogadores. E nada disso pode ser encontrado em Infinite, ao menos nessa primeira versão de seu lançamento.

Conhecendo a Capcom, dá para acreditar que ela ouvirá as críticas, seus jogadores e até mesmo as tendências do gênero e fará mudanças e adições conforme for trabalhando no pós-lançamento. Novos personagens via DLC já estão confirmados (Sigma, Pantera Negra, Monster Hunter, Soldado Invernal, Viúva Negra e Venom), então claramente é do interesse do estúdio que a experiência em Infinite progrida e melhore nos próximos meses. Estarei de olho nisso!

Galeria de imagens

Enredo é divertido e o fanservice é bem vindo
Batalhas em duplas é mais estratégico do que em trio
Jogabilidade acessível a novatos no gênero
Faltam modos adicionais para manter o valor de replay
Modo missão e arcade são fraquíssimos
Elenco é bom, mas é pequeno e ausências são sentidas

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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