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The LEGO Ninjago Movie Video Game | Ninjas em alerta! (Impressões)

Os games da franquia Lego não param de sair, e a cada título existe pequenas mudanças, atualizações ou novidades que fazem com que a franquia continue evoluindo e impedindo sua estagnação. The LEGO Ninjago Movie Video Game não foge dessa regra, e ao mesmo tempo em que não é o título da série mais impactante do segundo semestre de 2017, só para ser bem sincero. Entretanto o game tem lá seus méritos e pontos positivos que o faz valer a pena ser percebido.

Ah e quando digo que não é o mais impactante do período em que foi lançado, falo isso porque também foi o semestre em que Lego Marvel Super Heroes 2 foi lançado, e sobre esse irei abordar em uma futura análise própria. Está na lista, pode acreditar (e esperar).

Claro que não acho que o lançamento de dois títulos da franquia, sempre aos cuidados da TT Games, em uma janela tão curta de espaço tenham sido algo proposital para que um canibalizasse o outro. O que ocorre é que em setembro, quando o game de Lego Ninjago chegou aos consoles foi no mesmo período em que um filme para os cinemas estava estreando globalmente. Fez sentido lançar jogo e filme tão próximos, enquanto que o Lego Marvel tem seu próprio público e saiu depois (em novembro), o que faz sentido já que era o mais aguardando por fãs – em minha opinião, claro.

Apesar de quê, ao jogar The LEGO Ninjago Movie Video Game sem ter ainda assistido ao filme que originou o game tive um sentimento de estar fazendo algo errado. Tive a sensação de que esse é um título em que os jogadores deveriam assistir ao filme primeiro, caso contrário, estão tomando spoilers do mesmo através do jogo.

Isso ocorre porque o game não funciona como um prequel ou uma sequência. Ele traz a própria história do longa metragem, incluindo algumas cenas do mesmo entre fases e misturados com cutscenes in-game. Tudo bem, ele não contém todo o filme e há momentos óbvios em que senti que a trama deu aquela acelerada para não revelar mais do que o básico, mas ainda assim é impossível não chegar ao final do game e entender do que se trata boa parte do longa e de sua divisão de atos narrativos. Então  quando o for assistir – e eu irei – parte dele já não será uma novidade.

E surpresa ou não, eu realmente gosto das animações da Lego que estão sendo produzidos para as telonas. The Lego Movie é ótimo e engraçado, e Lego Batman: O Filme é ainda melhor. A crítica disse que Lego Ninjago: O Filme não é tão bom quantos estes, mas mantém a essência do bom humor já que foi produzido pela mesma equipe criativa. Por sinal, a animação para o cinema parece ser bem diferente da série animada para a TV, que pode ser vista no catálogo nacional da Netflix aqui no Brasil (não sei dizer se passa na TV Aberta ou em algum canal de TV por Assinatura). Vi alguns trechos da série com o meu filho após iniciar o game e é bem claro que o tom do humor na série não chega aos pés da equipe que está trabalhando nestas produções para o cinema.

Então, o que posso recomendar antes de tudo é: se você também se amarra nestas animações Lego veja primeiro o longa metragem – que já está disponível em DVD no mercado de Home Video – e depois vá se divertir com o jogo. Ao menos se você é um daqueles que se incomoda com spoilers.

Menos filme, mais jogo

Indo adiante, deixando de lado o papo de game baseado no filme, The Lego Ninjago Movie Video Game (que nome, não?) é ótimo em reinventar alguns padrões básicos para não ser apenas um game genérico de Lego. A TT Games fez um excelente trabalho com o que tinha em mãos para esse universo.

É palpável o esforço dos desenvolvedores para entregar aqui uma experiência única e renovada dentro da fórmula mais tradicional da franquia de jogos Lego. Nem tudo achei que mudou para melhor, porém algumas das novidades certamente me agradaram.

Acho excelente que o game traga algumas fases iniciais em naves (veja aqui um trechinho), ou mais especificamente em grandes robôs voadores, dando aquela nostalgia gostosa de jogos como Star Fox 64. Obviamente não são fases tão icônicas quanto o mencionado exemplo, mas ainda assim são fases divertidíssimas, com direito até mesmo a batalha com chefe nesse esquema aéreo.

Porém estes estágios são especiais e compõem apenas parcialmente o pacote de tudo que o jogo oferece. Assim boa parte da aventura segue os estágios mais tradicionais, na qual o jogador controla um personagem e deve ir avançando, à pé, entre um cenário onde quase tudo pode ser destruído, resolvendo puzzles e combatendo inimigos.

A boa é que aqui em The LEGO Ninjago Movie Video Game parece haver um ritmo mais apurado em como o jogador avança pelos estágios, algo que os games recentes da franquia vêm de fato trabalhando para melhorarem, e neste aqui é risível tal cuidado para se aprimorar esse fator.

Exemplifico. Não existe mais aquela real necessidade de destruir tudo ao longo dos estágios para coletar moedas que enchem um medidor na parte superior central da tela. Nos jogos anteriores esse medidor existi e precisa chegar a 100% em cada fase para gerar um certo tipo de colecionável que existe na franquia (os blocos dourados). Aqui em Ninjago esse medidor existe, mas ele é integrado ao game como um todo, possuindo categorias que vão se enchendo conforme o jogador progride por toda a campanha e além, e não mais por estágio.

Isso faz realmente diferença? Faz e muito, porque, como disse, cria ritmo aos estágios. O jogador não está mais preocupado em quebrar tudo, mas em descobrir o que deve quebrar e como vai avançar pelos muitos obstáculos criados dentro das longas fases.

Além disse, sendo os protagonistas ninjas, existe um bom espaço para movimentos de ação em plataformas ao longo de todo o jogo. E mesmo que alguns pulos ou escaladas funcionem de forma semiautomático, bastando o jogador se aproximar de uma beirada para acionar um simples botão, ainda houve essa preocupação para dar a muitos estágios uma verticalidade que poucos jogos da série Lego possuem. Dá para sentir que isso abre mais o jogo para exploração, e não de coisas para se quebrar ou apenas mais itens para se colecionar.

O combate também foi aperfeiçoado, ainda que não tenha atingido seu pleno potencial. Agora alguns inimigos possuem barra de saúde, enquanto o jogador recebeu um sistema de combos com golpes aéreos, esquiva e quebra de defesas, com especiais que ficam muito divertidos de serem usados. Isso para não dizer que os personagens principais, seis ninjas, possuem estilos, poderes elementais e ataques diferentes. Ficou gostoso o combate aqui, no sentido de não ser apenas maçante ou o button smash de sempre. Sem mencionar que os inimigos não estão a todo o momento espalhados pelo estágio, mas posicionados em áreas certas que funcionam como uma arena e na regra de que uma pequena horda deles precisa ser vencida para que o jogador possa avançar. Ficou mais focado, mais lógico assim.

A questão da tela dividida no multiplayer…

O que não gostei diz respeito à forma como a tela no multiplayer no modo cooperativo local para dois jogadores funciona aqui em relação a como a mesma modalidade já funcionou em antigos games da série. Em Lego Ninjago a tela está sempre dividida, posicionada de forma vertical em relação à tela como um todo. Basta ver como é nas imagens que ilustram essa postagem.

Está diferente de outros títulos? Sim, estão. Em alguns jogos anteriores a divisão da tela ocorre de forma mais flexível, nunca fixa, e quando os jogadores estão juntos ela sempre se fundia e abria um plano sem divisão, como se houvesse apenas uma única tela. Eu gostava muito mais desse modelo.

E foi algo que me incomodou porque mesmo estando jogando o game para pode falar a seu respeito aqui no site, esse é um daqueles títulos que não consigo jogar sozinho, sendo pai de um pequeno de 5 anos. É incrível como as crianças adoram esses jogos de Lego. Ou seja, 90% da campanha de The LEGO Ninjago Movie Video Game joguei com meu filho, com a tela sempre dividida, o que certamente acabou evidenciando o quão diferente ela se comporta de outros games da franquia que também jogados juntos.

Em outros jogos onde a tela com dois jogadores se fundia em uma quando estávamos juntos meio que nos obrigava sempre a estar juntos ou próximos, para melhor visibilidade do ambiente. Aqui esse elemento não fazia mais sentido. Ficar juntos alias é até mais confuso, já que a tela apenas parece quase duplicada na TV dessa forma.

Personagens, segredos e muita exploração

Agora uma das coisas que mais me impressionou ao longo do jogo é a quantidade de personagens e segredos que o game reserva e segura até que o modo história seja concluído. O valor de replay de The LEGO Ninjago Movie Video Game é altíssimo.

A campanha principal me tomou aproximadamente 16 horas para ser concluída, o que achei ser suficiente, e sinto que após isso ainda poderia ficar por mais 20 horas correndo atrás de personagens e colecionáveis ao longo de todos os mundos e estágios já vencidos, além de novos ambientes que o game segurou para essa segunda viagem.

Entendo que esse elemento não é exatamente uma novidade em se tratando de games da série Lego, mas levando em consideração que conhecia muito pouco desse universo de Ninjago, me peguei sendo surpreendido em como muitos dos personagens são diferentes dos principais e nas habilidades individuais de cada um.

Personagens que acessam novas áreas, que liberando itens escondidos e passagens segredas. Tipinhos como homens vestidos de cobra que podem entrar em buracos de areia, ou fantasmas que podem possuir objetos ou até mesmo personagens que podem nadar embaixo d’água, coisa que os ninjas protagonistas não podem fazer em nenhum momento da história principal, sendo que há muitas áreas de lagos e rios que escondem itens no fundo de seus ambientes.

Além disso, após o fim da história, há muitas atividades extras que podem ser exploradas que oferecem uma experiência diferente do que apenas repetir estágios. Gostei bastante dos Dojos espalhados pelo mundo aberto do game. Neles o jogador enfrenta uma horda de inimigos em uma arena fechada, em ambientes que sequer existem na aventura principal (como uma arena com plataformas móveis e partes elétricas) trazendo até mesmo inimigos mais fortes que servem como mini chefes desses encontros e que são inéditos dentro do game. Estes possuem ataques novos e até falas próprias.

Em outra modalidade extra das atrações jogo está um modo para quatro jogadores localmente em que o objetivo é um roubar a bandeiro do outro e levar a sua base. Há arenas próprias criadas para esta modalidade, que pode ser realizada com jogadores reais ou bots caso você não tenha controles extras o suficiente para esse modo. Há até mesmo power ups que auxiliam nesse confronto. Uma bela e interessante modalidade de multiplayer competitivo que não é tão presente assim quando se pensa em como os games de Lego apostam mais em modos cooperativos em si. Eu adorei, mesmo tendo jogado apenas algumas partidas.

A própria área aberta do mundo de Ninjago é sensacional. Com locações escondidas, portas que só podem ser abertas ao se coletar um certo número de blocos dourados (um tipo de item que está escondido por todo o canto do game) e diversas outras missões secundários, inclusive de corridas que o jogador pode ativar para conseguir mais blocos de ouros. Há muito que se fazer na região de Ninjago.

A única coisa ruim? Os longos loadings que podem acontecer entre a viagem de uma região para a próxima da área livre e entre os estágios. Alguns podem levar até um minuto inteiro, talvez até mais. Não é o ideal nesse ponto em que o jogador quer explorar segredos e esperar quebra parte do ritmo da euforia por continuar jogando por mais e mais horas. Faz falta algo melhor integrado à dinâmica ou um loading maior na primeira vez que se começa o jogo justamente para evitar que ele demore tanto para carregar depois que o jogador já está engatilhado na aventura.

Considerações finais

The LEGO Ninjago Movie Video Game é legal porque é algo diferente em termos de jogos Lego, ainda que siga uma fórmula bem conhecida. Não é um universo que imagino que todo mundo acompanhe, até porque é muito mais baseado no longa animado do que na série animada, especialmente em termos de personalidade dos protagonistas principais.

Acaba sendo uma novidade, diferente de outros jogos Lego que parodiam filmes ou reprisam aventuras que todos já conhecem de certa forma. Tem um rol de personagens que mesmo vindo de algum lugar, me dá a impressão de que é algo novo, que está sendo melhor explorado somente agora.

Mecânicas estão mais apuradas, a mudança na dinâmica das fases é bem vinda, o valor de replay é um dos maiores e mais interessantes desde que essa fórmula está sendo inserida nesses jogos da franquia e o game ganha pontos bônus por estar mais uma vez totalmente dublado em português, o que cativa e muito os pequenos. Meu filho ficou muito chateado e desanimou quando Lego City Undercover veio ao Brasil apenas com legendas. Vendo-o como ele joga empolgado e animado Lego Ninjago fica bem claro pra mim o quanto a dublagem faz a diferença aos pequenos.

Talvez The LEGO Ninjago Movie Video Game não seja o game mais memorável da franquia, mas certamente ele não é nem um pouco descartável. Quem tem criança em casa, ou na família, é um daqueles games que um adulto e uma criança conseguem se divertir quase que na mesma proporção. E isso é muito bom!

 

História do filme, cuidado então aos spoilers
Segue aperfeiçoando a fórmula dos games Lego
Tela de multiplayer dividida já foi mais legal
Alto valor de replay, diversas atividades extras
Divertido para adultos e crianças
É importante estar dublado em português
Ótima jogabilidade que não cansa o jogador

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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