AssistindoCinemaPapo Pipoca

Crítica | O que dizer sobre o filme de Venom (2018)?

O problema aqui nem é a falta do Homem-Aranha...

Assisti recentemente ao filme do Venom, aquele estreado por Tom Hardy. O filme teve uma estreia nas redes de cinemas lá pelo mês de outubro do ano passado e atraiu curiosos o suficiente para ver o resultado dessa adaptação do icônico vilão do universo do Homem-Aranha estreando uma carreira solo sem qualquer envolvimento no universo do cabeça de teia.

Não foi um desastre em bilheteria. Parece que se pagou e gerou lucros. E apesar de uma sequência ainda não ter sido oficialmente confirmada, é bem possível que venha a acontecer. E se acontecer, é possível que seja um tanto melhor quanto esse primeiro filme.

Venom (o filme) é ruim?

Pode se dizer que sim. Para explicar melhor, é preciso dizer que essa adaptação de Venom é um tanto distante das regras do Venom que eu conheço nos quadrinhos. Sua origem sem o envolvimento do Homem-Aranha aqui soa errada às memórias que tenho do personagem. Ainda que eu consiga reconhecer um pouco de Eddie Brock na adaptação criada para Tom Hardy.

Talvez se o filme fosse menos sobre origem, e mais sobre a dupla já personificada, a obra funcionasse melhor. Por isso acho que uma sequência pode vir a ser mais interessante. O ponto é que o encontro entre o simbionte e Eddie Brock demora a se desenvolver, ainda que ambos se encontrem ainda no primeiro ato do filme. E as cenas que desenvolvem o vínculo entre Eddie e o parasita alienígena não são tão incríveis quanto poderia se esperar.

Não quero ser daqueles chatos que ficam apontando diferenças entre os quadrinhos e uma adaptação no cinema. São obras diferentes e não existe essa obrigação de fidelidade para com o original. E não existem muitos elementos no filme que me incomodaram a esse ponto, exceto uma, onde o simbionte, já dentro do corpo de Eddie, resolve se materializar fisicamente com cara e rosto para ele e rola uma conversinha/ameaça. Isso admito ter achado estranho, ainda que não duvide que algo assim já possa ter acontecido nos quadrinhos.

Tirando isso, Venom é um filme pipoca. Não se deve esperar nada mais além disso. Pra mim o maior erro do filme é sua tentativa de soar como um filme de super herói. Ele nem mesmo ensaia algo anti herói, ou tenta algo alternativo dentro do gênero como os filmes de Deadpool fazem tão brilhantemente.

Poderia ser um filme com um lance mais de terror psicológico, o que não é, indo até contrário a isso, com piadinhas já comuns no gênero dos filmes de super heróis, que quebram e cortam totalmente qualquer tensão que possa vir a existir em algumas partes. Nem mesmo visualmente violento o filme é, tal qual Deadpool, sendo que o filme chegou a ser classificado como PG13 nos Estados Unidos (permitido para maiores de 13 anos). Então não é um filme visceral e sanguinolento.

O máximo que se consegue é ver o Venom indicando estar comendo algumas cabeças no filme, sem realmente mostrar. Nada de membros decepados ou super violência. Eddie Brock, por sinal, adestra o simbionte muito rapidamente, impondo regras sobre tais matanças. Não existe um descontrole. Talvez apenas uma cena no beco, mas bem fraquinha.

A história? Sei lá. Não é tão interessante assim. E nem tão fantástica ou surpreendente. Envolve uma empresa de pesquisa que está estudando os simbioses vindos do espaço em laboratórios, Eddie Brock sendo um jornalista arrogante (ponto positivo em contraste com sua identidade nos quadrinhos) e o simbiose se juntando a ele e fugindo empresa que claramente precisa ser maligna para que o filme tenha um vilão. Nem mesmo a ex-namoradinha de Eddie Brock realmente causa alguma comoção.

Há outros simbiontes, ou mais especificamente um, a qual ninguém realmente liga, mas que serve como combate final para o filme – porque teria que ter algo realmente bacana para terminar a película. E até é legal a cena de combate entre simbiontes, mais do que esperava. Porém não o suficiente para salvar o filme.

Quando o filme começa a ficar relativamente interessante, já estamos no ato final dele. Prestes a acabar. Prova disso é que uma das últimas cenas do filme, quando o mesmo está prestes a rolar seus créditos finais, esteve presente nos trailers oficiais que anteciparam sua estreia. O que particularmente achei um absurdo.

Não sei. Acho que a tentativa de fazer um filme do Venom foi válida, mas claramente houve erros em sua produção. A Sony dey uma pasteurizada muito grande no conteúdo do filme, principalmente ao baixar sua classificação indicativa. Quase dando a entender que se a Disney e Marvel desejassem, a obra facilmente ser integrada no UCM – Universo Cinematográfico Marvel. Desnecessário. Mesmo que fosse para integrá-lo ao universo do Homem-Aranha. Não acho que esse Eddie Brock/Venom funcionariam muito bem como um vilão para o Aranha de Tom Holland.

Claramente Venom deveria ter seguido a direção de filmes como Logan e Deadpool. Obras mais adultas, mais separadas do resto do que tem se tentado dentro do já saturado gênero dos super heróis. Eu gostaria de ter encontrado um Venom mais antagonista, mais psicótico, mais caótico e descontrolado.

Pra mim, não funcionou. Isso não quer dizer que o filme é um desperdício de tempo. Não é. Há boas ideias nele. Mas como um todo o filme deixa bastante a desejar. Vale um baldão de pipoca em casa. Mas não mais do que isso.

Dando uma nota

Mais um filme de origem sem diferencial - 6.5
Violência pasteurizada para menor classificação indicativa - 6.5
Tom Hardy é um competente Eddie Brock/Venom - 8
Embate final entre simbiontes é divertido - 7.5
Toda narrativa do filme é muito clichê - 6

6.9

Fraco

O problema com Venom não é a criação de uma nova readaptação nos cinemas, mas a falta de uma identidade mais sólida e diferente do que já cansamos de ver em filmes de super heróis. Este Venom não deveria ser um super herói.

Curte do nosso conteúdo? Saiba que é possível ajudar o Portallos!
Siga-nos em nossas redes sociais: Facebook | Twitter | Instagram
(Novidade) Estamos começando, dê uma força: YouTube | Mixer
— Entre e participe do nosso Grupo de Leitores no Facebook!
Seja um apoiador no Apoia.se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!
Etiquetas
Isso também pode lhe interessar

Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
Botão Voltar ao topo
Fechar

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios