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Análise | Hungry Shark World – Console Edition

Disponível para PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch — com versão mobile para iOS e Android

Estive bastante entretido nos últimos dias de 2018 com Hungry Shark World, título desenvolvido pela Future Games of London, que é um dos muitos estúdios pertencentes à Ubisoft. No caso estou me referindo a versão lançada nos consoles da atual geração em julho do ano passado, pois este título também se faz presente, com um tremendo sucesso, em plataformas mobiles desde quando lançado em maio de 2016.

A proposta aqui é bem simples: você é um tubarão e tubarões precisam se alimentar pois estão constantemente com fome. Devore tudo que estiver em seu caminho e tente sobreviver pelo maior tempo possível. Entretanto, isso é só a superfície do que o jogo tem a oferecer. Missões, diferentes tubarões, personalizações, áreas desbloqueáveis, segredos e afins fazem parte do pacote que o título tem a oferecer.

Uma informação relevante antes de destrinchar mais sobre o jogo: para este texto utilizei a versão do título no Xbox One, ou seja, a versão paga para consoles. Não vou saber apontar com extenso detalhes suas diferenças com a versão do mesmo que existe em plataforma móveis. O que sei é que no mobile, apesar do jogo ser gratuito para aquisição, há microtransações no sentido de deixar mais árduo a aquisição de itens e do progresso no jogo. Na versão para consoles não há nenhum tipo de microtransação, e o título é generoso com o dinheiro obtido em partidas, a ponto do jogador sempre conseguir comprar aquilo que desejar. No mais, não identifiquei nenhum extra ou conteúdo adicional que a versão de console traga que não esteja presente na versão mobile.

O mais faminto predador aquático dos oceanos

Como mencionado, a proposta de Hungry Shark World é bem simples e direta: seja um tubarão e saia devorando tudo que estiver dentro da alçada de sua dentada. A vida marinha é cheia de opções, de diversos tipos de peixes, crustáceos, tartarugas, mamíferos marinhos como baleias e golfinhos até a seres humanos que estão no litoral ou mergulhadores explorando as profundezas. Tudo é um grande banquete.

Claro que nem tudo é um prato pronto para ser devorado. O oceano é cheio de armadilhas, dentre peixes venenosos ou elétricos, minas que explodem ao simples toque, mergulhadores com arpões, submarinos com mísseis e assim por diante. Você também não é o único predador nesse vasto oceano: há outros tubarões que vão tentar se alimentar de você, assim como peixes-espada e até mesmo golfinhos que não vão simpatizar com sua presença perto deles.

A regra do game é que o jogador está constantemente com fome, que é regulada por meio de uma barra verde no canto superior da tela. Esgotado essa barra, seu tubarão morre de fome. Levar dano, seja de um peixe venenoso, ou ser atacado ou mordido por outro predador, o faz ficar mais faminto e a barra de fome começa a diminuir mais rapidamente.

Hungry Shark World é, acima de tudo, uma batalha contra o tempo. Seu tubarão vai sempre morrer, mas quanto tempo isso irá levar depende apenas de sua habilidade de continuar comendo sem parar. E quanto mais tempo passa dentro do jogo, mais difícil fica manter a fome de seu tubarão saciada.

Claramente essa é uma mecânica pensada para funcionar em jogos de plataformas móveis. É o tipo de jogo que precisa ter sessões rápidas, com um mínimo de progressão. Há muito também de um estilo arcade de jogo. Você repete e repete, afim de almejar a pontuação mais alta, o maior tempo possível vivo. Funciona também nos consoles, mas é perceptível que é um conceito que normalmente é aplicado em outro tipo de plataforma.

Divertido, mas com limitações

É justamente no ponto de sua estrutura original mobile que Hungry Shark World apresenta certos problemas quando portado para uma experiência de console. Sua progressão é um tanto árdua e cansativa, possibilitando que o jogador se sinta um pouco frustrado após algumas horas de jogo.

A ideia do título é que tudo esteja travado desde o início, de tubarões, acessórios e áreas. O jogador começa com um tubarão pequeno e uma pequena área. Seu objetivo é sobreviver comendo, mas também de executar pequenas missões.

O sistema de missões consiste em comer tantos peixes, sobreviver por determinado tempo, encontrar tesouros e colecionáveis além de realizar algumas ações dentro de uma única partida. Cumprir missões geram EXP (experiência), que ao final das partidas fazem uma barra de progressão aumentar. Progredindo nessa barra novos acessórios e metas vão sendo destravadas.

Acessórios são itens que podem ser integradas ao seu tubarão. Vestimentas que são obrigatórios para certas missões, mas que também oferecem algum atributo bônus a eles, como fazer sua barra de fome diminuir mais lentamente, seu raio de mordida ser maior, encontrar mais ouro e afins.

Há também dois tipos especiais de acessórios, que funcionam como equipamentos extras, como um jato que te faz subir aos céus quando pula da água, ou um campo de força que lhe protege de minas. O outro são mini tubarões que podem orbitar ao seu redor e lhe ajudam a comer outros peixes, ajudando sua barra de fome. Um destes mini tubarões, por exemplo, é um fantasma e ao equipá-lo te permite comer tubarões fantasmas.

Entendido tudo isso, resta saber que Hungry Shark World possui 4 áreas. Meio que 4 ambientes próprias. Cada ambiente é enorme, mas o jogador não tem acesso a toda ela de uma única vez. É preciso ir adquirindo tubarões cada vez maiores, capazes de destruir pedras ou barreiras que estão impedindo o acesso a estas passagens novas dentro de cada área. Assim, por exemplo, a primeira área é dividida em 4 segmentos. Para conseguir destravar tudo, se faz necessário ter todos os tubarões capazes de destruir as barreiras que bloqueiam o acesso.

É nesse aqui que Hungry Shark World se torna cansativo e exaustivo. Primeiro porque há uma certa meta principal em cada segmento de uma área que consiste em procurar um item que não aparece no mapa (e que nem sempre se consegue achar em uma única partida, podendo levar várias), para depois ir atrás de uma batalha contra uma gangue de tubarões e resgatar um tubarão preso em uma gaiola que será desbloqueado e será o que tem a capacidade de liberar outra área do game. O ponto é que isso toma tempo, é maçante e para liberar essa missões principal se faz necessário fazer missões secundárias para adquirir EXP até que a mesma acabe surgindo.

Entendo quando um título mobile segura o progresso do jogador, afinal o jogo quer que você repita o ciclo, ou compre algo para ir mais rápido. Faz parte da estratégia de jogos nesse mercado para celulares. Mas em um console, isso nunca é um bom sinal. Hungry Shark World tem toneladas de coisas à oferecer, mas o jogador precisa sobreviver a um certo ciclo de repetição em uma mesma área, com um mesmo tubarão, até encontrar o próximo capaz de abrir uma nova área. E isso torna o jogo cansativo depois de um tempo.

Não se engane: Hungry Shark World é divertido e viciante. É perfeito para momentos em que você quer jogar algo com a atenção meio desligada, apenas para relaxar, mas se ficar nele por muito tempo é exatamente isso que vai irritá-lo.

Considerações finais

O mais legal em Hungry Shark World é a sensação de descoberta. Seja de uma área nova, repleta de novidades, seja novos peixes ou novas armadilhas para lhe matar, seja de um novo tubarão, já que cada um possui atributos e status diferentes, fora que o tamanho deles vão aumentando conforme o jogo avança, permitindo que o jogador devore peixes cada vez maiores.

E nesse sentido o game é muito bem pensado. As áreas e suas divisões por etapas oferecem uma grande gama de cenários e situações. Na primeira área, tropical, por exemplo, o jogador vai encontrar um local com um vulcão, onde não se pode esbarrar em paredes e gases quentes são expelidos em alguns pontos, em outro há um navio naufragado em que é possível explorar dentro do mesmo, encontrando até mesmo esqueletos piratas, enquanto em locais mais próximos da beirada do mar há humanos curtindo uma praia pronto para serem devorados. Em certo local é até possível cair em uma piscina de um hotel ou ir parar em uma fábrica que está liberando lixo na água. Novidades estão por toda a parte. E aí tudo muda quando se chega na segunda área, agora polar, com novos peixes e diferentes armadilhas e cenários de interação com humanos.

Também é divertido uma mecânica chamada Febre de Ouro, que é uma situação em o jogador deve comer ouro para ficar invencível por alguns segundos. E esse ouro é representado por ouro mesmo, ou peixes ou humanos dourados. Quanto mais itens dourados se devora, mais esse indicador se enche. Aí o tubarão devora tudo com uma única mordida, e torna-se invencível, sem tomar dano ao passar por águas vivas elétricas ou minas explosivas.

Falando em comer tudo com uma única mordida, não comentei que nem tudo se come dessa forma. Há peixes, como tubarões, que o jogador deve segura um botão de ataque, que fará seu tubarão começar a mastigar um outro tubarão. É preciso fazer isso duas ou três vezes para conseguir devorá-lo. Com humanos também se faz necessário usar o comando de mastigação duas vezes, caso contrário não dá para devorá-lo. Ah e comer humanos é bastante efetivo no jogo, restaurando quase toda a sua barra de fome.

Um detalhe para quem tem crianças pequenas em casa: Hungry Shark World tem um sistema em que ao morder um humano ou um tubarão, basicamente ao usar o ataque que o faz mastigar uma presa, a água se enche de vermelho sangue. É um efeito bastante… não diria realista, mas que para uma criança pode soar meio inapropriado. Felizmente há uma opção no menu que desliga o efeito do sangue na água. Aí o jogo fica tranquilo, afinal não há humanos sendo desmembrados ou qualquer coisa do tipo. E ajuda o visual do jogo ser mais cartunesco. Meu pequeno curtiu o jogo, mas achei apropriado desligar o efeito de sangue na água. Fica então essa dica.

Ao fim, dá para concluir que Hungry Shark World é um jogo divertido. Há uma variedade de tubarões, todos reais (e alguns extintos), com informações sobre eles na tela de carregamento de fase, as áreas possuem muita coisa a se explorar e o jogo tem um pensamento sempre em dar algo para o jogador sentir que está progredindo. Infelizmente fracassa um pouco ao tornar esse avança lento, árduo e tedioso após um certo tempo. Não é um título que recomendo jogar de maratona. É aquele que você tem que voltar de tempos em tempos para brincar um pouco.

É um jogo casual, feito para relaxar, se divertir. Talvez a versão para consoles tivesse que ter sofrido algumas mudanças para dar um ritmo e dinâmica mais apropriada com a plataforma, porém mesmo assim isso não o torna um título ruim. Seu sucesso de 500 milhões de cópias baixadas nas plataformas móveis é totalmente justificada por tudo que o jogo tem a oferecer. Nos consoles o título não sai de graça, o que talvez seja esse o ponto em que pode incomodar um pouco sua lenta progressão.

Dando uma nota

Estilo arcade é compatível com as mecânicas de jogo - 8
Divertido e viciante, mas cansa após um tempo - 6
Ótimo leque de diferentes tubarões - 7.5
Áreas com muita variedade de locais para se explorar - 8
Progresso lento consegue frustrar rapidamente - 5
Acerta ao evitar ser visceral ou violentamente realista - 8

7.1

Bom Aperitivo

Hungry Shark World é um título divertido e viciante. Seu sucesso em plataformas móveis é totalmente justificado por tudo que o jogo oferece. Entretanto, nos consoles o sistema de progressão deveria ter um pouco mais de jogo de cintura, pois é exatamente isso que o torna cansativo após um certo tempo.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!

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